Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

22 de Setembro de 2016, 12:43

Por

O governo deve agradecer à direita o frenesim sobre o imposto

Passos Coelho e Assunção Cristas, que impuseram um imposto de selo de 1% sobre os patrimónios de um milhão ou mais, estão revoltados pela possibilidade de haver uma pequena taxa (será de 1%?) para patrimónios imobiliários de um milhão ou mais. Que o investimento foge, que é um novo PREC, que os proprietários choram, que a riqueza é um bem nacional e que nada de ofender os milionários que os pobres precisam deles, tem-se ouvido as alegações mais divertidas. Que é a Coreia no Norte, que é o comunismo, que é o reino dos invejosos, que aquela devia ser internada num hospício, temos de tudo.

Tudo magníficos argumentos, que já aqui elenquei há dias.

tabu 1 costa passos faceofffMas o melhor deles todos é que não pode haver aumento dos impostos. Só que não foi sempre assim, pois não? O gráfico seguinte mostra o aumento de impostos de Passos Coelho e Assunção Cristas no último ano do seu governo (já tinham aumentado todos os anos anteriores, subindo sempre a parada) e compara-o com o aumento de impostos de António Costa (os montantes das receitas fiscais são abatidos do efeito das variações do PIB, para uma comparação mais verdadeira). Os números são conclusivos, não são? Passos e Cristas, viciados em aumentos de impostos enquanto governantes, sabem do que falam.

Reparem os leitores noutras diferenças: ao mesmo tempo que aumentavam o IRS e outros impostos (sobre o património imobiliário, por exemplo), Passos e Cristas reduziram os salários e pensões, reduziram a indemnização e o subsídio de desemprego, e outras malfeitorias. Costa, pelo contrário, descongelou as pensões, restituiu salários, reduziu o IRS, reduziu a taxa do IVA para a restauração, reduziu o IMI (diminuiu a taxa máxima e manteve a cláusula de salvaguarda para o aumento do IMI por via da reavaliação).

tabu 2 costa passos faceofffO segundo gráfico diz-nos com um pouco mais de detalhe onde foi o governo Costa buscar o dinheiro. Diminuiu o IRS (porque anulou a sobretaxa para a maioria), aumenta a receita do IVA (as taxas mantiveram-se, só a da restauração é que foi reduzida, mas cresceu a actividade económica porque há mais confiança e um pouco mais de rendimentos) e, sobretudo, aumentou o imposto sobre os combustíveis. Este último tem um efeito negativo na vida económica. Mas é preferível a aumentar o IRS ou o IVA, o que o governo aliás não pode fazer em função dos acordos com a esquerda.

Num país que continua a pagar oito mil milhões de euros de juros de dívida pública, a uma taxa que é pelo menos o triplo do crescimento da nossa economia, e que está subordinado à restrição absurda de Bruxelas, a política orçamental é quase impossível: para conseguir alguns milhões para um aumento das pensões mais pobres, é preciso aumentar as receitas tributárias – ou despedir enfermeiras, ou professores, ou polícias, ou privatizar a CGD. A direita fez sempre escolhas no segundo campo, este governo só pode procurar soluções no primeiro.

O debate acerca deste exemplo do imposto sobre o património milionário é mesmo sobre isso: pode ou não o governo conseguir as receitas necessárias para um pequeno aumento das pensões dos reformados mais pobres.

Esse debate começou como começou, e mal, mas adivinho que vá terminar rapidamente, bastará uma sondagem sobre o novo imposto. Para o governo este caso torna-se então uma grande vantagem, pois a direita criou a si própria a pior das armadilhas: concentrou o debate do Orçamento, antes mesmo de o conhecer, na medida fiscal mais popular que o governo pode tomar.

Comentários

  1. Escreve Francisco Louçã:
    “Passos Coelho e Assunção Cristas, que impuseram um imposto de selo de 1% sobre os patrimónios de um milhão ou mais, estão revoltados pela possibilidade de haver uma pequena taxa (será de 1%?) para patrimónios imobiliários de um milhão ou mais. Que o investimento foge, que é um novo PREC, que os proprietários choram, que a riqueza é um bem nacional e que nada de ofender os milionários que os pobres precisam deles, tem-se ouvido as alegações mais divertidas. Que é a Coreia no Norte, que é o comunismo, que é o reino dos invejosos, que aquela devia ser internada num hospício, temos de tudo.

