Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

15 de Fevereiro de 2016, 09:06

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Duas espertezas saloias

O governo Costa fez um acordo com a dupla Neeleman-Barbosa na TAP, ficando a deter metade da companhia, e isso foi festejado pelo PS como uma vitória. Sabe-se agora que uma cláusula importante desse acordo não foi referida quando ele foi tornado público: uma empresa chinesa, a Hainan Airlines, foi autorizada a comprar 23,7% do consórcio privado, e ficará assim com 10% a 13% da TAP. Este esquecimento de comunicação à opinião pública foi uma esperteza saloia.

Mas é interessante que esta revelação desencadeasse outra esperteza saloia, esta muito ressabiada. Passos Coelho, na senda da sua renascida SDS, social-democracia sempre, veio logo considerar a operação “a todos os títulos reprovável”. O homem dar-se-á conta de que esta trapalhada sublinha como a TAP foi vendida a quem não tinha dinheiro para a comprar? E que o seu governo, que fez na TAP um dos mais reptilíneos negócios dos últimos dias de mandato, é o primeiro atingido por esta notícia?

Passos Coelho foi o primeiro-ministro que mais propriedade estratégica vendeu a empresas chinesas. Poderá considerar-se aliás que foi o político português que estabeleceu as relações mais rentáveis que o Partido Comunista Chinês jamais teve com o nosso país, mordomia estendida a algumas empresas privadas chinesas. Não é portanto difícil de adivinhar que, se fosse a HNA e não Neeleman a propor a um testa-de-ferro português a operação da compra da TAP, Passos e Portas teriam festejado com champanhe.

Se o PSD e o CDS agora protestam, além de evidenciarem a venda a gato como se fosse a lebre, é simplesmente por dever de ofício. Eles acham que é “reprovável” e a “todos os títulos”, simplesmente porque não foram eles quem assinou a marosca.

Mas que é uma marosca, isso não parece suscitar dúvida.

Comentários

  1. A venda da TAP tem este desfecho lamentável e receio que evoluirá para espantoso. Um país não é uma empresa, mas a avaliar pela retórica das criaturas que pontificam por aí, no governo e proximidades, esses indivíduos vêem o Estado como uma empresa falida e vêem-se como administradores da insolvência.

    Quando pessoas dessas se encontram em posição de negociar, aflito com aflito, quem sofre é o ativo.

    O negócio fechado fora de horas e pela calada da noite foi objetivamente mais uma burla ao património nacional. Uma entrega de um bem a um grupo duvidoso sem crédito na banca ficando o Estado português fiador das dívidas desses duvidosos empresários e ainda com a obrigação de retomar a TAP e dívidas quando tais empresários dali não pudessem esmifrar mais nada.
    Difícil imaginar negócio mais desastrado. Porém não se sabe ainda o que se passou por baixo da mesa.

    A emenda não foi pior que o soneto, mas foi quase tão desastrosa como a burla de Passos.

    Que ambos nos contem histórias para crianças é também muito revelador da consideração em que nos têm e da inconsciência que domina as mentes dessas criaturas.

    A indigência intlectual chegou ao poder?

  2. Pois aí e que bate o ponto: o que está em causa é mesmo a marosca de tentar ocultar o que se fez ou pretendeu fazer. Aquando das outras privatizações, ninguém escondeu, ou tentou esconder, a proveniência dos compradores, e estamos todos lembrados do fartote de críticas ao assunto. E mais que justificadas, diga-se. Que agora, e ressalvando o fugaz momento em que Louçã o faz (e na mira de atingir outros fins) quase não se ouviu de Catarina Martins. Aliás, a senhora ficou com um sorriso meio amarelo qdo a questionaram sobre o assunto, gaguejou e chutou pra canto. Apetece dizer: aliança e sobrevivência política a quanto obrigas. E escusa Louçã de nos querer fazer pensar que foi esquecimento porque em política não há esquecimentos; há intenção de esconder. Tudo farinha do mesmo saco, como o povo diz. De março a abril, venha o diabo e escolha. Eu passo!

  3. Tendo em consideração que quem vendeu a TAP a uma empresa com nítida falta de recursos financeiros (não fosse o caso, a Azul não venderia parte do seu capital à HNA) foi Sérgio Monteiro, não seria avisado prestar atenção ao que anda o nosso Oliveira da Figueira do séc. XXI a fazer com a venda do Novo Banco?

  4. A venda da TAP foi um sucessivo jogo de sombras, desde a precipitação da adjudicação já em tempo de descontos da desgovernada gestão da coligação PSD/PPD//CDS/PP , até á correcção da trajectória do voo 5050 , realizado pelo governo do PS.A urgência de garantir capital para acorrer á cobrança de créditos de curto prazo e , que não podia ser garantida pelo consórcio Telleman-Barraqueiro, sem aval a novo endividamento,o que foi omitido e silenciado na assinatura do acordo de venda, foi a moeda de troca para a reversão do negócio e o acordo 5050 com o governo PS.Os chineses adiantam o capital e passam a deter parte do capital, com o aval e acordo do Estado.Convenhamos que qualquer jogo de sombras é sempre mais valorizado se contar com o desempenho de artistas chineses.Aguardemos as novas surpresas que nos reserva o ano do macaco.

  5. As coisas começam a correr mal para nossa Frente de Esquerda, como era previsível. Pelo nariz dos portugueses, três meses volvidos após o início deste «tempo novo», começa já a cheirar a esturro. Presumo que Catarina e Jerónimo já devem estar a pensar como reagir ao descalabro que se aproxima. Tudo já começa a traçar uma sina que os portugueses já conhecem. E ainda aqui vamos!

    Acho notável que Francisco Louçã chame à baila Passos Coelho no acordo dos chineses para a TAP, obra da exclusiva responsabilidade do Poucochinho. Custa-lhe tanto fazer uma crítica ao seu agora camarada Costa sem evocar o nome de Passos Coelho? Vá lá, não seja tão tíbio quanto a críticas ao Redentor do Tempo Novo que é tão amigo de Catarina!

  6. Passos coelho justificou a venda com ,imagine-se,falta de combustivel para as aeronaves.Lamento,mas nós não precisamos de um manga de alpaca como PM,alias esta “justificação” é vergonhosa para um potencial candidato a PM,porque subentende que as qualidades intelectuais deste sujeito(e que jeito lhe deu o famigerado relvas) são mais que duvidosas,são mesmo pateticas.Alias,segundo a entrevista ao dn(optimo jornal propagandistico ao paf),o homem não sabia de nada????!!!(referencia ao caso banif)…

    1. Desculpe, João Lopes, mas tenho informações que corroboram o que disse o Sr. Passos. Tenho uma pessoa conhecida que trabalha nas bombas de combustível do Aeroporto Humberto Delgado que chegou a ver uma data de aviões da TAP à beira da mangueira sem poder abastecer porque lhes exigiam que pagassem ali mesmo em dinheiro vivo (nada de cartões ou cheques, eram as ordens!). Os pilotos, visivelmente acabrunhados, lá os conduziam de volta à pista (excepto dois, já que o pessoal de voo e mesmo alguns passageiros se quotizaram para resolver o problema). O que é estranho, e para admiração do pessoal dos combustíveis, é que todos levantaram voo! Segundo algumas teorias, todos caíram, mas o caso foi abafado com um beberete, que meteu leitão e tudo, destinado à Comunicação Social (só para o Correio da Manhã foram três, inteirinhos). Mas há quem tenha outras crenças. Não ouviu dizer que a beatificação da Irmã Lúcia já está bastante adiantada? Pode ser por causa disto…

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