Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

20 de Abril de 2016, 08:29

Por

A vez de Sousa Cintra e a pressa na véspera das eleições

Fracassado nas cervejas, o empresário Sousa Cintra reinventou-se nos petróleos e recebeu um generoso incentivo do governo Passos Coelho-Paulo Portas: dez dias antes das recentes eleições legislativas, que conduziriam à impossibilidade do PSD e CDS renovarem o seu governo, Sousa Cintra obteve a concessão de direitos sobre o petróleo e gás em 3000 km2 no Algarve e por um período de 40 anos, até 2055.

Um artigo detalhado e uma reportagem na RTP tornaram a questão um caso notado. Como se verifica por esses documentos, a Direcção Geral de Energia e Geologia deu parecer negativo à operação, mas o director-geral Carlos Almeida mudou depois de opinião. Parece ter sido pouco relevante que a empresa de Sousa Cintra, a Portfuel, seja um concha vazia, pois não tem trabalhadores, porque a vontade política foi muita: o ministro Moreira da Silva determinou a concessão, assinada por Paulo Carmona, presidente da Entidade Nacional para o Mercado dos Combustíveis (o ex-ministro teve também a diligência de nomear a sua chefe de gabinete para a Entidade, que regula o sector).

Mas, se a pressa é boa conselheira, as vésperas das eleições foram um tempo de afobação: o ministro entregou ainda outra concessão cinco dias antes da legislativas e desta vez são 3780 km quadrados na zona centro-oeste. A beneficiária foi a Australis Oil & Gas Unipessoal Lda. (uma empresa registada como “unipessoal”!), da canadiana Baytex Energy. Ian Lusted, um dos directores da empresa, explicava em entrevista à Business News que “é uma entrada barata, com muito pouco investimento, que pode ser muito rentável com uma pequena subida no preço do petróleo.” Ele lá sabe.

Segundo as mesmas fontes que cito, outras concessões já mapeiam Portugal para a exploração de petróleos e gás. A Kosmos Energy, empresa norte-americana, tem duas concessões no mar de Peniche, para o que se dispensou um concurso. Envolvida em casos polémicos, esta empresa esteve na berlinda de um documentário de 2013, Big Men: Power, Money, Greed and Oil, que conta como a sua concessão no Gana foi conseguida por via da corrupção. Acusada em vários processos, a Kosmos tem sido investigada por derrames com multas por pagar, tendo num caso aceite o custo de mais de 10 milhões de dólares para evitar um processo por fraude financeira. Outras concessões foram assinadas um mês antes das eleições, a 4 de Setembro, com a Partex, a GALP, a Repsol e a ENI.

Se Portugal é uma festa antes das eleições, porque é que Sousa Cintra e os outros não haveriam de aproveitar o banquete?

Comentários

  1. Excelente artigo Dr. Francisco Louçã! Mas o que continua a ser lamentável é que estes contratos não tenham já sido cancelados pelo actual governo. Poderia fazer um 2º artigo sobre esta situação actual?

    1. Esse segundo artigo vai ‘demorar mais tempo’. A estabilidade da actual ‘coligação’ (como os intervenientes tratam o q há meses era um simples acordo) bem como a possibilidade de durar uma legislatura pode levar a q a defesa do ambiente bem como a reestruturação da dívida (tão cara ao Bloco) ou até a revogação das PPPs vá para à gaveta onde o Mário Soares definitivamente meteu o socialismo.

  2. Senhor Professor Francisco Louçã,

    Grato pela sua generosidade.

    Em jeito de comentário e também por respeito aos demais intervenientes, eu também preferia que o Ser Humano pudesse ter uma fonte de energia limpa ou mais limpa, por exemplo, que conseguisse replicar e energia gerada dentro Sol. Quem sabe, talvez um dia. Enfim, não que isto sirva de consolo, mas por enquanto vamos vivendo com o que temos mais disponível. Mas atenção, já temos automóveis híbridos (esta tecnologia já existe há muitos anos, muitos mesmo, em comboios e escavadoras gigantes onde um motor de combustão interna gera energia mecânica, ao qual está acoplado um alternador, que depois a transmite sob a forma de energia eléctrica aos motores acoplados às rodas) e totalmente eléctricos. Talvez ainda vá levar, ou não, porque os custos ainda são elevados.

