Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

22 de Novembro de 2016, 08:39

Por

Espelho meu, há alguém mais belo do que eu?

A irritação provocada pelo manifesto de Jorge Sampaio vai aumentando de tom, só por ter assinalado que o rei europeu vai nu. E, enquanto a direita se entretém a festejar Trump – ou a pensar como o deve imitar, veja-se a França –, no centro a resposta é simplesmente reafirmar uma razão histórica transcendente como uma certeza religiosa. Parece que para alguns tudo vai de repetir a sua crença democrática e sentar-se como um soba à espera da vénia dos súbditos.

Há nisso uma arrogância que não se esconde. Escreve Santos Silva em resposta a Sampaio: “Quando o credo básico de uma democracia simultaneamente liberal e social deixou de ser óbvio, é preciso explicitar o óbvio”. Reforça imediatamente Sousa Tavares, também contra Sampaio: “Não é preciso reinventar democracia alguma, é preciso é explicá-la às criancinhas e aos ignorantes”. Ou ainda, acrescenta Sousa Tavares: a ameaça de Trump “só pode ser derrotada pela crença na superioridade dos valores democráticos e pela sua constante afirmação”. Temos portanto a receita, explicar o “credo” e o “óbvio” às “criancinhas e aos ignorantes”, tudo assente na “crença na superioridade” do que defendemos.

O que assim nos dizem é que, na emergência, basta repetir tudo gritando mais alto sobre a nossa “superioridade” (para as “criancinhas e os ignorantes” perceberem). É desastre garantido e até dá pena. Receio que os profetas do centro não percebam que a sua “superioridade” foi bem escassa e que há uma generalizada desconfiança sobre tal artefacto. Afinal, alguém se lembra que os ditadores da Tunísia e do Egipto eram membros da Internacional Socialista ou que o MPLA ocupa uma sua vice-presidência ainda hoje? Não ficamos mal servidos de “superioridade dos valores democráticos”. Alguém se lembra que a Grécia foi destroçada por uma aliança entre Merkel e Hollande, impondo por exemplo que os desempregados deixem de ter acesso ao serviço público de saúde? Nada mal, quanto a “superioridade”. Alguém se lembrará que Orbán faz parte do selecto partido europeu de Passos Coelho e Assunção Cristas e que recomenda que se dispare sobre os refugiados – disse “superioridade”? Juncker, primeiro-ministro de um offshore, e Barroso na Goldman Sachs, é mesmo de “superioridade” que querem falar?

Ora, foi a auto-satisfação destes dirigentes que se consideram “superiores” que tem ajudado a lenta e sofrida desagregação europeia. Foi a atitude do soba, do “superior”, que permitiu que os países periféricos fossem tratados como tapetes (o comissário alemão que propôs a obrigação da Grécia e Portugal colocarem a bandeira a meia haste enquanto tivessem dívidas vai ser promovido). Pior ainda, foi ela que ignorou sistematicamente a democracia, evitando que os povos se pronunciassem sobre os tratados ou impondo escolhas estratégicas desastrosas. Sousa Tavares queixa-se da venda da TAP, e com toda a razão, mas quem foi o “superior” que a determinou? Pois neste caso poderia descobrir a expressão da realidade dos que gritam a sua “superioridade”: há por lá corsários rasteiros, políticos de negócios e especialistas em golpes de baú.

Mais, dez anos depois de ter começado a crise financeira e quando os bancos são resgatados com generosidade milionária, há quem se pergunte qual é o sentido desta economia de fingimento. O nosso regime está todo resumido na pesporrência dos administradores da CGD que, ganhando mais do que o presidente dos EUA, ficam melindrados quando se lhes pede registo de interesses. Não é de espantar que as “criancinhas” achem isto esquisito, pois não?

As respostas surgem à esquerda e à direita e são contrárias (pois é, Bernie Sanders tinha melhores sondagens do que Clinton), mas ninguém pode esconder o mal-de-viver. Responder a tudo isto com o “credo” e a “crença”, que são enfastiadamente explicados “aos ignorantes”, é o mesmo que continuar a perguntar ao espelho mágico se existe alguém mais “superior” do que eu. O problema é que existe mesmo. A minha sugestão a quem preza a democracia é só esta: não confie no seu espelho e preocupe-se com as outras pessoas.

