Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

25 de Julho de 2016, 14:36

Por

Cavaco Silva e a ignominiosa questão das sanções contra Portugal

Escreveu o PÚBLICO que Cavaco Silva, no Conselho de Estado, não se teria referido às sanções que ameaçam Portugal (“sem nunca se referir às sanções que Portugal arrisca por incumprimento do défice”) e interpretou a informação. Não sei se houve outras notícias sobre o assunto, sempre filtrado pelo dever de reserva dos conselheiros e sujeito a análise, mas tanto foi suficiente para desencadear uma pequena tempestade.

Dois conselheiros, Lobo Xavier e Marques Mendes, pediram excepcionalmente isenção de sigilo ao Presidente, alegando a honra ferida do noticiado. Isto nunca tinha acontecido e não foi por falta de referências na comunicação social a interpretações do que se poderia ter passado em reuniões anteriores do Conselho de Estado. Dotados desse poder excepcional de informarem, os dois conselheiros limitaram-se no entanto a declarar, embora com alguma solenidade, que Cavaco Silva não tinha apoiado as sanções – o que aliás creio que ninguém sugeriu. Outros jornais, inspirados pela mesma preocupação, contrapuseram descrições detalhadas da reunião, garantindo, no mesmo sentido, que Cavaco Silva não se teria referido ao assunto (o que confirmaria a notícia do PÚBLICO).

Portanto, fica a pergunta: se o assunto do que se passou na reunião só interessa ao Presidente, que ouve as opiniões várias dos membros do Conselho de Estado, e aos historiadores que dentro de algumas décadas terão acesso às actas da reunião, porquê esta polémica agora, apressada, se não mesmo manchada pela honorabilidade ferida do anterior Presidente?

O facto é que a polémica, que é o que unicamente me interessa para esta nota, é muito reveladora.

Ela demonstra que o assunto incomoda. Ora, se os dois conselheiros não falaram em nome de Cavaco, só o envergonham, porque ele teria meio de afirmar o seu ponto de vista, que interessa ao público, sem precisar de recorrer a porta-vozes. Se em contrapartida falaram em nome de Cavaco, para dizer que nada disse, então ainda mais estranho.

Se o que se passa no Conselho de Estado é sigiloso, nomeadamente para preservar a liberdade de expressão dos conselheiros naquele contexto, também é certo que, sendo os conselheiros figuras públicas, nem ficam impedidos nem isentos de exprimir a sua opinião sobre os temas nacionais, como todos têm abundantemente feito (alguns, como os citados e eu próprio, temos programas na televisão em que vamos dizendo o que pensamos).

sançoesO contraste também é evidente quanto ao que dizem ou não dizem alguns conselheiros. Um ex-presidente, Jorge Sampaio, já foi claro: não aceita as sanções. Outro ex-presidente, Cavaco Silva, está embrenhado nesta teia de afirmações e desmentidos por voz alheia. Há uma diferença entre ambos, pois de um sabe-se o que pensa e de outro não (na imagem, do Diário Económico, regista-se a história anterior do incumprimento das regras orçamentais europeias).

Claro que, se Cavaco Silva quisesse pronunciar-se sobre as sanções, teve todas as oportunidade para o fazer. No sábado, 23 de julho, logo depois da intervenção dos dois conselheiros que vieram afiançar a sua honra, discursou nada menos do que num almoço de homenagem. Falou sobre o assunto ou sobre a emergência europeia? A crer nas reportagens, não. Portanto, é uma escolha sua manter silêncio sobre o assunto.

Ao mesmo tempo, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tem-se batido contra as sanções e Pedro Passos Coelho, presidente do PSD, tem encorajado as sanções. Cavaco Silva nem uma coisa nem outra, pelo menos em público.

Acresce ainda um contexto político deste episódio, que não é menos interessante. Marcelo ganhou as eleições como o anti-Cavaco. Tudo o que fez como Presidente tem contrariado a intervenção dos últimos meses do anterior Presidente, incluindo o seu esforço para obstaculizar a posse do governo actual. Um saiu imensamente impopular e outro tem-se consagrado como imensamente popular. A pergunta então é esta: será que, no vazio de liderança que a direita agora sofre, Cavaco ou os seus mais próximos vislumbram o seu papel como o de um anti-Marcelo? Se assim fosse, a discussão sobre o que pensa o ex-Presidente das sanções tem de facto relevância e a irritação dos seus próximos seria interpretável como uma interferência perturbante numa agenda sempre calculada.

