Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

9 de Dezembro de 2016, 10:23

Por

Fidel e a encazinação da direita

Escreveu altivamente um editorial: “um ditador é um ditador”. Já outros tinham sentenciado, naquele estilo marrão que faz títulos sumarentos: “um ditador é um ditador é um ditador”. Não discutam, a história não conta, caluda. Mas os jornais mandaram correspondentes a Cuba para exuberantes reportagens acerca do funeral de Fidel Castro, no meio de páginas de evocação heróica. Se tudo é igualmente indiferente, tiveram também um correspondente no funeral de Pinochet e enalteceram a sua história?

A SIC, a TVI e a RTP passaram horas de directos com a caravana que levou a urna pelas estradas de Cuba. Fizeram o mesmo quando morreu Pinochet e elogiaram os seus feitos no Chile?

Marcelo Rebelo de Sousa apresentou a Cuba as condolências de Portugal. O Presidente de então fez o mesmo com Pinochet, também ele ex-presidente de um país com o qual Portugal tem relações diplomáticas?

O Presidente português visitou Cuba e insistiu em ter um encontro com Fidel, apimentado com fotografia. Algum enviado português foi a casa de Pinochet, nem que fosse um cônsul, para tirar uma selfie e publicar no Facebook uma foto sorridente dos dois?

O governo faz-se representar no funeral de Fidel por um ministro. O governo de então enviou um ministro ou qualquer representante de Estado ao funeral de Pinochet, ou sequer uma coroazinha de flores?

O Papa enviou mensagem de pesar. Rajoy e Juncker, chefes da direita europeia, elogiaram a “figura de importância histórica” e que foi “herói para muitos”. Esqueceram-se de fazer o mesmo com Pinochet?

Os partidos aprovaram no parlamento dois votos de pesar. Ocorreu-lhes votar tal pesar quando Pinochet morreu?

Ninguém se lembra mas, já ex-presidente, Pinochet visitou Portugal para intermediar um assunto de compra e venda de armas, tendo sido alvo de manifestações populares, não constando que os negociantes tivessem conseguido mexer um dedo para o defender (foi no tempo de um governo PS). Em contrapartida, toda a gente se lembra que quando Fidel veio a Portugal foi uma festa popular. Os dignitários dos partidos de direita acotovelavam-se nas cerimónias para o cumprimentar. Muitos dos que agora o insultam lá andaram ao beija mão.

A comunicação social, o Presidente, o governo e os partidos, o Papa e as autoridades europeias sabem que só um sonso compara Fidel a Pinochet e não caíram nessa esparrela, que ficou reservada para os ideólogos.

Mas os ideólogos rasgaram as vestes, indignados com tudo. Indignados com o PSD, que se absteve. Indignados com o CDS, que fez de conta. Indignados com o Presidente, mas disso não convém falar. Indignados com o governo, mas está em alta. Indignados com a história, porque a derrota dos sul-africanos em Angola é uma mágoa abissal. Indignados com a perda, que os casinos em Havana eram do melhor. Tudo o resto é instrumental: Marques Mendes critica o seu partido tanto por não ter candidatos autárquicos como por não recusar o voto de pesar, afinal é Passos Coelho o seu alvo e vale tudo; o ex-director do Expresso critica quem não demonizou o homem, não abra por favor o jornal que encontrará encómios abundantes sobre o dito cujo. Nenhum deles está a analisar quem foi Fidel, nem muito menos a discutir a história de Cuba, estão somente a escrever sobre as disputas mais comezinhas que os ocupam. O problema da direita com Fidel não é a democracia, é flutuarem no tempo ao sabor dos ventos e da vontade de ajustes de contas caseiros.

No mais, seguem Trump, a nova luz no firmamento da direita. Aprenderam com ele que disparar mais depressa do que a própria sombra é a política desejável. Pensar, nunca, e muito menos compreender (se quiser ler, em alternativa, um artigo informado e inteligente de opositores de Fidel, abra aqui).

Se não quiser analisar os factos, não há história, fica a ideologia, ou um molde universal que explica tudo porque não sabe nada. O mais certo é que na direita se continue assim, parece que ficam felizes com tão pouco.

Comentários

  1. Francisco Louçã, as pessoas têm uma certa tendência a gostar de palhaços. Normalmente é o palhaço pobre que cativa mais mas há também quem prefira o(s) palhaço(s) rico(s)

  2. Resumindo a retórica do senhor professor ao que realmente interessa, podemos concluir sem qualquer tipo de dúvida, que se este senhor tomasse o poder, as arenas portuguesas ficariam manchadas de sangue e não seria dos touros. Digo arenas,porque este senhor não faria igual a Pinochet, na utilização dos estádios de futebol para a primeira limpeza revolucionária. Este senhor é um perigoso ditador da cabeça aos pés, felizmente, não tem a coragem de o assumir. Neste triste país temos muitos a pensar de igual maneira. Afonso Costa, Salazar, Cunhal, Louçã. Todos uns grandes democratas. Shame on you, senhor Louça.

