Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

22 de Novembro de 2017, 18:32

Por

Governo e banca: 9,9 ou 20 mil milhões de euros?

O jornalista Rui Peres Jorge no Jornal de Negócios estima que o actual Governo já gastou 9,9 mil milhões de euros a apoiar a banca. Afigura-se que, contudo, os custos finais irão ser muito superiores.

Com efeito se se considerar ainda:

– O efeito da garantia contingente de quase 4 mil milhões de euros que beneficiará o novo accionista dominante da Lone Star (o empréstimo de 850 milhões de euros ao Fundo de Resolução previsto no Orçamento do Estado de 2018 representará apenas um primeiro adiantamento); o facto de 75% do Novo Banco, integralmente detido pelo Fundo de Resolução, com capitais próprios de mais de 6 mil milhões de euros à altura, ter sido vendido por zero euros; as indemnizações que no futuro irão ser pagas aos obrigacionistas seniores do Novo Banco expropriados dos seus créditos; o efeito negativo da dívida subordinada emitida pela CGD nos seus lucros, com reflexos nos impostos e dividendos pagos; o efeito negativo das medidas adoptadas pelo Governo no IRC pago pela banca no futuro; e o efeito de uma proposta do PS para o Orçamento do Estado de 2018 que, através de alterações ao regime de constituição de imparidades, se estima reduzirá o IRC pago pela banca nos próximos 19 anos em 5 mil milhões de euros.

 – Os compromissos passados e futuros assumidos por este Governo com a “injecção” de dinheiros públicos na banca poderão chegar, ou mesmo ultrapassar, os 20 mil milhões de euros, isto é cerca de 10% do PIB de Portugal.

– Na prática, parte da banca nacional foi literalmente doada (ou, no caso do BPI, vendida a preço de saldo) a interesses estrangeiros e a dimensão e actuação do banco público foi fortemente condicionada em resultado da carta de compromisso com a Direcção Geral da Concorrência da Comissão Europeia para autorizar a injecção de capital no banco público, tudo com consequências para a soberania do país que perdurarão no tempo.

E, o escrutínio destas decisões foi insuficiente. Será que eram mesmo necessários 20 mil milhões de euros, ou bastariam “apenas” 10 mil milhões de euros? Nunca se saberá!

O Governo sustenta que, agindo deste modo, foi possível salvar a banca e reforçar a sua robustez e que é preciso seguir em frente. Esquecer os, no presente, 9,9 e, no futuro, 20 mil milhões de euros, que somam à já muito pesada dívida pública?

Embora a actuação do Governo tenha sido muito insatisfatória na gestão deste dossiê, a actuação das autoridades europeias foi pior. Seria, por isso, de considerar a possibilidade de processar o BCE (Mecanismo Único de Supervisão) e Comissão Europeia por prejuízos causados a privados e ao erário público nesta matéria.

Comentários

  1. 100% de acordo. Tudo muito mal explicado e com influência decisiva e mal fundamentada dos poderes europeus, que mandaram no processo mas deixaram a conta para os portugueses.

  2. Para os Bancos, dizem-nos, tem de haver sempre dinheiro, por serem a coluna vertebral do sistema financeiro. E sem sistema financeiro em ordem…nada feito. É como a velha tanga das contas públicas sãs…sempre na boca do mediático e afectuoso Marcelo. Estou de acordo com Maria Luís Albuquerque, por uma vez, embora por razões diferentes: o país precisa de outras decisões para além de afectos.

    E de acordo com o post a conta dos Bancos anda à volta de 20.000.000.000 de euros ..

    “Não é possível fazer tudo ao mesmo tempo” dizem Costa e Marcelo relativamente à reposição de carreiras de professores e outros profissionais. Mas foi possível deitar dinheiro nas falências do BPN(um troféu do PSD, em maioria) e do BES(um troféu do PS, em maioria). Estas falências custaram ou custarão aos cofres públicos mais de 12.000 milhões de euros. E já não falando nos casos do Banif, Montepio e CGD, que fecham a conta dos 20.000 milhões. A que se soma a incompetência pelo abandono do interior e a consequente desertificação, a culminar na destruição do habitat natural e das vidas de milhares de pessoas. No esvaziamento dos serviços públicos, por falta de financiamento, na saúde, na justiça, na educação que caminham para a paralisação.O arguto Costa está a fazer pela sua vidinha, ao ser um bom aluno europeu. Em 2019, com o amigo Rio e o apoio de Moreira, o senhor do Norte, o Bloco Central estará para durar, com a inevitável descentralização para arranjar milhões de lugares para os boys e as girls do Rato, da Lapa e do Caldas. Para o BE? Zero. Para o PCP? Zero. E benefícios prometidos ao Povo num mar de ilusões…Lá para 2019…Catarina e Jerónimo: abram os olhos quanto antes.

    Já não há pachorra. Se como diz Mariana Mortágua, Belém quer a revitalização do Bloco Central, então o que estão à espera o BE e o PCP? Querem ser associados ao malogro do PS, se der para o torto, como está a ser, ou serem comidos pelo “abraço do urso”? O BE e o PCP perdem sempre neste jogo com o PS. Nada ganham. Ainda não perceberam? Costa já fez o que tinha a fazer: correu com Passos. Um antigo membro da JS correu com um antigo membro da JSD. Eles sabem como se fazem estas coisas. A valia deles esgota-se nestas manobras, são jongleurs de segunda. Com tantos gurus dos mentideros da Política, o BE e o PCP ainda não perceberam que nada ganham nem ganharão? Estão a trocar a sua sobrevivência futura por alguns lugares no Aparelho de Estado e alguma luz dos holofotes, de duração e fama curtas?

    Uma última nota para o economista de Boliqueime, o político com um número de anos inacreditável em permanência em cargos de topo da hierarquia, para os contributos que deu ao país. O economista tão pródigo em auto-elogios e em distribuição de comendas e oferendas aos “heróis” da Operação Marquês, o tal que queria ajudar e que afinal deixou passar as catástrofes do BPN e do BES, em nome do centrão dos interesses, os coveiros de Portugal. Um nítido nulo, este economista.

    1. O sistema precisa de força militar para acabar com os malvados bancos e quem não aguentar temos pena ! Devia haver como dantes : dinheiro vivo para receber os ordenados por explo e acabavam as mamas dos bancos pois o q temos electronicamente foi uma brilhante jogada de xadrez por assim dizer ao longo dos tempos para nos escravizar a todos! Banqueiros são os terroristas da humanidade q ainda deixamos continuar a ser ! Bancos nem vê-los salvos q antes havia q eram os comerciais em q enfim eram mto + justos e não os “Goldman Sachs” q andam “puraí” semeados a extorquir ao esforço humano! Mas isto já esteve + longe de acabar e para terminar os Banqueiros com a ajuda dos seus testas de ferro políticos deve-me imenso dinheiro pois com os meus impostos fui (sem me pedirem autorização!!!!) obrigado a ajudar semelhantes terroristas! Portanto prefiro q os meus impostos sejam gastos em munições para acabar de x com este género de nojentos e quem os defenda!!!!! A humanidade está a precisar desta limpeza e sem humanismos algum pois isto só é para seres verdadeiramente humanos pois para os outros o tratamento q realmente merecem devido ao q andaram a semear !!!!

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