Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

22 de Março de 2016, 17:18

Por

Para onde caminhamos?

O horror e a barbárie espalhados no coração da Europa. A Europa discutindo, sem norte, mas com dinheiro, permutas de refugiados e emigrantes árabes. A Turquia fazendo destes indefesos homens, mulheres e crianças moeda de troca para se juntar à União Europeia, mesmo que reduzindo os já de si resquícios de democracia. O directório da União com generosas proclamações, todavia estéreis se, a elas, não estiverem associadas a clareza, a prontidão, a sensibilidade, o humanismo e a eficácia. A estatística como mãe de todas as análises seja da pobreza, da morte ou da tragédia.

Bruxelas, hoje, Paris ontem, Madrid ou Londres anteontem. A Europa sempre. Indefesa perante a cobardia, o desprezo pela vida humana, a impotência face a armas tão hediondas como eficazes para espalhar o medo e a violência na mais sórdida e gratuita expressão.

O carácter indiferenciado dos que sucumbem a estas ignominiosas acções revela a essência do que se procura: generalizar o medo, minar o primado da liberdade, incutir uma lógica securitariamente asfixiante, abalar os alicerces de Estado de direito, promover a desconfiança generalizada, arrasar a ideia solidária do próximo, estimular uma atitude de vingança e de ódio, premiar os corruptos e os falsários que usam as pessoas como mercadoria, propiciar condições para atitudes e ideias antidemocráticas.

Mas também para trivializar a ideia do mal e para reduzir a pó o ideal do bem. Promovendo o indiferentismo e a ideia ardilosamente adversativa (há sempre um “mas”) dos contextos e das circunstâncias e fragilizando a tolerância da inteligência e do coração.

À relativização do bem comum, o terrorismo responde com a sua diabolização intolerante.

Ao consentimento anestesiado do mal, o terrorismo aproveita para o ampliar e disseminar.

À erosão ontológica da vida enquanto valor supremo, o terrorismo transforma-a num meio instrumental.

À diluição da consciência individual e colectiva, o terrorismo anula-a sem dó nem piedade.

À idolatria totalitária do dinheiro como fim supremo, o terrorismo usa-o como arma letal.

À mediocridade e fraqueza de lideranças, o terrorismo replica com líderes em nome do mal.

À secundarização do combate contra todas as formas de pobreza, o terrorismo perpetua-as usando-as.

À dispensabilidade da transcendência, o terrorismo utiliza-a fanática e demoniacamente.

Ao asséptico e pretensamente neutral amoralismo, o terrorismo espalha o moralismo das trevas e do obscurantismo.

Esta tragédia, como tantas outras, não tem medida. Porque é invasiva até à mais profunda e ínfima fracção da dignidade da condição humana. Porque é cáustica nos mais recônditos poros da alma.

Nestes tempos tão inumanos e conturbados vem-me à memória as palavras de Bento XVI na sua visita a Auschwitz-Birkenau em 2010: “No fim, só pode haver um terrível silêncio, um silêncio que é um sentido grito dirigido a Deus: Porquê, Senhor, permaneceste em silêncio? Como pudeste tolerar isto? Onde estava Deus nesses dias? Porque esteve Ele silencioso? Como pôde Ele permitir esta matança sem fim, este triunfo do demónio? Onde está Deus nestes momentos?

Eu, que acredito em Deus, gostaria de ter uma resposta. Ou uma palavra. A que me faz falta hoje. Ou melhor a que, impotente, não sei.

Comentários

  1. Quem estuda o mínimo sobre o islam descobre que o mesmo é pior que falso e mau. Em verdade tudo aquilo que muçu pensa diz e faz ou é falso e mau ou está ao serviço de falsidades e maldades. As pessoas na sua ignorância bondade generosidade ingenuidade, não querem acreditar na maldade do islam. Pensam que ainda tenha algo de bom. Mas a verdade é que tudo no islam está ao serviço dos piores males crimes barbáries crueldades e de tudo o que seja ruim. Não haja a mais pequena menor mínima dúvida sobre isso. maomé até disse que o seu allah enganava, infundia terror e que era o maior. Logo o maior enganador terrorista e maior em tudo o que seja ruim. Muitos muçus já sabem desta e de muitas outras verdades. Nenhum desmentiu uma só ou convocou mais eruditos para as desmentirem. Com isso só as confirmaram e aprovaram.

  2. «Eu, que acredito em Deus, gostaria de ter uma resposta. Ou uma palavra. A que me faz falta hoje. Ou melhor a que, impotente, não sei.»

