Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

16 de Outubro de 2017, 19:00

Por

Venha um superministério para combater o fogo

Em guerra não se limpam as espingardas e em tempo de combate ao fogo o que é preciso é apagá-lo. As jogadas para aproveitar a catástrofe são por isso prova de ruindade, como antes o fora a invenção dos “suicidados” de Pedrógrão Grande. A ministra tem de concluir as operações contra os fogos em mais esta semana trágica e não tem sentido mudar de responsável no meio do rescaldo. Mas mal vai o governo se pensa que a questão se resolve na costumeira contraposição a uma direita à procura de pretexto, à ex-ministra da agricultura que encerrou os serviços florestais ou ao vindouro chefe do (PPD-)PSD. Se o governo fosse por esse caminho, melhor faria em compreender que estes incêndios são a prova de que tudo o que estava mal continuou pior em pelo menos duas áreas cruciais.

Primeiro, a resposta ao fogo. O combate ao incêndio em Pedrógrão Grande foi frágil demais nas suas primeiras horas: a conclusão é do relatório da Comissão Técnica Independente e é bastante óbvia. Nem existe uma estrutura de pessoal especializado e com carreira profissional na protecção civil, nem existem os recursos para responder a muitos fogos graves em simultâneo. Houve certamente “fenómenos extremos de vorticidade e de projeção de material incandescente” (p.10 do relatório), a lei que impõe a defesa das povoações com uma faixa de segurança sem floresta não é cumprida (idem), tudo certo, mas houve também descoordenação e incapacidade de chegar às pessoas para as orientar e proteger (idem). Ora, se agora se pode dizer que 30 graus em meados de outubro é também inabitual, o facto é o facto e a redução do dispositivo de combate a incêndios no final de setembro foi imprevidente e tornou mais difícil responder a tantas centenas de ignições. Mais valia ter havido prudência (e Portugal tem seis vezes mais ignições que Espanha e 19 vezes do que a Grécia, diz-nos o relatório).

Segundo, falta fôlego à reforma da floresta. Será sempre demorado, como é evidente e o primeiro-ministro tem sublinhado. Mas o problema não é só se é demorado, é se começa algum dia. Somando as reservas dos reaccionários defensores de uma micro propriedade florestal que não tem viabilidade e que será sempre pasto de chamas, com os interesses do lobby eucaliptocrata que mobiliza o poder do capital e das instituições, Portugal arrisca-se a continuar a ser uma pilha incendiária. Diz por isso o relatório que haver “manchas contínuas de misturas das duas espécies, pinheiro e eucalipto, infelizmente comuns em situações de gestão deficiente, é a receita, mais cedo ou mais tarde, para o desastre” (p.163). O desastre tem sido mais cedo do que mais tarde. Com uma área de eucalipto que só é, em termos absolutos, superada por quatro países continente (Brasil, China, Austrália, Índia), Portugal será sempre a pira da Europa.

Se Portugal quer responder a estes perigos que são certezas, precisamos de deseucaliptar, de alterar a regra da irresponsabilidade na propriedade da floresta, de criar meios dimensionados para ao combate ao fogo e de criar uma coordenação eficaz. Sugiro por isso a criação de um superministério da agricultura, das florestas e do combate aos incêndios, que inclua a protecção civil no que diz respeito aos meios para evitar e apagar os fogos, e que se responsabilize por uma reforma da floresta que tenha a ambição de nacionalizar a terra abandonada que constitua perigo para os vizinhos, de defender os pequenos proprietários, as aldeias e comunidades locais, e de promover uma floresta com espécies que sejam económica e ambientalmente sustentáveis.

O governo, que reúne este fim de semana, terá tempo para considerar se quer continuar este susto ou se quer ter a grandeza de mudar a página dos fogos em Portugal. Não vai ser fácil, mas não vejo tarefa mais importante nestes dias de funerais.

