Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

22 de Setembro de 2016, 08:11

Por

Motivo de orgulho nacional

Soubemos esta semana que a Organização Mundial da Saúde oficializou a eliminação, no nosso país, da rubéola e do sarampo, depois de, já antes, ter certificado a erradicação da varíola, poliomielite, malária e difteria. Portugal, onde os casos deste tipo de doenças contagiosas registados nos últimos anos foram consequência de infecções em outros países, está colocado na lista dos melhores a nível mundial.

Contudo, apesar destas excelentes notícias, a Direcção-Geral de Saúde continua a manter o plano nacional de vacinação enquanto o vírus continuar a circular no mundo (à excepção da varíola que está completamente erradicada).

No meio de tantas notícias sobre percentagens, permilagens, portagens, margens, blindagens, chantagens, linguagens, imagens, montagens, pilhagens, viragens, viagens, amostragens, arbitragens, derrapagens, peritagens, maquilhagens, personagens, vantagens e desvantagens, lavagens, vassalagens e vilanagens, alavancagens e tantas palavras “agens” e ágeis, esta constatação passou praticamente ao lado sem direito a abordagens.

Se há factos que significam um notável avanço na nossa sociedade (progresso humano, na melhor acepção da palavra) estes são, sem dúvida, dos mais significativos e de que bem nos podemos orgulhar.

Juntando a este plano de vacinação, a notável evolução e universalização nos cuidados de saúde e assistência materno-infantil, atingimos baixíssimos índices de mortalidade infantil, que ombreiam com os mais excelentes do mundo. Os nossos indicadores são mesmo melhores do que os de muitos países europeus mais desenvolvidos economicamente (Alemanha, Suíça, Holanda, Reino Unido, Bélgica, Dinamarca, França, entre outros).

A taxa de mortalidade infantil (número de crianças que morre antes de completar um ano de idade por cada 1000 crianças nascidas com vida) evoluiu, em pouco mais de meio-século, de 88,8 crianças por mil (em 1961) para 2,9 crianças por mil (em 2015)! Este avanço foi determinante para esbater a brutal redução de taxa de natalidade em Portugal.

Em suma: uma boa notícia. Estrutural, não apenas do dia. Para Portugal, para o SNS, para as famílias, para os profissionais da área de saúde,  para a nossa auto-estima. Pena que se dissipe tão depressa no redemoinho de tanta insignificância e enredos.

Comentários

  1. Não esquecer que o programa (não plano, que é uma coisa que pode ou não executar-se) nacional de vacinação vem de 1965. Isto talvez explique o silêncio dos “aproveitadores”.

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