Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

25 de Janeiro de 2017, 19:09

Por

“Há ir e voltar”…

Em Novembro de 2016, 105,6 mil jovens entre 15 e 24 anos estavam classificados pelo INE como estando desempregados, uma taxa de desemprego 29,1% (não ajustada da sazonalidade). Estes números excluem os jovens que não estão na população activa porque, por exemplo, são estudantes.

Não são só os jovens sem emprego que se ressentem da situação. A taxa de desemprego afecta em muito o rendimento e as condições de trabalho de todos aqueles que têm emprego, jovens e menos jovens, bem como as perspectivas de rendimento e de vida de quem encontra emprego. Por conseguinte, este será um dos principais desafios do actual e futuros governos. Só com mais investimento, com a economia a crescer e com o Estado a contratar de novo em escala suficiente (na prática as Administrações Públicas restringiram fortemente as novas contratações e estão a envelhecer de ano para ano) é que se poderá baixar o desemprego jovem de forma sustentada. O que não parece aceitável é que se tolere ou se ache normal mais de uma década com taxas de desemprego jovem em torno de 20% ou mais.

desemprego jovem vf
F: INE

 

Muitos outros jovens portugueses neste escalão etário emigraram, uma parte significativa dos quais por necessidade.

Quando ouço algumas histórias de casos individuais, por exemplo, de jovens médicos, recém-licenciados, que aprenderam alemão enquanto tiravam a licenciatura e que passaram nos rigorosos exames de domínio da língua Alemã, para poderem ser recrutados como médicos e tirarem a sua especialidade em hospitais de grandes cidades da Alemanha, tudo porque não existiam vagas na especialidade que pretendiam em Portugal, fico esperançado. O mesmo se passa noutras áreas de formação e de especialização, enfermeiros, engenheiros, economistas, gestores, etc. Para muitos, a sua vida construir-se-á lá fora.

Mas pode ser que alguns equacionem regressar ao país. E, para esses, há que pensar em programas específicos que criem as condições de regresso, nomeadamente com incentivos financeiros ao longo de vários anos. Porque regressar ao País é, em parte, para alguns, largar tudo o que já conquistaram lá fora, recomeçar a vida e a carreira de novo e enfrentar as resistências dos que cá ficaram, bem como a nossa burocracia.

Enfim, enquanto estamos concentrados nos problemas presentes do país, no défice público, na dívida, esquecemo-nos às vezes que o País irá continuar a existir por muitos mais séculos. É necessário, por isso, levantar os olhos das dificuldades do dia a dia e ambicionar mais longe…

Comentários

  1. No governo anterior lançou-se uma iniciativa de louvar que poderá ajudar os portugueses qualificados a decidirem regressar a Portugal. O regime fiscal dos residentes não habituais aplica-se a todos os que viveram pelo menos 5 anos no estrangeiro e que regressem para ter uma profissão que seja considerada de especial relevo para Portugal. Durante 10 anos podem beneficiar de uma taxa de IRS de apenas 20% (Portaria 12/2010, de 7 de janeiro). Esta ótima iniciativa deve ser para manter e poderá incentivar o regresso de muitos jovens e menos jovens que desde o pico da crise saíram do país. Eu, por exemplo, aproveitei esta oportunidade.

  2. Não haverá voltar a um país que se acovardou e deixou colonizar e arruinar voluntariamente. Se querem regressos, terá de haver um país a onde regressar. Os emigrantes estão a votar com os pés: com o Brexit, apenas um dos 6 países com mais de 100 mil portugueses residentes se localizará na UE (a França). Enquanto pensam nisso olhem para o https://populationpyramid.net/portugal/2016: um sistema económico e um “projeto europeu” que condena quase 1/3 de uma juventude em contração à improdutividade é uma opção que literalmente não tem futuro. “levantar os olhos das dificuldades do dia a dia e ambicionar mais longe…” … começa por ser ter a coragem de sair do euro. Qtos prémios Nobel da economia precisam para terem um bocadinho de coragem?

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