    Naturalmente que para os não crentes essa questão não se coloca. Nunca compreendi como podem os crentes justificar a existência do mal e do sofrimento humano, e encontrar alguma esperança consoladora, com a ideia de uma providência divina que age segundo um plano que nos transcende. Mesmo se esse plano existisse, ele nada apagaria do sofrimento experimentado pelo Homem durante a sua existência. Ninguém pode dizer que a recompensa a Job, e os desígnios de Deus no seu caso, alguma vez o eximiu de ter sofrido.

    1. Caro José Manuel Ferreira, a fé move montanhas, não é? E está a ser injusto, as religiões não pretendem apagar o sofrimento, pretendem oferecer um sentido e um caminho aos crentes. Eu agnóstico “cristão” me confesso, nada tenho a objectar à frase do insuspeito Nietzsche: “Quando deixamos de encontrar em Deus a grandeza, também não a encontramos em parte alguma”. Em parte alguma, mesmo. Como são horríveis as religiões ateias…

  3. As interrogações que deixa no último parágrafo do texto não serão, apenas e exclusivas do tempo que nos coube viver.Olhando em retrospectiva, temos todo um século de horrores,que evoca através das palavras de Bento XVI, que são em si, a exacta medida da condição desumana em que exaltamos a diferença como paradigma, a intolerância como idealogia e a violência como profecia apocalíptica. A negação da vida, a manifestação da morte como banalidade redentora e a redução dos sentimentos à exaltação do ódio e do desprezo, são as expressões de uma utilitária deturpação da fé dos homens, que pretendem amarrar o seu Deus, qualquer que ele seja, para o sujeitar aos suplícios até à agonia da morte, como é prática comum com os outros homens, seja nas camâras de gás de Auschwitz, Birkenau ou Bergen-Belsen, nas escolas de um Cambodja de Pol Pot , transformado em matadouro, ou nas cidades polvilhadas de bombas e dor, neste século XXI.

  4. Isto é uma guerra e é preciso defender-se. O politicamente correcto e a política falhada de multi-culti proíbem-nos dizer o óbvio:

    1. 100% de ataques terroristas nos últimos 10 anos foram feitos pelos muçulmanos e foram direccionados contra a cultura ocidental, que (ainda) tem fundamentos cristãs

    2. É uma guerra de culturas e de religiões, onde a Europa não acredita nos seus valores, mais: é perfeitamente normal ser proibida uma gay parade num bairro muçulmano na Suécia, mas na mesma Suécia qualquer pessoa pública que dizer algo contra os gays será “expulsa” da vida social, política etc daquele país. Onde está a consistência de valores ? No final de contas, só conta o medo contra os protestos de uns que são mais radicais e perigosos.

    3. Esta guerra nunca acaba. Sortudos os países que não têm milhões mas só centenas ou milhares de muçulmanos, ou seja a Europa de Leste. Amanhã para ai se deslocarão os ricos alemães, franceses, etc. Um excelente “business case” para aqueles países e uma excelente estratégia para a Rússia, que está alinhada culturalmente com esta visão. Afinal foi aquela parte da Europa que travou a última ofensiva muçulmana contra a Europa, durante a batalha de Viena, liderados pelo rei polaco Sobieski.

    4. Naqueles países de Leste já se discute a de-legalização do Islão. É simplicista e não é justo, face a comunidade muçulmana ? É ! Acabará por reduzir significativamente o risco do terrorismo para o resto da sociedade naqueles países ? TAMBÉM SIM ! Democracia, o “bem estar” da MAIORIA que mande nas decisões a tomar pelas sociedades ! E não o politicamente correcto do multi-culti, que proíbe aos jornalistas falar a verdade.

    1. “100% de ataques terroristas nos últimos 10 anos foram feitos pelos muçulmanos e foram direccionados contra a cultura ocidental, que (ainda) tem fundamentos cristãs”.

      Tem consciência do disparate que está a escrever?

  5. Iraque – 1.500.000 mortos http://www.justforeignpolicy.org/iraq/iraqdeaths_pg.html

    Síria – 500.000 mortos

    Afganistão – 26.000 mortos

    Palestina – 2.000.000 mortos

    Refugiados e deslocados dezenas de milhões.

    Rezemos pela Bélgica…Certo…

    Hipocrisia? Cínismo militante? Estupidez crónica?

    O Mundo Ocidental vive numa realidade virtual regida pelo Capital e sua propaganda.

    É o que dá deixar-se Governar por marionetas de Plutocratas cínicos, psicopatas por convicção Tribal.