O facto é que estamos à beira de decisões sobre sanções. É a primeira vez e é importante. Para a Europa e para Portugal. Decerto que é importante, até para o ex-Presidente.

Comentários

  1. Última hora! Cavaco reage às sanções: “Penso que, realmente, 0% é uma quantia muito baixa”, declarou enquanto trincava uma perna de coelha na urbanização da mesma.

  2. Em resposta a João Chumbo, Louçã. laconicamente, declara do alto da sua cátedra: a 1.ª não é verdadeira; as outras são. A propósito, cabe dizer que se alguém sabe, com a certeza que Louçã parece saber, que a 8.ª é verdadeira, e que, portanto, os fulanos da Tecnoforma são delinquentes e que o ex-PR está ligado ao negócio dos submarinos, deve constituir-se como parte interessada no deslindamento do caso ou como testemunha do mesmo. Em relação às outras questões levantadas por Chumbo, são tão irrelevantes que nao vale a pena perder um segundo com a coisa. Mas já agora, e em relaçao ao ponto 8, a indigitação do governo da PaF, o ex-PR fez o que manda a lei: chamar para formar governo o chefe do partido ou coligação mais votado. Caberia depois, como coube, à AR deixar passar ou não a constituição desse governo. E, livremente, no uso do seu direito e com outra maioria parlamentar, a mesma nao deixou. Cavaco Silva fez o que deveria ter feito e os partidos com assento na Assembleia fizeram o que acharam dever fazer. Se há gente que gosta de torcer a realidade a belo contento, esse nunca foi, honra lhe seja feita, o registo do anterior PR. De qualquer modo, e sobre o assunto do artigo de hoje, parece também já um repescar de matéria retardada e pouco consequente, uma vez que é lançar achas para uma fogueira que ninguém diz ter querido acender mas que ninguem, ao que parece, está interessado em apagar. E sobre o qual nenhum de nós, pobres mortais que nao pusemos lá os pés, pode emitir certeza ou sequer opinião válida. Sendo, por isso, exercício fútil, pergunto-me por que diabo é trazido de novo para a praça pública. Como diria o outro: com tanto que tratar, anda-se à volta do sexo dos anjos.

    1. Voce e um pobre e famelico historiador do recente, de memoria fraca, olhe para Espanha e descubra o que um responsavel politico faz para chamar a formar governo, nomeia a quem se compromete a formar uma maioria que suporte um governo. O Cavaco o que fez foi querer formar um governo de iniciativa presidencial encapotado , quando a direita nao conseguiou o apoio do PS, achou que podia ignorar a vontade popular expressa num desejo que cresceu na base social que apoia o actual governo, O PS percebeu que nao seria o pasok, o psoe, 0:SPo, costa percebeu que apoiar a direita seria um suicidio politico.

  3. este comentários é típico de caloteiros e gente sem caracter em que os acordos e as regras do jogo só são validas quando nos são favareis. Se Cavaco Silva considerou que as sanções devem ser aplicadas só mostrou que é um homem de caracter ao contrários do sr. Francisco Louça e desta cambada de comentadores apoiantes da vigarice e falta de principios

  4. O Cavaco não fala porque sabe que foi uma autêntica desgraça para este país. A sua entourage é do pior. Deixaram um rasto insano de mediocridade boçal e um modo de acção quase criminoso, notoriamente corrupto, repudiado por uma boa parte da própria direita. Portas seguiu os calcanhares dessa matilha e revelava-a abundantemente , às sextas-feiras, no Independente. A forma como depois disso conseguiu chegar a presidente é um dos maiores mistérios a que assisti em toda a vida. Saiu praticamente desprezado por todos (o que se adivinhava…), mas foi eleito e reeleito, sucessivamente, por duas vezes, à primeira. Não há explicação para isto. Ou melhor, há. É que possivel fazer da carneirada o que bem se quiser, quando e como melhor convir. Como agora o é, também, fazer crer que se deve continuar a pagar a banca e as sucessivas “imparidades” astronómicas em beneficio de uma matilha, e ao mesmo tempo ( virando o bico ao prego para mostrar força e manter o povão bem pisado) sancionar o zé tuga como culpado da golpada.