    Tudo magníficos argumentos, que já aqui elenquei há dias.

    Mas o melhor deles todos é que não pode haver aumento dos impostos. Só que não foi sempre assim, pois não?

    1. Pois não . Porque para trazer o deficit de 10,6% para 3% e’ preciso um esforço muito maior do que reduzir de 3% para os 2,5% (que o governo se propõe para este ano mas nem isso está assegurado).

    E não era este governo que garantia não haver aumento de impostos?

    Sabemos que não há limites para os demagogos. Mas não nos tome por tolos

    2.

    FL : O segundo gráfico diz-nos com um pouco mais de detalhe onde foi o governo Costa buscar o dinheiro. E uma delas é do sic ” aumenta a receita do IVA (as taxas mantiveram-se, só a da restauração é que foi reduzida, mas cresceu a actividade económica porque há mais confiança e um pouco mais de rendimentos) e, sobretudo, aumentou o imposto sobre os combustíveis.”

    Pois e’ FL . O Aumento do IVA foi irrelevante 0,4% e não reflete o impacto da restauração . A actividade económica está a crescer em termos nominais a par com a inflação. Estamos a crescer ???!!!! O imposto sobre os combustíveis diz bem “tem um efeito negativo na vida económica” e ” que é preferível a aumentar o IRS ou o IVA, o que o governo aliás não pode fazer em função dos acordos com a esquerda.” Esqueceu-se de dizer que “os efeitos negativos na economia ” significam estagnação e desemprego . Que aliado a queda do investimento para valores negativos, significa que entramos numa espiral de destruição de riqueza. Vai explicar-nos como vai continuar a repor salários e “aumentar” pensões ? PS.: Francisco, da próxima vez que escrever ou falar no “aumento de pensões” pare e pense. Porque está a insultar mais de um milhão de pensionistas para quem esse “aumento” não chegou a 1 euro/ mês. Não há limites para a demagogia mas há para o insulto. Por isso pare.

    3.: Num país que continua a pagar oito mil milhões de euros de juros de dívida pública, a uma taxa que é pelo menos o triplo do crescimento da nossa economia, e que está subordinado à restrição absurda de Bruxelas.

    Não Francisco. Não se engane nem nos engane. Emitimos dívida a 10 anos a uma taxa que é’ 3 vezes a de Espanha e da Irlanda. Não é Bruxelas que restringe, é “a vida”. Porque se Bruxelas deixar de restringir para que nos continuemos a poder financiar como é que o fazemos. Sim Francisco é preciso que diga claramente : – a que taxas e onde?

  2. 1. O anterior Governo criou o Imposto de Selo de 1% nos prédios destinados à habitação e com valor superior a 1 milhão de euros para ajudar a pagar os monumentais calotes resultantes das “políticas de crescimento e emprego” do Governo Sócrates. Os juros monumentais que pagamos são o resultado do endividamento criminoso, e mau é andarem em liberdade as pessoas que nos obrigam a mandar para o estrangeiro, em juros, o equivalente aos gastos do SNS.

    2. Atualmente os prédios destinados à habitação e valendo mais de um milhão de euros têm dois impostos anuais: o IMI (de 0.3%-0.45%) e o citado imposto de selo (1%). O IMI reverte para a câmara; o IS reverte para o Estado central.

    3. Este imposto de selo foi aprovado em 2012 pelo PSD, CDS e PS, mas não pelo BE.

    4. Na altura o BE justificou a não aprovação dizendo que não concordava que essa verba (de 1%) fosse desviada dos municípios.

    5. O que se passou agora para em cima do imposto extra de 1% se criar uma nova taxa que é remetida para o Estado central, e isso já não fazer espécie ao BE?

    6. E qual é a fronteira? Porque é que não vamos taxar amanhã casas acima de 500 mil? E depois de amanhã acima de 100 mil, etc.? E porque não aplicamos uma tabela “fortemente progressiva” às casas, que começa em n/100mil%, o que dá uma taxa de 1% nas casas de 100mil, 10% nas casas de um milhão, etc.? Afinal “não devemos perder a vergonha de ir tirar a quem tem”? Será que o BE está envergonhado?

    1. Agradeço a simpatia de confirmar que o tal imposto sinistro sobre os patrimónios milionários foi aprovado pelo PSD e CDS. Mas Passos Coelho já o tinha feito.

