Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

19 de Agosto de 2016, 17:08

Por

A trapalhada com a nova administração da Caixa Geral de Depósitos

 

Ao contrário do défice, da dívida ou da austeridade que resultam de erros próprios e de heranças indesejáveis, o caso da Caixa é uma ferida auto-infligida pelo ministro das Finanças. É uma síntese exemplar de incompetência e desleixo que envergonha o Governo e o país e coloca um dos pilares da economia nacional num plano de fragilidade que denuncia irresponsabilidade. A Caixa devia ser a Waterloo de Mário Centeno.” do editorial do Público de hoje.

Já critiquei neste blog a alteração do modelo de governança da CGD, a recapitalização da CGD, bem como o papel do Ministro das Finanças e do Governo nesses processos. É sintomático que, no meio desta crise envolvendo a CGD, em resultado da  qual se viu  “fugir” (?) 1,7 mil milhões de euros de depósitos institucionais, somente o Secretário de Estado Adjunto e do Tesouro, Ricardo Mourinho Félix, braço direito de Mário Centeno, tenha dado a cara. O PS, o restante Governo e o Primeiro-Ministro parecem distanciar-se do assunto, sinalizando (?) descontentamento com a performance do Ministério das Finanças.

O Ministro das Finanças apesar de provavelmente constatar, logo no início, que a estratégia adoptada não foi “a mais feliz” (i.e., foi péssima), não retira consequências, não pára de escavar (o buraco) … no que se afigura um indescritível pesadelo que se desenrola à frente dos nossos olhos e ao “ralenti”.

A CGD é o quarto destes casos nos curtos meses que tem este Governo (Banif, Novo Banco, BPI). E o que já não se aceita é que, face a estas enormes falhas no Ministério das Finanças, o Primeiro Ministro, de minimis, não chame a si a condução directa destas matérias.

Comentários

  1. Mesmo sendo gerigoncista, é preciso dizer que este Governo tem lidado com os bancos de forma escandalosa. Exige-se mais rigor e competência.

  2. Portugal tem problemas sérios de seleção e recrutamento em muitos setores. A aquisição de “idoneidade e reconhecido mérito” começa demasiadas vezes pela família, o petit circle, ou o tirocínio partidário (e acaba muitas vezes num grande desgosto judiciário). A competência e maturidade num sector não são normalmente essenciais e os membros de muitos Conselhos são “achistas” crónicos. O conceito de “conflito de interesses”, que é um mecanismo preventivo para evitar situações embaraçosas, é confundido com uma acusação apriori de desonestidade pelo que nunca é usado. A justificação da pequena base de recrutamento (Portugal é um país pequeno, ouvi o SE dizer) é infundada. Não há razão para não se recrutarem administradores internacionalmente (aliás as remunerações parecem ser competitivas e o País é agradável). Tudo isto acontece porque se pressupõe que o Banco público tem de ser um Banco saloio. Tipo Broa!

  3. Ó meu caro Ricardo Cabral, começo a constatar que o meu amigo tem lapsos de memória, senão, diga-nos em que período da história democrática deste país ouve governos que evitaram a descapitalização das instituições financeiras. A menos que a memória me falhe (também a mim) nos períodos de acalmia (só aparente) jogavam-se grandes cartadas por entre as malhas da governação, no BPN, no BES, na CGD com “regulação” do BdP, grandes nomes da finança enrolados na trama política até aos beiços. Se por mero espanto se acha que isto é um “pesadelo”, posso afiançar-lhes aqui que isto não é pesadelo nenhum, isto é uma escola, é um modo de vida, de pensar e de agir e tanto é assim que os alunos, os Centenos e outros primeiros-ministros de ora e de outrora estão a fazer um belíssimo trabalho para que tudo acabe em pó, assim se baralha e dá de novo, nunca aconteceu de outra forma.

  4. Somos governados por um BANDO, apoiado por verdadeiros irmãos metralhas (BE+PCP). Isto só vai acabar quando não sobrar pedra sobre pedra…
    Pobre sina a nossa… Merecíamos melhor…ou talvez não pois apenas temos o que merecemos dada a nossa dificuldade em fazer contas de cabeça.

    1. Não que aqueles que deitavam abaixo sobreiros, submergiam submarinos, criavam bancos gourmet, ou que chegaram ao poder mentindo com os dentes todos, e que acabaram promovidos à Comissão Europeia e ao FMI, fossem melhores, não é?…

  5. Não se trata de um “caso infeliz”.

    É sim, pelo contrário, um caso sintomático: o retrato de um país de terceira categoria. E descaradamente corrompido, na mão de incompetentes, presa de clientelas partidárias completamente famintas de sinecuras ilegitimas. Dado que a basbacada tuga é estúpida que nem uma porta e papa tudo, que ao menos a UE ponha em ordem esta pouca vergonha. E os boys-mamíferos obrigados a uma aprendizagem de gestão bancária acelerada no Sistema de Ensino Francês que o façam a expensas próprias, como os demais.

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