Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

2 de Maio de 2016, 08:16

Por

Ruben de Carvalho

Em duas das noites da semana, fico a ouvir Ruben de Carvalho na Antena Um. Num programa ele fala de música, noutro de políticas (em debate partilhado com Jaime Nogueira Pinto; os programas são sempre repetidos a outras horas, tem portanto quatro oportunidades por semana para os escutar).

Em “Crónicas da Idade Mídia”, Ruben discorre tranquilamente sobre os detalhes mais escondidos e mais reveladores das músicas e das suas histórias, dos instrumentos, dos tempos e dos contextos, das letras e das aventuras dos autores. Fala muito? Pois, mas ficamos a saber o que nem fazíamos ideia e ainda ouvimos ilustrações musicais que, com franqueza, são tão raras nas rádios. Woodie Guthrie, a música popular portuguesa ou, mais recentemente, os clássicos de língua francesa dos anos sessenta e setenta, Brel, Ferré e Brassens ou tantas outras lendas vão fazendo o seu caminho, pacientemente, por entre essa noites em que viajamos pelo tempo e nos lembramos do que não conhecíamos.

No outro programa, este de debate político, “Radicais livres”, temos visitas históricas. Gosto da política que pensa na história, porque pode ser mais livre – se não pensar que a mecânica celestial se repete numa qualquer predestinação. O confronto ou conversa de ideias, que é de culturas, entre um homem de direita radical (Nogueira Pinto criticava o salazarismo exigindo mais império e, depois do 25 de Abril, fez parte de organizações que procuravam restabelecer o regime anterior), e um comunista empenhado (foi um dos organizadores da Festa do Avante e é membro da direcção do PCP), também pode ser visto como uma raridade e até um risco para ambos. Desse risco resulta um programa que informa e deixa pensar. Tanto melhor. Por vezes, andam pela fronteira: a conversa sobre o 25 de Abril, na semana passada, foi de mostarda no nariz. Normalmente, discorrem ambos, concordando e discordando e cruzando muitas opiniões.

Não sei se haverá outra personalidade que tenha tanta proeminência na rádio portuguesa. Ainda bem que a escolha recaiu sobre quem nos pode trazer cultura de formas diversas, interessantes, inteligentes e, sobretudo, convidativas.

Comentários

  1. Caro Paulo Roldão

    Inteligência, do latim intelligentia: inter (entre) + legere (ler) + nt (agente) + ia (qualidade) = qualidade do agente que entre lê.

    A definição de inteligência está expressa na própria palavra. Inteligência consta da capacidade de entre ler a realidade, isto é, de percepcionar a episteme.

    Ignorância, do latim ignorantia: in ( prefixo de negação) + gnoscere ( verbo conhecer) + nt (agente) + ia (qualidade) = qualidade do agente que não conhece.

    É normal que os analfabetos não saibam ler o significado contido nas palavras, nem saibam sequer que o significado está contido nas palavras. Acreditam ainda que o significado vai mudar com o tempo. Como se 6+3+2 = X hoje, mas amanhã vais ser igual a Y e ontem era Z.

    Como observamos no seu exemplo, um analfabeto não faz outra coisa que não seja demonstrar que o é. Deve vir da universidade.

  2. Tantas vezes repeti para diferentes amigos e conhecidos uma opinião tão coincidente com a que aqui expressa Francisco Louçã que me surpreendo ao lê-la em letra de forma para espaço público. Cumprimento-o Caro Francisco Louçã pelo serviço público que prestou ao bom gosto. Obrigado!

  3. “Gosto da política que pensa na história” o caro Louçã é um crente.

    Os ignorantes caracterizam-se por usarem termos errados. A plebe universitária usa o termo política sem saber o que é uma pólis. Acredita que não é necessário perder tempo com o pormenor de saber o que é uma pólis, fala de política como se percebesse alguma coisa do que está a dizer.