    2. Obrigado pelo comentário simpático, mas parece que não me expliquei bem. Vou tentar segunda vez:

      1. “o imposto sinistro” foi aprovado pelo CDS, PSD e PS, mas, em declaração de voto no Parlamento, o BE foi contra alegando que se estava a retirar às câmaras o rendimento resultante desse 1%; porque mudou agora o BE de opinião? Tem resposta?

      2. Eu disse também que uma coisa é justificar um aumento de 1% (o que fez Passos); outra coisa é justificar um aumento em cima desse 1% (o que cabe ao BE fazer e ainda não fez). A trapalhona tentativa de Louçã (no artigo acima) é argumentar que quando se aumenta um imposto 1% perde-se legitimidade para criticar aumentos de impostos em cima desse 1%. Muito bem: se ao justificar o aumento de 1% fica justificado o aumento de 1%+taxa, então, por indução matemática simples, fica justificado um aumento até ao infinito; e por isso perguntei: onde está a fronteira? Francisco Louçã não respondeu. Porquê? Será porque o que verdadeiramente quer é arranjar estratagemas para aumentar impostos até ao infinito?

      3. Exatamente a mesma estratégia foi usada a propósito da taxa sobre a exposição solar. O BE argumentou que a taxa de conforto já estava prevista na anterior lei, e portanto os novos valores dessa tabela ficaram automaticamente justificados. A anterior tabela dizia que a localização podia fazer variar o IMI para cima ou para baixo em 5%; a atual lei diz que uma localização muito má pode diminuir o IMI em 1% (contra os anteriores 5%) e uma localização muito boa pode aumentar o IMI 20% (contra os anteriores 5%). Ou seja, uma vez mais o BE usa a justificação do +-5% para aprovar limites de +20% (ou 70% pois o “argumento” do BE vale para justificar qualquer valor). Isto é sério? Não parece.

      4. Porque é que Loução não diz claramente: “O meu objetivo é subir todos os impostos paulatinamente até que o Estado fique dono de todos os meios de produção e assim possamos ser felizes como os venezuelanos, cubanos, coreanos do Norte, as antigas URSS, Roménia, Bulgária, China Maoista, etc.”? Não seria mais honesto da sua parte?

      5. O que fez Carlos Brito abandonar o comunismo foi (como ele próprio disse) ver a felicidade das pessoas do Pacto de Varsóvia a derrubar o muro de Berlim. Muitos outros dirigentes comunistas viram isto: “nós queremos que todos sejam felizes, mas a nossa ideologia só gera infelicidade e morte”. Quando vai o Francisco Loução ter a sua epifania? Isso seria bom para Portugal… e para si. Acredite.

      6. Nos seus gráficos acima, António Costa não deve estar abaixo de Passos Coelho. Deve estar aos ombros de Passos Coelho. E Passos Coelho não deve estar na origem do referencial: deve estar aos ombros de todos os que o precederam a impor a Portugal a atual carga fiscal desumana. A mim pouco me interessa quem é o autor das parcelas do confisco a que estou sujeito. A mim interessa-me que no 1º governo do Soares os portugueses pagavam em impostos 19% do que ganhavam e hoje pagam mais de 30%. Com Costa no poder temos a maior taxa de confisco de sempre. Representar isso por um pequeno Costa ao lado de um grande Passos não é sério.

      6. Tal como não é sério António Costa apresentar no Parlamento gráficos com o eixo dos yy truncado para sugerir que uma linha de declive próximo do zero está em crescimento explosivo. Não é sério fazer gráficos de barras com valores aproximados às centenas, mas na escala ter apenas valores aproximados às dezenas de tal forma que nas ordenadas aparecem os valores 0.2, 0.3 e 0.4 em duplicado dando a impressão de uma variação muito maior que a efetivamente registada. Nada disso merece um comentário de Louçã? Parece-lhe que basta dizer que se está a favor dos pobres para tudo ficar legitimado (mentir, enganar, usar falácias de lógica e de estatística, ou matar 25% da população como o camarada Pol Pot, pôr as pessoas à fome como o camarada Maduro, etc.?) É capaz de me encontrar outro gráfico, apresentado por um PM de qualquer país do mundo, onde nas ordenadas apareçam os valores: 0.2, 0.2, 0.3, 0.3, 0.4, 0.4? Se tem razão, porque precisa de recorrer a estas baixezas? E se não tem razão, porque raio insiste em infernizar a vida a todos, começando pela sua?

