Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

20 de Janeiro de 2016, 13:03

Por

Ainda há quem tenha dúvidas sobre as dívidas?

Uma das estatísticas mais relevantes sobre a saúde (ou falta dela) da economia é, entre outras, a que mede o crédito malparado das empresas não financeiras, ou seja o crédito em situação de incumprimento de pagamento e cujos prazos de amortização não foram respeitados pelo devedor.

Como se pode constatar no quadro em baixo (carregar sobre o gráfico para o aumentar), a evolução deste indicador é assinalável. Por um lado, a percentagem das empresas com situações de crédito malparado em relação ao seu universo, nos últimos 10 anos, passou de cerca de 13% para 30%, quase um terço. Por outro lado, o montante do crédito malparado em relação ao crédito total octuplica no mesmo período, passando de 2% para 16,4%!

Tudo isto evidencia um dos principais problemas da nossa economia real: a escassez de capital e a brutal inadequação de financiamento de muitas empresas para responder a crises de procura ou a projectos de investimento. O nosso sistema fiscal também não ajuda ao ser mais favorável para capitais alheios do que para capitais próprios. Afinal, o nosso capitalismo é, sobremaneira, um capitalismo de passivos, de capitais alheios. Por isso, não nos admiremos de ter a terceira mais baixa taxa de investimento da União Europeia (15,2% do PIB).

A banca terá também dado sinais erróneos ou equívocos nesta matéria ao trocar elevado risco por taxas reais de juros incomportáveis. Enganou-se a banca e iludiram-se os devedores. E, como temos visto, nos casos patológicos pagam os contribuintes.

Somos um país de dívidas e de endividados. O Estado, desde logo, as empresas e as famílias. Entretanto, fantasias não faltam, como se esta magna questão não fosse a principal restrição que urge enfrentar.

Captura de tela 2016-01-20 11.13.16

Comentários

  1. O tema é fraquinho. Até o melhor têm direito ao seu momento á sombra. A descansar…

    Aqui a Malta do blog tem seguido a série que passa na RTP2 sobre uma distopia laboral futura? Dos franceses. Uma maximização imaginada do modelo existente. Tripalium.

    1. Distopias há muitas! A de “Tripalium” é só e simplesmente estúpida, no fundo aquilo que se pode sempre esperar de cripto-comunistas.

    2. Há aqui várias hipóteses:

      1) o sr. Liberal não vê a série
      2) o sr. Liberal vê a série mas não a percebe.
      3) o sr. Liberal não sabe o que é o liberalismo.

      A série não é mais nem menos do que uma distopia liberal. O estado na série é mínimo é dominado por empresas. Quer mais liberal que isto sr liberal?

    3. O sr.Liberal como mamão típico do sistema nem quer ouvir falar em ‘ Tripalium ‘- cada um deve ser livre de fazer o que quiser do outro, desde que tenha capital para isso.

    4. O sr. Liberal viu o primeiro episódio da série, e bastou, e percebeu o suficiente para a ver como caricatural e com o objectivos de intervenção politiqueira no mundo actual, no pior sentido da arte “engagé”. Não há nenhum liberalismo que proponha um Estado dominado por empresas, mas sim pela lei, e não por uma lei qualquer. Por exemplo, a sagrada constituição tuga é uma má lei, socialista e anti-liberal desde que foi (mal) parida.

  2. portugal e bom so para os ricos, os outros vivem acima das suas possiblidades esquecem- se que portugal e um pais pobre com mentalidade de rico que vive grasças aos dinheiros europeus e dos imigrantes,temos de reconhecer que somos os pedintes europeus

    1. Caro jose, meu homónimo,
      Portugal não é um país pobre, é dos mais ricos do mundo e também não é pequeno é um país de média dimensão na Europa. É um Estado Nação, tem um povo um território e um Estado.

      O povo português tem dado brilhantes exemplos por todo o mundo. Os portugueses são dedicados, corajosos, resilientes, produtivos.

      A elite que, em Portugal, se situa acima do povo e o trata como animais domesticados para trabalhar sem responder nem participar na cidadania foi o principal inimigo de Portugal. Ostracisou o melhor recurso nacional, o seu povo, e viveu na convicção de que o povo é para estar lá embaixo sofrendo, trabalhando, morrendo sem participar na coisa pública.

