Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

1 de Março de 2016, 08:50

Por

Desistimos da imprensa com objectividade?

É claro que a imprensa que reclamava ser objectiva exagerava sempre a sua virtude. Mas sabia disso e protegia-se com códigos deontológicos, seminários, reflexão, valorização dos exemplos heróicos, impunha outras regras internas, mais atenção aos pormenores, aceitava corrigir-se sempre que necessário. Mesmo que ficcionados, os filmes e séries sobre grandes sucessos e também sobre as melhores regras da televisão sublinham essa disciplina interna: em Spotlight a investigação rigorosa é a alma do jornal, enquanto Newsroom explora os métodos de controlo e de verificação da informação, assumindo aliás a dificuldade da objectividade (o protagonista é um republicano moderado que não esconde a sua filiação política e que assume a cruzada de combater o Tea Party, mas que ainda assim procura seguir o guião das normas deontológicas com muito cuidado).

Essa lógica de busca de rigor e mesmo de reivindicação orgulhosa da objectividade pela comunicação social está a ser estilhaçada à nossa frente. Creio que há dois processos que determinam essa crise das regras mais estimadas da comunicação, que um dificilmente será parado e que outro pode ser corrigido.

O primeiro processo é contaminação da informação pelo comentário. O surgimento de canais de informação em cabo e a multiplicação dos conteúdos em diversas plataformas tecnológicas criou uma indústria de informação que produz em tempo contínuo, que por isso exige desesperadamente manter a máquina em funcionamento e, para tanto, faz equivaler as várias formas de comunicação através de um processo de mimetização (os jornais e revistas, tal como a rádio, parecem-se cada vez mais com a TV). Nesse contínuo de produção, a solução fácil é a combinação de várias modos de informação (vejam-se os telejornais actuais de hora e meia de notícias e de entretenimento) e a formatação da informação pelo comentário, que começou por ser uma matéria de especialistas (os de economia que todos os dias nos explicam os números da Bolsa, por exemplo) e passou depois a ser uma função dos próprios jornalistas. Uma notícia não existe se não é interpretada e comentada para os telespectadores ou leitores e se não é repetida infinitamente.

No entanto, o comentário inclui duas classes diferentes. Pode ser análise, certamente marcada por pontos de vista, mas que procura valer pela forma como pondera os factos, as alternativas e os argumentos (ver os exemplos de António José Teixeira ou de Constança Cunha e Sá, jornalistas, ou Pedro Adão e Silva, este com um passado de compromisso político conhecido, como três exemplos destacados de comentário independente). Mas também pode ser, em segundo lugar, uma opinião, que é distinta de análise porque procura marcar um ponto de vista e criar uma ideia.

Naturalmente, em alguns casos o comentário tem opinião política reconhecida de modo transparente (será o caso de Marcelo Rebelo de Sousa até à sua eleição, ou de Manuela Ferreira Leite, ou de Bagão Félix, ou de Marques Mendes, ou de Pacheco Pereira, ou o meu,  todos politicamente envolvidos, uns de forma mais declarada partidariamente e outros menos, ou o de outras pessoas). Mas um jornalista tipicamente não associa a sua escolha partidária ou a sua opinião política ao seu comentário. Portanto, supõe-se que o jornalista segue uma regra diferente dos comentadores políticos, não porque não tenha preferência partidária ou ideológica, mas porque assume que essa não é revelada pois não influencia o seu trabalho e o seu comentário – eis a regra da objectividade. Assim, mesmo quando comenta, o jornalista afirma-se como objectivo na avaliação dos factos e dos argumentos.

Que a empresa é difícil, não restam dúvidas. Talvez seja possível. Se é possível por comentadores que tiveram uma participação política activa, pode ser para outros. Se é possível para jornalistas que foram assessores de governos, a função mais partidária que se pode conceber (e actuais e passados directores de órgãos de comunicação social tiveram essas funções partidárias, para não ignorar ainda o caso de um redactor de política que dirigiu e se candidatou por um partido nas recentes eleições), deveria ser possível para todos.

Há uma excepção no quadro desta tensão, a de Pedro Tadeu no Diário de Notícias, onde teve funções de direcção (também foi director do 24 Horas, do mesmo grupo de imprensa), que assume ser membro do PCP. Registando a sua adesão partidária, Tadeu garante aos seus leitores uma escolha transparente, pois lerão a sua opinião sabendo que não nos esconde nada. Tadeu, de cujo ponto de vista discordo frequentemente, manifestou aliás a sua independência em vários casos, como quando escreveu sobre a greve da fome de Luaty Beirão e dos seus co-acusados em Luanda. Sendo partidário, mostrou saber ser autónomo.