    3. Acho que não percebeu o dr. Passos Coelho. Ele não explicou este imposto dos tais 1% como resultado de situação excepcional, disse que fazia parte da “matriz social-democrata”, ou seja, é para todo o sempre. Quanto ao resto, o gráfico do primeiro-ministro é correcto, mas acho que não preciso de lhe explicar a diferença entre variações em valor absoluto e variações sequenciais em percentagem.

  3. Sugestões de sondagens que se deveriam fazer: Deverão os partidos pagar IVA e IMI? Concorda com a redução do número de deputados para metade? Deverão os titulares de cargos públicos obrigados a ter os filhos em escolas públicas? Deverão os titulares de cargos públicos ser obrigados a utilizar os serviços públicos de saúde? Concorda com a redução para metade dos ordenados dos deputados? Tenho a certeza que o sim teria uma maioria qualificada…

  4. Os partidos da geringonça (PS, BE e PCP) desde 2011 diziam que os aumentos de impostos do Passos (agora acompanhado da Cristas…) não eram uma necessidade, mas resultantes das convicções ideológicas (“neo-liberais”) do Passos. Os liberais são contra os impostos…
    O aumento de impostos de 2015 corresponderam à necessidade de baixar o deficit de 4,5% em 2014 para 2,8% em 2015 (deficit sem os apoios à banca e BANIF, segundo registado pelo Eurostat). Deve-se salientar que os gastos com o BANIF foi opção da geringonça, em Janeiro de 2016, 11 dias depois a intervenção, à luz dos mecanismos europeus que entravam em vigor a resolução do BANIF não teria custos para os contribuintes, ou seja a esquerda sempre aos lado dos que diz combater…
    Mas o que fez a geringonça? De cima dos 3.797 milhões de euros de aumento de impostos do Passos em 2015, carregam mais 764 milhões… Ainda bem que viraram a página da austeridade… E isto para baixas o deficit de 2,8% para 2,2 ou 2,5% (sem contar com apoios à CGD).
    Costa o que fez? Retirou os cortes dos salários da função pública, beneficiando quem ganha mais de 1.500 euros (?), procedeu aos aumento das pensões mais elevadas (como aqueles tudólogos, companheiros do Louçã no comentário televisivo), retirou a sobretaxa de IRS (com beneficio dos rendimentos mais elevados, salário mínimo pagava 1 euro/mês de sobretaxa). Ah! É verdade a geringonça aumentou as reformas mais baixas, 60 cêntimos/mês (o que corresponde a um gasto pelo estado de 12 milhões/ano, contas da Mariana Mortágua, se 200 milhões/ano é o custo de aumentar as pensões mais baixas em 10 euros…). Comparar àcom a redução do IVA da restauração que tem o custo de 180 milhões…
    Quanto à taxa máxima de IMI, como o Louçã sabe as taxas de IMI são definidas anualmente pelas Assembleias Municipais, e eram marginais (menos de 20) os municípios que aplicavam a taxa máxima, pelo que esta medida do Costa foi para português ver…
    Quanto ao aumento do IVA, esperemos pelo final do ano para ver o total da receita, porque o aumento da actividade económica só é detectada nos gráficos do Costa….

    1. “…os gastos com o BANIF foi opção da geringonça, em Janeiro de 2016, 11 dias depois a intervenção…” Memória curta, pois. Quem votou o Orçamento Rectificativo? Claro, o PS e o PSD. Doutra forma a resolução era invertida!

