Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

30 de Novembro de 2015, 14:30

Por

Reflexões sobre o “Grande Irmão”

Utilizo muito a informática mas, de modo algum, sou especialista. Há uns dias procurei configurar novas contas locais num computador com o Windows 10. Isto porque gosto de configurar uma segunda conta local no meu computador, que passa a ser a minha conta principal e que utilizo no meu dia-a-dia, mas que não é uma conta com privilégios de administrador. Ou seja, sempre que alguma aplicação procura fazer algo de mais crítico esbarra com o pedido de autorização de administrador e eu apercebo-me. Especialistas dirão certamente que aquilo que faço não adiantará para muito, mas enfim, não é essa a questão que motiva o meu post…

Ora com o Windows 10 vi-me e desejei-me para criar uma segunda conta local. O Windows 10 obrigava-me a criar uma conta que tivesse um endereço de e-mail ou um telefone por detrás. Ou seja, já não me deixava criar uma conta local, completamente fora da “net”.

Procurei no Google uma solução e descobri que é possível criar a conta local, mas a partir de uma funcionalidade escondida. Obriga a utilizar comandos não óbvios.

A intenção parece-me clara: minimizar o número de contas locais, com informação armazenada localmente e de que não se conhecem endereços de e-mail (pelo menos, directamente); favorecer a criação de contas “na net” e “na cloud”; e o armazenamento da informação “na cloud”.

Este processo e esta tendência insinuante deixa-me desconfortável e pouco à vontade. Já não tenho opções. Tenho de partilhar informação que considero pessoal com empresas que preciso, que me merecem respeito e confiança, mas em quem não quero ter de confiar e que acho estão a abusar e a intrometer-se. E que me obrigam a fazer coisas que não quero com o computador que utilizo.

O computador, o sistema operativo e pior, a minha informação e dados, deixam aos poucos de me pertencer … e passam progressivamente a pertencer cada vez mais à “net”… Um muito interessante conceito de direito de propriedade…

Comentários

  1. Olá Ricardo

    sem querer ser indelicada…pode criar uma conta local sem qq prob > talvez (eu) tenha compreendido mal o q escreveu

    eu criei uma conta local. no probs

    http://windows.microsoft.com/pt-pt/windows-10/create-a-local-user-account-in-windows-10

    pode usar um email temporário (se o W10 lhe solicitar). apaga-o depois de criar a conta local. simples.

    não use linux > o kernel do linux é tão elegante como o…Linus! LOL :) é muito vulnerável, não obstante o fervor quase religioso da tribo linux. a bem da verdade linux = s*heit

    http://www.ubuntu.com/usn/

    quanto mais tentar fugir da net mais ela lhe segue a si. se optar pelo Tor (criado pela marinha americana, se n me engano) estará a colocar uma bandeira vermelha. todas as versões linux, incluindo a Tails, debian e especialmente a Ubuntu deixam rastro ou, pior, seguem-lhe também. pode ser “seguido” pela microsoft ou pelos “developers” destes sistemas. escolha! a microsoft não está interessada nos seus dados privados. está sob a mira das entidades reguladores, tem adereço fixo, e tem muito a perder. os developers não. percebe onde quero chegar?

    o mais seguro de todos os sistemas é, sem qq dúvida, o FreeBSD. se a privacidade é uma preocupação vital para si (não sei o q faz, mas se trabalha com infos corporativas sensíveis, banca etc) aconselho-o a usar FreeBSD ou, se for completamente paranóico (estou a brincar), use OpenBSD ( de theo de raadt)

    instale um desktop > KDE ou Lumina e pronto.

    o duck duck go tb fez aquilo que se chama “monetise” (vendem infos padrão, sem private contents, a companhias)

    todos o fazem, sem excepção. uns de forma mais regulada outros….

    o VPN (virtual private network) é outro mito. pode usar um vpn para ocultar o seu ip de site X ou Y mas não o vai ocultar o do provider do VPN…que também venderá a sua info (em forma de padrões, nunca o seu nome, morada e email pessoal)

    a partir da altura em q se entra na net é IMPOSSÍVEL não deixar rasto ou não ser seguido. todos os rastos são detectáveis. ponto final.

    acho q deveria preocupar-se mais com segurança do que com a privacidade (q tb é importante, claro). o W10 está a ser aperfeiçoado. é um excelente OS. a microsoft era um pouco negligente no q diz respeito à segurança mas melhorou MUITO. hoje é a mais rápida nos updates críticos.

    confie nas companhias estabelecidas porque elas tem mais a perder com um escândalo ou com a transgressão da legalidade. não confie em OS’s que lhe prometem privacidade total porque isto NÃO existe.