  6. Dr. Bagão Felix:
    Parabéns pela sua exposição.

    Na realidade, para onde estamos a passos rápidos, a caminhar?
    Uma pergunta simples, reunindo contudo se tempo houvesse para tal, uma necessidade premente de se analisar e chegar a conclusões precisas sobre uma terrível pergunta que implicaria uma temível resposta: afinal o que é o homem?
    Este ser que se julga dono de todo o seu horizonte visual e quando este não o satisfaz busca noutras latitudes a sua saciez de ganância. Nunca dúvidas tive e cada vez menos as mantenho, de que o tal “homem” está muito equivocado quando se autointitula face aos animais de 4 patas, um “ser superior”. O que teríamos a aprender com estes últimos…

    Face aos acontecimentos que nos levam a estar a dissertar e perante a ineficácia ou interesse patentes na justiça terrena, resta-nos a consolação da Justiça Divina, sem a qual o Mundo padeceria de falta de perfeição.

  7. A resposta ao terrorismo, a meu ver, tem de radicar num simples principio que os países europeus não aplicam. Todos somos iguais nos deveres e nos direitos e como tal os Estados e a sociedade em geral devem exigir o cumprimento de ambos a todos.
    Ora, o que se vê por essa europa fora é o “relaxar” da exigência de certos deveres a determinadas comunidades, neste caso falo da muçulmana. Desde logo o tratamento que fazem ás mulheres, sem que o Estado e a sociedade nada façam, pela simples razão que se o fizerem são acusados pelos “politicamente correctos” de xenofobia, racismo e outras coisas que tais, no entanto se for um cidadão autóctone a obrigar a esposa ou as filhas a não trabalharem e a não estudarem ou lhes aplicar maus tratos físicos e psicológicos, por exemplo, vai PRESO e é reputado de bárbaro etc, já não hà xenofobia, racismo, mas simples aplicação da lei.
    Até se o referido cidadão der um pontapé num canídeo pode apanhar cadeia, é a lei.
    A nossa Lei, os nossos principios aplicam-se aos Cidadãos da Europa, mas não aos que acolhemos!?
    Isto é esquizofrénico!
    Estamos a ser fracos, eles sabem que estamos a ser e que assim vamos continuar. Por isso se vangloriam e as suas comunidades não os denunciam, nem os seus lideres os repudiam pois sabem que isto vai continuar.
    Como todos sabemos nem tudo dura para sempre e a História ensina que a resposta doas sociedades não é a mesma dos politicos e quando estes se aperceberem a mesa virou, serão os muçulmanos a ter medo, pois serão eles a ser perseguidos e os politicos que agora não aplicaram, nem exigiram de todos o cumprimento da Lei e dos direitos do Homem e da Criança, vão ser ultrapassados.
    Para infelicidade de todos, aí sim! O Mal grassará na Europa e o destino dos muçulmanos adivinhar-se-á.

  8. Parabéns. Belo texto. Essa é a pergunta que faz sentido: para onde caminhamos? Nós que somos a geração que não teve guerra (a primeira?); nós que nascemos e crescemos num mundo rico e próspero e que chegámos a acreditar que isso era para sempre. O que fazemos com isso tudo? Para onde caminhamos?

  9. Tenho que contestar a “idolatria totalitária do dinheiro”, se há coisa que os autocratas nunca promoveram foi a idolatria do dinheiro, mas sim a deles mesmos, da “raça”, do colectivo, etc. A idolatria do dinheiro não é totalitária, infelizmente, é simultaneamente voluntária e cultural, mas não podemos acusar os tiranos dela.

    Uma vez que António Bagão Félix se assume como crente, penso que Cristo responde cabalmente à sua inquietação final:
    – Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.
    – E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.

    Já agora, não me parecem muito abonatórias para Bento XVI as suas palavras citadas, porque não é difícil supor a partir delas que ele não acredita nos dogmas que professa. Já conheci uma pessoa que defendia que nenhum membro do clero católico acredita…

  10. Não há razão nenhuma que leve a que estas pessoas assassinem inocentes. Não há análise, psicanálise, factores, história… desculpas para que possamos sequer considerar a hipótese. Nenhuma destas pessoas lhes fez mal, mandou fazer ou deixou fazer. São selvagens, estúpidos. Maus. Se insistem em continuar, têm que ser presos ou silenciados. Se não for pelos seus pares, que apregoam a bondade do islão, que seja por nós.