Outros jornalistas não seguem esta regras, alguns nem teriam que a seguir pois não serão membros de qualquer partido. Mas, quando saem do comentário e análise e passam a escrever opinião, a fronteira da objectividade é necessariamente ultrapassada, porque a opinião quer fazer opinião. De facto, o registo da “opinião” ou da “crónica” serve precisamente para permitir tal liberdade. Só que essa transgressão tem consequências.

Veja-se o exemplo que discuti ontem. O director-adjunto do Expresso, Vieira Pereira, escreve num texto de opinião pessoal que sente uma “forte náusea” quando se fala de nacionalização. É ideológico e político como não podia ser mais. O que passaremos agora a pensar sempre que lermos Vieira Pereira? Escreverá ele alguma vez como jornalista e já não como ideólogo sobre o debate acerca da banca portuguesa? Será possível voltar a ter objectividade quando nos garante que sente “forte náusea” quanto à opinião de que discorda? Não é.

Veja-se outro exemplo, deste jornal em que escrevo, o de Manuel Carvalho, a cuja opinião marcada já me referi noutras ocasiões. Na sua “Anatomia da geringonça”, deste domingo, escreve sobre como o Bloco e o PCP “dão largas ao seu sectarismo” (o exemplo é o de “cartazes imbecis e ofensivos”). Como já escreveu sobre “imbecilidade” a respeito das opiniões económicas destes partidos, parece que lhes atribui feitio e não defeito. Escreverá Carvalho sobre a política portuguesa como jornalista e já não comentador e condenador? Será possível alegar objectividade quando tratar dos debates nacionais? Não é.

Creio por isso, e lamento-o, que esta tendência de marcar a informação com a luta de opinião protagonizada por jornalistas é um caminho sem retorno. A campanha eleitoral e depois a dramatização do debate político e a sua bipolarização entre a direita e o governo da nova maioria parecem ter arrastado muitos jornalistas para a necessidade de afirmarem opinião, de tomarem posição exuberantemente e portanto de serem eles próprios os protagonistas destes confrontos sobre os quais dão notícias (vejam-se os exemplos extremos de André Macedo, director do DN, e de António Costa, ex-director do Diário Económico e hoje comentador da TVI). Num caso, o do Observador, assume-se simplesmente que se trata de um projecto ideológico para a sociedade portuguesa e para criar um grupo de pensamento coeso, a partir dos neoconservadores e dos empresários neoliberais, dispensando-se portanto da maçada da objectividade e até do pluralismo. Mas, não sendo assim nos outros órgãos de comunicação social, que não seguem tal cruzada, a contaminação da informação pelo comentário como opinião engajada cria um problema: a comunicação social deixa de ser o que era, passa a ser o meio em que se casa a informação com a inclinação. Esse caminho é irreversível, porque é tentador demais para os jornalistas de opinião, e os jornalistas de informação não terão a força suficiente para se lhes oporem, se porventura tiverem essa vontade.

O que em contrapartida pode eventualmente ser revertida é a tendência do exercício do poder de julgamento sumário no contexto de informação. Confesso que estou perdido quanto ao entendimento que os jornalistas hoje têm acerca do estatuto do editorial num jornal, tanto mais que nuns casos não são assinados (PÚBLICO) e noutros são (DN), nuns casos são analíticos e noutros são manifestos políticos ou fazendo escolhas partidárias. Em particular, como sempre achei que as colunas de “sobe e desce” são uma arrogância que facilmente descamba em ajustes de contas ideológicos, sendo que nunca podem reclamar objectividade pois são o resultado da emoção e do imediatismo a que chamei o “estilo matarruano”, tenho também a maior reserva sobre qualquer função de julgamento pela comunicação social, em editorial ou fora dele.

O julgamento sumário é sempre irredutível: tal acto político é “imbecil”, tal iniciativa é “asinina”, tal proposta é uma “náusea”, tal ideia é “estúpida”, tal dirigente política é “troll”, este tipo de categorias é demasiado definitivo para ser tomado a sério mas parece ser escrito a sério. Trata-se sempre de uma forma de poder, pois se exerce mais facilmente sobre uns do que sobre outros, é sempre resultado de pontos de vista completamente politizados e, para os jornalistas que usam este tipo de etiquetas, vêm com a certeza de não serem contestados quanto ao seu papel de juízes sem direito a recurso, o que facilita o abandono de qualquer pretensão de objectividade.