    Por curiosidade, a última sonda (RIG) que esteve em Portugal era uma diesel/eléctrica.

    Abaixo se descrevem os procedimentos básicos, para o que se tem que fazer antes, durante, e depois de uma operação de sondagem em Portugal, procedimentos esses, que têm que ser escrupulosamente cumpridos. Penitencio-me por estar em inglês, perdoe-me a preguiça, mas não me apeteceu traduzir. Os Portugueses entenderão as linhas gerais.

    Atenciosamente
    Rui Machado

    Procedures

    1. Determine what kind of well

    • Deep well
    • Slim well
    • Etc.

    2. Tender for a Drilling Rig according to given specifications

    3. Submit to UPEP (ENMC) a Drilling Program

    3.1. Submit Drilling Program to UPEP (ENMC). [3 months]

    NOTE: We can build a drilling site, drill a surface well (250-400 meters) with surface casing set in, but previously we will have to submit a Drilling Program.

    3.1. Locate drilling site (coordinates). [1-2 weeks]
    3.3. Locate land owners and negotiate to rent, buy, etc. [1-4 weeks]

    4. Contact Local Authorities

    4.1. Get in contact with the local Municipalities and Mayor, explain the scope of our activities and ask permission to build a temporary drilling site. [1-3 months]
    4.2. Get in contact with the Civil Defense responsible, Police Authorities (GNR-Republican National Guard, PSP-Public Security Police), Fire Department, etc.
    4.3. See if the drilling site is in a Protected Area, REN (Reserva Ecológica Nacional – National Ecological Reserve), RAN (Reserva Agrícola Nacional – National Agricultural Reserve), Etc. If this is the case we need to get in contact with the respective entities and request all the necessary permissions. [NA]

    5. Contact local companies for the following jobs:

    a. Surveying the well site location (topographic survey, well coordinates, cut/fill calculations, etc.); [2-3 weeks to award the job + 4-5 days work]
    b. Tender and contract a surveying company (coordinates, cut/fill calculations, etc.); [2-3 weeks to award the job + 5-10 days work]
    c. Building the well site, road accesses, drainage system all around the site for the rainwater, etc.; [2-3 weeks to award the job + at least 30 days of job working days and will depend on the terrain geology and weather conditions]
    d. Water well drilling company; [2-3 weeks to award the job + the job working days will depend on the depth, type of geology. Usually 5-10 days]
    e. Surface hole drilling company (200 to 400 meters deep). [2-3 weeks to award the job + the job working days will depend on the depth, type of geology. Usually 15( +) days]
    f. Waste Management Company. Tender for and select the best proposal, price/competency. It is mandatory to report every type and quantity of waste that we make during the drilling process (cuttings, type of mud, general rubbish, etc.) to APA (Agência Portuguesa do Ambiente – Environment Portuguese Agency) at the end of each year. There is a European Waste Catalogue and Hazardous Waste List.

    Example:

    01 05 04 freshwater drilling muds and wastes
    01 05 05* oil-containing drilling muds and wastes
    01 05 06* drilling muds and other drilling wastes containing dangerous substances
    01 05 07 barite-containing drilling muds and wastes other than those mentioned in 01 05 05 and 01 05 06
    01 05 08 chloride-containing drilling muds and wastes other than those mentioned in 01 05 05 and 01 05 06
    01 05 99 wastes not otherwise specified
    15 01 06 mixed packaging
    20 03 01 mixed municipal waste

    g. Security Company for the drilling location.

    6. Green Fuel

    a. Applying for the use of Green Fuel, so that there will be issued a card to the use of such fuel, the Contractor) has to provide the Portuguese Customs the following: [at least 30-45 days]

    • Type of Engine (information supplied by each of the company that will be using in the operations):

     Brand
     Model
     Serial Number
     Average Consumption/hour
     Average Annual Consumption
     Copy of the invoice for each engine

    • Every engine has to be fixed/attached to the ground.
    • When the submission for the use of Green Fuel is approved by the General Director of the Respective Area Customs, about 2 to 3 weeks later (depends) all the engines will be inspected by experts from the Portuguese Customs.