    1. Meu caro amigo, claramente quem se fez explodir ou andou aos tiros a pessoas desarmadas não os considerou inocentes. Reside aí um dos problemas. A violência, como aquela que se aprende na tropa, como matar, como fazer explodir, envenenamentos e etc é sempre uma forma de demência.

    2. Caro Adriano, permita-me discordar de si. Ao dizer que é uma forma de demência, está a abrir caminho para desculpabilizar o comportamento. Quando se leva uma bomba para o meio de pessoas civilizadas tem que haver consciência de que se vai fazer-lhes mal. Se há inteligência para fazer uma bomba para matar, também há inteligência para olhar em volta e ver como fazem os outros. Ninguém diga que Hitler era demente. Era mau. Era uma pessoa má. Como estes assassinos. E o tratamento para pessoas destas tem que ser forçosamente eficaz, sem que haja tempo ou espaço para voltarem a matar.

  11. Estou completamente de acordo com o professor, até é difícil encontrar palavras para falar deste assunto. Talvez por isso vamos trocar a palavra “terrorismo” por “trabalho” em alguns dos aforismos. Não me leve a mal é só uma opinião.

    À relativização do bem comum, o trabalho responde com a sua diabolização intolerante.

    À erosão ontológica da vida enquanto valor supremo, o trabalho transforma-a num meio instrumental.

    À idolatria totalitária do dinheiro como fim supremo, o trabalho usa-o como arma letal.

    À secundarização do combate contra todas as formas de pobreza, o trabalho perpetua-as usando-as.

    Ao asséptico e pretensamente neutral amoralismo, o trabalho espalha o moralismo das trevas e do obscurantismo.

    Até que bate certo nestes.

    Quanto ao cobarde ataque na Bélgica é triste incidir sobre os do costume, os desgraçados inocentes a caminho do trabalho. Já os que vendem armas e os políticos que cospem guerra por dinheiro em todo o lado mas em especial no norte de África parece que sobreviveram incólumes.

  12. Iraque 1.500.000 mortos: “http://www.justforeignpolicy.org/iraq/iraqdeaths_pg.html”

    Síria vai á volta de 500.000.

    Líbia desconheço, mas é a desgraça que se vê …
    E etc etc…

    General Wesley Clark, revela memorando (pós 11 de Setembro) do Secretário de Defesa dos USA que descreve “Como vamos desestabilizar/ocupar 7 países em 5 anos, começando com o Iraque, e depois a Síria, Líbano, Líbia, Somália, Sudão e, finalizando, o Irão.”…
    https://www.youtube.com/watch?v=sCDRWEpz5d8

    A guerra direta contra o Iraque, a guerra indirecta sobre a Síria, as revoluções coloridas e o assassinato dos líderes nacionais em alguns países do Médio Oriente, fazem parte da ilusão criada pela política global do Ocidente para travar uma guerra de ocupação.
    Escondendo a sua verdadeira imagem:
    A imagem Horrorosa de quem desconhece limites na crueldade humana nas suas ambições Geoestratégicas.
    Em geopolítica não há espaço para emoções e valores morais, como demonstram estes modelos ocidentais de “Caos e ocupação”.
    Estratégia de desestabilização, Caos e Terror, que se expande agora á Europa.

    Será que o Mundo é como nos andam a contar…

    Dr. Bagão Felix… Quem são afinal os Terroristas?

    1. As suas estatísticas até podem estar certas, mas não é motivo para ter compaixão por terroristas.

    1. Qual maniqueismo? Leia, se quiser, textos anteriores meus neste blogue e verá que, nesta tragedia global, estou longe do que insinua?

    2. @Dr. Bagão Felix,
      Não leve a mal; sou um apreciador dos seus textos e respeito sempre as suas posições. Mas frases como «À relativização do bem comum, o terrorismo responde com a sua diabolização intolerante» faz esquecer o óbvio: o terrorismo (o que isso é depende de quem o denuncia) é perpetrada por homens. Gente como nós.
      Que é horrível, que é detestável, todos concordamos. O que falta compreender é como é que chegamos a isto; como é que nos tornamos tão odiados. De certeza que eles também julgam ter as suas razões.

    3. Filipe Martins: o que é que estava à espera? De um artigo de opinião que viesse fustigar as vítimas, e a Europa, e justificar os criminosos, aqueles que nos odeiam e nos atacam? Francamente…

    4. O Filipe tem tanta compaixão por terroristas que acha justa essa barbaridade. Se se acha culpado pelo que está a ocorrer na Síria, então entregue-se aos terroristas e peça para ser sacrificado.

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