  5. Caro Francisco Louçã, agradeço o esclarecimento possível sobre o assunto. Eu próprio já me tinha perguntado porquê tanta algazarra sobre a matéria. Na realidade, pelo que li na imprensa na ocasião, ninguém disse que o Cavaco se tivesse referido expressamente às sanções. Depois surgiu a polémica e não vi nenhum órgão de comunicação social vir defender-se (pelo menos que eu tivesse dado por isso), omissão que me pareceu estranha. O seu comentário vem, por isso, de certa maneira, pôr as coisas nos devidos lugares. Bem-haja!

  6. Não é só sobre as sanções que os portugueses aguardam explicações do ex-presidente. A saber:
    1. As suas ligações à PIDE/DGS
    2. As condecorações de dois ex-agentes da PIDE/DGS
    3. A recusa em atribuir uma pensão ao herói de Abril Salgueiro Maia
    4. Os lucros que obteve com as acções da SLN
    5. A permuta da Gaivota Azul na quinta da Coelha
    6. As suas ligações ao BPN.
    7. O motivo de ter indigitado um governo contra a maioria parlamentar
    8. As suas ligações aos delinquentes da Tecnoforma e dos submarinos.

    Aliás nem precisamos de mais esclarecimentos. Os seus baixíssimos índices de popularidade falam por si e respondem a todas as questões: ele é a favor das sanções e contra o governo democraticamente eleito. A par de Salazar é o maior traidor à pátria de que há memória. E nós portugueses não esquecemos.

    1. Quanto a 1, o ex-presidente não teve relações com a Pide. O resto é verdade.

    2. Cavaco Silva é homem de silêncios ruidosamente ensurdecedores. À lista deveria ser acrescentado o caso Saramago e a ausência em certas “homenagens” nacionais. Mas no que ao Conselho de Estado se refere é defensável o seu silencio, dado o caracter sigiloso das respectivas reuniões. O que não impede que seja possível deduzir qual o seu pensamento sobre as sanções, considerando os seus argumentos contra um Governo do PS e a favor dum do PSD/CDS e as “exigências” que tentou impor considerando a solução maioritária aprovada na Assembleia da República. Mas Cavaco gosta de silêncios “tabulares”. Mas, voltando ao CE,mal estaríamos se cada vez que fossem publicadas notícias sobre eventuais declarações deste ou daquele conselheiro dentro das reuniões fosse autorizado o levantamento do “dever de sigilo”. Mas do afã populista de Marcelo todos os enredos são admissíveis ?

    3. Acrescentaria ainda um ponto 9:
      A sua participação no cozinhado do Aborto Ortográfico nos anos 80 com “especialistas” como o sr. Malaca Casteleiro.
      Não é por acaso que as todas as pessoas (intelectualmente honestas) que repudiam o Cavaco repudiam igualmente o tal A.O.

    4. Parabéns. Nunca ninguém, disse tanto sobre Cavaco em tão poucas palavras. Cavaco um Salazarista não assumido, foi o pior que pôde acontecer a este país depois do 25 de Abril. A fazer fé nas suas palavras a sua intervenção politica ainda não terá terminado pobre país que tal figura criou.

    5. Francisco Louçã, o Cavaco teve, de facto, relações com a PIDE, pelo menos aquelas que todo o funcionário público tinha que ter. Certamente já viu a sua ficha na PIDE (http://ppmbraga.blogspot.pt/2012/01/ficha-de-inscricao-de-cavaco-silva-na.html), e terá porventura reparado (última pág.) em duas coisas: 1.ª Em lugar de fornecer o nome de 2 pessoas que pudessem abonar da sua idoneidade, teve o excesso de zelo de fornecer mais uma; 2.ª A nota nas observações, em que diz que o sogro está separado da mulher e vive com outra sujeita, mas que não mantém relações com o dito. Penso que estes dois elementos, dizem muito sobre o sujeito. Quanto ao cartão de informador da PIDE que circula na net, é obviamente uma fabricação.