Comentários

  1. Chega de falar em floresta e ordenamento do territorio. O pp Costa diz que isso é tarefa para uma década; portanto não vale a pena reuniões de emergência agora para tratar disso. Em tempo de guerra náo se limpam armas. O urgente agora é pensar-se e legislar-se para o melhoramento da Proteção Civil, cuja atuação foi lamentável e continuará a sê-lo, caso o verão se prolongue para um S. Martinho q se avizinha e adivinha com temperatutras altas. Na hora da aflição ninguém quer saber dos eucaliptos qu não deviam lá estar, quer é que os serviços que têm por obrigação proteger as populações e combater os fogos, o façam atempadamente, com competência e eficácia. E nada disto aconteceu. As populações e os autarcas pediram e os meios nao vieram pq alguem no MAI achou q o Verão já lá ia e que se podiam mandar embora (borrifando-se para a informação dos serviços de meteorologia e para o aviso dos Bombeiros); ninguém no MAI se lembrou de chamar militares para acorrer a situações de evacuação ou para proceder a corta-fogos; nem se lembrou de exigir às Câmaras Municipais a limpeza imediata e urgente de um perímetro de segurança ao longo das estradas com máquinas de rasto; nao se exigiu a desobstrução imediata e urgente dos pontos de água; nao se exigiu às operadoras que verificassem a eficácia das comunicações e nem sequer se exigiu às autarquias q informassem atempadamente sobre espaços de escapatória em cada aldeia ou vila. O povo ficou entregue à sua (má) sorte e à desorganização das chefias. Que não aprenderam nada com a tragédia de Junho, pelos vistos. E ainda ficam enxofradas, elas, os acólitos, e os amigos, se alguém se atreve a chamá-las à responsabilidade.

  2. Que artigo delicodoce, este de Louçã. A dispensa de meios para combater os fogos, qdo tudo e todos anunciavam seca continuada e risco agravado, não foi sinal de incompetência ou de negligência dolosa por parte dos serviços do MAI, não Segundo Louça, foi só uma “imprevidência”, que, por acaso… resultou numa tragédia, E mostra “ruindade” quem se insurge contra isto e apresenta uma moção de censura ao governo decorrente da sua inépcia e incapacidade para prever, avaliar, prevenir e atuar. Sao coisas q não se fazem, pq se está a fazer aproveitamento político de uma tragédia e a desrespeitar as vítimas. Longe vai o verão de 2013, em que cerca de sete mil fogos (em maior número do que este ano) se saldaram por nove vítimas mortais (oito bombeiros e um civil) e em q o BE e o PCP quase chamaram criminoso ao então PM por não ter alocado meios necessários e suficientes para o combate aos fogos e a proteção às populaçóes e aos soldados da Paz e sugeriram, reiteradamente, demissões de alto a baixo. Já agora uma pergunta: se esta tragédia tivesse ocorrido há 2 anos, no verão de 2015, qual seria o sentido de voto do BE e do PCP perante uma possível moção de censura? Não é a mim que tem de responder, é a si.

    1. Não lhe vou recomendar seriedade, porque creio que não lhe interessa. Cita-me sobre “imprevidência”, entre aspas, e é uma citação inventada. Anuncia que dois partidos “quase chamaram criminoso” ao PM de então, que curioso esse “quase”. Agradeço muito que lembre a todos os leitores o que é a consistência numa conversa e desejo-lhe um excelente fim de semana.

  3. Para combater o fogo basta a criação de uma unidade militar de Sapadores de Emergências que agregue a Protecção Civil e o seu fraco exército de voluntários e de meia dúzia de profissionais!

  4. Meus amigos eu tenho a solução,fácil trocamos pode ser mesmo pelos holandeses eles vem para cá e nós pra lá
    Já imaginaram o resultado? Em Portugal acabariam os fogos é a holanda desaparecia do mapa
    Concordam?

  5. Caro Francisco:
    Se estivesse uma noite quase inteira a defender a sua casa e dos seus vizinhos, alguns com mais de 70 anos que se mantiveram estoicamente na frente do fogo, e completamente à mercê dos elementos, abandonados à nossa sorte, a sua opinião era bem diferente, para quem vive dentro da grande cidade e vê tudo isto pelo pequeno ecrã acredite que não faz
    a mais pequena ideia do que isso é, deveria por vezes conter-se, ter algum respeito pelos milhões de portugueses que bravamente lutaram contra um impiedoso inferno, estar ai a mandar uns bitaites só me faz sentir que não sabe nada do que se passa no país real, nesse aspecto deveria ser um pouco mais culto, e faz-me pena a sua ignorância acima de tudo a ignorância de quem pensa que sabe muito.

    1. Lamento que escolha o insulto, mas isso não lhe dá nem força nem razão. É por respeito por quem lutou contra o inferno das chamas que escrevo a minha opinião sobre como devemos virar a página de políticas erradas e cujos resultados têm sido lamentáveis. Parece que a comissão do parlamento, por unanimidade, tem a mesma opinião.

