Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

30 de Março de 2016, 20:11

Por

As contas (públicas) que nos perseguem …

Ainda é demasiado cedo para poder fazer extrapolações com suficiente segurança sobre a execução orçamental em 2016. De qualquer forma, os dados da execução relativa aos dois primeiros meses do ano, em que as Administrações Públicas operaram em regime de duodécimos, com algumas excepções (e.g., reposição ao longo do ano dos vencimentos dos funcionários públicos e actualização de pensões), contêm informação interessante.

Saldo global

 Quadro: Saldo global acumulado das Administrações Públicas (desde Janeiro de cada ano)

Quadro contas

Fonte: DGO

Os dados permitem diferentes leituras. Saliento as seguintes:

– A execução orçamental no último trimestre de 2015 correu muito bem e o grosso da melhoria no saldo orçamental de 2015 face a 2014 – ou seja, 1,7 mil milhões de euros de 2,6 mil milhões de euros (= -4559+7127)– ocorre nesses três meses;

– A receita fiscal, entre Janeiro e Fevereiro de 2016, cai 0,5% face ao mesmo período de 2015. O saldo orçamental global melhora perto de 245 M€ face a 2015, mas só 50 M€ em relação ao mesmo período de 2014. Tal poderia sugerir que as contas públicas não estão a evoluir suficientemente bem, mas não é assim;

– De facto, por um lado, a execução dos dois primeiros meses é fortemente influenciada por um aumento da despesa com juros em 349 M€, face ao período homólogo de 2015. Se se excluir a despesa com juros, a despesa total cai 242 M€. Em resultado desta evolução, o saldo primário sobe quase 600 M€, para 1,5 mil milhões de euros (0,85% do PIB) só nos primeiros dois meses de 2016, o que é o melhor resultado obtido, no mesmo período, nos últimos quatro anos (desde que existem dados mensais sobre esta variável). Esta tendência, a manter-se, deixa antever que o saldo primário em 2016 poderá vir a ser ligeiramente superior a 3% do PIB. Mas, infelizmente, nos dois primeiros meses pelo menos, as poupanças que estão a ser realizadas na despesa pública estão a ser consumidas pelo aumento da despesa com juros da dívida pública;

– Por outro lado, no mesmo período, a receita corrente sobe 2,6% em termos homólogos graças ao aumento de 6,8% nas contribuições para a Segurança Social, CGA e ADSE – em particular, as contribuições e quotizações para a Segurança Social crescem 5,3% –. Seria útil compreender o que está a ocorrer. Poderá resultar de aumento do emprego, algo que se se confirmar seria um sinal de que a evolução do défice é virtuosa e provavelmente sustentável;

– A despesa com subsídio de desemprego cai 17,5% (58 milhões de euros) nos dois primeiros meses, em termos homólogos. Tal evolução resulta certamente, em parte, dos cortes realizados pelo anterior governo no âmbito de aplicação do subsídio de desemprego. Mas, poderá também sinalizar a tão desejada retoma do emprego.

 

As medidas de aumento de rendimento disponível das famílias previstas no Orçamento do Estado tenderão a contribuir para a aceleração da procura interna. Por conseguinte, afigura-se que é plausível um cenário em 2016 com maior crescimento económico, crescimento do emprego, acompanhado de consolidação orçamental.

Resta saber se será suficiente para atingir as metas acordadas com Bruxelas …

 

Comentários

  1. Adoro ver os deputados de esquerda, e economistas socialistas, a celebrar a execução de um orçamento que foi aprovado agora. Incrível como todos sabemos que o país vai de certeza absoluta novamente à falência com esta governação de esquerda e há quem ande a assobiar para o ar, e construir uma narrativa de que não é nada assim.

    Espero que se demitam das suas funções e se dediquem a lavar o chão quando voltarmos à falência. E que peçam desculpa por terem escrito estas narrativas, em vez de estar a avisar que uma economia com base no consumo VAI SEMPRE dar falência.

    1. E tu Pedro (passos coelho) pede desculpa se estiveres errado. Podes já pedir desculpa pelo estado em que a paf deixou o país. Se não pedires aqui desculpa vai mas é para o car….

    2. A sua Economia é muita suspeita, começando pelo facto de, na sua cabecinha, as coisas c’o PAF correram tão bem…

    3. É como diz Pedro, eles não aprendem, e não aprenderam NADA com 2011. A dívida pública líquida já está de novo fora de controlo, e esse é mesmo o número que interessa, e do qual já resultou o agravamento dos juros. Mas olhe que Alexis Kostas e os seus “amigalhaços” não vão lavar o chão, não é à toa que eles são conhecidos por “caviar”! Quem vai limpar o chão de toda as substâncias que lá irão ficar somos … nós!

    4. Conceito de economia do “Liberal”:

      EU sou o supra sumo da economia, ninguém percebe mais do que EU!
      Paul Krugman e Joseph Stiglitz não percebem nadinha de economia, grandes artolas!

      Risota total :)

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