Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

22 de Agosto de 2016, 08:19

Por

O CDS e o MPLA, tão irmanados que eles são

A notícia do “Jornal de Angola” sobre o discurso do líder do MPLA e presidente de Angola há 37 anos, José Eduardo dos Santos, termina com uma nota sobre uma outra personalidade que brilhou no congresso.

Transcrevo na íntegra:

Dirigente do CDS/PP elogia o discurso
O vice-presidente da bancada parlamentar do CDS/PP, Hélder Amaral, elogiou o “tom e a qualidade” do discurso do presidente do MPLA, na abertura do Congresso. “Fiquei surpreendido pela positiva porque além de actual, coloca Angola no centro dos problemas do mundo”, disse Hélder Amaral.
O deputado português disse que estava à espera de um “discurso mais empolgado”, mas que acabou por ser o “tom certo, tendo em conta o seu conteúdo”. Para Hélder Amaral, o discurso do líder do MPLA foi um exercício “feliz” pelo assumir dos erros do passado, ao mesmo tempo que apontava para o futuro, defendendo um Estado mais eficiente, mais capaz, mais competente.
Para o dirigente do CDS, as referências à saúde, à educação e à necessidade de diversificar a economia são “próprias de quem olha para o futuro com alguma perspectiva e inteligência”, já que, “todos nós temos que saber para quê que queremos o Estado e que Estado queremos ter”.
O deputado luso observou que essa discussão também existe em qualquer país da Europa, onde se discute o estado social, como torná-lo sustentável e como é que o consegue pagar. Hélder Amaral considerou “mais do que evidente” que Angola está a “dar passos na consolidação da sua boa governação e da democracia”, e também demonstra que está a olhar para o futuro, ao apostar na juventude e na formação.
Natural de Calandula, Malanje, Hélder Amaral mostrou-se satisfeito pela experiência de participar pela primeira vez num congresso de um partido com a dimensão histórica do MPLA. “Tinha naturalmente alguma curiosidade, pois tenho vindo praticamente todos os anos e sou uma testemunha privilegiada do caminho bom que Angola fez.”
O dirigente do CDS/PP disse ser compreensível que para alguns que vêm menos vezes a Angola entendam que o desenvolvimento devia ser mais rápido. “Eu digo que Angola faz bem ao preferir coxear no caminho certo do que correr em caminhos errados”, disse o deputado luso, lembrando que “Portugal fez e acabou numa crise profunda há poucos anos atrás”.
Hélder Amaral defendeu a troca de experiências entre partidos e espera que o MPLA possa marcar presença num Congresso do CDS/PP. “Espero que possamos também reforçar uma cooperação que já existia a nível parlamentar. Podemos fazê-la melhor ainda, aprendendo dos dois lados”, sublinhou.”

Não me digam que é só por causa desta simpatia e compreensão que o CDS e o MPLA são hoje partidos tão convergentes.

Há razões muito mais profundas.

Ambos são partidos de mercado e defendem um capitalismo viçoso.

Ambos têm dirigentes que apreciam muito os empregos generosos e as amizades acima de tudo.

Helder Amaral, que foi vilmente atacado pela sua franqueza, é somente um dos raros políticos portugueses – mas ele diz que ele e Assunção Cristas são angolanos – que não se esconde atrás das palavras.

Comentários

  1. Pois é. Uns comentários são admitidos, outros não. Conforme consta do acordado para este blog que o mui democrático Público põe ao serviço de causas totalitárias.

  2. Chapeau ao Bloco de Esquerda pela sua posiçao de intransigencia quanto a principos basicos como o da defesa das liberdades individuais.

  3. Eu também acho que aprecio empregos generosos (apesar de nunca os ter encontrado) e com certeza defendo as minhas amizades acima de tudo. Preferir empregos exploradores e ser amigo da onça é um pouco estranho…digo eu. O que me safa é ser contra o capitalismo viçoso e os outros tipos mais amarelos também, caso contrário era igualzinho ao MPLA e ao CDS.

  4. Antigamente o CDS tinha telhados de vidro…Hoje já nem telhados tem!

    Prevejo que fique atrás do PAN nas próximas eleiçoes legislativas!

  5. O discurso do deputado do CDS/PP, não é feito, apenas, a título pessoal ou em contraposição ás determinações do partido.O seu lugar de deputado na AR é sustentado pela exigência de defesa dos negócios, mais ou menos claros, menos ou mais sombrios que uma determinada élite empresarial elegeu como estratégia em África.É uma élite com poder e disposta a contribuir para a manutenção do status quo e eternização de JES no poder, para aumento da receita e recuperação das mais valias obtidas com a aplicação de capitais, muitas vezes adiantados pelas próprias instituições angolanas.O discurso de submissão ao soberano é uma das especialidades deste CDSPP.

Responder a am Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo