Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

8 de Dezembro de 2015, 08:40

Por

A palavra do ano

Numa louvável e interessante iniciativa da Porto Editora, foram anunciadas as 10 palavras do ano, para, de entre elas, ser eleita a palavra de 2015.

Uma iniciativa que, além de tudo o resto, exprime a diversidade e riqueza lexicais e a dinâmica de uma língua num mundo cada vez mais interactivo.

Esta escolha já vem sendo feita desde 2009, tendo sido eleitas as palavras ESMIUÇAR (2009), VUVUZELA (2010), AUSTERIDADE (2011), ENTROIKADO (2012), BOMBEIRO (2013) e CORRUPÇÃO (2014).

Este ano apresentam-se a concurso, as palavras (por ordem alfabética): ACOLHIMENTO, BASTÃO DE SELFIE, DRONE, ESQUERDA, FESTIVALEIRO, PLAFONAMENTO, PRIVATIZAÇÃO, REFUGIADO, SUPERALIMENTO e TERRORISMO. Em bom rigor são 9 palavras e uma expressão com 3 vocábulos.

A escolha das palavras (este ano resultante da análise da Porto Editora e das sugestões das pessoas através de um site dedicado) também reflecte, como vem sendo regra, a erosão da memória ao longo de um ano. Assim é que, algumas das palavras (esquerda, plafonamento, refugiado, terrorismo, acolhimento) proliferaram sobretudo nos últimos meses. Palavras do início do ano mergulham na sombra do esquecimento, num tempo em que quase tudo é rapidamente descartável.

Outro aspecto curioso é o aparecimento de estrangeirismos, fruto de um mundo globalizado e da importância das redes sociais. É o caso de drone (palavra inglesa que significa um insecto, o zângão, bem melhor do que a sigla VANT, veiculo aéreo não tripulado), plafonamento (francesismo para tecto contributivo na Segurança Social) e a já recorrente selfie que, isoladamente, foi uma das 10 de 2014. Há ainda quase neologismos como festivaleiro e superalimento.

Em suma, palavras para todos os gostos. A política e a economia, ainda assim, em primeiro lugar (esquerda, privatização, plafonamento). A importância do que se passa pelo mundo fora é dada pela escolha de três palavras que, em boa verdade, são os vértices de um mesmo triângulo (terrorismo, refugiado e acolhimento). A tecnologia tem o seu habitual cacifo com drone e o tal bastão de selfie que – confesso – não percebo por que razão é tão procurado. Restam duas palavras que não alcanço porque estão nas seleccionadas. Certamente por omissão minha. Refiro-me a festivaleiro e a superalimento. Quanto à primeira, terá havido alguma diferença entre 2015 e anos transactos que a justificasse? Quanto à segunda, é uma palavra que assumiu um significado diferente do que se vê em versões mais antigas de dicionários e que, entre várias facetas, vende ilusões com boa publicidade.

Curioso que o desporto e, em especial, o futebol não tenham dado o seu contributo, ainda que sejam dominantes na actualidade e na discussão. Mesmo em 2010, a eleição da insuportável VUVUZELA no Mundial de futebol na África do Sul foi mais pela novidade instrumental do que pelo campeonato.

Qual o meu voto? REFUGIADO. Qual o meu palpite de vencedor? REFUGIADO (ou TERRORISMO).

Comentários

  1. Está admirado, Francisco Louçã, pela postura de Marcelo?

    E a do Costa?

    Isto é a “Geração Rasca” de políticos no seu melhor!

    Onde V. Exa se inclui, desculpe a franqueza.

    João Albuquerque

  2. Não percebi bem a imagem do triângulo terrorismo refugiados e acolhimento. Será a lógica: refugiados que fogem do terrorismo provocado pelos países de acolhimento? Ou pelo contrário acolhem-se terroristas entre os refugiados? Ou antes o terrorismo na forma de acolhimento de refugiados. Ou se calhar é tudo isto junto porque de facto não se depende de ordem nenhuma para formar um triângulo que resulta sempre de três vértices.

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