      No século XX esse povo conquistou a liberdade que primeiro estranha e já se entranha. Esse povo, a maior riqueza de Portugal, começa a erguer-se. Com esse povo, as suas qualidades pessoais e coletivas Portugal é um país rico.

      Quantos países mais pequenos em área, população, unidade institucional de língua, religião, história têm melhor desempenho económico, financeiro, tecnológico… Suíça, Luxemburgo, Bélgica, Holanda, Islândia, Irlanda… O que eles têm diferente de nós é a liberdade de condicionar as elites. Lá iremos!

    2. caro senhor jose se portugal e assim tao rico entao porque continuamos a imigrar os fracos politicos portugueses dizem eles mesmo que somos um pais pobre o nosso querido portugal foi vendido aos estrangeiros aos pedaços, a mais portugueses imigrados que populaçao em portugal ,( salarios de miseria ) na saude e uma desgraça ) tivemos grandes homems mas isso foi do passado. e agora onde estao esses grandes homems para salvar portugal , e o mourinho, ronaldo e familia, tony carreira e familia .

    3. Caro jose,
      Os portugueses emigram por não usarem plenamente a liberdade em seu proveito.
      Acreditamos ainda muito nos fatalismos que nos impingem pela televisão, pelos jornais e vergamo-nos a pessoas que se insinuam valorosas e não têm valor nenhum! Uma pessoa só pode pouco.

      As empresas portuguesas são pequenas também por causa do condicionamento industrial que foi imposto pela ditadura limitando por lei o seu crescimento. Nssas empresas trabalha quase 90% da força laboral ativa, mas trabalham muito barato e também por isso essas empresas não modernizam a tecnologia, fica-lhes mais barato pagar dois maus salários que um bom e um investimento que triplique a produtividade.

      As grandes empresas que operam em Portugal praticam salários médios melhores que as pequenas empresas portuguesas por várias razões de entre elas por causa dos trabalhadores das grandes empresas fazerem mais lutas laborais exercendo a liberdade em seu favor.
      Esses administradores profissionais sobcontratam muitas atividades para obterem produtos e serviços baratos nas nossas pequenas empresas.
      Fazem isso para reduzirem o custo total do fator trabalho nos produtos finais que comercializam.

      Parte dessas empresas grandes que operam em Portugal são monopólios e oligopólios conseguem aumentar o preço dos seus produtos prejudicando os consumidores sem se esforçarem em investimentos na melhoria dos produtos e processos produtivos, não precisam por não terem concorrência como a energia, as comunicações, a água, os transportes, as rodovias, etc.

      Nós não usamos a liberdade como devíamos usar e teremos de usar para impor melhores salários, mais poder de compra, mais concorrência, mais transparência, mais controlo das decisões e das despesas. É a cidadania que enriquece a cidade.

      Temos de ser mais livres, menos submissos. Não desistir de nós, da nossa liberdade e dignidade. É aí que está a riqueza maior.

  3. Curiosamente, no mesmo período dos dados de Bagão Félix, aquela que continua sendo a maior fatia de crédito dos bancos portugueses, o crédito à habitação, não regista nenhum crescimento do malparado. O que é espantoso, dada toda a conjuntura mundial e nacional, todo o drama que se fomentou, toda a especulação desenfreada para baixar o preço dos imóveis. Pode-se bem dizer que a montanha pariu um rato. Quanto aos bancos, que tanto mal causaram ao sector imobiliário, ao insistirem no crédito sem garantias às empresas e ao Estado, irão agora pagar com a sua extinção todo o mal que causaram ao país. Isso coincidirá com a nova bancarrota e calote do Estado, que está em preparação. Atrevo-me a avisar todos os leitores para o alto risco que correm ao deter dívida pública portuguesa de longo prazo, mesmo que seja indirectamente. Tal como a grega, ela não será paga. Quanto aos bancos tugas, deixem-nos falir, porque ainda não acabou. Na verdade, penso que só começou.

