Tudo Menos Economia

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Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

6 de Abril de 2016, 11:47

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Há mesmo alguém a viver acima das nossas possibilidades

Diz o Banco de Portugal que Portugal exporta cada dia mais 2,3 milhões de euros para os paraísos fiscais. Conta por baixo, porque presumo que não se incluam nesses destinos algumas paragens tão convenientes como a Holanda, a Áustria ou o Luxemburgo. Gabriel Zucman, que tem investigado estes movimentos com mais preocupações de rigor, aponta para 30 mil milhões de depósitos portugueses acumulados só em contas na Suíça (ou um pouco menos do que 20% do PIB); o BIS apontava para um pouco mais de metade em todos os paraísos fiscais, 16 mil milhões, e era porque o valor (o registado…) se teria reduzido em anos recentes.

Qualquer que seja o número verdadeiro, e normalmente peca por défice de informação, o certo é que há mesmo alguém a viver acima das nossas possibilidades.

Os Panama Papers bem podem divulgar uma lista, com o industrial Idalécio à cabeça, que nem o Panamá tem sido o destino principal desse dinheiro que nos foge portas fora, nem as verbas aí parqueadas passam de gota neste oceano de dinheiros escondidos. Creio que quem tem vivido acima das nossas possibilidades respirou de alívio ao saber que só os advogados da Mossack Fonseca foram pirateados.

Comentários

  1. Segundo o Público (notícia de ontem): “Finanças tiram 57 milhões aos orçamentos do ensino superior”. Afinal, os “geringonceiros” ainda vão dar menos dinheiro ao ensino superior em 2016 do que os “amantes da austeridade” em 2015. Para onde terá ido todo o dinheiro que a geringonça prometeu ao país para acabar com a austeridade? Algum comentário, senhor professor?

    1. PS = PSD = CDS = ladrões = corruptos = maçonaria = máfia = clientela = boys = lobbies = miséria de Portugal e dos portugueses (lamechas, clubistas e amnésicos há muitos anos). Até ver, estes são os únicos partidos da governação, que os medricas e mal informados dos portugueses gostam tanto, os outros faltam ainda prestar provas e mostrarem que faziam diferente, logo ainda têm o benefício da dúvida.

  2. Todos os dias sai de Portugal o dobro desse montante como resultado do abastecimento de combustível que os Portugueses efectuam em Espanha. Porque é que uma prática de fuga ao fisco é tão condenada, e outra prática de fuga ao fisco é tão aceite e compreendida? Será porque, para a nossa esquerda, a moral é um monopólio do Estado e dos ricos, enquanto que apenas ao cidadão comum é concedido o direito de ser egoísta?

    1. Suponho que um dia se inquietará sobre a diferença entre o que é legal e o que é crime.

    2. Se bem que haja dinheiro em offshores que seja resultado de actividade criminosa, ter contas em offshores não é, em si mesmo, um crime. Nem a origem do dinheiro lá depositado tem necessariamente que ter origem criminosa. A esquerda que é tão pronta a condenar generalizações quando estas atingem o seu público-alvo, não parece ter qualquer hesitação em generalizar neste caso… Há portugueses que enviam dinheiro para offshores no escrupuloso cumprimento da lei.

    3. A UE perde 120 mil milhões de euros em impostos devidos, segundo as contas oficiais.

    4. Pois perde, Francisco Louçã. E, como mostrei, o nosso país também perde com os abastecimentos de combustível em Espanha. Ambas fugas ao fisco. Ambas legais (até prova em contrário). Ambas igualmente imorais. Contudo, o o critério para a indignação é muito diferente. E não há UM político ou UM comentador político em Portugal que ouse criticar os automobilistas que vão abastecer a Espanha com um décimo da severidade com que criticam ricos que, legalmente (até prova em contrário), depositam o seu dinheiro em offshores. O ministro tentou, suavemente, pedir aos automobilistas que não o fizessem e foi ridicularizado. Conclusão: procurar activamente pagar menos impostos só é compreensível se não forem ricos a fazê-lo!

  3. Vivemos acima de nossas possibilidades. Ah, esse “nós” em que tudo se esfuma. Dizia um poeta alemão: desenvolvimento é essa coisa, nós o ganhamos, mas tu o ganhas de mim. Na hora de pedir sacrifícios, o endereço é sempre o mesmo.

  4. E, com a dádiva da parte sã do BANIF ao Santander, ainda estamos a pagar a estabilidade do mercado financeiro… espanhol.