Comentários

  1. Sampaio termina assim o seu longuíssimo artigo: “Em suma, atravessamos um momento especialmente crítico para o nosso futuro colectivo no plano nacional, mas também europeu e até mundial. Mas, qualquer que seja o sentido futuro da integração europeia – e sabemos que há vários cenários -, o que me parece importante sublinhar aqui é a necessidade de se aprofundar a discussão sobre que Europa queremos, que modelo para a reformatação da zona euro e que actualizações pretendemos fazer dos nossos compromissos europeus”. Pode parecer positivo que se prometa abertura para “aprofundar a discussão sobre que Europa queremos”, mas é conveniente não esquecer o que Sampaio disse no artigo antes de chegar a esta brilhante “conclusão”. E a verdade é que, entre outras coisas bastante discutíveis (para dizer o mínimo), Sampaio adiantou, p.ex, as seguintes conclusões prévias:

    a) “Dever-nos-íamos bater por que a Europa do euro – a dos 19 do euro – seja o verdadeiro núcleo duro de uma UE reformatada. A meu ver, dever-se-ia começar por solidificar a União entre os 19 da zona euro por forma a relançar a construção europeia pela base – ou seja, através de um compromisso claramente político no sentido de reforçar os mecanismos económicos e financeiros da zona euro”.

    b) “Deixou de existir, agora no plano interno, um consenso nacional sobre a política externa, incluindo entre os dois principais partidos (…). São cada vez mais fortes as posições nacionalistas contra a integração europeia, incluindo do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, na ausência de uma força populista de direita”.

    Lamento muito, caro Louçã, mas não me parece que haja uma diferença essencial entre as posições de Sampaio e de Santos Silva, cada um com a sua retórica:

    a) Ambos pretendem “mais Europa” – numa desesperada fuga para a frente – como forma de lidar com a crise, com a defesa da moeda única, custe o que custar, e de tudo o que isso implica.

    b) Ambos lamentam a ausência de consenso nacional nesta matéria entre o PS e o PSD, reflexo provável da ausência de consenso entre as respectivas famílias políticas europeias, as duas alas do extremo-centro “europeísta”. Ambos usam a técnica da “amálgama” relativamente a todas as forças, de esquerda e de direita – extremas ou não -, que se atrevem a contestar o “status quo” europeu e a a sua eventual reformatação segundo o velho princípio leopardino de que “é preciso mudar tudo para que tudo fique na mesma”: para Santos Silva, Jorge Sampaio e “tutti quanti”, todos os opositores da política do extremo-centro merecem ser classificados como “nacionalistas” e “populistas”, devendo por isso ser conjuntamente combatidos.

    É lamentável a sua colagem a este texto “anti-nacionalista” e “anti-populista”, talvez porque Sampaio – ao contrário de Santos Silva – ainda preserve uma certa aura de esquerda e ainda não tenha perdido a boa imagem de que gozou, alicerçada em “boa imprensa”. É também reveladora de que pouco há a esperar do “bloquismo”, nestes tempos de crise. Aproveito para referir um texto de qualidade de José Vítor Malheiros, em que ele critica devidamente a “amálgama” a que Sampaio recorreu: https://www.publico.pt/politica/noticia/a-amalgama-1751247

  2. Sampaio termina assim o seu longuíssimo artigo: “Em suma, atravessamos um momento especialmente crítico para o nosso futuro colectivo no plano nacional, mas também europeu e
    até mundial. Mas, qualquer que seja o sentido futuro da integração europeia – e sabemos que há vários cenários -, o que me parece importante sublinhar aqui é a necessidade de se aprofundar a discussão sobre que Europa queremos, que modelo para a reformatação da zona euro e que actualizações pretendemos fazer dos nossos compromissos europeus”. Pode parecer positivo que se prometa abertura para “aprofundar a discussão sobre que Europa queremos”, mas é conveniente não esquecer o que Sampaio disse no artigo antes de chegar a esta brilhante “conclusão”. E a verdade é que, entre outras coisas bastante discutíveis (para dizer o mínimo), Sampaio adiantou, p.ex, as seguintes conclusões prévias:

    a) “Dever-nos-íamos bater por que a Europa do euro – a dos 19 do euro – seja o verdadeiro núcleo duro de uma UE reformatada. A meu ver, dever-se-ia começar por solidificar a União entre os 19 da zona euro por forma a relançar a construção europeia pela base – ou seja, através de um compromisso claramente político no sentido de reforçar os mecanismos económicos e financeiros da zona euro”.