    Green Fuel Consumption Daily Procedure

    Due to the fact that it is mandatory by the Finance Ministry/Portuguese Customs, the Contractor has to control on a daily basis, the green fuel consumption per engine.
    In order to do so, it is needed to be sent by e-mail to the office in Lisbon, at the time that the DDR (Daily Drilling Report) is prepared (10:00 am), a form where the person in charge at the rig, has only to fill the spaces corresponding to hours that each machine worked, date and total daily fuel consumption.

    7. Reports

    • Operational Report

     Drilling Well Proposal
     Seismic Proposal

    • Daily Drilling Report
    • Daily Seismic Report
    • Final Well Report
    • Final Seismic Report
    • Total Waste Report at the end of each year (submitted until February of the following year)
    • At the end of the Drilling activities or when required, we must supply to the Portuguese Customs a full report of the daily consumption and balance of final or actual existence
    • Etc.

  3. Mas e assim em Portugal somos dirijidos por trafulhas , vejamos o caso de outro palhaco o catroga a meter uma Cunha ao PM. Os portugueses que abrem os olhos seja de esquerda ou de direita sao todos iguais , nao queira dizer que nao à politicos honestos sao poucos mas existe e o caso do Sr. Francisco L. o problema e que o Senhor e de esquerda e os parvos nao gostem das verdade.

  4. “Fracassado nas cervejas”. Só? E as águas (do Alardo)? E no “Sportém”? Aliás não me admiraria que, se achasse petróleo, o homem não acabasse por mandar um barril pela janela do carro, partido o vidro e tudo…

  5. Estranho uma decisão que implicará uma mudança tão radicar na estratégica do futuro de Portugal, esteja a ser congeminada no segredo dos “Deuses”.

    Sim, pois a abraçar o petróleo bem podemos dizer adeus ao turismo, e até mesmo à exploração do potencial da vida no mar (lembrando o desastre que aconteceu no golfo do méxico com uma plataforma de uma conhecida empresa de Hidrocarbonetos).

    … Digamos que sim, que estamos prontos a ignorar a evolução das energias renováveis, abdicando da exploração “limpa” dos nossos recursos naturais (SOL, MAR, Cultura, Paz), e que embarcamos na “indústria” de extracção do Ouro Negro,.. e que esta industria vai continuar a valer milhões eternamente….

    O que foi ou está a ser feito para assegurar que Portugal venha a ser um país mais parecido com uma Noruega e não com uma Angola, Kuait, Nigéria, …?

    O Modelo Norueguês de exploração do petróleo, que se estabeleceu entre 1962 e 1990, demonstra hoje que é possível taxar até 78% as companhias exploradoras, criar um fundo para as gerações seguintes e ter uma exploração controlada, sem destruir pescas – uma das principais industrias norueguesas – nem sacrificar a beleza natural do seu país – citação de um “irmão” que vive na Noruega.

    No final da época dourada da exploração de hidrocarbonatos, Portugal oferece os direitos de exploração de petróleo às escondidas, com taxas incógnitas (entre os 5 e 8% segundo me constou), umas semanas antes da mudança de um governo, não havendo conhecimento da intenção de se criar um fundo, para as gerações vindouras e salvaguardar os danos ambientais que, mais cedo ou mais tarde irão certamente acontecer?

    Para não deixar acusações infundadas deixo de lado as minhas observações sobre quem, ao representar Portugal, beneficiou verdadeiramente com estas concessões.

    1. E os culpados quem são, quem são, há já, pelo menos, 48 anos? Para que servem as eleições, única ferramenta eficaz para controlar as políticas de um país, para cometer sempre os mesmos erros?

  6. Parece-me da maior importância a divulgação deste assunto e agradeço por isso ao Francisco Louça. O esclarecimento adicional feito pelo senhor Rui Machado é precioso e fico igualmente grata. Helena Freitas

  7. Na minha humilde opinião diria que o principal problema de todo este tema das explorações de recursos fósseis em Portugal é não ser debatido de um ponto de vista estratégico, será que interessa mesmo a Portugal entrar no negócio?
    É óbvio que a nível económico terá um impacto, até admito, porventura positivo, nas economias locais e consequentemente na economia nacional, mas… por quanto tempo?
    Previsões do valor a que transaccionará o petróleo daqui a 10 anos serão sempre especulações, mas quero acreditar, para bem do nosso frágil mundo, que a procura será cada vez menor e como tal, o seu preço baixará reduzindo progressivamente as margens de lucro de todo o processo exploratório…
    E daqui a 25 anos? Será que ainda nos deslocaremos com base em combustíveis fósseis?
    E daqui a 50? …

    Estamos em 2016, a indústria da exploração petrolífera teve o seu inicio há mais de uma centena de anos…
    Somos um país pequeno, nunca conseguiremos competir em quantidade, a chave será sempre a inovação e a diferenciação.
    Onde está a diferenciação em investir em recursos fósseis? A extrair petróleo seremos apenas mais um… na verdade, menos que um…

    Não fará mais sentido Portugal melhorar a sua já respeitável posição no que respeita à exploração de energias renováveis?