  5. F, um indivíduo comum e corrente como eu paga IRS, IVA, desconta para CGA, para a ADSE, paga imposto de selo, paga depois todas essas taxas que cobram as autarquias, se tiver uma poupanças, e tenho, pago pelos juros e volta a pagar imposto de selo, pago imposto especial de petróleo, a vezes fumo, pago pelo tabaco, como visito minha família no estrangeiro frequentemente pago mais taxas, pago direitos por ver a TV. I.e. eu vivo acossado pelas impostos. O que eu ganho pagando tantos impostos e não me refiro apenas ao fato que o último governo carregou nos impostos. O que adivinho da tua posição, precisaríamos de um sistema fiscal que obrigasse a pagar aos empresários mais impostos, que não fugissem aos impostos, que não conseguissem fazer contabilidade criativas e ocultassem os seus lucros, que houvesse mais incentivos ao investimento de lucros , etc Num mundo globalizado como o que vivemos os empresários
    inventaram a flexibilidade, querem a flexibilidade, socialmente os empresários são contra a justiça fiscal, contra fiscalidade progressiva dos rendimentos, são campeões em conseguir benefícios, isenções, e ate conseguem subsídios ( alias pagos por mi no caso das energias renováveis), e tem contado para isso com apoio dos partidos europeístas. Minha pergunta directa é qual é a proposta de modo a mudar isto?. Basta a denuncia?, algo que um homem simples como eu possa sentir como um alivio, mas que seja uma compensação em termos de justiça e que lhe permita ser um consumidor que de dinâmica a economia portuguesa. Vivemos quase duas décadas de influência do pensamento neo-liberal, um desastre em vários sentidos, vivemos mais de duas décadas em que a esquerda perdeu toda e qualquer referência socialista ( o do modo que pensávamos ser o socialismo), o desastre soviético foi um K.O., só vejo socialdemocratas, com soluções duma época que não existe, defender as conquistas do estado social apenas com justiça fiscal acho expor-se a que a capacidade de flexibilidade do capitalismo, da mobilidade do capital actual deite qualquer reforma abaixo antes que seja possível, para mim é claro que é uma questão política e não de polícia e tribunais, .será que podemos ? Minha preocupação também vai no sentido que um homem simples como eu vote de modo a que não se solidarize com os que tem o estado social, porque eu pago impostos elevados e fico com raiva porque políticos e empresários se põem de acordo para não pagar impostos. Eu não sou tão simples como isso, sou um homem de esquerda, temos que elaborar uma proposta que conecte os impostos aos serviços e bens que recebemos, mais que impostos eu chamaria de contribuições, para o serviços nacional de saúde, para as pensões, para a educação, para a ciência, para a cultura, para os transportes, os impostos deveriam só contribuir para a despesa administrativa do estado, administração, tribunais, segurança, deveria haver um orçamento de capital, financiado principalmente com IRC. O neoliberalismo conseguiu fazer acreditar que o estado é corrupto, burocrático e ineficiente, a social democracia rendeu-se a muito disso, os social democratas mais consequentes defendem ideias estatizantes de manter o estado social, a classe media dos homens simples, que esta num sandwich social e que decide eleições não tem propostas que o convençam e se vé muita televisão fica baralhado, como saimos disto?

    1. Quem paga os impostos é a classe média que trabalha por conta de outrém. Os outros, ou não têm rendimentos, ou conseguem esquivar-se. Isto, nenhum político sabe, quer ou pode mudar.

      Há quem aponte soluções, mas nenhuma com condições de ser aplicada já. Criação de entidades supranacionais mais fortes – aprofundamento da União Europeia rumo ao federalismo, criação de um governo mundial, imposto mundial (Pickety, no seu Capital no séc XXI).

      Soluções através de um partido (ainda que novo e totalmente diferente) num governo de um país isolado, não vão aparecer.

    2. “Minha pergunta directa é qual é a proposta de modo a mudar isto?” É o povo (aquele que paga todas estas mordomias) quem tem de abrir os olhos e deixa de votar naqueles que defendem este tipo de situações. Quantos portugueses vêem a votação das propostas de lei no parlamento para saberem quem defende o quê, 0,0001%? Há um ditado que diz que o Homem é o lobo do Homem, isso aplica-se ao povo: o povo escraviza-se a ele próprio (falta de consciência de classe para gaúdio da burguesia? É que, não sei se estão a ver, numa sociedade tem de haver quem trabalhe, não pode haver só patrões (e gente sem fazer nada, ou muito pouco, a viver da mama do Estado), apesar de ser esse o senso comum, de que todos podem ser ricos.