    b) “Deixou de existir, agora no plano interno, um consenso nacional sobre a política externa, incluindo entre os dois principais artigos (…). São cada vez mais fortes as posições nacionalistas contra a integração europeia, incluindo do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, na ausência de uma força populista de direita”.

    Lamento muito, caro Louçã, mas não me parece que haja uma diferença essencial entre as posições de Sampaio e de Santos Silva, cada um com a sua retórica:

    a) Ambos pretendem “mais Europa” – numa desesperada fuga para a frente – como forma de lidar com a crise, com a defesa da moeda única, custe o que custar, e de tudo o que isso implica.

    b) Ambos lamentam a ausência de consenso nacional nesta matéria entre o PS e o PSD, reflexo provável da ausência de consenso entre as respectivas famílias políticas europeias, as duas alas do extremo-centro “europeísta”. Ambos usam a técnica da “amálgama” relativamente a todas as forças, de esquerda e de direita – extremas ou não – que se atrevem a contestar o “status quo” europeu e a a sua eventual reformatação segundo o velho princípio leopardino de que “é preciso mudar tudo para que tudo fique na mesma”: para Santos Silva, Jorge Sampaio e “tutti quanti”, todos os opositores da política do extremo-centro merecem ser classificados como “nacionalistas” e “populistas”, devendo por isso ser conjuntamente combatidos.

    É lamentável a sua colagem a este texto “anti-nacionalista” e “anti-populista”, talvez porque Sampaio – ao contrário de Santos Silva – ainda preserve uma certa aura de esquerda e ainda não tenha perdido a boa imagem de que gozou, alicerçada em “boa imprensa”. É também reveladora de que pouco há a esperar do “bloquismo”, nestes tempos de crise. Aproveito para referir um texto de qualidade de José Vítor Malheiros, em que ele critica devidamente a “amálgama” a que Sampaio recorreu: https://www.publico.pt/politica/noticia/a-amalgama-1751247

    1. Acho que sabe onde chega esse discurso do são-todos-iguais: puro sectarismo partidário, de que o seu texto é bom exemplo. Todos estão errados, menos o tal. Talvez ganhasse em perceber que há debates. Critiquei Sampaio por não ter solução senão o continuismo; sublinhei que foi o primeiro europeista que reconheceu que a UE está em crise irremediável e o fez de forma cristalina e honestissima. Acho que vale a pena falar sobre isso em vez de lhe atirar a última resolução do comité central à cabeça.

    2. Peço-lhe que leia com atenção o excelente texto de José Vítor Malheiros, em que ele critica o texto de Jorge Sampaio. E que leia depois, também com atenção, o que eu próprio escrevi, referindo-me a ambos – e citando partes do texto de Sampaio que não devemos ignorar, até porque foram elogiadas por gente de direita.

      A sua referência a um suposto “comité central” é puro delírio sectário: o que escrevi decorre da minha concordância com a crítica de Malheiros (por acaso, apoiante do “Livre/Tempo de Avançar” nas últimas eleições legislativas) ao texto de Sampaio. Reagir assim a uma crítica relevante nesta matéria não fomenta – antes pelo contrário – um debate que é necessário e urgente.

      Aqui vai uma parte do que Malheiros escreveu:

      “Jorge Sampaio , num artigo (…) onde pretende defender a mítica herança social e cultural europeia (…), comete esse perigoso erro, ao ser incapaz de distinguir as críticas à esquerda, que visam construir uma Europa de solidariedade e de combate à desigualdade, com as críticas à direita, que visam o regresso a uma Europa de nacionalismos racistas. Esta nova versão do “There Is No Alternative”, onde quem não é por esta Europa disfuncional, que promove desigualdades gritantes entre países e grupos de pessoas, onde as regras são só para alguns, onde se esquece a básica solidariedade humana, onde a ditadura dos mercados financeiros se sobrepõe à democracia política, é rotulado de aliado objectivo do racismo, não é ética nem politicamente tolerável”.