  7. Cavaco Silva é um personagem mediocre, algo que assim é desde os seus tempos de escola. A minha mãe, já falecida, foi colega de escola do mesmo em Faro. Na altura, o jovem Anibal se caracterizava pela sua timidez e pela sua falta de brilho, algo que sempre o continuou caracterizando ao longo de toda a sua vida pública, à semelhança do seu percurso escolar nesse longínquo ano em que minha mãe foi colega dele. É um estratega, movido pela sua ambição pessoal e mesquinhez, sem grandiosidade de espírito ou de caráter. Se viu isso quando o mesmo perdeu as eleições para a Presidência da República contra Jorge Sampaio. Se continua vendo isso mesmo em todos os seus atos e aparições públicas, como um personagem de uma série de última categoria, cheia de traços de caráter pouco invejáveis. Enfim, é um exemplo de mediocridade na sua ocupação do espaço público, algo que o mesmo percepciona mas que não aceita, se tornando por isso mesmo patético em algumas das suas intervenções públicas. Foi, na minha modesta opinião, o mais mediocre Presidente da República que Portugal já teve desde o 25 de abril de 1974, em claro contraste com Marcelo Rebelo de Sousa que está ao nível dos melhores, juntamente com Jorge Sampaio. E isso Cavaco nunca perdoará, mesmo nada podendo fazer face a este seu caráter patente em todas as suas intervenções ao nível do espaço público.

    1. A mediocridade do ex-presidente Cavaco Silva é comparável à mediocridade da sua modesta opinião. Como pode alguém dizer que o Marcelo é um dos melhores? Ele é presidente à menos de um ano e já cometeu vários erros, como vir dar opiniões e suportar o primeiro ministro em assuntos que passado uns dias se verificou errado.
      O Marcelo não faz nada a não ser tentar agradar a toda a gente, o que não é o papel de um presidente da república.
      O senhor deve ter gostado do Presidente Jorge Sampaio por ter demitido o governo PSD e ter convocado eleições legislativas, justamente quando as sondagens davam a maioria absoluta ao seu partido PS e ao seu camarada José Sócrates. Realmente foi um bom presidente, colocou no poder o maior “alegado” ladrão de Portugal, que só por grande coincidência levou Portugal à banca rota.

    2. @António Teixeira, está profundamente equivocado, fazendo um conjunto de presunções à minha pessoa que são factualmente falsas. Por isso, não presuma o que eu não escrevi.

    3. Caro António Teixeira. Em primeiro lugar não presuma das minhas palavras factos ou opiniões que não escrevi. Neste sentido, lhe afirmo que o PS não é o meu partido nem fiquei propriamente agradado quando Jorge Sampaio demitiu o governo de Santana Lopes (penso que talvez até possa ter sido um excesso de zelo da parte do mesmo, se bem que vigorasse à época, na própria mídia, a ideia de que a mudança de primeiro ministro precisaria de ser legitimada eleitoralmente, ao mesmo tempo que a personalidade de Santana Lopes era por esta mesma mídia considerada menos adequada ao exercício do referido cargo), o que não impede o juízo global dos seus dois mandatos anteriormente manifestado. Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, é certo que ainda é muito cedo para avaliar globalmente o seu mandato, mas a diferença relativamente ao seu antecessor é já avassaladoramente positiva — nunca disse que Marcelo era perfeito, note bem –, o que nem é propriamente mérito seu mas sim desmérito de Cavaco. Em segundo lugar, entenda o que quiser do meu anterior comentário como eu entendo do seu, de alguém que parece ter sido um dos defensores daquele que eu considero ter sido o pior Presidente da República desde o 25 de abril de 1974, talvez até em parte por influência das histórias que a minha mãe me contava do mesmo. Agora, restrinja-se aos factos da forma o mais objetiva possível, e não às suas subjetividades que, no que concerne ao seu anterior comentário, estão muitíssimo longe da realidade no que à minha pessoa diz respeito.

  8. Caro Professor: Peço desculpa antecipada pelo tom, mas esta parece-me ser uma questão secundária. Vivemos situações de grande fractura social, para além de problemas de grande envolvência.

    O Snr.Marques Mendes…que estranho comentador, geralmente bem informado e revelador de notícias em primeira mão.Tem boas fontes o Snr. Mendes. É um jogo engraçado mas estéril. Estamos fartos disto…

    O Snr.Xavier…já o conhecemos. Turbo-gestor, democrata e humanista às 5ªas. quintas…Que cinzentismo.

