Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

29 de Outubro de 2015, 08:42

Por

Porque é que a direita falhou agora a Passos Coelho e a Portas?

Passos Coelho e Portas sabem que o seu governo será rejeitado pelo parlamento. Sabem o que terão então que fazer: a partir daí vão jogar a carta da vitimização e gritar contra a perfídia que lhes retirou o governo. Se tudo lhes correr bem, farão esquecer o empobrecimento que impuseram a Portugal e irão a eleições como políticos magoados pelo desprezo popular mas ainda assim dispostos a salvarem a Pátria. Se tudo lhes correr mal, a Pátria ver-se-á livre deles, o que de facto só incomoda os próprios.

Para este desígnio elevado, precisaram de desenhar (como agora se diz) um plano e agora precisam de o cumprir. O plano já começou na campanha eleitoral: enganar as contas e aguentar firme a narrativa (mas isto pode descambar, como com os défice a 7% e o episódio caricato do anúncio em campanha eleitoral de “devolução” de 35% da sobretaxa, que agora afinal já só é de 9%, se não vier a ser nada). Até aqui, tudo mais ou menos, ainda deu para só perderem 750 mil votos e com eles a maioria. O resto do plano era apresentarem um governo como se não houvesse amanhã, contar com a cara de pau do Presidente e criar um sarilho institucional para arrastar a crise política, confiando que do lado do PS só houvesse a inépcia que a campanha eleitoral demonstrou.

Ora, o plano está a descarrilar. O Presidente armou-se de uma prosápia que não comoveu o povo. Pelo contrário, o eleitorado, matreiro, sabe que nestas coisas de Belém e de S. Bento quem mais grita mais terá que recuar. O PS saiu da sua zona de conforto e está a ter agora a frieza que não soube ter quando era para contar votos. Mas, pior, o governo empossado solenemente pelo Presidente, que ia ser uma elite respeitável, uma competência técnica fascinante, os senhores da reserva da República todos perfiladinhos, acabou por sair uma balsa de salva-vidas de gente que se quer ver livre deste aborrecimento o mais depressa possível.

Saíram com alívio geral os que suspiravam por se ver livres disto (Justiça) e os mais inapresentáveis, que depressa serão esquecidos (Educação e Administração Interna), escaparam-se os que têm negócios para completar e administrações douradas para ocupar (Economia e Saúde), ficaram os que estão à espera da medalha do 10 de Junho para então irem em paz para casa (Negócios Estrangeiros) e foram promovidos os que tinham que ser porque não havia mais ninguém (Assuntos Parlamentares, Saúde). Decorou-se a turma com uma ministra da Cultura que nada despachará e ficou feita a comissão de serviço.

Mas isto não chega a ser um comité eleitoral, muito menos o tal governo político e de combate para resolver a trapalhada das contas deixada pelo governo anterior de Passos e Portas e para convencer o país de que sem esse governo o trigo crescerá para baixo da terra. Os senhores não apareceram, a elite ficou no gabinete sem atender o telefone, os dignitários do partido encolheram-se, ninguém quer saber do plano, outros que tratem disso em lume brando.

A direita deixou o governo de Passos e Portas entregue à sua sorte. Percebeu que, pelo menos por agora, o PSD e o CDS já não fazem parte do arco da governação.

Só resta então a Europa para por ordem nisto. Voltamos ao de sempre: quando a democracia não segue o guião, alguém tem de puxar as orelhas ao povo recalcitrante. A direita, espavorida, nem se quer meter ao barulho e espera que a salvação venha, como sempre, de Berlim. Por isso muitos chefes nem se deram ao trabalho de fingir que queriam ajudar o pobre Passos e o tenaz Portas. Não lhes convém ter um governo provisório no currículo, não fica nada bem. Tudo resumido, Passos e Portas não convenceram a aristocracia dos seus partidos a fazer esta encenação de governo que ninguém leva a sério, a começar pelos próprios ministros. E ficaram sozinhos, porque na verdade todos sabem que eles não importam nada.

