Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

11 de Julho de 2016, 08:58

Por

O topo da carreira empresarial

Marcelo Rebelo de Sousa resumiu tudo: com a contratação pela Goldman Sachs, Durão Barroso chegou ao “topo da sua carreira empresarial”.

A Goldman Sachs é uma empresa mítica. Um dos maiores bancos de investimento do mundo, os seus resultados em 2007, na véspera do início da crise financeira, ultrapassavam o PIB de pelo menos cem países do mundo. Não se preocupe, estão perfeitamente recuperados agora e voltaram ao lugar em que dominam a finança.

Este progresso foi feito por uma mistura de ousadia e de favores. O economista John Kenneth Galbraith, num dos livros mais famosos consagrados ao crash de 1929, o que iniciou a Grande Depressão, dedica um capítulo ao surgimento da GS: “In Goldman Sach we trust” é o título, invocando o que está escrito na nota de dólar, onde conta como as primeiras grandes operações especulativas iniciaram este império.

A partir daí, a rota para o sucesso estava traçada. Uma estratégia de poder foi sempre um elemento essencial para a vitória e, se hoje listamos os decisores políticos, a Goldman Sachs tem uma história brilhante: Mario Draghi à frente do BCE, Mark Carney à frente do Banco de Inglaterra, o primeiro-ministro da Austrália, quatro dos seis últimos ministros das finanças dos EUA (o título é Secretário do Tesouro), um ex-presidente do Banco Mundial, Romano Prodi, que foi primeiro-ministro de Itália e presidente da Comissão Europeia, Mario Monti, ex-primeiro-ministro de Itália, Papademos, ex-primeiro ministro da Grécia, e muitos outros decisores. Em Portugal, até agora eram só António Borges, que foi chefe da GS para a Europa e que regressou à pátria para coordenar as privatizações de Passos Coelho, Carlos Moedas, agora comissário europeu, e Moreira Rato, que dirigiu a gestão da dívida pública durante o consulado passista. Junta-se-lhes agora, no “topo da sua carreira empresarial”, Durão Barroso.

Merece? Merece. É o topo? Sim. Agora, o problema é mesmo a “carreira empresarial”. Fiquem então os leitores esclarecidos: Durão Barroso, que foi chefe do PSD, depois primeiro-ministro de Portugal e depois presidente da Comissão Europeia, estava a percorrer a sua “carreira empresarial”, até chegar agora ao topo, ao Olimpo da finança, onde é chairman e, biscate aparte, consultor de si próprio quando tiver interrogações sobre o Brexit, que a vida está difícil. A vida no topo é assim mesmo. O que eles fazem por nós.

Comentários

  1. O topo da carreira empresarial?

    Vou ser ligeiro. Durão Barroso é um videirinho(conforme crónica de Manuel Carvalho no “Público”, de ontem, que, neste estrito ponto, assino por baixo).

    Mais palavras para quê? A máxima utilidade conseguida por um ex-militante do MRPP. O que eles fazem…por eles próprios.

    Goldman Sachs: “THE FIRM”.

  2. Várias questões nos assaltam: quanto poderá a “Goldman” sacar do “Brexit”? O Dr. Barroso recebe à percentagem neste negócio? E depois da GS? Volta para ajudar Arnaldo de Matos a refundar o MRPP? Ou para esperar que Marcelo Rebelo de Sousa caia de uma cadeira?

  3. Goldman Sachs é o símbolo do atraso cultural da plebe germânica.

    Percebe-se a diferença entre a civilização e barbárie pelas personagens. O patrício patrocina, o rico enriquece (saqueia).

    Em Roma encontramos os restos dos patrícios, em Londres o lixo dos ricos.

    Os patrícios patrocinaram o coliseu, os aquedutos, os jogos, os teatros, o “pão e circo”… evergetismo é o termo inventado para designar esse comportamento tão estranho à barbárie germânica. Em Londres encontramos os ricos que saqueiam a nível mundial, nada de jeito faz ou fez essa plebe, exibe apenas a parolice dos pilha galinhas.

    Na civilização a arrecadação de meios tinha objectivos, tinha outros fins. Na barbárie a arrecadação é um fim em si mesmo.

    O rico é o boçal que saqueia e arrecada. Fica-se pela arrecadação de meios, não tem inteligência para mais, não chega aos fins, fica-se pelos meios. A obsessão pela arrecadação de meios revela a miséria de onde veio a plebe germânica.

    O capitalismo é a demonstração do atraso cultural milenar da plebe germânica. Saqueia para arrecadar, usam o que arrecadam para voltar a saquear. Não têm outro objectivo, não há inteligência para mais, ficam-se pelos meios e revelam a alegria do boçal pilha galinhas.

    E assim ainda hoje Roma revela a grandiosidade dos patrícios, e Londres a nulidade dos ricos (a diferença entre a civilização e a barbárie). Londres continua a ser o lugarejo medieval tosco, habitado por pilha galinhas (capitalistas) com lixo arquitectónico, decorrente do atraso cultural milenar da plebe germânica.

    Goldman Sachs é o símbolo desses boçais que saqueiam para arrecadar, sem inteligência para mais. O capitalista é, antes de tudo, um boçal pré-histórico deslumbrado pela capacidade de arrecadar meios, parolo, sem arte nem qualquer objectivo fora do mundinho dos ladrões (a feira).

    Goldman Sachs e os “mercados” são, apenas e só, a plebe tosca, pré-histórica e atrasada que se deslumbra com a capacidade de saquear e arrecadar. Orgulha-se disso, e revela não ter inteligência para mais do que isso, nem para sair disso.

    Durão Barroso é apenas mais um, vindo do buraco dos analfabetos que fede a pré-história (a direita), sem cultura, e ainda menos inteligência, para ter vergonha da miséria a que pertence.

  4. Sigamos o cherne. Não vai ficar por aqui! A propósito: o Dr. Barroso queixa-se de “ter ou não ter cão”. Um cherne pode ter um cão? Esquisito…

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