  6. Não pretendo fazer filosofia barata mas, a nossa cultura religiosa faz com que aceitemos este (e outros) fatalismo (o) como se do nosso destino se trata-se; daí o nosso imobilismo. E o facto de olhar-mos para a politica como olhamos para o futebol , torcendo pelas nossas cores favoritas impede-nos de ver a realidade tal como ela é, e de agirmos em consequencia. E no caso dos incendios, é facto que os grandes incendios, e a area ardida, é propocional ao aumento da area do eucalipto nos ultimos 30 anos. Mas lutar contra eucalipto é lutar contra o lobing mais poderoso em portugal; tem os partidos do arco da governação nos conselhos de admintração das suas empresas ( Altri, Portucel) e, é propriatária de grande parte da comunicação social (cofina). Assim, qualquer jornalista que não seja assalariado deles tem de ficar caladinho porque podera um dia vir a ser-lo . Em suma, os portugueses pagam através dos seus impostos, diretos e indiretos centenas de milhões todos os anos para combate e prevenção dos incendios, muitos ficam sem nada, e alguns ficam sem a vida, para um punhado ficar multimilionário.

  7. Ninguém gosta de ser desmancha-prazeres, mas também não devemos dar falsas esperanças às pessoas. PS, PSD e CDS, não vão resolver problema nenhum das florestas, já que durante 40 anos tudo fizeram para agravar os problemas, e não diminuí-los…

    Só se notou uma separação dos negócios das funções do Estado no caso das escolas privadas, e mesmo assim com a porta de fuga dos jardins de infância, e mantendo algumas escolas abertas.
    No caso da saúde, até acho que o problema se agravou, que meteram até cunhas o Presidente (que em parte desculpo porque tem-se portado à altura, mas às vezes mete pé na poça, com também aconteceu com a TSU).

    No caso da recente reforma das florestas, nem se ouviu pio da sociedade civil…
    Ou seja, esta reforma foi feita “para inglês ver”, e só aconteceu porque houve a tragédia de Pedrogão, e a pedido do Presidente, e com a compreensão e paciência de elefante do Bloco e CDU, senão, ainda hoje estaria no gabinete dos ministérios…

  8. pois, mas não se esqueçam que a nossa industria de pasta de papel (=eucalipto) é responsável por mais de 6% das nossas exportações e por milhares de empregos… e este lobby tem muito poder de lobbying. Ou seja, vai mudar tudo e ficar tudo na mesma, a suprema magia renovadora do sistema.

    1. É um lobbying muito poderoso provavelmente o mais poderoso em portugal, tem o poder politico e a comunicação social a na mão. Procurei informação no google para saber qual valor de IRC pago em portugal pela industria da pasta de papel (Altri e Portucel) mas não encontrei nada, se alguém me souber informar agradecia.

  9. As populações entre a vida e a morte gritaram por socorro do Estado. Tarde de mais. Já não há senão o Estado Exíguo como tanto preveniu o Prof. Adriano Moreira.

    Privatizaram e destruíram os instrumentos do exercício das funções do Estado e, até os mesmos, choram sobre o leite que derramaram.

    Sim, o tempo está quente e daqui a dias as inundações serão execivas, mas no mundo só há um Presidente que nega as mudanças climáticas que é Trump, pouco preocupado com a mortandade nos incêndios da Califórnia.

    Os desastres requerem uma resposta política antes de tudo e depois entram os técnicos que valem o que valem.

    Não houve resposta política do governo. Houve do Presidente da República.

    O governo está ferido de morte. No imediato até terá de virar à esquerda por ordem do Presidente da República que não dissolveu a AR obrigando ao reforço do apoio parlamentar dos grupos PS, BE, PCP e PEV.

    A direita que fez a parte de leão na destruição do Estado sabe o que fazer: continuar a cavalgar a justíssima indignação popular. A esquerda fica sem poder fazer nada senão indminizar as perdas humanas e materiais sempre debaixo da contínua acusação de insuficiência, incompetência, desleixo… As tretas que alimentam a indignação popular.

    O governo pode tentar mudar de políticas. Que políticas?

    Nacionalizar propriedade privada e comprar guerras locais e incompreensões nacionais e internacionais e uma barreira histérica da direita? E, também do PS que reside nos conselhos de administração das empresas e instituições públicas e privadas que o Estado influência e serve?