    Enquanto isto…leu o “Público” e o trabalho de Paulo Moura sobre Co-Working, caro Professor? O mundo avança e estes senhores cinzentos continuam resfatelados nos seus privilégios a adorarem os seus belos umbigos. Que tristeza…Nada fazem pelos outros…Taxas elevadas de desemprego em pessoas altamente qualificadas; precariedade; novas concepções da vida em sociedade; uma aragem fresca a varrer este gritante cinzentismo…Jovens altamente criativos…É preciso uma apurada abordagem sociológica…o mundo está a mudar…estes senhores já pouco dominarão doravante…

    Talvez os esquemas de Marx estejam certos…o capitalismo, no seu último estádio de evolução, caminha para a sua destruição…Está tudo em causa neste momento…Preparemo-nos…

    O Snr. Mira Amaral, recentemente, disse a José Gomes Ferreira, na SIC, numa quarta-feira falando de “negócios” -o Snr.Amaral do alto da sua pensão de reforma milionária, 18000 euros + brutos rendimentos como banqueiro + … – não vê como resolver esta questão simples: o País não pode pagar mais de 600 euros a engenheiros saídos do Instituto Superior Técnico…Isto é um país de charada…Que tristeza…Fechamos o IST ou corremos com esta gente?

    1. Eu que sou engenheiro do IST sou a favor das suas duas sugestões: vamos fechar o IST!! Vamos correr com esta gente!!

  9. Agradeço a forma clara como coloca várias perspectivas do silêncio do nosso ex Presidente. Este silêncio é de facto uma afirmação. Afirmação das sanções. Na verdade é uma afirmação encoberta, que obriga a um artigo como o que acabo de ler. Tenho dito que a nossa sociedade está clivada. Não estive no tempo do PREC, logo para mim está radicalizada como nunca. Existem os irremediavelmente “optimistas”, os “medrosos” e os “predadores”. Para estes eu tenho um termo mais duro, abutres. Aguardam que a presa desfaleça para aproveitar com isso. Isto já seria mau, mas há que considerar que contribuem também para o desfalecimento da presa, o que torna alguns radicais optimistas, querendo a todo o custo manter a presa viva. Será que isso é o melhor? Somos obrigados a ir pela defesa de um projecto de dignidade porque a realidade está saturada de indignidades.

  10. Também o médico que sugere aos gordos a desnecessidade de dietas para diminuição da obesidade é mais popular que o outro que receita controle dos alimentos e alteração do modo de vida. É este unicamente o problema: estamos a viver a democracia dos gordos!

  11. Quanto às sanções, alguma vez teria de ser a primeira. Quando a Alemanha violou as regras, suspenderam-se as regras, mas agora que só os desgraçados violam as regras, haja mão pesada, pois claro. Mas não para a França, parce que c’est la France. Diz que são decisões tomadas com “inteligência”…

    Espero sinceramente que hajam sanções, não porque queira o mal ao meu país, mas porque é necessário que fique claro, sem dúvidas para o mais cego europeísta, o que é a União Europeia hoje em dia.

    Se a UE e acima de tudo a zona €uro se tornaram as maiores ameaças ao pluralismo democrático, então quanto mais euroceticismo as suas decisões provocarem, mas depressa estaremos em condições de acabar com o problema. Tanto pode ser uma reforma estrutural à própria UE (gostava tanto de ver esta ironia) como pode ser o seu fim, mas tal como está hoje, não pode continuar.

    Na Europa do sul liderarão esse processo os partidos mais à esquerda, a par com os partidos do S&D regressados à social-democracia depois da idiota passagem pela 3ª via. Os que não fizerem essa correção, acabarão, tipo PASOK ou o PS do Dijsselbloem que já só vai com 10% de intenções de voto na Holanda (e confesso que até me veio um sorriso à cara ao escrever isto). Já para não falar dos “socialistas” quem em França não passam dos 15%.

    Na Europa do centro, norte e a leste, chegarão ao poder as extremas direitas, e olhem que são mais que as mães. Espero que o susto Austríaco consiga tornar-se em pesadelo agora que a as eleições se vão repetir, que a Frente Nacional continue na sua ascenssão, que os Verdadeiros Finlandeses percebam que o seu querido país, há poucos anos o exmeplo da Europa, vai pelo mesmo caminho que Portugal e que a culpa é EXCLUSIVAMENTE da moeda única.