Pode ser que esta facilidade de julgamento venha a ser contestada pelas velhas regras de ouro da comunicação social. Talvez sim, talvez não, e espero que sim, que algum dia a comunicação social deixe de se arrogar o papel de tribunal político – porque se vai dar mal. São precisos heróis na comunicação social, dizia ontem o presidente eleito. Não sei se é uma confissão de desespero, como este artigo, ou um convite, e bem gostaria de o aplaudir.

Mas é evidente que a objectividade já não é o que era e nunca mais voltará a ser, ou, pior, pode ser que não haja sequer quem defenda essa regra bonita e algo quimérica, mas que tentava evitar o abuso, e a que os próprios jornalistas chamavam objectividade ou, mais modestamente, rigor de regras deontológicas. Se assim for, perdemos todos.

Mais valia não se desistir.

Comentários

  1. eu concordo plenamente com o texto de Francisco Louçã. Eu sempre disse e continuarei a dizer que ” a Imprensa só será livre quando não houver jornalistas ” Já o disse pessoalmente a alguns ” jornalistas “

  2. Porque alguém falou aqui do José Gomes Ferreira, é conveniente relembrar que o José Gomes Ferreira só por tacanhez continua a bajular um governo que já não existe!

  3. Acrescentaria a tendência para que os “media” se nivelem por baixo. Na televisão, por exemplo, depois da SIC ter introduzido o tele-lixo em doses industriais no seus canais (é verdade, nessa altura a TVI acabava a emissão com um sermão do Padre Melícias e o seu contra-ataque mais virulento ficava-se pelas telenovelas venezuelanas – os “Big Brothers” vieram depois do canal de “inspiração católica” se ter apercebido de que não se consegue fazer dinheiro só com missas ou com o dinheiro que o Estado paga aos privados pelas sua fatia de “Serviço Público”), até a sorumbática RTP persegui a receita (é por isso que temos o inqualificável “Preço Certo” no “top” das audiências.
    “Mas o texto de Louçã é sobre jornalismo”, certo, não o esqueci: o jornalismo desses canais televisivos acompanha o nível. O jornalismo acabou, chegámos à era do “info-entretenimento”: opinião e espectáculo (lembro-me de os jornalistas dos grandes órgãos nacionais desconfiarem dos conteúdos dos jornais locais, pois bem, hoje até “enchouriçam” o stelejornais com filmagens “postadas” há meses no “YouTube” – do posnto de vista do “mercado”, não está mal visto, a percentagem de pessoas que vê telejornais até ao fim não é das mais informadas.
    Pior, com o alargamento da difusão de um “canal informativo” como o do “Correio da Manhã”, esperara-se-á, cumprindo a tal tendência de que falei atrás, um abaixamento da qualidade “jornalística” geral nas televisões. Os comentadores serão cada vez mais tipo “Fox News”, continuarão a regurgitar patranhas ideológicas sem contraditório.
    Quem tem consciência do que hoje significa estar informado, sabe que tem de procurar informação e fazer o trabalho que os jornalistas deixaram de fazer: contextualizar, verificar os contraditórios.
    Antigamente discutia-se se era o cão que agita o rabo ou o contrário (há um filme, “Manobras na Casa Branca” que fala disso). Estendendo a coisa a um nível que inclui a imprensa escrita, generalizando (eu sei que há excepções), hoje não interessa saber quem agita o quê: o cão do focinho ao rabo é o mesmo cão.

  4. “Mesmo que ficionados, os filmes e séries…” – Diz o texto. Ficionados? pergunto…
    Não, os atuais filmes já não são fição! A fição utrapassou a realidade.

  5. Seja o seguinte exemplo:

    Edição do “Expresso”, de 27/02/2016: a par das “ficções” de Ricardo Costa e Henrique Monteiro, temos excelentes artigos de opinião, nomeadamente no Caderno de Economia(vide João Duque, Manuel Ennes Ferreira, Luis Cabral). Poder-se-á perguntar: a notícia é tratada? O problema é este. Leia-se a edição de Fevereiro de “Le Monde Diplomatique”: o enviado especial trata a notícia, comenta-a e documenta-a. Isto é jornalismo de nível. Quer seja no Irão, nos EUA(sobre o problema das Mobile Homes), em Israel. Ou os problemas sociais da doença de Alzheimer, o Brexit, etc… Lamento mas este nível não se encontra no jornalismo em Portugal. O mais aproximado de “Le Monde” é o jornal “Público”, apesar das baixas tiragens e dos crescentes problemas a nível de financiamento e recursos humanos.