      É isto que deve debater. Talvez ganhasse em perceber isso.

    3. Não vejo porque deva ter vergonha de ser do PCP. Aprecio os militantes que cuidam do seu partido. Mas já me parece excessivo que substituam o debate pela afirmação sectária ou pela repetição da resolução do comité central. De facto, o texto de Sampaio tem duas partes: a reafirmação das suas propostas de sempre sobre a Europa, em que inclui uma crítica ao Bloco e ao PCP (a que JV Malheiros respondeu), e isso não é nada de novo; e uma parte de crítica às instituições e políticas europeias como nunca nenhum europeista tinha feito. Sugiro-lhe que abdique do sectarismo curto do todos-iguais e que leia o que há de novo nesse texto: é a constatação não só do fracasso como da inviabilidade das soluções imediatas. Sampaio deixou de repetir o dogma de Bruxelas e faz muito bem. É por isso que Santos Silva veio logo criticá-lo e que Sousa Tavares se atirou contra ele. Pode-se fingir que este debate não existe, mas olhe que Santos Silva e Sousa Tavares levam-no tanto a sério que atacaram Sampaio, precisamente porque sentem que é aqui que está a sua fragilidade – a União não tem destino e tem uma direcção de gente e políticas perigosas. Só vejo vantagens em que a esquerda discuta esta constatação precisamente nestes termos. Talvez ganhasse em perceber que além do partido há debates na sociedade.

    4. Não tenho militância em nenhum partido. Vejo que me atribui militância no PCP, afirmando que a minha crítica ao texto de Sampaio envolve a “repetição da resolução do comité central”. Desconheço em absoluto a dita “resolução” do comité central do PCP sobre o texto que Sampaio divulgou no “Público” (14 de Novembro); por isso, peço-lhe que, em resposta a este meu comentário, indique um “link” que me permita conhecê-la. A não ser que a “resolução” só exista na sua imaginação. Uma espécie de “aloucinação”, produzida por uma mente sectária.

      Quanto ao meu comentário ao texto de Sampaio, leu mal. Eu não escrevi que é igual ao do “Contentinho da Silva” que lidera a diplomacia portuguesa. Escrevi o seguinte, referindo-me às posições políticas subjacentes:

      “Não me parece que haja uma diferença essencial entre as posições de Sampaio e de Santos Silva, cada um com a sua retórica:

      a) Ambos pretendem “mais Europa” – numa desesperada fuga para a frente – como forma de lidar com a crise, com a defesa da moeda única, custe o que custar, e de tudo o que isso implica.

      b) Ambos lamentam a ausência de consenso nacional nesta matéria entre o PS e o PSD, reflexo provável da ausência de consenso entre as respectivas famílias políticas europeias, as duas alas do extremo-centro “europeísta”. Ambos usam a técnica da “amálgama” relativamente a todas as forças, de esquerda e de direita – extremas ou não -, que se atrevem a contestar o “status quo” europeu e a a sua eventual reformatação segundo o velho princípio leopardino de que “é preciso mudar tudo para que tudo fique na mesma”: para Santos Silva, Jorge Sampaio e “tutti quanti”, todos os opositores da política do extremo-centro merecem ser classificados como “nacionalistas” e “populistas”, devendo por isso ser conjuntamente combatidos.”

      Verifico que escreveu o seguinte: “Sampaio deixou de repetir o dogma de Bruxelas e faz muito bem. É por isso que Santos Silva veio logo criticá-lo (…)”. O que escreveu está duplamente errado:

      – Sampaio e Santos Silva continuam a defender a “moeda única” custe o que custar – o principal “dogma de Bruxelas” – e a atirar à cabeça dos que, em Portugal e no resto da Europa, não defendem isso mesmo, a cassete do “nacionalismo” e do “populismo” (podiam ter acrescentado, p.ex., a cassete do “sectarismo”).