    1. “É óbvio que a nível económico terá um impacto, até admito, porventura positivo, nas economias locais e consequentemente na economia nacional…” – Não seja inocente… o dinheiro ia parar aos bolsos dos mesmos do costume e a tugalhada continuava a pagar cada vez mais impostos. Veja-se, por exemplo, o caso do preço do barril de petróleo e o preço da gasolina em Portugal…

  8. Não se trata de Sousa Cintra (esse magnata português, produto do 25 de Abril) ou de uma empresa de que nunca se ouviu falar. Trata-se do ex-PM que, pelos vistos, continua a ser uma ameaça. É preciso dar-lhe um paulada de vez em quando, como aos coelhos, para o manter dentro da toca. A cena lembra-me um certo jogo da feira popular, só que, em vez dos leporídeos, tinha crocodilos e outras feras. Dizem-me que, nas terras do “farol da revolução”, o “génio dos génios” para os amigos, esse jogo é com americanos. Seja como for, coelhos é que não seria PC.
    Caro FL. Permita que o trate assim, não que exista entre nós uma qualquer identidade de sentimentos, mas porque pretendo chamar-lhe a atenção para indícios, os quais a serem o que penso que são, reduzem o valor do tema da sua crónica a próximo de zero, que não o texto em si, bem escrito como sempre. Já imaginou os zédus, os maduros, as dilmas, os faisais, os putins e todos os outros produtores de petróleo deste mundo, quando se derem conta que já não há compradores para o produto? Porque deixou de ser necessário. Já refletiu sobre a verdadeira razão por que o preço do petróleo tem caído nos últimos anos? Ou porque os Rockefeller desinvestiram na industria sobre a qual construiram a sua riqueza? (Por razões ambientais, dizem eles. Imagine! Os Rockefeller prescindirem de lucros, por causa do ambiente). Que sabem eles que os outros não sabem ou ainda não viram? E não, de certeza que não viram, e pelo menos no horizonte deles não quererão, milhões de aeromotores ou de painéis solares, a perder de vista, qual plantação de antenas de televisão das décadas dos anos setenta e oitenta.
    Não. Chegou a altura da energia infinita. Sabendo isso, estão a posicionar-se para capturarem, mais uma vez, o sistema. Depois de décadas a fazerem lobby contra a investigação estatal no sector da energia nuclear (compreende-se, já que esta era ameaça para o seu negócio do petróleo), de repente desataram a comprar posições em industrias ligadas à investigação na fusão nuclear.
    A tecnologia está madura, e diz quem trabalha no meio que chegou a altura (se não estiverem já a funcionar alguns). E não estamos a falar de instalações gigantescas como as que conhecemos. Nada disso! Modular, tão pequeno que pode ser colocado num autocarro ou num avião ou passível de instalação junto dos centros de consumo, tornando obsoletas as linhas de transporte de longa distância (lá se vai mais um negócio! Bom, deixaremos uma ou outra torre para as cegonhas fazerem o ninho). E limpo! O sonho dos ambientalistas que, assim, podem concentrar a sua atenção noutros problemas.
    E tudo isto a passar-nos ao lado. Nada se discute, nada se estuda ou investiga e, conduzidos pela mão como crianças, preferimos a diversão. Isso! Sousa Cintra não passa de um jogo de feira popular. Como diria um certo arqueólogo, muito excêntricos estes neo-visigodos.

    1. lockheedmartin.com/us/products/compact-fusion.html entre muitos outros exemplos.

    2. Der tudo o que li, houveram alguns avanços, mas a promessa de energia limpa ainda está muito longe.

  9. Exmo. Senhor Professor Francisco Louçã,

    Só umas pequenas correcções.

