Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

31 de Agosto de 2016, 14:38

Por

Perceber Passos Coelho

“É porque acreditamos nas pessoas que faremos o que é difícil, que faremos o que é preciso e esperemos que o que é preciso e é difícil seja menos do que aquilo que nós podemos fazer porque podemos fazer mais do que aquilo que é difícil, podemos também fazer aquilo que é necessário para que Portugal possa ser como a Espanha tem vindo a mostrar, como a Irlanda mostrou também, um país em que no futuro todos querem apostar, um país em que todos acreditem, em que todos possam remar para o mesmo lado, mesmo que não estejamos de acordo nas eleições.” (Pedro Passos Coelho no fecho do discurso de rentrée no Pontal, agosto de 2016)

Não percebeu? Não se preocupe. A frase é um espelho da clareza disponível no PSD e um esforço de tradução seria assim: o PSD quer fazer o que é preciso que é difícil mas está disponível para mais do que é difícil porque é o que é necessário para que todos os partidos se ponham de acordo mesmo que estejam em desacordo nas eleições.

Logo depois desta proposta de fazer o necessário que é difícil e que é menos do que o PSD pode fazer, Passos Coelho concretizou: é preciso mais investimento público.

Ou talvez não. O líder do PSD, de facto, só criticou que haja pouco investimento público – no que tem razão – mas não chegou à ousadia de propor que houvesse mais. Explico: a crítica é que se faz pouco, mas também se se fizesse mais isso seria criticado, porque punha em causa o défice. E a crítica a este governo aplica-se igualmente ao criticante: com o PSD e o CDS no governo, o investimento público caiu 60%, com António Costa cai este ano 11%. É o resultado da desastrosa restrição orçamental. Mas, neste campeonato do investimento público, Passos Coelho tem autoridade para falar em cortes, como se verifica.

O problema do PSD é portanto este. Gostava que houvesse mais despesa mas é contra a despesa. Gostava de mais investimento público desde que haja menos investimento público. Gostava que houvesse mais folga económica, mas nem pensar em recuperar salários e pensões porque são despesa e a despesa nem pensar. Gostava portanto que se fizesse o contrário daquilo que acha indispensável que se faça. Está portanto na situação ousada do partido que pede o voto das pessoas para lhes garantir que vão viver pior e que é preciso que vivam pior, ou do partido que prefere o contrário do que defende.

Confuso, o discurso de Passos Coelho? Pelo contrário, cristalino como água da nascente.

Comentários

  1. Passos ainda navega sem horizonte à vista. Esperava ver esse horizonte a curto prazo mas a geringonça está a dar as voltas ao PSD. Já O CDS parece ter-se apercebido da sua consistência com a saída de Portas de cena (uma “doninha” política, bem diferente de Passos). Passos sabe que com a saída da Troika deixou de poder contar com o álibi da austeridade, que tanto jeito lhe dava. Cortava aqui e ali pois era imposto externamente. Parece claro que Passos não sabe governar o país sem a doutrina austeritária, punitiva e do “dividir para reinar”. Não é conciliador, não é carismático, não é animal política mas também não é tecnocrata. O povo ainda não percebeu bem as suas “true colours” fora da bolha da austeridade. Até porque convenhamos o irritante slogan “a direita estará sempre aqui para corrigir a contas que os socialistas destroem” ilustra bem como não têm um plano estratégico para o país.

  2. Sem duvida que a frase referida não é a mais conseguida de Passos Coelho. Mas ainda bem que Loução não é o ghostwriter de PPC. A “tradução” mostra que Louçã está entre os que não perceberam o sentido do que Passos afirmou e reflecte com rigor o seu pensamento. E é simples. Se a governação for levada a cabo com determinação, inteligência, rigor e criatividade, tendo como único objectivo, não o interesse pessoal ou partidário, ou de grupos, ou facções, mas o de conduzir o país na rota dum desenvolvimento económico e social que nos ponha ao nível das democracias ocidentais mais desenvolvidas -com bons salários, e sem as desigualdades gritantes que afectam profundamente a nossa sociedade, e sem os 2 milhões de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza – seguramente que mesmo aqueles que não votaram nele, passarão a acreditar no caminho seguido e a remar no mesmo sentido. E isso participando activamente na construção europeia e respeitando sem reservas as regras que enformam a UE e que consubstanciam o princípio fundamental a que têm de obedecer os países membros: serem uma economia de mercado de livre concorrência. Estas são sem duvida as linhas de governação a que a grande maioria dos portugueses defendem e que sobre as quais a esquerda radical filocomunista, a que Louçã pertence, tem as maiores reservas.

    1. Nuno Romão, agradeço o esclarecimento e aplaudo a sua filocandidatura a líder do PSD.

    2. Sim porque uma das principais preocupações do PSD foi sempre o combate às desigualdades sociais (ironia). É preciso ter muita falta de noção sobre o que se está a falar….

  3. Eu percebi perfeitamente. Que a geringonça está a levar o país para o desastre pelo que está na altura de atacar PC. Assim como quem cospe para o ar e depois diz que está a chover.
    Está com medo dos resultados das próximas eleições? Apesar de ser cedo, não me admira a preocupação de quem tem por objetivo, não o desenvolvimento do país, mas “impedir que a direita fique com o poder”. Grande objetivo! É por isso que, cedendo ao adn totalitário, se empenham em querer definir quem devem ser os dirigentes dos partidos de direita, numa interferência arrogante e intolerável? Usando processos de assassinato de caráter? Só falta dizer que PC consome drogas duras e depois esconder-se atrás da imunidade da liberdade de expressão. Enfim, dir-lhe-ia, usando as palavras do seu correligionário Jerónimo de Sousa, “não meta o nariz onde não é chamado”.

