Tudo Menos Economia

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Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

11 de Julho de 2016, 11:26

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Viva o nosso Euro!

ng6835778Enquanto se discutem ad nauseam hipotéticas sanções sobre Portugal acorrentado ao euro, o dia 10 de Julho pôs o nome do nosso País em todas as primeiras páginas desta Europa: ganhámos o Euro do futebol derrotando, na sua própria casa, a França da soberba.

Para mim, este foi o momento que, finalmente, dissolveu a memória triste e ensombrada de três competições da nossa selecção. Refiro-me à lembrança de jovem no Mundial 1966 e à de adulto nos Euro 1984 e 2004.

No Inglaterra 66, ainda a preto-e-branco, gravado na minha memória a sépia. Um Portugal com o inultrapassável Eusébio e não só, um Portugal superiormente orientado, um Portugal quase ingénuo. Um Portugal que foi traído pelas batotas administrativas do poder instalado e que, assim, foi eliminado nas meias-finais pelos anfitriões. Poderíamos ter sido campeões do Mundo. Fiquei triste, mas sobretudo orgulhoso num tempo de isolacionismo.

No Euro 1984, com quatro (!) treinadores, Portugal com Bento, Jordão e Chalana, entre outros, merecia mais. Platini destroçou o nosso sonho no fim de um prolongamento épico. Vi o jogo pela TV, em Estocolmo e – talvez por, naquele dia, estar fora de Portugal – foi a competição em que a ressaca da derrota mais permaneceu em mim.

Por fim, o nosso Euro 2004 e a final perdida ingloriamente para uns gregos sofríveis. Aqui, confesso, mais do que tristeza, senti irritação pela casmurrice do então seleccionador, que nem sequer aprendeu com a derrota com os mesmos helénicos na jornada inaugural. Tínhamos uma equipa invulgar.

Desta vez, contra todas as apostas e análises, vingámos o passado. Há quem diga que fomos a Grécia de há 12 anos. É uma comparação que faz algum sentido, não tanto pela qualidade do plantel (Portugal bem melhor do que os helénicos), mas pelo relativo desdém com que a marcha para o triunfo final sempre foi olhada e criticada.

Mais do que os Mundiais de futebol, os campeonatos europeus têm trazido vencedores improváveis. Assim foi com a Dinamarca, repescadas à última da hora em 1992, e que sem treinos foi categórica campeã. Com a Grécia, selecção não empolgante, mas coesa. E, agora, com Portugal.

Tudo nos correu bem. Mas há um momento que poderá ter sido decisivo para esta caminhada vitoriosa: refiro-me ao golo islandês na última jogada contra a Áustria, que nos atirou para um 3º lugar repescado na fase de grupos. Assim foi possível evitar a Espanha, a Itália, a Inglaterra e a Alemanha. Um belo paradoxo de sorteio!

Fernando Santos teve a sageza de construir uma unidade sem destruir a diversidade profissional e temperamental de cada jogador. A equipa não jogou um futebol espectacular (alguém jogou?), mas foi de uma determinação, coesão e solidariedade não muito habituais nas nossas selecções.

Mesmo que se queira relativizar a importância do futebol planetário, este título inédito e marcante é um motivo de enorme orgulho para todos nós, os que cá vivem e os da diáspora espalhada pelo mundo, e também para a portugalidade que o futebol cimenta desde Cabo Verde a Timor.

P.S. E como não só de futebol se alimenta o nosso desporto, é justo sublinhar a notável participação nos europeus de atletismo (3 medalhas de ouro, uma de prata e 2 de bronze) contra colossos deste nobre desporto. Para terminar em beleza este mês de Julho, bom será podermos festejar no sábado o europeu de hóquei em patins que já nos foge desde 1998 e sermos campeões europeus de futebol de sub-19 (em sub-17 somos também os detentores do troféu).

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