    PS: algumas das companhias que mais “espiam” os consumidores são europeias, a começar pelas companhias de Anti-Virus. não sejam primários e vejam as coisas como elas são. americanos e europeus são MENOS vigiados do que russos e chineses.

    ciao, happy surfing.
    R

    1. Aqui a Raquel deve trabalhar na Microsoft… Não leve a mal, mas é de uma ingenuidade em relação a esse mostrengo… Isso é gente sem escrúpulos, ‘ruthless’ em inglês.

    2. Cara Raquel,

      obrigado pela sua análise e agradeço as suas sugestões. Tem provavelmente razão quando diz que todos o fazem…

  2. Não há muro que não possa ser transposto, há mesmo quem afirme que “cada muro é uma porta” e não podia estar mais certo. Um caso paradigmático desta realidade é o caso Snowden. A fraqueza de um tirano é a confiança que ele tem na sua fortaleza, o que o torna vulnerável, até porque acabamos por conhecer a estrutura do seu raciocínio. A internet permite espiolhar na intimidade das pessoas, mas essa vulnerabilidade pode ser usada para fornecer falsas pistas ao intruso. Os delinquentes do estado islâmico têm utilizado essa ferramenta melhor que ninguém, todos nós (ou quase) achamos que o petróleo é o suporte financeiro da organização e eles próprios fizeram muito para que assim parecesse. No entanto ela não será sequer a terceira maior receita em questão. A ceptadona (droga que ilude o medo e a dor) é talvez a primeira, mas há outras como a cobrança compulsiva de impostos e até (porque não) a roupa interior em algodão que nós compramos em qualquer centro comercial, esta pode ser uma fonte de receita destes delinquentes, a Síria é um dos maiores produtores de algodão e é um território controlado pelo EI. Em todo o caso, o perigo maior da perda de privacidade está em nós próprios, quando nos abstemos de olhar para as instituições com um sentimento circunspecto, quando se acredita que elas têm uma aura de verdade e que nada as corrompe. O que mais me choca nestes tempos é a forma como os adolescentes recebem cada novo “gadget”, produto da tecnologia, sem perceberem que aquilo é um instrumento da manipulação. Mesmo no grande irmão de Orwel , o perigo maior não era o controlo visual ou as buscas. O perigo maior vinha da manipulação dos altifalantes que propunham a cada individuo e mesmo aos familiares a denuncia do vizinho ou do pai, do irmão, da própria mãe. Se não olharmos para cada instituição com esse fundo de desconfiança, é certo e seguro que seremos apunhalados.

    1. O amor pela liberdade é muito menor do que aquilo que se imagina. Mas o Arons VC exagera, não estamos apesar de tudo no patamar da ex-URSS, em que não só os filhos chegavam a denunciar “actividade contra-revolucionárias” dos pais e eram promovidos a “heróis do socialismo” – nem vale a pena dizer o que acontecia aos pais -, como sem qualquer democracia nem liberdade de imprensa todo o aparelho repressivo era intocável, até para os dirigentes máximos do partido. Talvez seja ingenuidade da minha parte falar deste assunto no passado…

  3. Apesar do que aqui é dito ser verdade, existem ferramentas de criptografia que por mais computadores que a NSA tenha, não vão desencriptar nada neste século. É importante defender não só a nossa informação privada como a nossa meta-informação (quem fala com quem, que sites visitamos etc). Assim e por partes:

    1-defender a meta-data: devemos recorrer a VPNs (virtual private network) com encriptacao da origem à primeira proxy da VPN. As wifi são perigosas também devendo todas serem encriptadas com wep2 e possuírem passwords de pelo menos 14 caracteres. Qualquer outro tipo de encriptacao do router é uma brincadeira. A wep2 não é à prova de tudo mas da muito mais luta a desencriptar, se a password for boa há trabalho computacional para meses. O DuckDuckGo é um motor de procura que não guarda as tuas buscas óptima opção para substituir o Google.

    2-casos extremos : (polícias, jornalistas com fontes para proteger, terroristas, espiões etc) instalar numa pen o tails (destribuiçao de Linux orientada para a confidencialidade onde toda a comunicação passa pela rede tor (3 níveis de encriptação) o computador vai correr o sistema operativo da pen, bloqueia qualquer acesso do disco (pode ser usado o espaço livre da pen) e por isso desde que o computador seja desligado no fim é impossível ficar algum resíduo do nosso trabalho. O Tails já vem com montes de ferramentas para garantir comunicação por e-mail segura, e etc. a pen é totalmente encriptada.