    Não espero nada disto por ser apoiantes deste cenário, mas porque neste momento, e juro que pensei bem no que vou dizer, penso que gente que diz querer expulsar muçulmanos da Europa ou construir muros (gente que eu considero extremista e muito idiota), é bem mais moderada do que os engravatados que se sentam no Eurogrupo a dizer que “there is no alternative” ao seu* pensamento único.

    (*) “seu” é uma forma de dizer, que quem sabe como isto funciona mesmo, já ouviu falar nos DDT da UE, a chamada European Round Table. Eles mandam, os comissários ouvem, os totós (PPE e S&D) obedecem. E nós pagamos. A austeridade não é uma solução para um problema, a austeridade permanente é o objetivo. Está escrito num documento oficial. Informem-se!!!

    Seguem-se os referendos, na Itália, talvez na Holanda e na Finlândia e quem sabe, porque não, em Portugal. Depois, mais umas quantas negas à UE e mais umas quantas ultrapassagens à democracia em nome da aceitação forçada da UE, como tem sido hábito. Lindo. No final, o europeísta será um bicho em vias de extinção, o €uro será uma má memória do passado, a Europa será um novo monte de lanha com gasolina à espera de um fósforo.

    Eu apenas direi: “parabéns amigos europeístas, o vosso fanatismo deixou isto tudo mesmo bem fod*do”

    1. Basta ver. Sempre que fala sobre as sanções fá-lo com um sorrisinho maroto de felicidade. Até parece um leitão cheio de esperanças na gamela.

  12. A polémica a mim não interessa porque não passa de conversa miúda e de desvio de atenções.

    Para mim o cerne da questão é a razão de uma instituição pública e financiada com o dinheiro dos contribuintes, ter reuniões feitas à porta fechada e posteriormente com sigilo sobre o que se lá passou. Pagamos, mas não podemos saber para quê? Que hipocrisia!

    A desculpa do sigilo ser a única forma de cada interveniente dar a sua opinião é algo que devia incomodar qualquer democrata. Então a democracia e a liberdade servem para quê?

    Ao contrário do espaço do Francisco Louçã na Sic Notícias, este tabu, sobre o que se passa e se comenta em instituições públicas como o Conselho de Estado, é perfeitamente dispensável e a sua manutenção só prejudica a imagem da classe política, que com intrigas como esta, sobre se Cavaco disse ou desdisse algo sobre as sanções, só afastam ainda mais os cidadãos.

    Quanto ao seu comentário sobre a atual situação da direita portuguesa, nomeadamente o PSD, o problema não é a falta de liderança, é mesmo a falta de vergonha na cara por parte da corja que tomou conta do partido com o único objetivo de colocar a social democracia, de forma definitiva, na gaveta.

    No entanto trata-se de um deriva radical para o neo-liberalismo que é feita, como não podia deixar de ser, com um pozinho de “portuguesice”, ou seja, liberalização sim, mas só no estado social e nos direitos laborais. Na negociata dos boys, a tal que vive da mama do estado, nem se pense em tocar, que a malta começa logo a distribuir t-shirts amarelas pelos camaradas…

    1. O Conselho de Estado não é pago? Diga-me o nome de alguém, para além do Francisco Louçã que rejeitou a “pensão dourada”, nesse aspeto sempre um exemplo de coerência, que vá ao conselho de estado e cujas despesas não sejam pagas por nós?

      Pagamos pelo palácio onde se realiza o conselho. Pagamos o presidente e a presidência. Pagamos os presidentes dos governo regionais e pelas despesas dos respetivos governos. Pagamos pelas despesas dos ex-presidentes, pagamos o salários dos deputados que participam nesta reunião, etc, etc, etc.

      O conselho de estado é uma reunião onde estas personalidades, financiadas por todos nós, debatem sobre o que lhes vai na alma em relação ao que o presidente entende ser o assunto do momento. No final, há sigilo porque a “lógica” é que nós, os contribuintes, não podemos saber o que por lá se passou nem o que disseram as pessoas por nós financiadas.

      A opinião de quem acha que há coisas que é melhor o povinho não ouvir nem ficar a saber, é o oposto da democracia. É semelhante à estupidez de quem diz que o eleitor não tem capacidade de fazer escolhas em referendos, como por exemplo em relação ao tratado orçamental.

  13. Claro que a avaliar pelo histórico da personagem ela é uma defensora acérrima das sanções contra o seu próprio país.

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