  3. Uma falácia é uma falácia, que é uma falácia, Professor. Cristo poderia ter descido à Terra e assistido ao funeral de Fidel que isso não apagaria os crimes da ditadura cubana. No fim, é isso que conta, apesar das tentativas de uns e de outros para enviar os crimes dos ‘seus ditadores’ para o buraco da memória. E, já que falamos de História, cabe lembrar que durante a crise dos mísseis de Cuba, Fidel escreveu uma carta a Khrushchov pedindo-lhe que lançasse um ataque nuclear preventivo contra os EUA em caso de invasão da ilha, o que teria naturalmente destruído toda a civilização, Cuba incluída. Será que é em parte essa atração pelo abismo que caracteriza a Esquerda que explica o fascínio que Fidel ainda exerce sobre ela? A mim confesso que ele não exerce nenhum, mas isso talvez seja um defeito da minha costela conservadora…

    1. Oh Jaime Santos, o que me preocupa é o fascínio que Fidel exerce sobre a direita e sobre tantas figuras! Marcelo Rebelo de Sousa, o governo português, o Papa, Mariano Rajoy, já para não falar nos figurões de direita que o foram abraçar quando visitou Portugal. Suponho que fica tão indignado com essa “falácia” como eu.

    2. Esses figurões de que fala Francisco Louçã serão mesmo de direita? E ainda que algum o seja, representará a direita? O único fascínio que vejo aqui é o que Fidel exerce sobre a esquerda que quer à força incluir a direita nesse fascínio. Será uma forma de mitigar alguma má consciência?

  4. «Os nossos filhos da p… não o são menos por serem nossos. Um ditador não o deixa de o ser por se aproximar das nossas convicções políticas. A não ser, claro, que as nossas convicções políticas não incluam a democracia e a liberdade»

    As palavras acima citadas não são as de um «encanizado» de Direita, são de Daniel Oliveira, um dos seus correlegionários de Esquerda.

    Faço-lhe duas perguntas, de todo legítimas, após ter lido este seu maniqueísta artigo, e que gostaria que me respondesse: as suas convicções políticas, Francisco Louçã, incluem a democracia e a liberdade? Acha que a defesa da liberdade e da democracia só é sincera quando parte de vocês de Esquerda?

    1. Não precisava de ter ficado ofendida. Eu só lembrei que Marcelo Rebelo de Sousa foi há semanas a Cuba para se fazer fotografar com Fidel. Lembrar esse facto não ofende, pois não? E depois, o Papa. E depois tantos líderes da direita portuguesa a cumprimentar Fidel quando ele veio a Portugal. tudo factos.

    2. Para o caso de estar interessada na historia de Cuba e perceber o contexto da “ditadura” cubana sugiro-lhe que leia o seguinte (https://chomsky.info/20150205-2/) e depois volte aqui e nos de um exemplo de um Pais que em circunstancias semelhantes tenha atingido para os seus cidadaos os mesmos direitos sociais.

  5. Na verdade, muitos opinionistas insurgiram-se contra as referências a Fidel Castro quando favoráveis. Dizer que Fidel foi um ditador, é verdade; que o povo cubano, não é livre; é verdade. Mas, pergunta-se? Nós, portugueses, somos livres? Digam-me qual é o tipo da nossa liberdade? Económica? Financeira? Social? Já agora; naturalmente que quem nos governa não é nenhum ditador; mas será que verdadeiramente nos governa? Se não nos governa; quem nos governa afinal? Por fim; se somos livres; qual o preço da nossa liberdade?

    1. Sou eu, Gens Ramos, outra vez. Francisco Louçã : afinal, qual é o nosso tipo de liberdade? Os portugueses são livres?

  6. Donde se infere que os ditadores não se medem pelo glamour. Entre Fidel e Pinochet, que venha o diabo escolher quem mais monstruosidades cometeu. Ainda hoje, sugerir um abaixo-assinado para a demissão do presidente da República, em Cuba, levaria ao paredón. A comparaçâo da dinastia dos Castros com a monarquia de Felipe talvez fosse mais convincente.