    Chamar política à bandalheira feirante (uns a defender a bandalheira programada e outros a bandalheira ao acaso) é típico do analfabetismo universitário, o tal que não se preocupa com pormenores. O pormenor de uma pólis não ser a feira fixa medieval que temos hoje (com feirantes mor no centro e restantes na periferia para a concretização da hierarquia feirante) é apenas um pormenor.

    Para a plebe universitária pólis, política, economia, história… são o que ela decidir, e que ninguém ouse colocar em causa o que sabe realmente a medieval plebe universitária.

    Se o caro Louçã soubesse história saberia que a barbárie actual não tem cidades, tem aglomerados populacionais decorrentes da prática de feiras fixas. E quem não distingue uma cidade de uma feira fixa não revela habilitações em história, muito menos em política e menos ainda em economia.

    A história é a anamnese da humanidade, não é para analfabetos. Não tente passar o universitário do chinelo do analfabetismo medieval da universidade.

    A universidade, em termos históricos, é o centro de analfabetismo da barbárie medieval. Se o caro Louçã soubesse rudimentos de história, pensamento e política não seria um universitário que repete ladainhas de analfabetismo feirante.

    1. Vocemecê é um gosto. Escreve sempre o mesmo texto, com os mesmos insultos e a mesma suprema arrogância, vezes sem conta. “Distinguir uma cidade de uma feira fixa”? Homem, volte para o século XXI.

    2. Depois de ver este comentário vou…beber uma cerveja! É ali no bar da esquina, presumo que uma parte da feira fixa. Deve ser fixa, porque não se move, isso tenho quase a certeza. Se é uma feira, já não sei. Parece-me que vou gastar um euro…não é costume regatear-se preços…

    3. Criatura universitária, aquilo que hoje chamam erradamente de cidade consta do assentamento de uma feira medieval. O feirante passou a viver na barraca da feira, atrás do balcão. A loja é essa tenda fixa, constituída pelo local de atendimento do freguês, os aposentos do feirante e armazém/local manufactura da mercadoria. O conjunto de lojas é um conjunto de tendas fixas, formam uma feira fixa e não uma cidade.

      Acredita que a burguesia alguma vez teve conhecimentos, ou cultura, para fazer uma cidade? A burguesia alguma vez foi civilizada, caro Louçã? O caro Louçã é um crente.

      Também não distingue o boçal medieval, o burguês que rouba pela técnica da mercadoria (feirante), do cidadão (membro de uma cidade)? O que sabe a criatura universitária afinal?

      A feira tem regras de feira e não regras da sociedade. Observa nas feiras fixas as regras da feira e a hierarquia dos feirantes, e não as regras de uma sociedade que determinam a cidade (casa da sociedade).

      Têm nada em comum as actuais feiras fixas (ditas “cidades comerciais” e “cidades industriais”) com as cidades que eram construídas de raiz para a sociedade. Construir para uma sociedade é totalmente diferente do que construir para uma feira.

      A base cultural é diferente, as práticas são diferentes e a estrutura é diferente. Os princípios, meios e fins de uma cidade são diferentes dos da actual feira fixa. Chamar de cidade ao aglomerado da barbárie, que se faz em torno da prática da delinquência e falta de civismo feirante, é só uma demonstração de analfabetismo.

      Obviamente que o caro Louçã não conhece a obra de Vitrúvio, senão saberia que as preocupações na construção de uma cidade não têm nada em comum com as preocupações presentes na construção da actual feira fixa.

      É normal que o universitário não tenha os conhecimentos que a civilização exige. E que acredite que o século XXI é algum século especial onde o atraso milenar da barbárie tenha desaparecido por “milagre de progresso científico”. Enfim, o universitário vê de forma universal, como todos os cegos.

    4. Tem tanto de pedagogo como de demagogo. Os ignorantes caraterizam-se por viverem obcecados em demonstrar a ignorância dos outros. E quem definiu e quantificou a sua inteligência? O próprio? Baseado em quê, nos factos e conceitos medievais? Parece-me que passaram mais de seis séculos desde a idade média e talvez muita coisa tenha mudado. Até mesmo o conceito de ignorância. A arrogância deixou de se parecer com inteligência (por via do medo e da ignorância), há séculos.

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