Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

25 de Novembro de 2016, 10:24

Por

Chegou o admirável mundo da “pós-verdade”

No seu magnífico “Bússola”, Mathias Enard conta a seguinte história: Franz Ritter, o protagonista, fantasia pela noite dentro sobre a sua amizade com Sarah, o fascínio da sua vida. Às 3h45 da manhã, lembra-se de lhe ter dito que pensara ser músico desde que descobrira aos 14 anos o “Doutor Fausto” de Mann, talvez para a impressionar. “Que grande mentira”, rememora, “a minha vocação de musicólogo não existe”. E acrescenta: “Como explicar ao mundo, caro Thomas Mann, caro Mágico, que em criança a minha paixão se dirigia para os relógios e para os pêndulos?”. Era portanto uma mentira, o que se diria uma “pequena mentira” (ou uma “grande mentira”, como ele diz para si próprio?), em todo caso quase inconsequente. Sarah não o vai amar menos nem mais por descobrir que, em criança, preferia os relógios em vez da iluminação musical bebida num livro clássico, nem ele vai ser diferente por confessar um ou outro caminho. Neste caso, a banalidade da mentira é só aquele átomo de sedução que associa o personagem como personagem de si próprio, contando-se na primeira pessoa: é tudo e é quase nada, Sarah talvez nem se lembre, se se lembrar talvez não ligue, se ligar talvez não valorize – foi somente uma frase entre dois olhares.

Esse tipo de mentiras, mais para o auto-reconhecimento de nós próprios do que para outros, é a rotina das nossas vidas, escrevem dois psicólogos, Bella dePaulo e Charles Bond (em 2011 publicaram “Is Anyone Really Good at Detecting Lies?”), que há trinta anos investigam estes processos de socialização, e não devem ter sido os primeiros. Vivemos nesta desconfortável fronteira entre os factos da vida e o embelezamento que nos protege de algumas tristezas.

Talvez por isso Charles Darwin – faz mais de 150 anos e sem estes detalhes psicológicos – alegava que à natureza é indiferente saber se os humanos mentem ou não, pois só cuida de registar se são adaptativos, ou seja, se respondem às circunstâncias e aprendem com elas. O nosso Ritter, noite fora em Viena, já não sabe se a mistificação da sua vocação, vestida com a aura da grande literatura, foi ou não útil para a aproximação a Sarah, que em todo o caso continua a vê-lo como um companheiro de letras e de viagens e não como o amante desejado. Mas ele tentou à sua maneira, adaptou-se portanto.

Alguma investigação moderna em antropologia registou que, em grupos sociais, de tribos isoladas a comunidades urbanas, a verdade ou a mentira (a “pequena” mentira) é um pouco mais do que uma imagem de si próprio, é mesmo uma forma de sociabilidade activa, pois é sentida como uma forma de reciprocidade, num jogo: eu dou-te o que tu me dás. Talvez essa economia de troca seja um dos pilares da sociedade.

Foi o que, à sua maneira, sugeriu Wittgenstein, porventura radicalizando essa troca, quando alegou que não há diferença assinalável na linguagem entre a simples mentira e a verdade. Também Nietzsche atribuía a uma mentira bem contada um sinal de grandeza, tal como Oscar Wilde elogiava o valor estético da mentira. Afinal de contas, o que é uma boa história?

Talvez sejam exageros, nem a vida é somente literatura e histórias sobre nós próprios, nem é indiferente à veracidade na linguagem, nem os significados sociais de uma e outra são os mesmos. Não podemos viver numa noite eterna em que todos os gatos são pardos e em que não há verdade nem mentira, pois não veríamos nada. É por isso que a verdade como reciprocidade cria uma norma para saber e perceber no meio do nevoeiro. Um passo mais adiante, e a verdade é o resultado, provisório que seja, de um método científico verificável, ou a constatação de factos, tão objectiva quanto pode ser. Portanto, na vida, na ciência, na comunicação, a verdade conta.

