Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

19 de Fevereiro de 2016, 13:30

Por

Será que algum dia alguém é condenado na justiça a respeito do caso BPN?

O Dinheiro Vivo noticiou há uns dias mais um susto. O governo prevê injectar mais 567 milhões de euros para cobrir os prejuízos em 2016 dos “bancos maus” do antigo BPN.

Em 2015, o anterior governo injectou 408,5 milhões de euros, dos quais 40 milhões de euros foram para recapitalizar o Efisa (de um total de 87 milhões de euros injectados nesse banco entre 2014 e 2016, por determinação do anterior governo), o qual foi vendido pelo anterior governo por 38 milhões de euros a empresa onde é accionista o antigo ministro Miguel Relvas.

Enquanto os deputados que suportam o governo e a oposição analisam e discutem na Assembleia da República o dinheiro a gastar com itens que contribuem, numa parte ínfima, para a despesa pública, o dinheiro público jorra, que nem de fonte generosa, para os “bancos maus” do BPN, para a resolução do Banif e para a resolução do BES, sem escrutínio público digno de menção (sem querer aqui menosprezar o importante trabalho realizado pela Unidade Técnica de Acompanhamento e Monitorização do Sector Público Empresarial).

Sairia mais barato ao país contratar 1000 funcionários de carreira para escrutinar ex-ante tais negócios, em permanência, de forma sistemática e competente, do que serem tomadas decisões sobre os mesmos, de forma ad-hoc e “en passant”, sem tempo, sem suficiente conhecimento de causa, sem a competência e os recursos necessários.

É que, com tanto dinheiro público a jorrar tão facilmente como nestes casos, há por certo muito desperdício e, parafraseando o que Rui Rio disse a propósito do Banif numa entrevista à RTP 3, provavelmente também coisas “muito feias”….

Comentários

  1. Vivemos conformados com a ideia de que vivemos num país livre e onde expressamos comodamente as nossas reservas em face das manipulações de que somos alvo, mas deparamo-nos quotidianamente com o medo e com a intenção de não melindrar os que detêm algum poder, ainda que muitas vezes não passe de um temor herdado da história recente. Note-se que quem escreve publicamente contém-se de falar abertamente dos contornos que assumem um trabalho ou um estudo, se eles provêm de uma instituição acreditada pelo sistema. Ricardo Cabral faz aqui um bom trabalho de alerta, tal como tem vindo a fazer no historial deste blog mas, independentemente da legítima defesa que isso possa representar no comprometimento da sua carreira profissional, que é compreensível e sem contestação, não podemos deixar de mostrar aqui o quanto esta sociedade está enferma dentro da sua própria democracia, todos têm receio de falar do que apreendem, contornando a verdade para evitar ferir a mentira e a desonestidade que se embrenhou nas instituições e nos políticos em geral. Deste modo, deveremos aprender a ler nas entrelinhas do discurso e ousar destapar as insinuações, reconhecendo que elas se revelam verdadeiras, dia após dia.

  2. O Problema e a CASTA SUPERIOR deste pobre Povo estar envolvida.. Assmi, acreditem, nunca saberemos a verdade dos crimes deste e doutros Bancos..Portugal deveria ter Agencias, não Portuguesas, para investigar.. Se assim fosse teríamos a verdade dentro de 30 dias..Assim nem em 3o anos…

  3. A SLN serviu somente para a grande corrupção de distribuição dos milhões da BPN..
    Conhecem alguém que tanto beneficiou? Eu conheço um através das noticias de alguns bons jornalistas (coisa rara em Portugal).

  4. A discussăo e votaçao do orçamento do estado na AR eram a ocasiao apropriada para escrutinar os planos do governo quanto a este buraco negro da herança do BPN que continua a devorar dinheiros publicos sem limites e sem que se compreenda porque é que o estado continua a subsidiar empresas zombi e capitalizar bancos como a Efisa para depois os vender em perda.

  5. Os responsáveis por estas ladroeiras, já deviam estar todos julgados, condenados e metidos na cadeia. Não se compreende tanta demora nestes processos.

    1. Caça muito grossa para o equipamento da nossa democracia…Até o próprio regime ficaria em causa se os beneficiários de tantos milhões fossem, já nem digo condenados, ao menos enunciados para que de uma vez por todas os portugueses percebessem que não se vota num partido como quem aplaude o Benfica, o Porto ou o Sporting.

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