  5. “Passos Coelho e Assunção Cristas, que impuseram um imposto de selo de 1% sobre os patrimónios de um milhão ou mais, estão revoltados pela possibilidade de haver uma pequena taxa (será de 1%?) para patrimónios imobiliários de um milhão ou mais.” e “imposto sobre o património milionário”. Em primeiro lugar não se conhece o imposto que a gerinçonça quer introduzir e o Costa refere que é prematuro discutir o Orçamento antes de ser apresentado (com a excepção do Passos que deve apresentar propostas, sugestões, antes de o conhecer…). Pois é os “neoliberais” foram taxar as propriedades de valor superior a 1 milhão de euros, e o que a geringonça pretende (pelo que se diz…) é taxar conjunto de propriedades superiores a 1 milhão de euros (o Bloco pretendia maior de 500 mil euros). Ou seja alguém que possui 7 propriedades no valor de 150.000 euros, e que arrenda é um milionário… Milionário esse que não era taxado pelo Passos… Ah! É verdade mas foge ao IRS no dizer do bloco (mas se é essa a justificação não deveriam apertar a fiscalização? É que o que não foge ao fisco vai pagar como se fugisse…).
    “Esse debate começou como começou, e mal, mas adivinho que vá terminar rapidamente, bastará uma sondagem sobre o novo imposto.” – Também poderia dizer, vamos acabar com os impostos, adivinho que debate terminará rapidamente, bastará uma sondagem sobre a abolição dos impostos… Populismo de esquerda como de direita é um nojo.

  6. Política à parte, a comparação de aumento de impostos não é correcta. O actual governo tem como receita o aumento de impostos do governo anterior. Ou seja em cima dos impostos do governo anterior os contribuintes tem de pagar os aumentos de impostos do actual governo.

  7. Apenas uma curiosidade em relação ao IMI (já que tanto se tem falado do pagamento p.exp. pelos partidos)
    A Santa Casa da Misericórdia de LISBOA, é “apenas” o segundo maior proprietário da cidade de lisboa, percebe-se o não pagamento de IMI em edifícios afetos a respostas sociais, mas e os edifícios arrendados e os de serviços?
    Aliás Santana Lopes, esbanja dinheiro por todo o país (escrever LISBOA em maiúsculas foi de propósito), com as restantes misericórdias, logo há dinheiro a mais na misericórdia de lisboa, assim sendo poderia pagar IMI, ou não?
    Pois, é por causa destas e outras parecidas que se compreende o apego de Santana Lopes à SCML, desprezando uma candidatura a um organismo maior e que lhe daria mais projeção como a CML, é que aqui (SCML), o dinheiro abunda…..estranho é ninguém se importar com este esbanjamento…De facto já tanto se estranha o apego de Santana à SCML como a atitude da “geringonça” em mantê-lo por lá. Algo cheira a esturro.

  8. Passou levezinho pelo aumento bruto do combustível como se nada fosse. A mim, e a muita gente, faz muita diferença. Diga, com todas as letras, que foi um aumento de impostos feito por um governo de partidos que diziam que não aumentavam impostos. Diga que são, pelo menos, tão mentirosos como os outros.

  9. Estou um pouco farto, de ouvir que estão a devolver salários aos portugueses e, um ano depois, não vejo nada de nada ao fim do mês.

    Trabalho no privado e, ganho 600€ por mês, como ganhava há um ano.

    Como o salário era e é baixo, tenho uma filha em idade escolar e a minha mulher estava e está desempregada, já não pagava IRS, tal como não pago agora. Abono de família, não tinha antes, tal como não tenho agora.

    Posto isto, não vejo nada de nada. Aliás, como ainda tenho um carro, por via do aumento do ISP, ainda devo ter ficado a perder.

    E isto é que me chateia acima de tudo. Porque, pelo menos antes era roubado, mas ainda admitiam que o faziam, mas actualmente sou igualmente roubado, mas tenho que ouvir que me estão a proteger.

    Sejamos sinceros, estas devoluções e cortes nos impostos, beneficiam principalmente quem ganha acima de 1000€ e de forma reforçada os funcionários públicos através da reposição de salários.

    Mas este é o reflexo da esquerda em Portugal: satisfaz primeiro as suas clientelas intermédias e bases de apoio e se sobrar algum os pobres.

    Por isso, reposição de rendimentos, não em meu nome.

    Miguel

    1. A devolução da sobretaxa do IRS abrangeu todos os contribuintes excepto os dos dois escalões mais altos. De certeza que deu por isso.

    2. Para confirmar, acabo de consultar um recibo de vencimento de 2015 e verifico que pagava 1,94€ de sobretaxa de IRS por mês.

      Não é que não seja dinheiro, mas não paga o esforço de ir verificar se esse montante também foi devolvido, da mesma forma que o foi o IRS (pelas razões anteriormente expostas).

      A minha premissa inicial mantém-se: este discurso da devolução de rendimentos, está muito longe de corresponder à realidade, excepto para uma fatia da população que não sendo rica é no mínimo desafogada financeiramente e com alguma estabilidade no trabalho.