    Com que recursos financeiros o governo fará políticas que são vetadas por Bruxelas e Frankfurt através do Tratado Orçamental?

    A saída política estará na mobilização popular contra as políticas que liquidaram e continuam a liquidar o Estado e a sua Autoridade!

  10. “Em guerra não se limpam as espingardas e em tempo de combate ao fogo o que é preciso é apagá-lo”. E foi isso que se fez aquando o incêndio de Pedrógão. Mas depois, nada se fez. E aí está o problema. Sanearam a ANPC, colocaram um responsável com 32 equivalências de 36 e querem que acreditemos que estamos a falar de gente séria e responsável, gente que sabe como conduzir situações como a de Pedrógão e a deste último domingo? A Ministra devia ter saído depois do que aconteceu em Pedrógão. “Trovoada seca”, gravações que foram abortadas a pedido… Que mais querem? Ainda continuaram a defender. Até que aconteceu outra tragédia, que podia ter sido muito pior (fiz a viagem Braga-Lisboa no domingo e nunca vi nada assim). A saída ontem era tarde, hoje é o mínimo dos mínimos que podia fazer. Na Galiza por 4 mortos manifestaram e pediram a demissão. Agora também é leviano nestes assuntos, Dr. Louçã? Muito mal, muito mal mesmo

    1. Caro Sr. José,

      lendo o seu comentário fico com a sensação que leu apenas as 3 primeiras frases, não passando da metade do primeiro parágrafo.
      Ou seja, não entendo o propósito das suas críticas ao texto.

      Cumprimentos.

  11. Não. A fatalidade tem responsáveis. E não é só de agora. Mas os únicos responsáveis não estão no Estado, também, são os
    donos das terras. E cerca de 97% da floresta portuguesa é propriedade privada. Certo?

  12. De acordo com o artigo (e não vejo nele nenhuma carga ideológica, antes a defesa dos interesses do país, a começar pela defesa das populações).
    Concordo (e não é só de agora) com o proposto no último parágrafo, mesmo que não seja um super ministério; o facto é que as áreas de interesse envolvidas são (ou deviam ser) transversais a todos os ministérios, os actuais ou outros numa nova formulação.
    A tarefa proposta é obrigação de todos, incluindo a urgente necessidade de medidas efectivas de educação cívica e o cumprimento das normas e leis, cabendo às autarquias um papel preponderante e continuado.

  13. Há várias conclusões no relatório: umas sobre o combate, outras sobre a origem dos incêndios.

    Hoje a LUSA salienta:
    “O relatório da comissão técnica independente designada para analisar os fogos de junho na região Centro afirma que o facto de se continuar a passar a ideia de que a maior parte das ignições resulta de atos dolosos tem contribuído para que Portugal apresente “um elevadíssimo número de ignições quando comparado com os restantes países do Sul da Europa”, sendo que 98% das ignições que originam incêndios têm origem humana, mas na sua maior parte por negligência e acidentes.”

    Em 16 de Setembro, no DN:
    “Os condenados por incêndio florestal a penas suspensas em execução ou já em liberdade condicional por este crime passam a ficar sujeitos a obrigação de permanência na habitação com pulseira eletrónica nos meses de verão em que há mais ocorrências de fogos. O novo regime sancionatório para os incendiários condenados foi publicado a 23 de agosto e entra em vigor a 23 de novembro. Mas os juízes têm dúvidas quanto a esta medida do Ministério da Justiça. “Merece-nos reservas a nível dos princípios e da eficácia”, referiu ao DN o secretário-geral da Associação Sindical de Juízes Portugueses, João Paulo Raposo. O jurista sublinhou que haverá “grande dificuldade em ter técnicos de reinserção social e polícias em número suficiente” para controlarem a vigilância eletrónica e as tentativas de fuga destas pessoas.”

    “De acordo com os nossos dados do início de setembro, dos 92 detidos deste ano por crime de incêndio florestal, 45 estão em prisão preventiva e seis em regime de permanência na habitação”, adiantou Rui Almeida, diretor da Diretoria do Centro da Polícia Judiciária.