    1. Pois. Apenas acabei de mostrar que FL usou a 13ª das regras para radicais. ““Pick the target, freeze it, personalize it, and polarize it.” Cut off the support network and isolate the target from sympathy. Go after people and not institutions; people hurt faster than institutions.”

    2. Olha Olha,e sabe Inglês e tudo, sim senhor!

      Be careful, the devil is coming to Portugal this month – Passos dixit 😉

  4. Passos é um caso perdido. Não tem passado que se possa mostrar, que a cada cavada sua minhoca. É um caso raro de incapacidade, de ausência de formação, de falta de sentido do ridículo que presiste no primeiro plano da política nacional envergonhando as gentes do PSD.

    Essas gentes não poderão continuar por mais tempo a emprestar a sua credibilidade e honorabilidade a Passos e seu “bando”. Está na hora de acabar com a farsa e retomar a participação cívica em defesa da honra, da democracia, liberdade, paz e prosperidade.

  5. “Como o a Irlanda mostrou tambem” o quê,dr.coelho? Deve estar a falar da apple,com certeza.Como se sabe,a Irlanda tem uma politica fiscal extremamente competitiva(é este o termo,não é?) e atrativa,vai dai ficam 13.000 milhoes a voar(ou na off-shore mais competitiva),e os sulistas(esses preguiçosos) que paguem a conta(ou fechem a porta).Sim,porque a Irlanda agora não quer receber o guito(é bom sinal,assim toda a gente fica a saber que os irlandeses não precisam do vil metal)Ps.comentario ironico:será que so com as vendas do sporting,hoje,o raio do pib cresceu? e as agencias de rating,já fazem fila á porta de alvalade?

    1. Ou seja, o “tigre celta” não se atira aos ricos, transforma-se logo no “gatinho irlandês” quando vê algum…
      A propósito, nunca compreendi a razão pela qual, para servir de metáfora a tanta pujança económica, se foi buscar um povo extinto e um animal em vias de extinção…

  6. Equações diferenciais ainda dou uns toques agora perceber o Passos Coelho também é pedir um pouco de mais.

    Viram a figura triste do Puto de 16 anos ou qualquer coisa assim, na universidade do psd a dizer para a tv que o seu sonho é ser primeiro ministro. Há ambição mais triste do que essa? Ainda por cima numa idade tão precoce quando devia ter a cabeça cheia de utopia e mulheres nuas?!?
    Até tive pena, tenho esperança que com a idade ganhe juízo. Mas o passos era desses meninos. Praticamente não foi à escola, passou a juventude na sede a jogar cartas e sei lá mais o quê, e lá chegou a primeiro ministro…. É assim. E depois queixamo-nos da qualidade dos políticos. Quem manda nunca viveu.

    Aqui o professor aos 14 também já políticava muito (a distribuir Flyers, a ouvir os velhotes, a fugir dos maoistas) mas pronto, sempre é de esquerda, estava-mos no prec e tal, sempre estudou na pública. Menos mal. Ser político profissional já é suficientemente baixo para as pessoas crescidas nas crianças então é aberrante.

  7. Ás vezes parece que está com os cópos.
    Na oposição, é uma verdadeira miséria. Resultado tambem de algum contorcionismo ideologico quando na governação.
    É assim tão dificil dizer ás pessoas que a recente capitalização da Cgd, é o fim da banca privada?
    Continua a ser no entanto a unica esperança para aqueles que acreditam em economia de mercado, com separação de poderes.
    Poque terá medo de dizer o que pensa?

    1. A economia de mercado nunca esteve em causa, nem mesmo em 1975-76. Varrida a euforia revolucionária, a segunda e terceira revisão da CRP já deixava cair as máximas socialistas dos meios de produção colectivos. O que Coelho não quer dizer – e os seus acólitos fazem questão de não quererem perceber – é que a ideologia que sustenta a sua (?) visão do mundo passa pelo anarco – capitalismo de Nozick, com uma ou outra nuance mais ao estilo de Haydek ou Friedman (mas pouco). Faz o elogio das virtudes do sector privado, mas não o imagina sem as subvenções dos contribuintes. Simultaneamente reclama – se paladino da social – democracia, desde que a mesma não envolva subsídios de desemprego, educação pública, e muito menos serviços de saúde assegurados pelo Estado. Por todas estas razões – e muitas mais – Coelho não é (nem nunca foi) a esperança de ninguém, mas antes um produto para consumo de massas em tempos de crise.

  8. As gentes do PSD ainda não perceberam que para voltar ao poder só têm de substituir o PPC e restante cúpula. Quando o fizerem o PS foge para a direita e teremos uma nova AD. Infelizmente só falta isto para quebrar este ciclo político.
    Já agora Francisco, o que pensa verdadeira necessidade de um Gov. Ou melhor, da sua dimensão?. Olhe-se para os casos de Espanha ou Bélgica em tempos.
    A existência de um Gov só ganha verdadeiro sentido no plano estratégico. Os Gov actuais pouco têm de planeamento, limitando-se a lançar e gerir o horizonte orçamental/ano. Na verdade, para isso, pouco mais que as direcções-gerais dos respectivos ministérios seria exigível.
    Um dos paradoxos da vida política encontra-se no conflito entre a necessidade de um planeamento estratégico de médio/longo prazo e a existência ciclos políticos curtos (4 ou menos anos).
    Ou então assuma-se a ideia de que os dias que correm e as características da sociedade actual não são compatíveis com estratégias ou objectivos de médio/longo prazo, pelo que terá de se abrir o debate sobre a dimensão e o papel dos governos nas sociedades de hoje.

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