    Para as transações comerciais o melhor é usar bit-coins. Pode-se comprar tudo de cocaina a flores e a transação não é detectável. É a moeda mais usada na darkweb.

    No caso dos telemóveis a coisa já pia baixinho e não há grande hipótese de evitar meta-data como localização e etc. também se podem usar vpns mas isto só ajuda nas comunicações de dados.

    Meus amigos, está na altura de mandar o Windows à fava e usar o Linux que ao contrário do Windows é um sistema operativo a sério, livre gratuito e conhecido. É meio caminho andado para mais segurança. É preciso aprender também a usar as tecnologias de um modo consciente e ao nosso serviço e não ao serviço do capital. Actualmente a Google sabe mais das vossas preferências sexuais, alimentares e outras do que @ voss@ parceir@.

    A Malta que è manfia que se Lembre que qualquer encriptação tem grandes probabilidades de ser quebrada em 5 min por qualquer policia que possua 1-o computador 2-a Pessoa que o encriptou e 3-Duas listas telefonicas. È muito simples; Basta colocar a cabeça da pessoa entre as listas e pedir seguidamente a password. Caso não dê ou a dê errada eles aplicam uma marretada nas listas o que faz uma dor atrós nos ouvidos. 2 a 3 marretadas e password está cá fora de certeza.

  4. Gostaria de relembrar que para a maioria das atividades a Internet não é obrigatória. Muito útil, sem dúvida, mas acarreta os seus riscos e consequências, como a fraude, monitorização e desinformação.

  5. Ainda sobre o Big Brother, não deixa de ser curioso o paralelo entre os ecrãs de vigilância de que ele dispunha em todos os lares da Oceânia, e as câmaras fotográficas hoje presentes nos microcomputadores e até nos telefones. Com o software apropriado, a vigilância da vida privada é, objectivamente, viável. Não sou paranóico, mas a primeira coisa que fiz à câmara com que me brindaram no computador foi pôr-lhe um fita adesiva opaca na frente. Just in case…

  6. O que há a dizer, se não que o Ricardo Cabral tem toda a razão em preocupar-se com a tendência que aponta para que os microcomputadores que usamos sejam cada vez menos computadores pessoais, e estejam cada vez mais à disposição dos produtores de software, que, sendo por norma norte-americanos, estão por sua vez à disposição de todo o colossal aparelho policial e de espionagem dos EUA. Tudo gente bem intencionada, claro!

    De vez em quando a velha e estúpida Europa impõe multas de milhões de dólares a Microsofts. Googles e companhia, coisa que lhes faz a mesma mossa do que um mosquito ao picar um elefante, em vez de compreender e assumir as consequências de que a única alternativa que realmente tem é concorrer com os norte-americanos, e a prazo pô-los fora daqui. E não, não custa fortunas astronómicas, nem exige competências que não existam na Europa. Nunca houve foi VONTADE. Porque claro aquilo que é “estratégico” para os nossos queridos líderes é irem largar uns mísseis na Síria, sentem-se muito “machos”!

    Para agravar ainda mais as coisas, em anos recentes esta completa vulnerabilidade europeia vem sendo agravada ainda mais com os “smartphones”, carregados de software americano que já nem assume que exista algo como “privacidade”. Por vezes interrogo-me se os estúpidos que tanto gostam dessas “maravilhas” sabem o que significa a palavra… Bem, os terroristas islâmicos devem saber!

  7. Bem, isso é o mínimo do que o windows 10 faz. Na realidade, recolhe todo o tipo de dados à medida que se vai utilizando mesmo desligando os serviços, que voltam a activar-se com as actualizações. Que são obrigatoriamente automáticas.
    Bom sorte com o Windows 10, se alguma vez o instalar será uma versão pirateada devidamente neutralizada.

  8. Eis um assunto extremamente importante e que está a passar um pouco ao lado da discussão pública e política. Atualmente tudo o que fazemos no computador ou smartphone é monitorizado remotamente por várias empresas e entidades. Entra no Windows 10 às 10:20 da noite no McDonalds de Alfragide? A Microsoft sabe. Tem um smartphone Android? A Google conhece todos os seus contactos telefónicos. Fez uma pesquisa sobre os apoios dos EUA ao ISIS ? A NSA sabe. Isto está a tornar-se MEDONHO e está na altura de a privacidade digital ser um direito dos cidadãos consagrado na lei. Senhores políticos, andam a dormir?

  9. Sinto o mesmo desde há uns anos… Apesar dos “avisos” de escritores como George Orwell, o ser humano vai deixar-se escravizar, pondo ele próprio as suas grilhetas.

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