    A Australis Oil and Gas não pertence e não tem nada com a Baytex. Convinha que se informasse melhor. Quanto a uma “entrada barata”, tem a ver com o facto de nas áreas que foram concessionadas (falta uma e sei bem a razão) a essa empresa, já terem sido efectuados dois (2) levantamentos de sísmica 3D pela Mohave Oil and Gas Corporation no projecto 2010/2012. Sabe quantos postos de trabalho essa operação criou em Portugal e os valores envolvidos? Tenho a certeza que não. Mais, uma das contrapartidas para que a Mohave operasse nesse mesmo projecto, foi a obrigação de fazer um levantamento sísmico 3D offshore de 1.000 Km2 ao largo da Figueira da Foz com um custo de 12.000.000 de USD. Sabia que nesse mesmo projecto, também foi realizado um levantamento aeromagnético sobre a Bacia Lusitância. Tenho a certeza que também não. Nestes projectos não há nenhum custo para o Estado Português. Não são “parcerias público-privadas”. São tudo custos para a concessionária. Nesse projecto, depois de muitos milhões de USD investidos, não se encontraram hidrocarbonetos. Ou pensa que é só “furar” e já está?

    “Entrada barata”, significa reprocessar e reinterpretar todos os dados dos anteriores projectos de sísmica, visto que o trabalho já foi feito por empresas estrangeiras (Mohave) e de seguida delinear um plano, para avaliar diversos parâmetros através de um sondagem convencional. Sabia também que para ter acesso a esses mesmos dados de sísmica e outros quaisquer dados existentes, a Australis tem que os pagar ao Estado Português?

    Não podemos olhar só para um dos lados. Seria bom informar-se sobre todos os procedimentos.

    Senhor Professor, vou-lhe facultar mais alguns dados.

    Para já não mencionar no que poderia representar para o nosso País uma possível descoberta de hidrocarbonetos, estamos a falar de um projecto que gera e se traduz em oportunidades reais de negócio local para companhias portuguesas, como por exemplo, empresas de construção civil e edificação de estaleiros para a implantação da sonda, empresas de sondagem e captação de águas, mobilização de equipas no terreno para a aquisição de dados no projecto de sísmica, empresas de levantamentos topográficos e cadastrais, logística e transportes pesados, empresas de gruas, serviços de metalomecânica, torno e soldadura, empresas de tratamento e gestão de resíduos, empresas de segurança, entidades de monitorização de ruído (ISQ), hotelaria e restauração, carpintaria, etc., etc.

    Por cada operação de sondagem, em que são cumpridas as mais apertadas normas de segurança, higiene e ambiente, são injectados na economia local entre 1.000.000 e 1.500.000 de euros (estes valores são dados reais), além das rendas de superfície e outras obrigações (ex: sísmica offshore) para com o estado Português por parte da entidade concessionária. Se um dia quiser, mas a expensas suas, levo-o num “passeio turístico” pelos locais onde foram realizadas sondagens, de modo a verificar com os seus próprios olhos, o estado imaculado em que foram deixados esses terrenos.

    Faz exactamente dois anos no próximo mês de Junho (2016), que a Australis Oil & Gas empresa gerida por profissionais de reconhecida capacidade e experiência no mundo da indústria do petróleo e gás, Aurora Oil & Gas, com projectos em várias partes do globo, encetou contactos com a extinta DPEP (Divisão para a Pesquisa e Exploração de Petróleo) para a atribuição de três (3) concessões em Portugal, denominadas “Cadaval”, “Batalha” e “Pombal”, mediante Negociação Directa, com o objectivo de investir num projecto de pesquisa, sondagem (sondagem convencional) e exploração de hidrocarbonetos. Tendo a antiga DPEP sido integrada na ENMC (Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis), como UPEP, na altura sob a alçada da Secretaria de Estado a Energia, tutelada pelo Ministério do Ambiente (um verdadeiro absurdo, [para ser benévolo na minha apreciação]), o processo de avaliação terá recomeçado, pela segunda vez, no início do ano de 2015.

