Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

12 de Fevereiro de 2016, 18:00

Por

Outras vidas, outros tempos, outros locais

O meu post hoje é sobre uma curiosidade: uma empresa japonesa, a Kongō Gumi, fundada em 578 A.D. que ficou nas mãos de uma família durante 40 gerações, atingindo a provecta idade de 1428 anos, antes de encerrar em 2006 devido a excesso de dívida contraída na bolha imobiliária dos anos 80 e início dos anos 90 no Japão. É o caso, documentado, da empresa com a maior longevidade do mundo.

Uma elevada percentagem de empresas morre logo no primeiro ano de existência. A maior parte das empresas não sobrevive uma geração, mesmo em relação a grandes empresas (multinacionais) são raros os casos de longevidade acima de uma ou duas centenas de anos. Por conseguinte, a Kongō Gumi é um feito notável. Segundo um estudo do Banco da Coreia, existiam em 2008, perto de 5600 empresas com mais de 200 anos de idade, 56% das quais localizadas no Japão.

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Templo Horyuji em Nara, 607 A.D., Fonte: Wikipedia

A Kongō Gumi especializou-se na construção de templos budistas, tendo construído o Templo de Horyuji em Nara em 607A.D. e o Templo de Shitennoji em Osaka.

 

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Castelo de Osaka, Fonte: Wikipedia

 

Mas teve outras actividades ao longo da sua existência, tendo participado na construção do Castelo de Osaka no século XVI.

Não sobreviveu à Grande Crise do século XXI!

Comentários

  1. Com que então uma “empresa” mercantil no século VI?!

    Caro Ricardo Cabral, a prestação de serviços/produtos não esteve sempre ligada à prática de chantagem mercantil.

    Repare no caso da primeira época feudal europeia. Dentro do feudo todos serviam o senhor da guerra e não eram “pagos” com meios de sobrevivência à feira, eram “pagos” com meios de sobrevivência à guerra. O servo trocava a sua vida e serventia pela segurança do feudo, para sobreviver à guerra que os senhores feudais praticavam. Tal como hoje (segunda época feudal) o servo troca a sua vida e serventia pela segurança financeira da “empresa”, para sobreviver à feira que o senhores feudais praticam (a ameaça dos tais “mercados”).

    Os parasitas criam uma ameaça (guerra ou mercado) e depois a população é obrigada a pagar-lhes e a servi-los para sobreviver à ameaça que eles produzem. Se antes a ameaça era da guerra, hoje a ameaça é dos “mercados”.

    Não me parece que o Japão feudal desse lucro à plebe sonsa, para terem empresas feirantes.

    Numa população feudal de base bélica, como era o Japão feudal e a primeira europa feudal, o sistema de indexação de meios não era controlado pelos feirantes. Era controlado pelos assassinos da guerra. Só há meia dúzia de séculos é que os chantagistas (feirantes) controlaram o sistema de indexação de meios da população.

    Só a população feudal de base feirante, é que tem o sistema de indexação de meios controlado pelos chantagistas (mercados) e anda ao acaso das vontades e jogos desses parasitas da humanidade.

    Só uma plebe medieval, analfabeta desde sempre (Abraâmica), é que acredita que a indexação de meios deve andar ao acaso dos resultados do jogo feirante (negócio), o tal que determina a existência de “empresas” para a prática da feira.

    A existência de “empresas” feirantes, que visam o saque (lucro) através da chantagem (negócio), e mantêm o estado de ameaça sobre a população (a ameaça dos “mercados”), é uma invenção da segunda idade media. Não existia essa ameaça no século VI, os chantagistas (feirantes) não gozavam da liberdade que têm hoje para imporem as suas chantagens (as ameaças dos seus mercados) e criarem as suas “empresas” de chantagem.

    Os trolhas japoneses não eram uma “empresa” no século VI, se o trolha se lembrasse de exigir lucro e chantagear, como fazem hoje, obtinha a morte.

    O mundinho feirante (em que os “mercados” continuam a ameaçar, chantagear e mandar) está em agonia. É mesmo uma pena, coitadinhos desses parasitas da humanidade, vão deixar tantas saudades como os assassinos da primeira idade média. Eles e os seus “economistas” com as suas ideologias e teorias de mantimento da feira.

    1. Heil heil heil minha machadinha… Acordai todos, Ele vai livrar-nos da segunda Idade Média, prostremo-nos todos em adoração do Senhor Happycure! Ave Grande Senhor Happycure!

  2. Subestima-se a gravidade da crise imobiliária, como se “já tivesse passado”. A do Japão, é bom recordar, estoirou há mais de VINTE E CINCO anos, e nunca foi realmente superada. Não tendo aprendido nada com ela, o Ocidente parece querer repetir todos os erros que os japoneses fizeram e fazem. Uma observação ao Ricardo Cabral, de um não-linguista: creio que em português se usa AC e DC para Antes de Cristo e Depois de Cristo, e não as suas siglas latinas-anglo-saxónicas. Perdoe-me os arrobos patrióticos, mas estou farto de ver a minha língua invadida pelos tais…

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