Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

26 de Novembro de 2015, 13:00

Por

O novo governo

Muitos portugueses, em que incluo o Presidente da República, passaram uma boa parte dos últimos 53 dias por um processo similar ao das sete fases da dor (choque ou descrença, negação, negociação, culpa, raiva, depressão e aceitação / esperança). Mas parece-me que, particularmente nas últimas semanas, um número crescente dos cidadãos que se opunham à coligação à esquerda e que apoiavam um governo liderado pela coligação PàF tinham chegado já à última fase desse processo: aceitação; cepticismo com certeza, mas esperança só talvez de que o novo Governo seja de curta duração…

Muitos outros portugueses, que preferiam a coligação à esquerda, ficaram naturalmente contentes com a indigitação de António Costa na terça-feira e com o anúncio da tomada de posse do Novo Governo para hoje, quinta-feira.

Como já argumentei anteriormente, o Presidente deveria ter indigitado logo António Costa, devido aos riscos económicos e financeiros para o país, embora tivesse legitimidade para indigitar primeiro Passos Coelho.

Mas este atraso todo que, no cômputo, deverá ter tido um impacto negativo para o país, teve um aspecto positivo e pouco esperado. É que permitiu a quase todos passarem aquelas “sete fases” (de dor ou de satisfação) e habituarem-se à ideia de um Governo à esquerda… Acalmou os ânimos, parece-me, e em alguns casos deu azo a bem humorada discussão.

Todavia a situação, todos sabem, não está fácil e parece-me que o novo governo começará por enfrentar um problema – o do défice de 2015:

– O défice orçamental em Outubro foi, como habitualmente , muito negativo (-1662 milhões de euros), mas mesmo assim é um défice que revela uma melhoria de 315 milhões de euros face ao mês homólogo de 2014. O objectivo para 2015 era um défice de 4860 milhões de euros, em contabilidade nacional. Porém, de Janeiro a Outubro, o défice, em contabilidade pública, era já de 4818 milhões de euros. Novembro e Dezembro tendem a ser meses com défices baixos. Ou seja, uma extrapolação simples da tendência actual sugere um défice (em contabilidade pública) para 2015 de aproximadamente -5700 milhões de euros, o que representaria cerca de 3,2% do PIB (se a economia crescer 2,7% em termos nominais, como estava implícito aos cálculos iniciais do défice)

– Resta saber qual a evolução do PIB nominal e se o remanescente da “almofada orçamental” que ainda restará será suficiente para trazer o défice abaixo dos 3%;

 

Défice acumulado Outubro 2015

      Fonte: DGO

– Fica ainda, pelo menos, a questão da recapitalização do Novo Banco, privatização no Novo Banco e a dos lesados do BES.

Escapará o País ao procedimento dos défices excessivos? Seria uma boa notícia para todos incluindo o governo cessante e o futuro governo!

Comentários

  1. A direita está numa posição muito confortável, sem maioria no parlamento iam fritar. A “esquerda”, cega pela ambição, mordeu o isco e agarrou-se ao poder, sem ter uma base sólida. Na melhor das hipóteses não vão fazer melhor do que a direita, na pior vão levar o país à bancarrota. De qualquer modo os portugueses que ainda acreditam em milagres vão perder a fé. E nas próximas eleições veremos a direita chegar à maioria sem qualquer problema.
    Não se esqueçam do ditado que diz “O que ri por ultimo ri melhor.”

    1. Eu gostaria é que não fosse Passos Coelho a rir por último. Está na hora de o PSD o “dispensar”. Para futuro!

  2. O Ricardo Cabral engana-se nas “sete fases”, não há aceitação nenhuma do governo de António Costa por parte da direita portuguesa, particularmente por parte dos eleitores do PSD e do CDS. Esse facto anormal é fácil de explicar: fomos nós que ganhámos as eleições legislativas, e o PS que as perdeu. Quem está à espera de uma direita dócil como de costume, vai ter amargas surpresas.

    1. Caro Liberal,

      pertinente o seu comentário, que agradeço. Pode não ser aceitação, do que aliás é apenas um modelo de um processo.

    2. Da minha parte espero guerra sem quartel da parte da direita. À direita falta ter mais imprensa (reparem que mesmo neste blog temos 2 “economistas” da escola de economia venezuelana) e falta facções no PSD e no CDS que utilizem palavras mais duras contra o despesismo e as loucuras de esquerda.

      Este novo governo veio sobretudo para acabar com a operação marquês.

  3. Nem todos os ministros vão chegar ao fim. O programa é ambicioso e exigente.

    Mas a pergunta que todos os portugueses fazem hoje, é: E depois Passos Coelho e Paulo Portas, como é que vai ser a partir de agora?

    Felizmente, PSD e CDS, já têm a resposta, e por isso podemos estar descansados. Veio em forma de vídeo, se me permitem:

    https://m.youtube.com/watch?v=TxcxUgT52w0

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