Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

18 de Agosto de 2016, 12:10

Por

O meu inquérito de Verão

O Verão é propício a leituras leves. Daí a profusão dos apelidados e sazonais “inquéritos de Verão”. Respondi a alguns ao longo dos anos. Fui revisita-los e ver se ainda responderia como havia feito. Pouco teria mudado, o que pode ser visto como melhor ou pior. Cá para mim, fiquei satisfeito. Entendi seleccionar e adaptar algumas das muitas perguntinhas que me fizeram. Eis o resultado:

Local mais admirável onde já estive:  três, ainda que por razões bem distintas: Terra Santa, Alasca e Bósnia.

Cidades de que mais gosto: Évora e Funchal, em Portugal. Berlim, Londres e Tóquio, no estrangeiro.

Onde ainda gostaria de ir: a Lisboa (sempre a descobrir), à Namíbia e ao estreito de Fernão de Magalhães. Mas, como nos livros, gosto mais de voltar a ir do que ir.

A viagem da minha vida: a minha vida.

Lema para uma vida:  um pessoal: “Dependente, por convicção. Independente, por liberdade” (ou o seu inverso…) e de Dalai Lama: “Ama como se nunca tivesses sido magoado”.

Objectos de estimação: o relógio, a ampulheta, o livro e a caneta.

Um vício: trabalhar e ser pontual.

Um ritual: ver a temperatura exterior quando me levanto.

Uma virtude: alguns dos meus defeitos.

Um defeito: algumas das minhas virtudes.

Qualidade que mais aprecio: a de não (me) apreciar em excesso e de não (me) depreciar em demasia.

Dia ou a noite:  O dia da noite (o amanhecer) e a noite do dia (o pôr-do-sol).

A estação do ano: o Outono na policromia, na quietude, na harmonia.

Característica que melhor define um homem: uma mulher.

E uma mulher: um homem.

Personalidade do século XX que mais admiro: uma mistura: a santidade de João Paulo II, o humanismo de Gandhi, a generosidade de Teresa de Calcutá, a sabedoria ecléctica de Churchill e a força interior de Mandela.

Escritores que nunca me cansam: Miguel Torga, Vergílio Ferreira e Machado de Assis.

O filme acima de todos: “O Leopardo” de Luchino Visconti.

Quanto tempo ‘aguento’ em férias: O tempo que as férias aguentam de mim.

Areia ou asfalto: relva.

Recordação mais antiga de férias: o mês de Julho, Costa-Nova, nevoeiro e camisola de lã. Amoras silvestres. Água “quente” a 16º.

Comentários

  1. Desde há uma semana que viajo pelo “Império Universal”. Guerras, conquistas e uma visão grandiosa dos feitos e recursos são os ingredientes deste império, mas que ainda assim nunca assumiram uma discrepância maior do que uma relação de 4 ou 5 para 1 entre zonas pobres e zonas ricas (lembro, só por curiosidade, que o nosso “império da globalização” tem um rácio de 15 para 1… Lamento mas não encontrei lá nem o Dalai Lama nem o santo Papa Francisco. Nos últimos quinze dias de Julho viajei pela Índia, visitei as províncias de Karnataka, Andrha Pradesh, tudo parece estar no lugar certo, a miséria ali corresponde aos parâmetros de grandeza de alguns lugares de aqui, só visto, o que isto me deixa feliz, não há nada melhor do que constatar que os números correspondem. Também viajei pelo Quénia, país fantástico onde os homens e mulheres fizeram uma inovação de monta, digna de uma verdadeira Start up, vejam só que para garantirem uma velhice de aconchego, uma espécie de PPR, têm em média entre 5 e 9 filhos, segundo a sua sábia e justa razão acham que assim há grandes probabilidades de um desses nove filhos acabar por se ocupar deles na velhice… Também não vi por lá o Churchil a distribuir senhas de futuro a esta gente. Por fim, lembro-me de, em Julho ainda, também ter viajado pela “antiguidade tardia”, aí por meados do século IV, tempo onde precisamente os fiéis da igreja católica tomaram de bandeja o declínio do império romano e sepultaram o mundo na idade média, mundo de trevas e miséria sem quartel, consta que Constantino tinha acesso a deus, foi com ele próprio que firmou a queda do Império e o entregou aos bárbaros. Mas, tudo isto vem a propósito do verão, das viagens ao universo das agencias de viagem, das fotografias paradisíacas dos folhetos das regiões de turismo, enfim, viajar é uma coisa fantástica, papam-se léguas e léguas para se ficar com a memória cheia das mesmas imagens que constam nos folhetos publicitários, nada se sabe dos rácios de pobreza naquelas cidades, das desigualdades gritantes entre quem se cruza naquelas avenidas, ignoram-se os ambientes promíscuos e de escravidão moderna em que se fabricam as bugigangas e outras modas que os turistas adquirem por compulsão ao consumo, já se compram terres Eifel na china, matrioskas em Los Angeles e pasteis de Belém em Paris, isto é que é viajar… Mas, no fundo, no fundo, o que eu quero dizer é que viajar é como ler um livro sem sair do mesmo sítio. Agora, há quem ache que no verão só se lêem patetices (leituras leves), o que me levou a pensar nas agencias de viagem. (leituras citadas: La storia spezzata, de Aldo Sciavone; A economia dos pobres, de Abhijit Banerjee e Esther Duflo; A ascensão do cristianismo no ocidente, de Peter Brown). Personalidade do século XXI? Ehhh…talvez… Paulo Portas, bom cristão, cheio de iniciativa privada, homem popular na área dos mercados (que me desculpem os ilustres feirantes) financeiros, ambicioso QB e malabarista ao jeito da globalização…um verdadeiro homem às direitas.

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