    1. “Expresso”? Prefiro “Nespresso” (embora seja um asco de café)…
      Agora, um jornal dirigido por Bilderbergs?

  6. Francisco, que caminhos? Plataformas de informação alternativas? O combate é feito dentro (ou), fora? Até porque como já dizia alguém, a esquerda não tem a mesma voz por não ter o mesmo poder de compra. E como se criam os caminhos para combater as atitudes mentais que se adormecem?

    1. Não tenho respostas. Mas o que aqui discuto é para já o que se pode fazer para regras confiáveis na comunicação social existente…

  7. Excelente!
    Confesso que é tema que mais do que aborrecimento causa-me preocupação. O jornalismo com a sua crescente tentação para o julgamento decai a olhos vistos. Acho que isto acontece porque as pessoas gostam e apreciam o falar “curto e grosso”. José Gomes Ferreira é o verdadeiro paradigma. O tempo de antena que se dá ao senhor, sem contraditório, é extraordinário…
    Seria necessário mudar, ou pelo menos contrabalançar! Faz falta em Portugal um veículo que contrabalance com o Observador por exemplo. Ou que personalidades da esquerda portuguesa tenham consciência do que se está a passar façam para que surja um maior equilíbrio. Sei que é difícil lutar em termos financeiros com alguns grupos económicos mas a democracia bem precisa.

    Se precisar de alguém, nem que seja para distribuir jornais, conte comigo.

    Um abraço

  8. Quanto ao artigo de Manuel Carvalho que cita, Francisco Louçã, uma pequena precisão:

    “O Bloco e o PCP e os Verdes, é certo, hão-de continuar a falar da nacionalização da banca ou dos transportes, hão-se exigir a renegociação da dívida, a taxa Tobin, a taxação das fortunas, o aumento de salários desligado da produtividade ou hão-de dar largas ao secctarismo fazendo cartazes imbecis e ofensivos.” (Manuel Carvalho)

    E o exemplo dado é o do cartaz do Bloco de Esquerda: “Jesus também tinha 2 pais”.

  9. Muito lúcido e estimulante.
    Como, aliás, quase sempre, por abrir novas hipóteses de raciocínio e de tentativas de compreensão sobre os objectos a cuja análise se propôs.
    Obrigado, Francisco Louçã, pelo desafio que nos é proposto e pela denúncia pública, daquilo que merece ser criticado.
    Na verdade, a óbvia derrota do austerismo militante dos partidos conservadores, ainda que muito denegada, comentada e glosada – e a corajosa, mas difícil criação de uma inovadora alternativa no panorama político e parlamentar português, por parte de esquerdas com uma tradição de desentendimentos, colocou, como nunca, a evidência do “partisanismo” de grande parte da comunicação social, em especial, da imprensa de referência, de que me permitia destacar o semanário Expresso, que nos momentos seguintes ao do último acto eleitoral legislativo, publicava uma destacada reportagem, com foto na capa da sua revista, com o elogio de Passos Coelho, como um novo herói do PSD, ao permitir a este partido uma “renovação” pouco comum de uma anterior vitória eleitoral.

    1. Creio que também vê e lê (se não talvez não nos encontrassemos aqui). Mas valorizo também as outras formas de comunicação, como sugere.

    2. Eu leio este gratuito e mediano jornal mas sem esperança nenhuma de ser informado. Faço-o por uma questão de dar água ao escárnio, sachar a pilhéria, mondar frustrações enfim ocupar o tempo dos transportes.

      O seu artigo é claro e certeiro. É mesmo assim como diz ou se calhar ainda pior.

  10. A informação hoje está moldada, queiramos quer não, pelas redes sociais. Respondendo à sua pergunta.. Sim, o jornalismo deixou de ser “objectivo” e passou a ser “assertivo”. Temos acesso gratuito a todo o tipo de jornalismo (feito por jornalistas, por não-jornalistas, e por jornalistas que não o são efectivamente). Este bombardeamento de informação leva-nos a não fazer sequer uma triagem do que lemos, nem “há tempo” para reflectir no que lemos. “Procuramos” respostas rápidas, explicações simples, imagens elucidativas, por aí fora, de preferência pelo !”nosso” comentador de serviço. Numa rede social importa apenas (ou quase) a empatia que se cria com o utilizador, nada mais.