      – O texto de Santos Silva (15 de Novembro) não é uma crítica ao texto de Sampaio; aliás, nem sequer o menciona (o que parece natural, dado que foi publicado logo no dia seguinte). Ambos os textos devem ter sido redigidos nos dias que se seguiram à vitória de Trump, e como reacção a essa vitória.

      A terminar, espero bem que, nos próximos tempos, quando a possibilidade de dissolução da presente União Económica e Monetária estiver na ordem do dia, o BE assuma a posição certa, mesmo que Sampaio et al defendam o contrário. É mesmo isto que a “Esquerda” toda tem de debater.

  3. A questão é se o PS vai votar ou não o CETA. De resto não sou adepto de radicalismos de email, sentado ao quentinho em casa. A vida é dura, exige escolhas difíceis, e sobretudo qualidades humanas e educação, coisas que estão em recesso.
    Não vejo por exemplo como, mesmo para proteger o país do terrorismo, se pode massacrar os hospitais e as crianças na Síria. Mas fico por aqui porque não quero parecer a Cristas, e já paguei muito caro o meu pacifismo.

    1. Os bombardeamentos em Alepo são obra da Rússia, do Irão e do Assad. Em nada contribuem para a proteção dos países europeus do terrorismo. Antes pelo contrário.

  4. Vi ontem na TV o Guterres a vender banha da cobra de um mundo multicultural e diverso.
    O problema é que quando olhamos para o mundo e não vemos nada disso.
    Em África? Só há africanos. Tudo o que não era africano foi expulso; os franceses da Argélia, os portugueses de Angola e moçambique. Até os descendentes dos trabalhadores indianos que os ingleses trouxera para a África Oriental para construir linhas de caminhos de ferro foram expulsos.
    Os países muçulmanos? Só há mesmo muçulmanos. Até os que já lá estavam antes deles foram expulsos. Vide os gregos expulsos das suas terras ancestrais pelos turcos, para só falar desses.
    Na Índia? Só há indianos. E expulsaram de lá os portugueses
    Na China? Só há chineses
    Na Rússia? Só há russos
    No Japão? Só há japoneses. E esses são os mais espertos. Não têm atentados terroristas, não têm de investir em forças policiais sobre-dimensionadas nem sustentar hóspedes incómodos. Assim podem investir onde importa: na robótica e inteligência artificial para ultrapassar os inconvenientes da baixa de natalidade.
    Fica só como diverso e multicultural o ocidente, em particular a Europa, com os resultados que se vêm: guetos comunitários, atentados terroristas, despesa com forças de segurança e pagamentos para os recém chegados.

    1. É preciso qb de pesporrência para tratar o esforço de Guterres como vender banha da cobra. Não se trumpifique demasiado, António Afonso.

    2. Porque não? Guterres estava a falar de um mundo que não existe. Só existe mesmo no ocidente.
      No resto do mundo só vejo intolerância e violência. O que nos vai acontecer se abrirmos os nossos países a pessoas intolerantes e violentas? (Veja os problemas que na Alemanha já têm a separar turcos de curdos. E quando o conflito entre sunitas e xiitas alastrar às ruas das cidades europeias?)
      Disse um ministro inglês que quando os muçulmanos fossem maioria em Inglaterra haveria a Sharia Perceba que é o fim da democracia.
      É isto que têm para nos oferecer como futuro?

    3. Intolerância é escrever sobre um homem que defende uma ideia diferente da sua que é “banha da cobra”. É grosseiro.

    4. Banha da cobra refere-se ao artigo não à pessoa
      Sobre Guterres ainda não esqueci que foi PM de Portugal, da forma como (des)governou o país, desbaratou a entrada no euro e depois lavou as mãos como Pilatos. (Nem da forma como uma decisão dele me afectou muito negativamente)
      Como Secretário Geral da ONU desejo-lhe muita sorte e que se conserve por lá muitos anos.

  5. Muito bom! Concordo com a sua visão, a soberba abunda, já não tem vergonha e vai-nos conduzir ao descalabro! Ja não duvido disso. Pena que as “criancinhas” sigam no mesmo caminho, não lhes é apresentado outro… começa no número de likes e seguidores, mais quanto mais estupido, profano ou pornografico, depois, acaba em soberba, sempre. Os outros bem, uns sempre conseguem escrever algumas crônicas e exprimem a sua opinião, os restantes já nem em conversa de café participam, a indiferença, essa é tão má como a soberba e conduz-nos ao mesmo lugar, à miséria. Obrigado pelo artigo de opinião.