Claro que tudo isso era antes dos tempos modernos e da comunicação inundante. Quando os Dicionários Oxford decretaram que a palavra do ano que vai terminando é “pós-verdade”, foi como se, constatando o óbvio, tivéssemos descoberto, entre a diversão e o medo, que alguma coisa vai podre neste reino da Dinamarca. Pouco dias depois de Trump ter ganho as eleições, a “pós-verdade” agigantou-se para ser levada a sério.

Mais uma vez, peço licença para lembrar que a política inventa pouco e que já vimos de quase tudo no passado. Edmund Burke, deputado irlandês no parlamento inglês no século XVIII e um dos filósofos do conservadorismo inventou a expressão “ser económico com a verdade”, que se tornou uma muleta para a pose cavalheiresca que cinicamente aponta o dedo ao adversário. Era como o reconhecimento de uma mentira sem culpa, ou da mentira como simplesmente uma linguagem, uma forma de exprimir a circunstância do poder. Também aqui, o parlamento ou o discurso político poderiam ser vistos como lugares de reciprocidade cordial, eu faço o que tu fazes.

No entanto, o poder é vezeiro em quebrar essa reciprocidade, precisamente porque o poder é assimétrico. No caso da invasão do Iraque, Bush, Barroso, Aznar e Blair construíram uma fábula, uma mentira, sobre a existência de armas de destruição massiva que constituíram um perigo que exigia a guerra. Era uma mentira e provavelmente os seus principais difusores sabiam-no bem. Lembram-se de Barroso dizer no parlamento que tinha “visto” as provas? O relatório oficial inglês acusou Blair e a sua resposta foi, candidamente, que não tinha feito por mal. Isso é exactamente a linguagem da “pós-verdade”.

Ora, essa mentira não se pode classificar como a de Franz Ritter, que queria seduzir Sarah; Blair e Bush queriam a dominação absoluta e foi por onde foram. A mentira das armas iraquianas é por isso mais do que uma linguagem, é uma guerra.

Assim, o conceito de “pós-verdade” navega perigosamente entre estas águas. Parece ser uma alusão à banalidade da linguagem, mas pode ser a constatação da política crua sem qualquer fronteira. Na verdade, a primeira vez que terá sido usado o conceito terá sido em 1992, já vai para vinte e cinco anos, por um dramaturgo e romancista, Steve Tesich, a propósito do Watergate, portanto sobre uma mentira de Nixon e que violava a lei constitucional. Não ficou esquecido e há uma dúzia de anos, um investigador sobre cultura popular, Ralph Keyes, publicou “Post-Truth”, um livro sobre a mentira e o engano como formas de expressão na literatura e na vida social. Não se pode portanto dizer que os Dicionários Oxford estejam a inventar alguma coisa de novo, mas talvez estejam só a constatar que, com Trump, Hollande, Putin, Merkel, Erdogan e quejandos, a “pós-verdade” se tornou uma forma de submissão, não para que não haja respostas, mas para que não haja perguntas.

A “pós-verdade” é isto mesmo, uma mecânica de palavras, como provado pela difusão de notícias falsas, que foi uma das estratégias dominantes nas eleições norte-americanas. Já tinha havido disso, há em todos os grandes e pequenos conflitos políticos. Mas agora é uma indústria: veja o caso do Facebook, em que a reprodução da notícia pode angariar para os seus autores uma receita publicitária – e por isso as máquinas de Trump inventaram o apoio do Papa (que, na verdade, o tinha condenado), o envolvimento de Hillary Clinton em assassinatos em série e do seu director de campanha em rituais satânicos e outras pérolas, na certeza de que era isto que rendia (política e economicamente). Beneficiaram neste movimento de um incentivo de mercado, o ganho em função dos likes e das reproduções, que estimula a notícia mais delirante, por ter mais hipóteses de ser reproduzida.