    3. “Há quem aponte soluções, mas nenhuma com condições de ser aplicada já. Criação de entidades supranacionais mais fortes – aprofundamento da União Europeia rumo ao federalismo, criação de um governo mundial, imposto mundial (Pickety, no seu Capital no séc XXI).” – Acredita no que está a dizer? Isso implica um pensamento único, à moda de “1984”, de George Orwel. Se nem nas famílias isso é possível que fará entre a população da Terra com as suas diferentes crenças e culturas… ganhe juízo.

  6. Caro Francisco Louçã uma maneira muito rápida de acabar com esta situação seria a Europa e Portugal baixar os impostos ás empresas e ás pessoas pois quem investe o seu dinheiro quer te proveitos disso, ninguém gosta de pagar altíssimos impostos como os nossos que servem para obras públicas sem qualquer estudo credível de rentabilidade vejamos os variados exemplos autoestradas daqui para lado algum pavilhões e piscinas municipais em todo canto e buraco, ou ainda impostos que servem para manter uma grande parte da sociedade ao alto a receber mais por estar em casa em vez de a trabalhar.
    Os empresários não são todos ladrões e não são estúpidos se o estado roubar menos e o que tirar de impostos for investido de forma responsável escolas ,hospitais, recuperação urbana para jovem e idosos etc o meu amigo verá muito menos gente com vontade de fugir e muito mais orgulho em pagar pois o nível de vida de país não está somente nas infraestruturas rodoviárias mas sim no bem estar coletivo das pessoas.

    1. “ninguém gosta de pagar altíssimos impostos como os nossos que servem para obras públicas sem qualquer estudo credível de rentabilidade vejamos os variados exemplos autoestradas daqui para lado algum pavilhões e piscinas municipais em todo canto e buraco…” – Em quem votas? Também és dos tais em que os políticos são todos iguais? Conheces as propostas de lei dos partidos na AR? Se as pessoas se divorciam da política e depois vão atrás das papas, dos bolos, dos tambores e dos… frigoríficos…, em período de capanha eleitoral, depois não se venham queixar.

    2. PS = PSD = CDS = ladrões = corruptos = maçonaria = máfia = clientela = boys = lobbies = miséria de Portugal e dos portugueses (lamechas, clubistas e amnésicos há muitos anos). Até ver, estes são os únicos partidos da governação, que os medricas e mal informados dos portugueses gostam tanto, os outros faltam ainda prestar provas e mostrarem que faziam diferente, logo ainda têm o benefício da dúvida.

  7. Consequencias praticas dos panama papers:inicio da perseguição ao notavel e incomodo realizador espanhol Pedro Almodovar.conclusão:no limite,os panama papers apenas conseguiram descredebilizar um bom cineasta,deixando incolumes os tarefeiros de hollywood que trabalham para a marvel,que não acrescentam um pingo de talento ao cinema…e são Tudo Bons Rapazes(pelo andar da carruagem ainda se lembram de prender o Scorsese ou Tarantino,que é para acabar de vez com o Cinema,e vamos todos ver videojogos em 4D)

  8. Bem lembrado, Francisco Louçã. Não sendo mais do que uma gota num oceano como disse e bem, este mapa, muito interessante, dos “Panama Papers” evidencia o seu carácter transversal, sistémico: https://briankilmartin.cartodb.com/viz/54ddb5c0-f80e-11e5-9a9c-0e5db1731f59/public_map

    Um pequeno aparte, Wikileaks reportou que os “Panama Papers” contaram, no ataque a Putin, com o financiamento da USAID: https://twitter.com/wikileaks/status/717458064324964352

  9. Dirão os defensores dos paraísos fiscais e da contabilidade criativa (vulgo fuga aos impostos – o negócio do século XXI – qual tráfico de droga e de armas, ou medicamentos!!??), que,

    “Quem não tem conta na Mossack-Fonseca, que atire a primeira pedra”.

    Pois é complicado, com o Eurogrupo e a Comissão Europeia dominados por supra-sumos da fuga aos impostos.
    Mas Portugal pode aumentar a taxa sobre transferências bancárias. Ou também tem que esperar pela UE!!???

    1. “Quem não tem conta na Mossack-Fonseca, que atire a primeira pedra”… ou no Luxemburgo do Jean-Claude Juncker… o ex Presidente do Conselho Europeu… e cristão.

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