Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

18 de Fevereiro de 2016, 22:21

Por

Independência do Banco Central? Só quando convém…

O Primeiro-Ministro resolveu acusar a administração do Banco de Portugal [BdP] (leia-se, o seu Governador) no “entretanto” de um evento em Aveiro. Isso mesmo, como coisa avulsa, ali perante jornalistas, fotógrafos e câmaras, num falso improviso.

Acusou Carlos Costa de estar a “atrasar a concretização da solução” do dossier relativo aos lesados do BES (ou será antes o método para uma tentativa de solução?) dizendo que tem esperança que tão rapidamente quanto possível, o Banco de Portugal assuma definitivamente a posição responsável que tem faltado nesta matéria.

Foram umas declarações tão infelizes, quanto perniciosas e demagógicas. É público e notório que o Governo se esforça para empurrar Carlos Costa para a saída, ele que até foi empossado pela primeira vez pelo anterior governo socialista. Consta que Mário Centeno, agora ministro das Finanças, tem umas contas a ajustar com o ainda governador. Mas, por favor, poupem-nos a estas cenas indecorosas e domésticas que, vistas de fora e lá fora, não são entendíveis, tratando-se do chefe do Governo e do primeiro responsável de uma entidade independente e prestigiada. Se há aspectos a dilucidar e assuntos a resolver, por favor, tratem-nos no recato institucional.

Não estou com isto a defender esta ou aquela posição no caso dos lesados do BES, até porque não tenho os dados para tirar uma conclusão, ainda que custe a entender a demora excessiva para dar uma solução ao caso. No entanto, com o actual governo e também com o anterior é patente o uso e abuso das “costas largas” do banco central para os Executivos descartarem responsabilidades quando lhes convém ou para chamarem a si supostas vantagens políticas da sua acção na medida que lhes aprouver.

Apenas um exemplo e o mais actual: no final de Dezembro o Governo reafirmava, com toda a clareza, a independência do BdP a propósito da impopular passagem de 2 mil milhões de euros de obrigações seniores (de investidores institucionais e de clientes) do Novo Banco para o BES (mau), daí limpando as mãos como Pilatos. Agora pela voz do PM, arruma com a autonomia do BdP porque lhe “cheira” a vantagem política.

Dois pesos e duas medidas que mais parecem de um país em regressão para o Terceiro Mundo. Em estilo bolivariano-venezuelano? A tróica interna Costa, César e Galamba no seu melhor…

Comentários

  1. Quem lê as notícias e tem memória fica perplexa com as opiniões dos analistas, as tomadas de posição partidárias e políticas.
    O governador do banco de Portugal em relação ao BES, ficou demonstrado que agiu tarde, aconselhou os investidores a comprarem acções, quando do aumento do capital, com repercussões graves no sistema financeiro e no rendimento de muitas famílias e de todos os portugueses.
    Como compensação Passos Coelho indigita o para continuar no cargo.
    A seguir temos o caso Banif, que foi protelado até o limite, tendo no Conselho de administração representantes do Banco de Portugal, com consequências graves, outra vez, no sistema financeiro, no rendimento de todos os portugueses.

  2. terceiro mundo?nem pensar.Portugal é sem duvida um país muito importante,senão mesmo o mais importante da europa,porque se não fosse ,nem o dr.shauble estaria preocupado com o OE2016(ele diz que que os mercados estão nervosos,pois estão…mas é com o deutsh bank),nem os refugiados sirios seriam tratados a pontapé,como são por exemplo pelo governo austriaco,nem o sr.cameron estaria a afundar a UE ,porque lhe deu para aí(a gente sabe ,que os emigrates em inglaterra são estruturais para a economia inglesa.facto).quanto aos gestores bancarios de Portugal,sofrem nitidamente do pecado da gula/ganancia.Facto:o nosso dinheiro em contas,nos bancos é nosso,não é de nenhum gestor,funcionario bancario,ou outro.Se querem salvar os bancos,aprendem a ser dignos,responsaveis e minimamente honestos.

    1. É verdade por cá tenho estado. Se bem leu o meu texto, não falei sobre a acção do BdP, mas na inovação de um PM falar publicamente nos termos em que o fez.

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