  6. E se juntar a palavra Belo,á palavra Eu,com alguma sorte ainda aparece a palavra Onanista.Estou,pois a brincar,mas o sec.xxi é o seculo dos egocentricos com a mania que sabem tudo.

  7. A democracia é um mito na barbárie ocidental.

    A barbárie ocidental acredita piamente que tem democracia, mesmo não sabendo o que é uma demos (demos não quer dizer povo), e negando os valores da cultura de onde a democracia faz parte (a religião greco-romana, dita mitologia greco-romana).

    A barbárie ocidental é monoteísta, de um deus sociopata (as características de um sociopata são as do deus Abraâmico – desde a mania que está acima de todos, às práticas dos abusos sobre os todos). Obviamente que uma barbárie com valores culturais sociopatas nunca produz um estado (sociedade) e muito menos uma democracia. Produz a sua antítese, a prática da guerra (1ª idade média) e ou a prática do “mercado” (a actual 2ª idade média).

    Nunca uma democracia vai existir com cristãos, nem com os restantes valores culturais da barbárie germânica. Não existem comportamentos de sociedade numa plebe com valores individualistas e glorificação de delinquentes, como se observa desde a barbárie ocidental desceu do norte.

    Ignorantes como crianças são essa chusma de criaturas que fala de democracia com se tivesse algum exemplo dela na sua história. Que democracia é essa que dizem estar em causa? Desde quando uma plebe ignorante (cristã, universalista, científica) tem meios para formar uma sociedade? Não tentem passar os ignaros medievais do chinelo do atraso cultural milenar germânico e Abraâmico.

    1. E sem ser no ocidente Eppicuro (Esses dois PP?) encontra democracia onde?
      Democracia ocidental só tem mesmo em comum o nome com a democracia greco-romana. Nessa democracia não havia tolerância nem igualdade nem liberdade. Essa democracia só existia para uma pequena minoria dos habitantes da cidade.
      A democracia cívica europeia funda-se na tolerância, que trás a igualdade e permite a liberdade. São estes três elementos que permitem a democracia política: as eleições.
      E não deixa de ter piada a sua referência à guerra na idade média quando a democracia grega tem origem no sistema hoplitico: destinado à guerra. Os cidadão livres tinham direito a uma parcela das terras da cidade (a chora) e a obrigação de ter o equipamento completo de hoplitas.

    2. Quem mantinha a democracia ateniense eram as cidades dominadas e as colónias, e não Atenas.
      Na democracia ateniense os cargos eram entregues por sorteio e não por votação (um sistema anti corrupção eficaz, assente na crença da escolha dos deuses). Demos é uma divisão administrativa da cidade, não quer dizer povo.

      A barbárie ocidental é que tem o mito da validade da democracia, e não os gregos que a inventaram e praticaram.

      “A democracia cívica europeia funda-se na tolerância, que trás a igualdade e permite a liberdade.”

      Tendo em conta que a barbárie ocidental não é cívica e nega a cultura base da democracia, essa coisa da “democracia cívica” será apenas mais um chavão sem qualquer fundamento em realidade histórica observada.

      A cidade (de onde vem o tal civismo) é a casa da sociedade. A barbárie nunca viveu em sociedade, é um sistema que nega os valores culturais do bando bárbaro. A barbárie vive em bando delinquente sob o regime da bandalheira bélica (guerra) ou feirante (“mercado”), isto é, em permanente confronto. Na barbárie manda o mais delinquente deles. No bando não há igualdade, há senhores e servos, ou patrões e trabalhadores. Não sei que igualdade é que está a falar num tempo de “mercado”.

      A história mostra que na barbárie ocidental mandou o que mais matou na primeira idade média, manda o que mais rouba nesta segunda idade média. Matar e roubar é a história da barbárie, desde sempre.