      E ainda há mais um facto que comprova que o discurso está desfasado da realidade: subsidio de desemprego. Já reparou que nada foi alterado, neste ano que temos de governação? Será que o governo de direita estava a seguir uma politica correcta de protecção ao desempregado e portanto não se justificam alterações, ou não serão os desempregados o publico alvo dos partidos, uma vez que são pouco mais que sub.cidadãos e mais dia menos dia emigram juntamente com o seu voto.

      È esta hipocrisia que me chateia, porque embora não partilhe todas a ideias de esquerda, sempre admirei as pessoas que fizeram a história das esquerdas na defesa dos mais desprotegidos das sociedades e, isso actualmente não existe para lá do discurso.

    3. “Mas este é o reflexo da esquerda em Portugal: satisfaz primeiro as suas clientelas intermédias e bases de apoio e se sobrar algum os pobres.” – Olha-me este… deves ganhar 600 euros e a tua mulher deve estar desempregada, deves. O teu paleio desmascara-te logo… És um direitola fascista mentiroso!

    4. Deixe estar Miguel, ele é fundamentalista e, como tal, não entende a realidade como ela é e mais importante: não vive nela.

  10. Concordo com o imposto sobre o património acima de 500 mil euros! Finalmente há coragem para pôr os ricos a pagarem um pouco da crise… mas, deveria ser ainda mais.

  11. Se bem conheço os portugueses e o seu apego à propriedade real, as histórias de assassinatos familiares a propósito de heranças de courelas, forças da ordem recebidas a tiro por causa da posse do usufruto de baldios, casamentos e divórcios de conveniência, assassinatos dos constituintes que confiaram procurações com poderes bastantes a seus advogados…

    Caro Francisco Louçã não se iluda com a racionalidade dos argumentos que em matéria de propriedade imobiliária ou propriedade real é, quase sempre, a irracionalidade que prevalece nesta pátria que chega ao 25 de abril com cerca de 40% dos portugueses a viver direta ou indiretamente da agricultura do “arado de pau com bico de ferro”.

    Os portugueses da “minha alegre casinha tão modesta como eu” interiorizam a “agressão” à propriedade que, legalmente, é posse de 8000 criaturas como se fosse uma agressão à propriedade da sua endêmica pobreza, apesar daquela propriedade concentrada ter sido obra do esforço humano de quem nunca a fruiu e jamais fruirá.

    As rendas foram congeladas por Salazar e esse congelamento perpetuou-se e ainda dura a liquidar o mercado do arrendamento. Apesar disso os proprietários das casas alugadas encurralados foram empobrecendo, mas não desistiram de ser proprietários, nem os herdeiros deixaram de se habilitar à herança dessas casas que nada rendem e os obrigam a despesas.

    A desigualdade reduz-se com a expresiva elevação do valor do trabalho, através do aumento do salário mínimo nacional, que gera procura, produção, eficiência e produtividade, receita fiscal com diminuição da carga fiscal e por último determina a paz social e a redução do “fosso entre ricos e pobres”.

    Este episódio trouxe à luz do dia os argumentos cavernosos que povoam as mentes de uma ex-elite de falhados, mas também da geração sua sucessora que assume a idade das trevas como a sua estrela da manhã. Porém não há outra elite.

    É o que dá terem convertido as gentes da UN/ANP em “democratas” do CDS/PPD-PSD.

    1. Excelente.Alias,há uma caricatura do João Abel Manta que carateriza muito bem o que disse:é o “partilhas á portuguesa”.

  12. Só existem algumas questões importantes. O Governo da Direita aumentou os impostos, em muito e em muitos (eg. aumento do IVA na eletricidade…) num período crítico para Portugal, em que este estava sob assistência financeira e em que também era necessário evidenciar para os mercados, a UE, o FMI, etc. que estavam a ser desenvolvidos esforços para reduzir a despesa pública, reequilibrar as contas externas, reduzir o endividamento (que aumentou), etc…. Aparentemente, tal não acontece atualmente. O PIB ainda cresce,embora pouco; o défice das contas públicas e externo é menor….Portanto, para que criar um imposto?
    Sabe o que me preocupa e a muito gente? Não é imposto que se cria agora, na sua atual configuração. O que preocupa, é que quando houver nova crise, com este imposto criado, o limite de 1 milhão de euros, certamente baixará para 500 mil euros, ou ainda menos, se calhar passará a incluir património mobiliário (depóstos bancários, certicados de aforro, ações, etc….)?
    Portanto, isto é o princípio de mais um “saque”…