  4. Essa enorme dívida privada e pública, a maior da história de Portugal tem um período curto de crescimento exponencial. Não está alheia à união aduaneira da economia portuguesa com 11 economias muito mais eficazes. O resultado está nos livros: os competitivos tomam conta dos mercados dos não competitivos que falem. Dá-se a perda de produção, perde o Estado as taxas aduaneiras, ganha o público em bem-estar. Este bem-estar deu votos durante mais de trinta anos e dívidas. Quando na sua política de salve-se quem puder os bancos franceses e alemães pediram aos bancos portugueses o seu dinheiro de volta para se defenderem da crise financeira internacional do subprime, os bancos portugueses foram à televisão pedir a intervenção estrangeira.

    Agora estamos no limbo do “Quantative Easing” não sei por quanto tempo. Porém a economia portuguesa era e continua a ser ineficaz, quanto mais trabalha mais dívida gera.

    Nem os portugueses querem fazer filhos em Portugal como esperar pelo investimento estrangeiro desinteressado?

    Se não mobilizarmos todos os recursos nacionais, humanos e materiais para robustecer o mercado interno e modernizar a economia nacional agora com juros baixos e a mão de obra abandonada, então não seremos capazes de desenvolver produtos com inovação é altura inventiva acima do “made in German”.

    Ninguém compra o mesmo produto a Portugal se tem os mesmos atributos de igual produto e preço mas alemão.

    A exportação requer uma retaguarda forte para não ser só “espuma dos dias”.

  5. Bem haja, Dr. Bagão.

    Esses dados podem ser extrapolados para quase todos os países europeus, excepto a Alemanha.

    Ou seja, “os alemães é que estão certos, e nós estamos errados”, como diriam Passos Coelho e Paulo Portas… e a direita e extrema-direita europeia…

    1. Pode crer que se “extrapolasse” a forma como a Alemanha usufruiu do endividamento das pequenas economias, vendendo alegremente os submarinos, as máquinas que nos colocariam na vanguarda da tecnologia e os automóveis vistosos que os governantes e altos quadros gostam de ostentar, não estaria tão certo de que os Alemães têm razão…curiosamente aquilo de que nos acusam (gastar acima das posses) só não se aplica quando se adquirem produtos alemães…

  6. O problema pode muito bem ser outro Bagão Félix, desde há duas décadas que se incentivam as empresas a modernizar e a utilizar os fundos UE para melhorar o parque de máquinas na indústria e o visual no comércio (sei do que falo porque também caí no engodo, embora moderadamente), sem se perceber que essa modernização na maior parte das vezes as levavam empresas a um sobre-endividamento, cobrindo por vezes parte do investimento com recurso à banca, endividando-se, coisa que não teria acontecido sem o engodo dos fundos perdidos. O problema surge quando a maior parte das empresas que investiram não viram esse esforço compensado com o aumento das vendas, primeiro porque o mercado interno evoluiu em sentido contrário, definhou, e segundo, porque o apelo à exportação surge sem qualquer apoio jurídico nem administrativo, muitos dos que ousaram vender por essa Europa fora, ficaram entalados com cobranças impossíveis, ficando em seguida com um parque de máquinas sobre-dimensionado e que viria a ser impossível renovar por falta de meios financeiros e falta de mercado. No comércio o panorama foi idêntico, investimentos loucos, megalómanos, sem retorno porque o poder de compra definhou em vez de melhorar. Um caso emblemático e dos últimos a acontecer foram as farmácias, que fizeram investimentos à imagem da mina de ouro que é a indústria farmacêutica e entretanto quando o Estado abriu os olhos, foram as farmácias que ficaram entaladas, não as farmacêuticas. É portanto resultado de más politicas de incitação dos executivos governamentais que estão na origem do endividamento das empresas. É curioso que nem a França, nem a Alemanha, nem a Suécia entraram tão de rompante na modernização do comércio, eles sabem muito bem que é a diferença, os costumes e as tradições que governam o turismo, não a estandardização como se faz em Portugal, a ASAE com imensas culpas no cartório.

    1. Caro Arons VC, a sua intervenção, quem sabe se ingenuamente da sua parte, é quase uma demonstração dos resultados que se podem esperar de intervenções de um Estado dirigista/socialista na economia privada. E não serve a desculpa da União Europeia, quem negoceia e aplica os fundos da União Europeia são os Estados nacionais.

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