      A bandalheira é o regime da barbárie, andam ao acaso de quem vencer um confronto (bélico ou mercantil), é assim que sempre fizeram, é a marca da sua pré-história. Quem vence passa a ter excesso de liberdade (poder), quem perde fica sem liberdade (servo), dedicam-se ao confronto exactamente para eliminarem o domínio da liberdade. Não sei o que é que entende como liberdade, parece-me que não domina esse conceito.

      Um “mercado” não tem cidadãos, nem ordem e muito menos civismo. Tem anti cidadãos: ricos (poderosos) e pobres (servis); a negação da ordem: negócios (chantagem mercantil) onde cada um decide regras ad hoc; e a negação do civismo: a prática do saque do outro (lucro).

      O “mercado” é o regime anti político da bandalheira feirante, uma coisa que anda ao acaso do confronto feirante (negócio), obedecem a quem mais tiver roubado mais (mais “capital”). A barbárie ocidental pratica a barbárie e não o civismo.

      Essas coisas da civilização, civismo, igualdade, liberdade não são universais, bem pelo contrário. São específicas, de uma especificidade que a barbárie ocidental não tem, nunca teve e opõe-se fortemente a que existam. Onde já se viu um senhor de posses ser considerado igual a um pedinte?

    3. No meio desse arrazoado todo só disse uma coisa certa: “Na democracia ateniense os cargos eram entregues por sorteio”
      E um senhor de posses tem tantas probabilidades de ser sorteado como um pedinte.

  8. Temos que dar um desconto a Jorge Sampaio, quer pela sua idade e respeitabilidade, quer pelas boas acções que fez nos últimos tempos, quer pelo enorme peso das 3ªs vias socialistas que carrega ás costas, 3ªs vias que ajudaram o fascismo a regressar novamente á Europa.

    Infelizmente também vai ser preciso acolhe-los, e aliviar-lhes a carga, e convencê-los a lutarem novamente pela social-democracia na Europa, que é hoje defendida precisamente por aqueles a quem estes ‘seres superiores’ chamam de ‘perigosos comunistas’.

    Quanto ao resto dos ‘Franz von Papen’, na pele de políticos, comentadores, jornalistas, e o respectivo ódio á esquerda, temos que esperar até que eles leiam a história da Alemanha entre 1932 e 1933 (não precisam de ler o resto entre 1918 e 1945)

    1. A história da Alemanha entre 1932 e 1933 também inclui aquela parte onde o PC alemão se aliou aos nazis para destruir SPD?
      E aquele tratado onde Hitler e Estaline dividiram entre si a Europa Oriental?

    2. Jorge Sampaio e 3ª via, na mesma mesa? Olhe que não! Isso foi mais tarde, não com ele. Só para memória futura, por favor vá rever a memória. Tem defeitos, como todos, mas não merece esta confusão.

  9. Excelente visão e capacidade de desconstrução de ideias que estão desactualizadas e em total concordância com tudo o que de mal que tem vindo a ser feito. A “superioridade” apenas nos levará a um fim negro. Foi aqui que nos trouxe, é lá que culminará.
    Muito obrigado Sr. Louçã.

  10. À direita e à esquerda, poucos ou nenhuns se aproveitam. Interessados neles mesmos e nos amigos, não são capazes de olhar para o que fazem. Só chega ao poder, ou perto dele, quem já colou muitos cartazes e lambeu muitas botas. E agora querem que lhas lambam também. À esquerda e à direita, só compinchas de viagem. Agora para mim, agora para ti. “Já sabes como é, tenho que dizer mal de ti, mas não te preocupes, isso arranja-se”. Entretanto não digas mal do que eu faço. Enfim. Já agora, uma nota prática, porque é que o BE, estando com o pé no pescoço do Costa, não manda despedir a tropa toda que foi para a CGD e que se recusa a fazer o que lhes mandam?

  11. Cuidado professor, olhe que o recurso a uma figura de autoridade africana pode custar-lhe acusações de racismo. Em relação ao título asseguro desde já que sim, o professor é sem dúvida o mais belo. Deite para o lixo as falsas modéstias, acarinhe e celebre a sua beleza.

  12. Para o que nos interessa, haveria talvez que perguntar (não a esse espelho, mas a outro menos auto-interessado) quem são os Grandes Culpados Disto Tudo.

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