    Rui Almeida reconhece que “a prisão preventiva tem sido a única forma de os controlar”, uma vez que a maior parte dos detidos na região centro do país são “quase indigentes. Têm escassos recursos e famílias desestruturadas”, argumentou. Mas, segundo Rui Almeida, os dados recolhidos até ao início de setembro não contrariam o padrão habitual: a maior parte dos detidos homens são “desempregados, agricultores ou pastores, reformados, inválidos ou inativos”. E agiram para “chamar a atenção, para limpar terrenos ou por alcoolismo”.

    Este é o panorama: sem olhar às consequências, este governo “abrileiro” só está preocupado com o “regime sancionatório” e não percebe que o objectivo da Lei não é só punir, mas proteger o resto da sociedade dos actos irresponsáveis de gente irresponsável que não pode ficar em liberdade!!!

    O articulado do novo artigo 274º-A do Código Penal é explícito quanto à irresponsabilidade deste Governo:
    “4 – Quem praticar crime doloso de incêndio florestal a que devesse aplicar-se concretamente prisão efetiva e tiver cometido anteriormente crime doloso de incêndio florestal a que tenha sido ou seja aplicada pena de prisão efetiva, é punido com uma pena relativamente indeterminada, sempre que a avaliação conjunta dos factos praticados e da personalidade do agente revelar uma acentuada inclinação para a prática deste crime, que persista no momento da condenação.”

    Mas a razão profunda é ainda mais inominável:
    (SIC, 22/6)
    “O diploma debatido no parlamento altera igualmente conceitos de prisão por dias livres e outras penas de curta duração, em casos de baixo risco, intensificando soluções probatórias, a admitir o recurso à pena contínua de prisão na habitação com vigilância eletrónica, nos casos judicialmente determinados, com eventual possibilidade de saída para trabalhar, e com vista a combater a sobrelotação dos estabelecimentos prisionais.”

    “Durante o debate, o deputado José Manuel Pureza (BE) alertou para a “degradação inquietante” do parque penitenciário, bem como par a “perda inquietante” da função ressocializadora, observando que a população prisional é fundamentalmente constituída por condenados por pequena delinquência.

    No entender do deputado do BE, a “cultura do encarceramento tomou conta do sistema judiciário”.

    Não posso admitir que se ponham nos dois pratos da mesma balança as consequências destes actos (destruição, mortes) e as supostas boas intenções de recuperação de criminosos (a negligência grosseira e continuada é crime).

    Não é preciso nenhum “superministério”, o que é preciso é encarar a realidade e pôr de lado a cultura de irresponsabilidade e as ideologias permissivas e libertárias, que face às suas consequências, se tornam elas próprias criminosas!!!

  14. Embora esteja escrito neste artigo, eu penso que é importante sublinhar (embora espero que uma larga maioria já se tenha apercebido disso) que o maior erro cometido foi mesmo o de não ter sido alargado o período de prontidão máxima em função do estado do tempo. Foi essa exactamente uma das razões descritas como tendo sido crítica nos incêndios de Pedrogão Grande. O pior de tudo era que poderia, e espero que tenha sido feito a algum nível mesmo que insuficiente, ter sido alterado a tempo de evitar esta segunda tragédia.
    Também não acredito (como algumas pessoas parecem acreditar) que nada tenha sido feito e que não se tenha feito um esforço para melhorar a resposta depois de Pedrogão Grande, mas infelizmente perante o tamanho e o número de fogos quaisquer melhoramentos noutras áreas da resposta nunca poderiam ter evitado o tamanho deste segundo desastre.

  15. O abandono do interior, com centenas de povoações dispersas e escassas dezenas de habitantes, muitas delas implantadas em manchas florestais contínuas, representará sempre um grande quebra-cabeças para uma actuação eficaz e rápida em qualquer estratégia no combate racional ao flagelo dos fogos florestais.
    Julgo que a protecção dos habitantes destas povoações terá de passar pela construção de um núcleo central edificado, semi-enterrado – eventualmente na base de equipamentos públicos (escolas, quartéis de bombeiros), afastado de zonas arborizadas, para o qual seriam conduzidos os moradores em situações de incêndios de grande dimensão.
    Naturalmente que estas edificações especiais teriam de ser devidamente equipadas com todos os apetrechos necessários ao suporte da vida dos seus utilizadores, por um período mínimo a definir em função da evolução média dos incêndios florestais.

    1. não sabe o que diz quanto ao “núcleo central edificado”. o seu “quebra-cabeças” está respondido logo no inicio da sua mensagem: O abandono do interior. Que fi causado por sucessivos governos incompetentes e como propósito de “vender” o interior mais barato (ou de borla) à EDP e outras empresas que com grande poder de capital absorvem terrenos ao desbarato.