    1. “Sabe o que me preocupa e a muito gente? Não é imposto que se cria agora, na sua atual configuração. O que preocupa, é que quando houver nova crise, com este imposto criado, o limite de 1 milhão de euros, certamente baixará para 500 mil euros, ou ainda menos, se calhar passará a incluir património mobiliário (depóstos bancários, certicados de aforro, ações, etc….)?
      Portanto, isto é o princípio de mais um “saque”…”

      Tenha esperança, homem…pode ser que nessa altura já lá estejam de novo o PSD e o CDS…e, como sabe, eles são “especialistas” em reduzir impostos!

  13. Para meu esclarecimento gostava de saber:
    1. se este imposto se insere ou não numa prática arreigada do Poder e do Fisco para perseguir aqueles que não escondem o seu pecúlio. Ou seja, vão também criar-se impostos incidindo sobre outras formas de riqueza material ainda que traduzidas em bens que não são tão facilmente detetáveis – obras de arte, recheios de habitação luxuosos, jóias, peças de ouro? E dos que comprovadamente se sabe que têm fortuna no exterior?
    2. É certo que 1% é só 1% mas quem tiver o tal património de 1 milhão vai ANUALMENTE pagar MAIS (alem do IMI) 10.000 Euros, mesmo que os imóveis nada rendam. É razoável?
    3. Quanto seria preciso aumentar o IMI para obter a mesma receita, criando eventualmente uma série de isenções mais justas ou tornando este imposto progressivo?
    4. Os imóveis produtivos – arrendados para habitação ou comércio – e terrenos rústicos em produção – floresta ou agricultura devem ser isentos (não contar para a matéria coletável deste imposto)?
    5. Que diferença existe entre este novo imposto e o muitas vezes referenciado imposto de selo?
    Obrigado

  14. Ao que chegamos. A aplicação de um novo imposto ser decidida pelo resultado de uma sondagem.
    Também podíamos fazer uma sondagem para decidir se o Bloco de Esquerda deve interferir na governação do país.
    Ou se o demagógico autor deste artigo deve continuar a escrever neste jornal.

    1. “Também podíamos fazer uma sondagem para decidir se o Bloco de Esquerda deve interferir na governação do país.”

      Mas essa “sondagem” não foi já feita nas eleições de 2015?

    2. Boa ideia.
      Acho que qualquer partido com ideais totalitários (BE e PCP) não deviam intervir na governação do País.
      Partidos fascistas (ideais totalitários) intervêm na governação do País?

      João Albuquerque

    3. Tem toda a razão. Deviam mesmo ser todos presos por violarem o princípio quem-não-concorda-com-Albuquerque-vai-de-pildra.

  15. Segundo o editorial do Publico,esta noticia apareceu,primeiramente no Jornal de Negocios,com o obvio objectivo de criar uma fricção entre os parceiros do actual governo(alias,tal como o joão tavares,por portas travessas,explica muito bem na sua cronica,o objectivo é mesmo criar o tão desejado desentedimento no governo).Por outro,lado gostava de perguntar,se já que todos os jornais,90% dos comentadores ,tv e radios trabalham para o dr.passos coelho,se este é o divino espirito santo,amen? é que um homem,que so sabia cortar salarios e reformas(ver relatorio da OCDE) não me parece,um grande exemplo como cristão,ou catolico,ou lá o que é.

  16. mesmo que seja assim , insignificante , mas para beneficiar alguns desgraçados com pensões mais desfavorecidas , sejamos honestos com nós próprios , tratou-se de uma brincadeira de mau gosto como tudo foi conduzido , reconheçam que mais parecia estarmos na Serra Leoa , do que na Europa onde todos enchem a boca e dizem gostar de estar .

    1. “Também podíamos fazer uma sondagem para decidir se o Bloco de Esquerda deve interferir na governação do país.”

      Mas essa “sondagem” não foi já feita nas eleições de 2015?

    2. “reconheçam que mais parecia estarmos na Serra Leoa , do que na Europa onde todos enchem a boca e dizem gostar de estar .”

      Olhe que não…olhe que não!

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