Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

28 de Dezembro de 2015, 09:05

Por

Desistências presidenciais

A sondagem do Expresso sobre as eleições presidenciais inclui uma pergunta curiosa: deve algum candidato desistir e quem?

A resposta de 52,3% dos inquiridos é que não deve haver desistência de ninguém, mas uns ainda expressivos 33% aconselham alguma desistência. O detalhe é ainda mais surpreendente: dos que pensam que alguém deve desistir, 29,6% recomendam-no a Maria de Belém e 28% a Sampaio da Nóvoa, e ainda 7,4% a Henrique Neto. Ou seja, cerca de dois terços dos que defendem uma desistência propõem-na aos candidatos da área do PS. Sobram depois 13,8% que acham que Edgar Silva devia desistir e ainda 9,6% que o sugerem a Marisa Matias.

Sendo estes números tão claros, a leitura não pode ser outra: os eleitores da área do PS estão descontentes com a proliferação das suas candidaturas e recomendam ao candidato ou candidata que mais enjeitam que se retire da corrida. O que esta sondagem assim nos revela é que esses eleitores estão a ajustar contas no PS e a fazer tiro ao alvo no candidato ou candidata que acham que divide as suas hostes. Só que, como Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa estão equilibrados e se opõem, o resultado é autofágico. Ninguém ganha e todos perdem. E ninguém se mexe.

Os estados maiores destas candidaturas deviam reflectir sobre estas indicações. Elas demonstram que as suas campanhas estão mal direccionadas e ainda não convencem a sua base de apoio esperada. Provam ainda que há uma espiral de azedume dentro do PS, o que aumenta a abstenção e favorece Marcelo. Por isso, a ideia da desistência não é um instrumento político de afirmação (e seria arrogante), é antes uma confissão de fraqueza.

E chego ao meu ponto essencial: ao contrário do que essa parte minoritária dos inquiridos supõe, se algum candidato ou candidata desistir, é porque quer favorecer a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa na primeira volta. Como o seu eleitorado é transversal e tem sido um êxito a sua afirmação como “anti-Cavaco” ou pelo menos como “pós-Cavaco”, quem quer que se retire, deixando de polarizar votos, favorece a abstenção, perde votos até para Marcelo e só ajuda marginalmente outros candidatos … que demonstraram que são incapazes de ser suficientemente polarizadores por si mesmos, ou seja, que se mostram derrotados.

Mais vale que se trate a ideia da desistência como ela merece: os únicos candidatos que são pressionados a desistir pelos eleitores da sua própria área são os do PS, porque as suas candidaturas não definiram um campo forte nas eleições presidenciais. Esses eleitores sentem que o PS desistiu das presidenciais. É um erro pensar que algum acontecimento mágico vai resolver o problema criado pelo seu fracasso. Mais vale que os candidatos e candidatas deitem as mãos à obra.

Comentários

  1. Acho que faço parte dos 33% que entendem algumas desistências como impulso a outras candidaturas no terreno – não a de Marcelo Rebelo obviamente – mas sobre o PS somente concordo num ponto – o do PS ter abdicado duma posição forte, com relação às presidenciais. No entanto, quer o Neto, quer a avozinha, concorrem seguramente contra o PS de António Costa, em ânsias de que sejam quebrados os acordos que permitiram travar a continuação dum governo da direita. O resto lê-se nas entrelinhas…
    Fica por isso Sampaio da Nóvoa que assume – e representa – uma candidatura acima de partidos. Ora, neste contexto, nem o Neto, nem a avozinha, nem o acólito Paulo Morais são desistências que se prevejam porque representam oposição a uma qualquer mudança de tempo político.
    Restam 23,4% que merecem a pena olhar de frente, porque quero acreditar que nem Edgar nem Marisa tenham eleitores do arco Marcelista. Talvez a CDU ainda esteja a ganhar em face dos resultados legislativos recentes e esteja a aguardar outra melhor oportunidade para “recomendar” o voto presidencial – estou em crer que em Sampaio da Nóvoa mais que outro – mas
    acho que os 9,6% de Marisa reduzem a afirmação do BE nas legislativas recentes – já sei que muitos não gostam que seja feito este tipo de comparação mas, ainda assim, é legítima. Ora, até no contexto político, exactamente porque Sampaio da Nóvoa não é refém do PS embora apoiado por muita gente que se revê numa esquerda ampla, faria bem à clareza que seja
    o BE a ter o impulso certo que o PS não teve – já só estou nos 9,6% que ainda acredito venham a saber decidir em tempo.
    Acredito que um cidadão capaz venha a ser ponte de dialogo com as forças vivas de toda a sociedade portuguesa – ou isso ou um tino de rã em modulo de cata-vento.
    É preciso clareza e capacidade para um novo tempo e, já agora, faltou falar do rácio abstencionista – mais um motivo para a
    clareza vencer certo tipo de inercia – ou imobilismo – na política.

    1. Creio que está enganado. E até acho que se algum candidato desistisse, dava a vitória a Marcelo de bandeja.
      Mas nenhum vai desistir. Entenda bem os números: desiste-se para um candidato como Sampaio que disputa com Cavaco quem vai ter 49% e 51%, uma pequena diferença faz toda a diferença. Não se desiste para candidatos que têm 15%.

  2. E quem acredita no Expresso? Aquilo é um antro de direita neo-lib que fez campanha tendenciosa pela PàF e continua a fazer pelo Marcelo… Ou não fosse o Balsemão o laranjada nº 1. Ainda se lembra da máxima de Emídio Rangel “Uma estação que tem 50% de share vende tudo, até o Presidente da República! Vende aos bocados: um bocado de Presidente da República para aqui, outro bocado para acoli, outro bocado para acolá, vende tudo! Vende sabonetes!”?

  3. Entao os portugueses nao teem nada na tola veem um feirante a vender banha da cobra na TV esse o Marcelo ate da em primeira mao a noticia do clube onde vai Mourinho so à iludir os Portugueses , eu que nunca trabalhei em Portugal nem vivi desde os meus 15 anos consigo ver os paloeiro da sociedade portuguesa . querem outro Cavaco. abrem os olhos uma vez na vida .fazem me lembrar as pessoas da minha terra votem sempre pour uma Pessoa da terra ( Nazare) depois do fim do mandato se nao estao contentes chamem.no ladrao

Responder a Joaquim Manuel Viana Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo