Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

10 de Dezembro de 2015, 22:14

Por

Combustíveis ajudam o PIB e as contas públicas

Os combustíveis estão a dar uma preciosa ajuda ao PIB nominal este ano. De facto, de Janeiro a Outubro, as importações líquidas (de exportações) caíram 1833 milhões de euros face ao período homólogo o que representa 1,1% do PIB de 2014. A manter-se a tendência actual, cerca de 1,2 pontos percentuais do crescimento do PIB nominal em 2015 será explicado pela evolução das importações líquidas de combustíveis.

importações combustiveis

Fonte: INE

O efeito directo das importações líquidas de combustíveis no saldo orçamental deverá ser positivo mas pouco significativo: as receitas de impostos sobre combustíveis aumentam 10% em termos homólogos mas provavelmente aumentariam mais se o preço dos combustíveis não tivesse caído; acresce que o efeito favorável no PIB nominal faz reduzir o défice em percentagem do PIB (em cerca de 0,04 pontos percentuais).

Porém, o efeito mais significativo da descida de preços dos combustíveis deverá ser indirecto: as famílias e empresas gastaram menos em combustíveis e, provavelmente, utilizaram uma parte significativa dessas poupanças em bens e serviços produzidos no País, contribuindo para aumentar a actividade económica e as receitas de impostos do Estado (efeito multiplicador da despesa autónoma).[1]

Ou seja, se – e este é um SE com letra grande – for possível cumprir em 2015 o défice de 3% do PIB, o que possivelmente permitiria a saída do País do Procedimento dos Défices Excessivos[2], afigura-se que esse resultado ficaria em parte a dever-se ao efeito “preço dos combustíveis”, logo, seria exógeno a qualquer dos governos em funções em 2015.

 

 

 

 

 

 

[1] Há efeitos secundários da descida do preço do petróleo que não são aqui considerados, como o efeito negativo nas exportações para Angola

[2] Existem outros critérios, mas menos importantes.

Comentários

  1. Uauh! Isto parece um tribunal de feitiçaria: “Conhecer o culpado da trajectória errante da governação”. O “SE” é a única coisa que se parece com economia aqui, pois é o elemento fundador da economia moderna.” A hipótese” é algo de omnipresente nos modelos económicos e se eles falham em geral, estão mesmo assim validados pelo “SE”. Mais uma vez o PIB, desta vez com a ajuda dos combustíveis que, se derem um salto para a normalidade dos preços, vão virar tudo do avesso e não haverá “SE” que aguente. Onde está a consistência de uma política económica fundada nos choques exógenos, o que virá a seguir? Uma descida na temperatura do planeta a contrariar os sábios e o sistema financeiro parte em cruzada novamente para o consumo? Será que não há por aí um contabilista que tome conta do ministério das finanças?

  2. A palavra chave aqui é Rússia…

    Os EUA estão a pressionar a Arábia Saudita e os outros países do Golfo para manter a produção alta ( mais de 1 milhão de barris por dia que o necessário) mesmo sacrificando a industria do fracking americana. Os países do Golfo vão começar a cobrar mais impostos sobre o petróleo para tapar o buraco.
    60 a 70% das exportações da Rússia são petróleo e gás. É uma guerra económica para ver se acontece uma “primavera democrática” na Rússia.
    A macacada na Síria ( para não falar na da Ucrânia) tem a ver com a descoberta des grandes reservas de gás e com guerras de gasodutos entre o Qatar e o Irão.

    E porque é que a Rússia está a ser atacada?? Porque ela e a China aparentmente estão a começar a negociar fora do petrodólar…

    A corrupção na FIFA (Rússia 2018) está a ser investigada pelo FBI. A história do doping do atletismo na Rússia.
    A queda do regime na Ucrânia. O avião ( malaio)que caiu na Ucrânia. O avião russo que caiu no Egipto. O ataque da Turquia ao caça russo.
    O objectivo é atacar todos os gasodutos e eleodutos e futuros projectos da Russia para a Europa.

    Agora já faz mais sentido…

    1. É simplesmente a velhinha lei da oferta e da procura a funcionar, com a ajuda de especuladores, que fazem com que a queda seja excessiva. Mas acabará por corrigir, porque a procura continua a crescer nos países menos ricos e a oferta barata não.

  3. Fico contente pela solidariedade dos combustíveis em ajudar as contas públicas e o PIB a ficarem mais contentinhos. Fica demonstrado a essa canalha ecologista que afinal os combostiveis não são os mais da fita. Têm bom coração e são capazes da solidariedade. Espero que um dia as contas públicas e o PIB retribuam o favor aos combustíveis como é de bom tom.
    O importante é haver harmonia não vá o deus Dinheiro soltar a sua ira contra nós pecadores tementes e meros mortais de carne e osso.

  4. O que é mais inacreditável é como depois da Troika e de todos os ventos a favor que sopram da economia mundial, o Estado português continua a não conseguir sequer apresentar um excedente orçamental primário, por mais mísero que seja. Mas estejamos descansados, o novo governo é a solução! Para o segundo resgate, quero eu dizer! Sai bancarrota.

    1. As contas publicas ja registam saldo primario positivo desde 2013; a conta calada dos juros da divida (8,5 mil milhoes em 2014) é que estraga o ramalhete do defice orçamental. O QE tem feito baixar a taxa de juro media da divida publica mas, se nao fosse a preciosa ajuda da queda do preço do petroleo, pouco ia ajudar na saga do defice e do crescimento economico.

    2. É falso que exista um superávit público primário em Portugal. Nunca existiu, desde Salazar. E até a Grécia conseguiu isso, ao que parece, isto antes da chegada dos cripto-comunistas ao poder.

  5. Bem observado. O petroleo barato está a ser a grande boia de salvaçao das economias europeias. Bem tramados estavamos se tivessemos de nos contentar com o QE do BCE e esperemos que nao cheguemos ao ponto de ter de pagar para termos dinheiro depositado nos bancos.

    1. É um risco sem duvida especialmente nos paises em que os bancos têm dificuldade em expandir significativamente o credito à economia. Há limites para a capacidade dos bancos reduzirem a sua margem de intermediaçāo.

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