A indústria da mentira é a que cria a sociedade permissiva à “pós-verdade”: afinal, ela ganhou a Casa Branca. Ora, se é assim, é de temer o pior e a luta pela democracia desloca-se para outro eixo: não é (só) a garantia do pluralismo ou da transparência das decisões e dos processos, ou da representação popular, passa a ser (também) a garantia da existência de uma comunicação não infectante. É uma luta pela sobrevivência e é nela e só nela que se combate o populismo e outras maleitas da sociedade de mercado.

Escrevia Ernst Bloch, o mais profundo filósofo marxista do século XX, que “tudo o que existe não pode ser verdade”, quando o mundo reconhecia o ascenso do nazismo e dessa violência constituinte da xenofobia e dos imperialismos. É de bom senso admitir hoje que tudo o que existe não pode ser verdade, porque tanto do que existe quer ser uma “pós-verdade” industrializada, vertiginosa, pardacenta, abissal e contaminante. Na era da mentira, note bem, tudo se torna possível sobretudo por não ser verdade.

Comentários

  1. A austeridade é uma pós verdade para Francisco Louçã, quando na verdade se trata de uma política económica cientificamente tão legítima, como são as políticas expansionistas de pendor keynesiano… Não classifique de pós verdade teorias económicas só porque não são as suas. E não é pós verdade para si, as mentiras sobre os benefícios do comunismo, regime que o senhor defende, e que sempre e onde quer que tenha sido instalado mergulhou os povos na ditadura e na pobreza? Pergunte aos venezuelanos e aos cubanos… Isso sim, o seu comunismo, mesmo revestido com roupagens modernas, é pós verdade e das mais perigosas, como bem provou o século XX, de que se fingem esquecidos os tolos que ainda votam na CDU ou no BE. Monomaníaca, eu? Sim, sempre que se trate de denunciar as ideias comunistas de comunistas como o senhor!

  2. Bloch percebeu que a vitória do nazismo na Alemanha se deveu, em boa parte, ao facto de os nazis – ao contrário da social-democracia e da Esquerda marxista – terem sabido apresentar, em tempo de crise económica e social profunda, uma visão aparentemente positiva e uma alternativa aparentemente atraente , “já” e “durante mil anos”, às massas populares desesperadas que ansiavam por um futuro melhor. Se fosse vivo, Bloch teria percebido que Trump não conseguiu maioria de delegados no colégio eleitoral que vai eleger o próximo presidente dos Estados Unidos da América porque “as máquinas de Trump inventaram o apoio do Papa, o envolvimento de Hillary Clinton em assassinatos satânicos e outras pérolas”. Na ausência de Bloch, e para não me alongar, recorro aqui à opinião de alguém que não é propriamente “marxista” – e “filósofo” muito menos -, mas é, sem dúvida, uma pessoa inteligente e bem informada:

    http://www.huffingtonpost.com/michael-moore/5-reasons-why-trump-will-_b_11156794.html

    Saliento, em especial, que a campanha de Trump apostou sobretudo nos quatro estados “azuis” apontados por Moore na sua “primeira razâo” (Michigan, Ohio, Pennsylvania e Wisconsin); e que prometeu incansavelmente coisas como um forte proteccionismo face à concorrência chinesa e o combate, por via de desincentivos fiscais pesados, à estratégia de deslocalização de empresas americanas (sem esquecer o aumento de restrições à imigração que as forças de extrema-direita sistematicamente reclamam, também na Europa).

  3. Não existe verdade. Existe aquilo que alguns “iluminados” definem como verdade e que as escolas, a polícia, o exército, os tribunais, o Estado, etc. validam e impõe como tal. Na História sempre houveram casos de grandes mentiras dadas como verdade. Uma delas (a maior de todas?) é a de Jesus Cristo. Uma outra é a do Holocausto, como medida planeada para exterminar os Judeus. A verdade fica sempre do lado dos vencedores… aqueles que escrevem a História e impõe a lei. Basta pensar que a “verdade” (crença/mito) foi/é passada de geração em geração (pais para filhos) num acto de fé. Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Alguém sabe a verdade?

