Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

28 de Março de 2016, 17:54

Por

O princípio do fim em Luanda

A ignóbil condenação dos opositores políticos em Luanda evidencia que, quando um regime se esconde atrás de um tribunal e quando este tribunal eleva o absurdo a um monumento, só pode ser porque são os dias do fim.

O Ministério Público de Luanda acusou 17 jovens de estarem a ler um livro e, desse modo, de prepararem um golpe de Estado. Resolveu depois deixar cair essa inventona e substituí-la por uma nova acusação, formulada nas alegações finais (isto é, nem houve prova em tribunal nem a defesa teve oportunidade de contestar a alegação, examinando factos), segundo a qual se trataria antes de “associação de malfeitores”, junto com a magnífica acusação de “rebelião”. Obediente, o tribunal condenou: dois a oito anos de prisão.

Quando o arbítrio está fechado numa redoma, uma ditadura ainda se pode prolongar no tempo. Quanto está exibido, o ridículo mata. Por isso, o tribunal de Luanda, na violência da sua sentença, não faz só vítimas entre os democratas que estão a ser julgados, porque também condena o palácio que dá tais ordens. Podemos portanto registar este momento como um tempo de mudança ou como uma aceleração da luta democrática em Angola.

Poderá agora o Supremo Tribunal confirmar estas sentenças? Não sei. Já haverá juízes que, cientes de que o fim se vai aproximando, podem preferir a regra do direito à certeza da espada. Veremos então o que decidem.

Em qualquer caso, Luaty Beirão e os seus companheiros conseguiram o que pareceria um segredo muito reprimido: mostraram que há grandeza em Angola.

Comentários

  1. O comunismo é isto. É esta realidade que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista querem trazer para Portugal. O Frnacisco Loucã é um dos carcereiros desta realidade.

    1. Cara coruja: pouca sabedoria tem vossa excelência. Chamar comunismo à acumulação das fortunas do petróleo no palácio de José Eduardo dos Santos, competente capitalista, parece piada de carnaval. E eu notei quem é que em Portugal defendeu os presos políticos angolanos… Ontem, na concentração de apoio aos presos, não vi nenhuma coruja.

  2. E que dizer do silêncio ensurdecedor em torno deste assunto por parte de governos ocidentais capitaneados pelos EUA, areópagos da democracia e da observância dos DH reduzidos apenas à liberdade de expressão? Hipocrisia!

  3. …infelizmente a vaga esperança que FL alimenta (em relação ao supremo angolano) não se verificará, nas cleptocracias (em Angola vigora uma das piores que se conhecem no Mundo actual) o sistema jurídico é a parte mais podre pois esta é condição ‘sine qua non’ para que o regime se construa…

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