    Como é possível, que passados quase dois anos só tenham sido autorizadas duas concessões, “Batalha” e “Pombal”, no mês de Setembro de 2015 em acordo celebrado entre Sr. Dr. Paulo Carmona, administrador da ENMC, e um dos administradores da Australis? A terceira Concessão, “Cadaval”, não foi atribuída devido a “dúvidas” por parte dos responsáveis da ENMC. Que Estranho!!! Sou levado a admitir, que como os responsáveis do anterior Governo (PSD/CDS) estariam à espera de vencer as eleições legislativas, o que não veio a acontecer, a concessão “Cadaval” seria alegadamente entregue de “mão beijada” à empresa detida pelo “grande empresário” José Sousa Cintra, que como já se sabe, não demonstra a mínima experiência e credibilidade na indústria do petróleo e gás.

    Ora a 22 de Fevereiro do corrente ano (2016), o mesmo administrador da Australis deslocou-se propositadamente a Portugal, para se reunir com o Sr. Dr. Paulo Carmona, com o intuito de se inteirar sobre o processo da concessão “Cadaval”. A justificação dada pelo responsável da ENMC foi no mínimo caricata, respondendo que o mesmo estava encaminhado, mas não era oportuno avançar com quaisquer diligências, devido a uns pequenos “problemas” havidos nas Concessões do Algarve atribuídas ao Sr. Sousa Cintra. A resposta do Administrador da ENMC foi: “Vamos deixar assentar a poeira”. Argumento no mínimo infeliz.

    Nos projectos anteriores com a Mohave Oil and Gas Corporation, em que a DPEP, dirigida por excelentes profissionais, era a entidade responsável pela avaliação e atribuição das concessões, não acontecia esta grande falta de profissionalismo, respeito e consideração. Por comparação, nos Estados Unidos da América, um processo em tudo semelhante a este, demora cerca de 80 dias.

    Para terminar, não existe “banquete” nenhum, pelo menos para a Australis, “só” mais uns desempregados como eu (sem subsídios), a juntar a tantos outros milhares de portugueses. Ao escrever artigos como este, sem informação de grande relevo em relação a determinados assuntos, devia pensar nas consequências das suas palavras para com muitos compatriotas seus. Prefiro ouvir as sua opiniões com a GRANDE jornalista Ana Lourenço.

    Ficou um bocadinho mais esclarecido Senhor Professor?

    Sem outro assunto, subscrevo-me com elevada estima e consideração.

    De V. Exa.
    Muito Atenciosamente,
    Rui Machado

    1. Mesmo deixando de lado o seu tom condescendente, que lhe fica tão mal, teria sido conveniente fazer a sua declaração de interesses.

    2. Senhor Professor Francisco Louçã,

      Seguindo o seu conselho, sim, é verdade, eu teria sido um colaborador/trabalhador da Australis, como eu e tantos outros fomos da Mohave. Não sou nenhum accionista. O meu interesse é única e exclusivamente poder trabalhar. Esta é a minha declaração de interesses. Não tenho nada a esconder e sou tão cidadão e impoluto como o senhor.

      Atenciosamente
      Rui Machado

    3. A carta tem bastante interesse. Mas a questão é: a trapalhada mafiosa dessas concessões dever-se-á à real possibilidade de ‘descobertas’ assombrosas subterrâneas, ou andará por aqui o fabuloso Sintra – grande entendido em petróleos – por mera misericórdia a empatar expectativas?

    4. Senhor Professor Francisco Louçã,

      Reparo agora, já mais calmo, que na minha primeira intervenção, terei sido um pouco agressivo para consigo, mas naquele momento estava a “ferver” e apenas queria esclarecer alguns detalhes.

      Por isso, e, como não tenho vergonha de o fazer, gostaria que aceitasse o meu pedido de desculpas.

      Atenciosamente
      Rui Machado

    5. Agradeço a sua elegância. Este é um tema importante e merece ser discutido com cuidado. O seu contributo é relevante por isso mesmo.

  10. Penso que merece ser lembrado aqui, pelo interesse (geo-)histórico, o “livro de Daniel”… https://books.google.pt/books?id=WiUTwBTux2oC&printsec=frontcover&hl=pt-PT#v=onepage&q&f=false

    Em versão documentário, pela PBS, aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Qspu35JG59Q&list=PL940EE01A5338B74B

    E porque é também aqui uma questão de metades e Democracia, reli com grande gosto: http://blogues.publico.pt/tudomenoseconomia/2016/04/18/brasil-faz-a-democracia-a-metade-e-cavas-a-tua-sepultura/

    Veremos.

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