  4. O conceito pretende ilustrar uma situação onde um facto não é preponderante, não é acreditar na mentira, é saber da mentira e não lhe dar uma importância fundamental, havendo outras coisas que se lhe sobrepõem, quando, por exemplo, chega a altura de votar – “Traduzido como um adjetivo que se aplica a circunstâncias em que os factos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que os apelos do foro emocional, a palavra terá sido usada pela primeira vez em 1992”. Eu diría que do ponto de vista da população há mais acesso aos factos, e os políticos são mais escrutinados que nunca, por isso acho que estamos mais na pós-cegueira, antes não víamos, porque não tínhamos sequer acesso (e a muitas coisas continuamos a não ter acesso) agora vemos, mas era como se não víssemos. Esta pós-cegueira, onde se vê, mas faz-se por não se ver, existe porque há um fanatismo instalado. O fanatismo do futebol, agora aplicado à política, entre a esquerda e a direita. Que ganhe o republicano, dirão uns, nem que seja com um golo com a mão. Entre a esquerda e direita já não se trocam ideias, trocam-se pastilhas rennie.

  5. Os “factos” ou a “verdade” são tão objectivos quanto a medição do tempo na teoria da relatividade de Einstein: dependem sempre do sujeito que os mede ou relata. Historicamente, a verdade nunca foi importante, mas sim a “narrativa” que envolvia essa “verdade”, fosse na Inquisição, ou com Stalin, Hitler, Maduro, Lula, Sócrates e outros democratas, ou agora nas reportagens diárias sobre destruição do 5º hospital do leste de Allepo (que grande cidade!) pelos Russos e Assad.
    A tal “pós-verdade” só passou a ser um problema a partir do momento em o tal “4º poder”, os media, deixaram de poder embrulhar a verdade numa “narrativa” a seu bel-prazer (ou de quem lhes paga) e foram confrontados com as “redes sociais” onde a verdade e a mentira, circulando à mesma velocidade, passaram a impactar as pessoas mais do que as “narrativas”. Mas já dizia o adágio que “a mentira tem perna curta” e, portanto, nessas mesmas redes sociais, as mentiras acabam por ser desmascaradas. O problema mesmo é o impacto que as verdades “não narradas” tem junto das pessoas e que tem vindo a abalar a capacidade das “elites” controlarem a informação, a “verdade”. Mas o que me preocupa mesmo são as frases dos Obamas e Merkels desta vida: “If we can’t discriminate between serious arguments and propaganda, then we have problems”. Lápis azul para a internet? Propaganda são as verdades e mentiras que não se enquadram na narrativa oficial? “Serious arguments” é tudo o que a narrativa oficial diz? Não há paciência… Nestas situações volto sempre ao texto de Nassim Taleb sobre os IYI (intellectual yet idiot).

    1. “Historicamente, a verdade nunca foi importante, mas sim a “narrativa” que envolvia essa “verdade”” – Então e uma das maiores mentiras de todas (se não a maior) – A historia de Jesus Cristo?

    2. “Mas já dizia o adágio que “a mentira tem perna curta” e, portanto, nessas mesmas redes sociais, as mentiras acabam por ser desmascaradas.” – Acha mesmo? Vivemos tempos em que a mentira e a verdade se permutam acabando por se anularem. Aliás como está expresso no final da crónica: “Na era da mentira, note bem, TUDO SE TORNA POSSÍVEL sobretudo por não ser verdade.”