  7. A “encazinação” da direita e, acrescento, de alguns que se dizem de esquerda contra Fidel Castro tem, sem dúvida, a ver com as razões apontadas por Francisco Louçã e que muitos não perdoam: a restituição da dignidade ao povo cubano (um exemplo a esconder) ou a derrota dos sul-africanos em Angola, que contribuiu enormemente para o fim do apartheid.
    Outros são apenas a voz do dono, que é preciso respeitar para não perder o emprego.
    Há um artigo valioso de Ignacio Ramonet em http://blogs.publico.es/dominiopublico/18733/fidel-castro-y-la-represion-contra-los-intelectuales/ porque testemunha, na primeira pessoa, a hipocrisia dos grandes defensores da liberdade de expressão : depois de ter publicado, em 2006, o livro “Fidel Castro, Biografia a duas vozes” foi erradicado completamente das páginas dos jornais onde escrevia – El País, La Voz de Galicia, Le Monde – da radio pública “France Culture”, vendo, ainda, o seu contrato não ser renovado na Universidade Paris-VII, onde leccionava há 35 anos.
    Ramonet refere, ainda, o caso de Chomsky, censurado nos grandes meios de comunicação do seu país, os EUA, que dão lições de liberdade e democracia a Cuba.

  8. Agitar águas inclui julgamentos sumários, delitos de opinião e fuzilamentos? Fuzilamentos que quase sempre dão em morte. Assassinatos, isso…

    1. Mais uma vez de acordo com a sua indignação. O governo que mandou um ministro ao funeral e que o outro governo se esqueceu de fazer o mesmo com Pinochet deviam ser demitidos sem apelo nem agravo. E o Papa também devia ser expurgado, foi uma vergonha o que disse sobre Fidel.

  9. Neste país não se lê a concorrência? Se Francisco Louçã lesse tinha tomado conhecimento de um artigo de Cristina Margato “Cuba (pouco) livre” onde a música é outra. Fico curioso como é possível ser contra os réis de Espanha por serem monarcas e nada dizer sobro o modo como a família Castro é dona do poder em Cuba. “um ditador é um ditador é um ditador” Mas por alguma razão um ditador de esquerda tem mais glamour que um ditador de direita. Será que o glamour é proporcional às vítimas que fizeram e à miséria que causaram? Mistério.

    1. Certamente e isso exige a demissão já do director da SIC, se não mesmo do do Expresso. Não é que publicaram reportagens sobre o funeral?

    2. Cada um é livre de adorar os ídolos que quiser. Espanta-me sempre é a forma como os ditadores de esquerda, mesmo fazendo pior, têm sempre melhor imprensa que os ditadores de direita. Casos assim lembram-me sempre o velho militante Rubachov em o Zero e o Infinito. Fica uma duvida: Sabe dos fuzilamentos de La Cabana? Parece-me que nunca o vi mencioná-los.

    3. É por partilhar a sua indignação que acho que se deve iniciar o processo de impugnação do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, perigoso adorador de ditadores de esquerda. Conto consigo.

  10. Sr. Prof. Dr. Francisco Louçã,
    Em 1993, visitei Cuba. Atravessei Cuba de autocarro, com gentes Cubanas, com porcos e galinhas no tejadilho desse autocarro.
    Nessa altura, também atravessei, de bicicleta, zonas campestres, sem turistas e zonas turísticas, do melhor que Cuba oferecia na altura.
    Ao longo da minha vida, desde então, falei em Portugal e em países dos PALOP, com Cubanos, favoráveis ao regime e opositores do regime.
    Como balanço final, do que vi, do que ouvi, do que li, cheguei à seguinte conclusão: as sociedades, por mais educação e saúde que tenham, após o limiar económico da mediania ser ultrapassado, querem liberdade, direito de circulação.
    Não tenho conhecimento de muros e outros impedimentos para se entrar em Cuba.
    O inverso, sair de Cuba, já não é a mesma coisa.
    A dúvida seria desfeita, numa eleição livre, voto secreto, em Cuba. Até lá, liberdade, sempre!
    Cumprimentos. Rui Pinto

  11. Apreciado Dr. Louçã,

    Ok quanto à hipocrisia dos atores políticos e de muito do debate.

    Mas não desvie a atenção do essencial: as torturas, as execuções e prisões arbitrárias, a falta de democracia e de liberdade, etc, etc.
    De facto, um ditador é um ditador. E Fidel, apesar de todo o encanto que possa ter tido, foi um brutal e meio doido ditador. Ponto final!
    E à beira de Fidel, Salazar até seria um tipo pacato e decente.

    1. Totalmente de acordo. Acho que devia sugerir uma petição pública para a demissão do Presidente Português, o malandro que se foi fazer fotografar com tal ser.

    2. Ao ler a crónica e, sobretudo, os comentários do professor Louçã fiquei negativamente impressionado. O esforço descomunal que o professor Louçã fez para defender uma narrativa de Esquerda vs. Direita ignorando a história e princípios que ele próprio defende em público para defender Fidel Casto é de to impressionante e, pelo tom que usou, pueril.