Comentários

  1. Parece aqui neste blogue que muitas pessoas não entendem que existem coligações pré eleitorais e pós eleitorais e que o nosso regime e parlamentar. E tb acho piada que venham falar de falta de democracia nos regimes comunistas (disclosure não sou comunista) quando na Europa neste momento não existe democracia existe sim uma ditadura. Alguns dos órgãos europeus que tomam decisões não são democráticos.

  2. Pergunta: Acima insistiu repetidamente que o defice de 7% para 2014 e’ significativo. Isso quer dizer que na venda do novo banco seja por que valor for, conta positivamente para o defice do ano da venda? Ou seja se em 2016 o defice seja menos de 3% somente porque se inclui a venda do novo banco, pela sua logica sera cumprido o tratado orcamental e o facto do hipotetico defice real sem novo banco ser acima dos 3% e’ irrelevante. Que sorte entao para o proximo governo, tem um activo de 1000 milhoes ( oferta actual) pelo menos para baixar o defice quando quiser !
    Ja se ve como a frente de esquerda quer financiar as suas promessas, rementendo os 7% de 2014 para Passos e depois aproveitar a venda do novo banco para invocar que estao a cumprir as metas.

    1. Caro Francisco Amaro,

      está a ver conspirações onde não existem. Foram as regras do Eurostat que permitiram a injecção de capital no Novo Banco em 2014 sem que fossem imediatamente contabilizadas no défice. São as mesmas regras que, porque o Novo Banco não foi vendido no prazo de um ano, que obrigam o défice de 2014 a subir para 7%. E não se preocupe. O Novo Banco precisa de mais uma injecção de capital. Pelo que próximo governo terá mais défice por contabilizar.

  3. De vez em quando passo pelo blog e então acho engraçado ver como o Dr Francisco Louçâ escolhe cirurgicamente os comentários para dar resposta. São normalmente aqueles que o apoiam ou que apoiam a sua ´área política, e então vai um “concordo consigo” (escusado, diga-se, porque não se espera outra coisa, daqui a pouco já só falta o “obrigado” da ordem). Reparo que os comentários que lhe poem questões ou lhe solicitam opinião trabalhosa, porque há que argumentar, ficam sem resposta. Aliás, já o fiz em público numa campanha eleitoral e aconteceu o mesmo. Já sei; vai dizer-me que só responde a quem muito bem entende e que ninguém o obriga a responder ao que lhe é incómodo. Estamos conversados. Por mim, esteja à vontade, só me limito a constatar evidências.

  4. considero normal que a coligação vencedora mesmo em minoria seja indigitada para formar governo.
    considero normal que no parlamento uma maioria de deputados vete esse mesmo governo.
    considero normal que a mesma maioria possa formar novo governo.
    considero anormal que não se perceba isto.
    considero anormal tanta confusão.

  5. Sr Dr Francisco Louca

    E se o Sr Presidente da Republica estiver certo, como muitas vezes tem estado e o Sr estiver errado.
    E se PS+BE+PCP nao tiverem dinheiro para governar como querem?
    E se os juros da divida aumentarem um pouco, por exemplo 0,5 pontos percentuais em divida de medio longo prazo?
    Eu acho que o Sr doutor e, contrariamente a muitos comentadores e politicos, intelectualmente honesto, no sentido em que acho que acredita mesmo no que diz.

    Mas penso tambem que e politicamente otopico e ingenuo, como o doutor Varoufakis.
    Acho tambem que os Portugueses na sua maioria nao querem esta aventura (legal) PS+BE+PCP, pois tem todos os condimentos para nos custar caro,

    A classe media pagara esta conta sem protesto, como de costume.

    1. Agradeço a sua sinceridade. A minha opinião é que a direita no poder e a política da troika nos custaram muito caro: arrombaram as contas dos reformados e baixaram os salários, além de empurrarem centenas de milhares para a emigração. Este preço é demasiado para quem manteve o défice a 7% e depois fez subir a dívida.