    3. Lj: Já nos tempos bíblicos, essa”coisa” da verdade dava que falar. Quando Jesus foi levado a Pilatos (Jo 18,7), e após uma troca de palavras tão absurda quanto uma conversa imaginária entre Mersault e Roquentin, Jesus lembra Pilatos que veio ao mundo: para dar testemunho da Verdade. E Pilatos replicou-lhe: «Que é a verdade?»

    4. Lj: ” tudo se torna possivel, por não ser verdade”. Sem dúvida. Repare no gato de Schrödinger, simultaneamente vivo e morto. Ou na medição do tempo que passou para alguém que andou à velocidade da luz. A verdade é que…. não há verdades. E por isso (quase) tudo é possível. Antes de Copérnico, a “tal” verdade dizia que a Terra era o centro do Cosmos. Antes de Darwin, a criação era divina (qualquer que fosse a religião ou crença). A verdade é que a verdade só é verdade enquanto um número razoável de pessoas numa comunidade acreditarem que é verdade. O problema é que, actualmente, as comunidades são cada vez mais globais, unidas por laços bem mais diversos que as tradicionais geografia ou cultura e, assim, as verdades serão cada vez mais e as suas confrontações cada vez mais brutais.

  6. A verdade é que parte das pessoas “compraram” as contradições,mentiras e parvoices do trump,como se de um bando de crianças se tratassem.E a verdade é que a Verdade,nem sequer se evaporou.Estes são tempos muito parecidos com outros já vividos.Nem sequer é surpreendente a alegria de alguma direita portuguesa com a vitoria do trump.É mais do mesmo,e são os mesmos da orelha de preto num porta chaves,os mesmos de sempre.Instigam o ódio,durante anos e anos,são diligentes no ódio.Alias o genoma dos portugueses,é feito de bruxas irlandesas e de feiticeiros mouros,ou tambem já não é? P.S.-até prova em contrario,o Darwin tem razão,ou seja diz a verdade.Estou errado:força,provem-no.

  7. Muito gostam de passar sob silêncio a grande mentira da guerra da ex-Jugoslávia e da coorte de mentiras e silenciamentos que a acompanhou. Será por vergonha de uma limpeza étnica (ou genocídio) com o apoio de ONU, NATO, UE, USA e encobrimento de jornalistas de todo o mundo?
    O livro do major-general Carlos Branco “A Guerra nos Balcãs” levanta um pouco a capa de silêncios cúmplices que cobre essa guerra e mostra que o grande genocídio aconteceu na Krajina, não em Srebrenica. E acessoriamente que o jihadismo global nasceu mesmo na Bósnia e não no Afeganistão.
    As mentiras não começaram com Bush mas muito antes disso mas os mesmos que gostam de falar das mentiras de Bush são os mesmos que evitam a todo o custo falar das mentiras do Clinton.

    “não para que não haja respostas, mas para que não haja perguntas.”
    Isto parece aplicar-se à CGD. As mentiras do (e sobre o) Domingues calaram de vez todas as perguntas sobre o que se passou na CGD para ela precisar daquele ror de dinheiro.
    A Hillary mereceu perder mesmo, seria mais do mesmo, ou pior. Trump era o único capaz de lhe ganhar mas também só ganhava mesmo a ela.

  8. Parecem essas mentiras dos nossos políticos e jornalistas dos anos 80 e 90 que filosofavam a desligitimação da verdade e roubo às claras. Mas depois veio a era pós-Lyotard e surgiram os transformacionistas socrátricos de sapato bicudo de verniz e camisa de colarinho comprido cor de rosa que ainda refinava mais a ladroagem.

  9. ” Charles Darwin (…) alegava que à natureza é indiferente saber se os humanos mentem ou não, pois só cuida de registar se são adaptativos…”

    Parece que a tal natureza determinou todos os seres vivos, e não só alguns. Determinou também todas as interacções e adaptações entre espécies. Essa coisa, da natureza criar uns e outros para se confrontarem, é um delírio que revela apenas a base cultural de Darwin: a boçal barbárie.