      Da mesma forma que uma pessoa de bem acha vergonhoso o professor Louçã fazer estes elogios à um ditador é vergonhoso ver o papa a tecer elogios à Fidel e isto nada tem a ver com ser-se de direita, centro ou esquerda, basta ser uma pessoa intelectualmente honesta.

      Se o professor Louçã afastar-se da “história oficial” do revolucionário anti-americano conseguirá ver que é de tremenda desonestidade dizer que Pinochet foi um diabo e o Fidel Castro foi um anjo. Ambos foram ditadores que fizeram recurso à força para “manter a ordem” e é impossível mudar isto. Basta olhar para os milhões de pessoas que fugiram em condições de alto risco do “paraíso castrista”.

      A batalha na pequena vila no sudeste angolano contra as SADF do regime do apartheid limpam todos os males? Ou o professor Louçã desconhece que o regime castrista esteve directamente envolvido na purga ocorrida em Angola em 1977? Evento que vitimou milhares de angolanos. O aumento considerável do acesso à cuidados médicos de qualidade apagam as mortes no paredão por delito de opinião? Justificam a supressão da liberdade?

      Fidel Alejandro Castro Ruz traiu o povo cubano, foi um ditador que não admitia diferenças de opinião, deu educação mas retirou as liberdades necessárias para dar uso aos canudos, criou um exército de licenciados pobres e presos no seu próprio país, Fidel Castro é um falhado e a sua grandeza é pura fantasia ideológica.

  12. Quando alguem em Miami,gritou abaixo o Fidel,viva ao Trump,os comentadores encartados de direita logo responderam:abaixo o Fidel,viva o Pinochet.Conclusão:os cubanos anti castristas ainda sabem que estamos em 2016,os comentadores de direita ainda não passaram do ano da graça em que o ditador tuga caiu abaixo do cadeirão.

  13. Fidel, tal como as demais figurinhas ridículas do século XX e XXI (como a da actual “sopeira e o seu aleijadinho”), demonstra o estado de atraso cultural da barbárie ocidental.

    Numa população madura não há figuras paternalistas, nem salvadores, muito menos líderes e afins criaturas da plebe pueril.

    A plebe pueril é que procura e segue líderes, os outros têm cabeça própria e não reconhecem qualquer superioridade a ninguém. A ordem só existe numa população com maturidade, que já conhece os índios da adolescência (poderosos, líderes e afins). Uma plebe sem maturidade anda ao acaso de idiotas, dos seus discursos e delinquências.

    A puerilidade da barbárie ocidental observa-se na forma como procura e adere às figurinhas paternalistas. É uma plebe que se comporta como uma adolescente em plena puberdade, que delira e obedece ao paleio do imbecil mais néscio que lhe aparecer. Hitler é a marca do atraso dos Alemães, Estaline dos soviéticos, Fidel é a marca da estupidez dos Cubanos. O líder é a marca do atraso da plebe que lhe obedece.

    A base de uma sociedade é a ordem e não o poder (poder é coisa de imbecis). A ordem não reconhece “grandes homens”, nem líderes, nem poderosos e muito menos os jogos entre eles (jogos de poder).

    Uma sociedade é um estado de maturidade social que difere diametralmente da plebe adolescente.

    Uma sociedade ocorre numa população madura que se rege pela ordem. A plebe imatura comporta-se de forma pueril e subserviente ao imbecil que se apresentar como paizinho deles, salvador e afins, e anda ao acaso das vontades desse imbecil.

    Os “grandes homens” demonstram apenas a pequenez da plebe acéfala que os segue. Ao líder segue o néscio, porque os outros tem cérebro próprio.

    1. Belo comentário.Mais uma pedrada no charco, principalmente num dia em que Francisco Louçã devia ter estado sossegado em vez de voltar a tocar neste tema.

  14. Louçã, esqueci-me de acrescentar ao comentário anterior…
    Ainda bem que Cuba não se tornou numa dinastia comunista como na coreia do norte pois todos sabemos o quão contra monarquias e coisas do género são os comunistas.
    A escolha de Raul Ruz foi muito acertada e demonstrativa do processo democrático baseado no mérito e consenso que são tão típicos do comunismo.

  15. Olá Louçã, o teu amigo Johnny está de volta :)
    Quer se ache o fidel um herói ou um monstro, uma coisa é certa, o homem já era um dinossauro, não acha?
    É melhor assim que ele já tenha ido fazer companhia ao tiranossauro rex e outros.

  16. Um “ditador” que nos impulsionou até aqui. Sou de esquerda e não sou muito de idolatrias, mas fica a minha eterna gratidão a Fidel, por me ter ajudado a estar aqui ( ao lado dos mais desfavorecidos e desprotegidos e com vontade de continuar ): A maré pode não estar alta, mas quero ajudar a agitar as águas.

Responder a Fernando Neiva Slva Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo