Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

28 de Maio de 2017, 19:21

Por

Uma lição de vida de um antigo “bully”

Gregory Gianforte é um político republicano e antigo empresário que concorreu a uma eleição especial no estado do Montana para o Congresso dos EUA.

No dia 24 de Maio, na véspera da eleição especial para o Congresso no Estado do Montana, Greg Gianforte estava em conversa informal com jornalistas da Fox quando outro jornalista do jornal Guardian, Ben Jacobs, o interpela sobre um relatório do “Congressional Budget Office” (CBO) dos EUA, o qual analisa a proposta de lei republicana (o American Health Care Act), suportada pelo presidente Donald Trump, que pretende acabar com o “Obamacare”. O ponto chave desse relatório da CBO é que, em 2026, mais 23 milhões de americanos ficariam sem qualquer cobertura de seguro de saúde, em comparação com o sistema de seguro actual (Obamacare). Gregory Gianforte teria defendido publicamente que não aprovaria essa nova legislação sem conhecer os seus custos, mas aparentemente, num volte face, suportaria essa nova proposta de lei republicana, não obstante os seus custos.

Segundo a jornalista da Fox News, o jornalista do Guardian insistiu na questão, ao que o político Gregory Gianforte reage dizendo que deveria falar com o seu porta-voz, mas ao mesmo tempo alegadamente agarrando-o pelo pescoço, atirando-o ao chão e esmurrando-o. O jornalista do Guardian sai para chamar a polícia, que tomou conta da ocorrência, acusando Gregory Gianforte de crime punível com multa e pena de prisão até 6 meses. Durante esse processo, Gregory Gianforte pediu desculpa aos restantes incrédulos jornalistas. Os jornais do Estado do Montana imediatamente retiraram os seus apoios a esse político.

Mas mesmo assim, no dia seguinte, Gregory Gianforte foi eleito para representante do Estado do Montana, pelo partido republicano, no Congresso dos EUA.

Parte deste resultado eleitoral explicar-se-á pelo voto por correspondência, mas é todavia chocante, em democracia, que um político que perde o controlo e esmurra um jornalista, sem qualquer razão para tal, possa ter sido eleito para o Congresso dos EUA! Enfim, temos de nos lembrar nestas alturas que, parafraseando Winston Churchill, a democracia é o menos mau dos piores sistemas de governo…

Contudo, a propósito deste episódio lamentável e inaceitável, pareceu-me particularmente relevante a reacção de Mike Riggs, reportada na Vox, à teoria que Gregory Gianforte foi eleito porque o eleitorado gostaria de líderes duros, mesmo que violentos, tal como os heróis de westerns e de filmes policiais. Mike Riggs argumentou que o estereotipo de que o comportamento Gregory Gianforte seria admirável, só o seria à distância. Na sua opinião, ao perto, pessoas com esse tipo de reacção violenta inspiram medo. Esse perfil violento tenderia a resultar em crime e prisão, em violência contra mulheres, em maus pais, e numa memória do seu próprio passado que o “faz sentir doente” (em criança, devido ao seu maior tamanho e força física, atemorizou colegas de escola, irmão pequeno e família). Muito mais admirável seria o auto-controlo e a sabedoria, segundo Riggs. Palavras racionais e muito sensatas de alguém que aprendeu que não se deve recorrer à violência …

Comentários

  1. Não me surpreende que pessoas com um perfil de bruto e de primário sejam eleitos por conservadores. De uma maneira ou de outra é o que tende a acontecer.

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