    A teoria de Darwin assenta na crença da valorização da delinquência. Diz a barbárie que é do confronto que a realidade nasce, e é assim que fundamenta e justifica a delinquência que pratica. É essa a crença de Darwin que está plasmada nessa triste e ridícula teoria.

    Caro Louçã, Darwin não tem qualquer fundamento científico. A probabilidade da teoria de Darwin ser verdadeira é nula, por mais intervalo de tolerância que lhe queira colocar. A realidade é muito mais complexa do que essa teoria pueril de justificação da delinquência.

    A ordem não nasce do caos e muito menos da delinquência do confronto, por mais que a barbárie goste dessa prática.

    A teoria de Darwin é talvez a pior “pós-verdade” actual. É ela que serve para justificar os comportamentos mais insalubres, e as práticas mais execráveis de anti sociabilidade que a barbárie ocidental apresenta.

    Para a natureza é indiferente se os actuais “humanos” cumprem ou não as regras de saúde comportamental da espécie humana. Se respeitarem realizam-se como humanos. Se não respeitarem vão ter o mau viver das patologias, desequilíbrios e afins misérias naturais de quem perdeu a sua sanidade cultural.

    … e mais humanos virão, tal como mais humanos já viveram. Os actuais são apenas, e só, um pequeno período de tempo da espécie: o tempo da patogénica barbárie, das suas fantasias (pós-verdades), e o respectivo mau viver.

    1. Pertinente não, é mais do género idiótico que tenta passar por intelectual. Negar a Teoria de Darwin, que não é mais teoria nenhuma mas sim um facto, é negar o óbvio.

    2. Pela teoria de Darwin os Hugos Abreus já não deveriam existir há uns milhões de anos, devido à evolução. E no entanto cá estão eles, Abreus por todo o lado.
      Caríssimo Abreu, vossa excelência é uma das provas que a teoria de Darwin não tem fundamento na realidade observada.

    3. Desespero de alguém que lhe acabou os argumentos e passa para ofensa ?

      Argumentar com vossa excelência e com 1 galinha é o mesmo efeito, não leva a lado nenhum. Fique lá com a sua ideia, que não há pachorra nem latim suficiente para discutir pessoas como vossemecê.
      Alias é por tacanhez e estupidez deste género, não só mas também, que a humanidade demorou tanto tempo a se desenvolver.

      Quanto mais inteligente alguém se julga que é, a realidade mostra bem o seu contrário.
      E quem tá a fazer figura de idiota aqui não sou eu.

      Um Passar bem e cumprimentos à Eva

  10. Para quê juntar Merkel (ou mesmo Hollande) à galeria dos Trump, Putin e Erdogan ?
    Tratar tudo como se fosse igual também me parece ser o caminho da pós-verdade.

    1. A austeridade é a condição natural de quem não tem dinheiro “para mandar cantar um cego”, de quem não consegue que lhe emprestem para tapar as suas necessidades.
      Não consigo perceber como alguém consegue dizer que Portugal deve ser livre de ter os défices que quiser. sem limites e ao mesmo tempo diz que é preciso renegociar a dívida por ser impagável e os juros constituírem um fardo para a economia.

    2. A austeridade não é uma cura nem é uma opção ideológica, é uma consequência inevitável de viver durante décadas com o dinheiro dos outros.

    3. Caro Francisco, infelizmente ainda é uma das grandes mentiras da nossa época, lentamente vai sendo desmontada só esperemos k seja até o fim, com o Adeus do Sr. Schüble e da Sra. Merkel no prox. ano.
      Die Linke, SPD e Grüne vao se aproximado e aproximando cada vez mais para uma coligação a 3 Pós – Eleições, se tiverem votos suficientes que não é certo. Pelo menos da parte do Die Linke a não austeridade, chamamos-lhe assim, seja na Alemanha, seja na Europa é 1 matéria não negociável. De resto excelente texto.

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