  16. O problema aqui foram os pequenos detalhes. É certo que as circunstâncias foram excepcionais com muito calor e durante muito tempo, mas depois de tudo vem os detalhes, a fragilidade do combate ao fogo de Pedrogão nas primeiras horas o que originou as tais 65 mortes entre as quais aproximadamente 40 numa só estrada (um detalhe). É referido também que mais cedo ou mais tarde existe uma receita que levará ao desastre, mas aconteceu agora porque em apenas dois dias ocorreram mais de 100 mortes e umas dezenas de feridos (um detalhe). Querem fazer da reforma da floresta a solução para o fim dos incêndios quando faltou ao autor referir o pequeno detalhe das nomeações que são feitas no inicio das legislaturas e que no caso, o tal relatório da comissão técnica independente mostrou que não tiveram uma atuação de qualidade e que esse pequeno detalhe acabou por ditar a morte de muita gente. Ainda no artigo é lançado o lobby eucaliptocrata que é o potencial responsável por continuar por muito tempo este perigo de incêndios quando existe o pequeno detalhe de provavelmente ser um aliado ao poder politico para que se façam negócios dos meios de combate ao fogo e que as nomeações com cariz politico feitas pelos governos são talvez o maior entrave para que esse lobby não deixe de ser importante para os governos.
    Um ultimo detalhe é a sugestão do autor para um super ministério cujo objetivo é nacionalizar, indo de encontro a uma particular ideologia que ele parece defender.

    1. Só mais um detalhe, de não somenos importância: 97% da propriedade “florestal” em Portugal está em mãos privadas. Há outro país na Europa em que isso aconteça? Não me parece. A começar por Espanha. Quando alguém quiser fazer alguma coisa a sério para corrigir esta situação, como mexer na estrutura da propriedade fundiária, limitar as áreas e a densidade da eucaliptização, impôr a abertura de contrafogos, fazer respeitar (por todos) as distâncias mínimas de segurança para habitações e vias de circulação, os mesmos que agora se manifestam porque nada se faz ou nada foi feito serão os primeiros a dizer “aqui d’El Rei”, que nos atacam os direitos de propriedade, tudo isto são manobras coletivistas.

  17. Senhor Louçã: deixe-me, por favor, dizer esta coisinha. Não o volto a aborrecer.

    Penso que Costa se deve ir embora. Deve demitir-se. O laxismo e a incompetência atingiram os seus máximos. Costa deixou de ser útil: Passos já está fora de combate. Portanto, Snr. Costa vá-se embora. O que virá não será pior, com certeza.

    1. Ridículo. Use o seu cérebro e remonte até Cavaco, o tal que nunca tem dúvidas, e perceba que a extinção da agricultura foi o ponto de partida para os tempos que vivemos.
      Não nos aborreça mais, já agora.

    2. Snr. Cunha: reveja a teoria da utilidade e veja se existe alguma satisfação proporcionada por este Governo. Este Governo já fez o que tinha a fazer: correu com Passos. A partir de agora, a própria esquerda tem interesse em desvincular-se deste PS tão pejado de clientelas e marqueses. E, Costa, nem sequer abandona a consolidação orçamental quase ortodoxa.

      A floresta é simplesmente um pormenor: apesar do êxodo rural e da intromissão externa a partir da adesão ao Euro, o Governo PS não acautelou a defesa da floresta face às pretensões da indústria do fogo. Virou-se para os “atrasados” que pegam fogo à floresta e, afinal, esqueceu-se dos interesses das indústrias situados no terreno.

      E, senhor Cunha, acabe com esses tiques autoritários. O senhor Cunha tem alguma de mais substancial para dizer, para além de ser um mero porta-voz do Largo do Rato, local de emanação de marqueses corruptos; conforme despacho de acusação da Justiça do passado dia 11 de Outubro? Se eu o deixar de aborrecer é menos um voz contra a corrupção.

    3. Caro António:

      O seu comentário levou-me à recordação do jornalista Vieira Pereira do “Expresso” e do sindicalista António Ramos. Casos de má memória. Tiques autoritários…

    1. Concordo plenamente. É o melhor artigo que já li nesses dias de ódio e de aproveitamento político de uma fatalidade que não tem responsáveis, por mais que se queira encontrá-los para deitá-los abaixo.

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