  11. O império do comentário na televisão e em meios de comunicação deve-se também a outra coisa: a necessidade de poupar custos e maximizar lucros E aqui também se revela o país na sua pobreza. É seguramente mais barato pôr três gatos pingados numa mesa redonda a debitar opiniões, ou pagar a um colunista, do que fazer um reportagem ou explorar, com factos e investigação, uma notícia. Aliás, a televisão, que eu já não vejo, já não é televisão, é radio-televisiva. E aqui levanto o chapéu ao Correio da Manhã que ainda faz a notícia pura e dura e que por isso, tantos e tão estimáveis trabalhos tem prestado, e presta, à democracia portuguesa. Não sei porque o desdenham tanto. As suas páginas são o melhor retrato da sociedade portuguesa e valem muito mais do que o que possa dizer toda a corte de comentadores políticos que infestam os nosso estúdios.

  12. Umberto Eco, mestre em semiologia, homem de vasta cultura, escreveu, no seu último livro, sobre a decadência do actual jornalismo – «Número Zero». Trata-se de um retrato (ficcionado) bastante real do grau a que chegaram os meios de comunicação de massa nas nossas sociedades…a falta de investimento ou o investimento rasteiro (o capital cada vez mais quer retornos, rápidos, fáceis e baratos – “a la Trump”), na qualidade dos seus trabalhadores e nos meios para produzir informação competente, está a matá-los…a ideia de que a culpa é da Internet é uma desculpa esfarrapada …a proliferação dos tais artigos de opinião de “jornalistas embedding” ajudam imenso a matar a perceção que o público tem desse mesmo jornalismo, como aliás FL aqui exemplificou…cada vez mais; “números zeros”…

    1. Boa referência. Mesmo que ache que o livro do Eco não é dos seus melhores, o tema que trata é esta emergência…

  13. Lamento,mas os fazedores de opinião,passaram a propagandistas que rapidamente se tornaram marionetes de interesses economicos,sociais e religiosos.O exemplo do “cartaz” do BE é eloquente:já não se fala como os homosexuais são maltratados em Portugal,pelo contrario ,aproveita-se para disparar em todas as direções,porque há gente em Portugal que não aceita que perca eleiçoes democraticas:Passos Coelho ou Assunção Cristas tem que ser governantes à força e ou é desta maneira ou então Portugal não pode ter governantes de outras areas politicas.Eis o estado da nação.ps.-os fazedores de opinião erram e manipulam,é o caso da jose manuel fernandes que jura a pés juntos que gorge w.bush é o dono da razão.

  14. Acho brilhante este comentário, mas quem sou eu para julgar? Estranhei não ter falado da posse dos meios de comunicação. Jornais como “O Jornal” e “Le Monde” já foram cooperativas de jornalistas, mas faliram. Considero, apesar de tudo, “O Público” um jornal decente.

    1. Toda a razão. A concentração da comunicação social é outro problema: tomara eu que em Portugal se aplicassem as leis anti-concentração dos Estados Unidos. Mas neste texto quis sobretudo sublinhar o que me parece ser a responsabilidade directa dos jornalistas.

  15. Li esta crónica, excelente, como um apelo reiterado — reiterado porque se confirma e agudiza a sua necessidade — ao combate contra o “pensamento único”. Fica aqui o já velhinho e sempre actual editorial de Ignacio Ramonet: https://www.monde-diplomatique.fr/1995/01/RAMONET/6069

    Enquanto leitor e voz entre vozes, continuo a acreditar que a qualidade tocará sempre todos aqueles a que chegue.
    Mas porque a toda a “confissão de desespero” preferirei sempre a “balada dum batráquio”, termino com duas citações de Sophia de Mello Breyner Andresen:

    “Como Antígona a poesia do nosso tempo diz: «Eu sou aquela que não aprendeu a ceder aos desastres.» Há um desejo de rigor e de verdade que é intrínseco à íntima estrutura do poema e que não pode aceitar uma ordem falsa.”

    “Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante em que morreste
    E a busca da justiça continua”

    1. Talvez mereça ser notado que os dois versos da minha última citação acima terminam um belíssimo poema de S.M.B.A. dedicado a Catarina Eufémia.

  16. “Esse caminho é irreversível, porque é tentador demais para os jornalistas de opinião, e os jornalistas de informação não terão a força suficiente para se lhes oporem, se porventura tiverem essa vontade.” – Para que serve o ditame das reuniões do Bilderberg? Pra que serve um governo mundial único (NWO?)? Quem são os donos da CS mundial (protegidos atrás das sociedades anónimas)? estamos na sociedade pós-moderna, com o fim das Metanarrativas e o principio do pensamento globalizante… https://www.youtube.com/watch?v=fmomf_d8_6I

    1. Finalmente, alguém que fala nesse sinistro clube BILDERBERG.
      Gostava de saber a opinião do Prof. F.L. sobre o assunto…

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