    2. O argumento do défice a 7% não colhe. Sabe muito bem Francisco Louçã que os encargos com o BES não entram em linha de no apuramento do défice. Até Bruxelas, sempre tão rigorosa nessa coisas, já o veio dizer. O que não lhe é suportável é saber que muito provavelmente o défice este ano ficará a baixo dos 3%, depois do agora seu camarada de «coligação» o preso 44 de Évora o ter deixado nos 10%. Além disso, sabe perfeitamente que a dívida subiu, e não poderia ser de outra forma, porque o Estado teve de se financiar no programa de assistência que nos salvou depois do desastre em que nos lançaram os agora seus camaradas ideológicos, os xuxas do Governo Costa.

    3. O Sr. afa pode sempre ir prevendo que a bancarrota está iminente, mas não lhe louvo nem a coragem nem a determinação, contudo tem toda a razão. Acontece porém que para que os juros da dívida subam (e subirão seguramente) bastará que o ano de 2016 chegue com a mesma certeza como a que nos faz afirmar que os juros subirão. Não há nada a fazer como afirmaram Thatcher e Reagan; O petróleo só poderá subir e os juros terão uma tendência para a subida. É que sabe Sr. afa, os nossos parceiros europeus estão-se pouco borrifando para o trajecto virtual em que temos vivido, nós em Portugal. Os países que nos ditam a subserviência têm, eles também, um povo a quem deverão prestar contas e nem por isso se regem pelo mesmo diapasão. Tal como o governo que desanda (oxalá), mais não pôde fazer do que acelerar a implosão, colocando-nos numa posição de extrema dependência dos mercados, a esquerda, se for governo, nada mais poderá fazer do que dar algum alento aos portugueses que foram defraudados nestes últimos quatro anos, mas por pouco tempo. Entretanto o progresso tecnológico continuará a dizimar a classe média e tudo o que depender de trabalho repetitivo; os bancários, os empregados de escritório, os médicos clínicos gerais (também estão na mira), os serviços (tenderão a ser substituídos pelo “bricolage”). A sua querida sociedade continuará a produzir “homens inúteis”, nunca qualificados para o emprego que não existe. O Sr. afa poderá sempre vilipendiar os malditos partidos da esquerda e realocar o seu voto num próximo governo de direita, mas o sistema em que o Sr. acredita vai direitinho para a bancarrota que o Sr. tanto teme. Não é por falta de meios que o seu liberalismo nos arrasta, é só porque vocês têm um programa mas não têm projecto, falta-lhes a humanidade necessária.

  6. Estou ansioso por assistir às manifestações do espírito crítico, ou ausência dele, (é o mais provável) face ao governo Costa por parte de Francisco Louçã, Catarina Martins, Jerónimo de Sousa, Heloísa Apolónio & companhia. Naturalmente vão fechar-se em copas, ou culpar a Europa e Berlim (é o mais provável) porque sabem que uma eventual queda do governo levaria a eleições antecipadas onde o PSD, com ou sem CDS, e devido a todos os socialistas que se sentem hoje ludibriados porque não votaram em casamentos com comunistas, poderá obter, desta vez sim, os 9 deputados que lhe faltam para uma maioria absoluta. Estrou ansioso por ver os comunistas deste país jogarem agora à defesa depois de tantos anos na linha de ataque. Só por isso, e porque me vou rir um bocadinho, é positivo ver de novo a xuxaria de regresso ao poder.

  7. O que incomoda a Esquerda é que a Coligação venceu as eleições e que ninguém, enquanto durar o Governo Costa, se vai esquecer disso. O ideal para Bloco de Esquerda, Partido Comunista e Partido Socialista era que a cerimónia de hoje na Ajuda nem existisse para que assim ninguém se recorda-se de quem é que venceu as eleições. Coisa que também Francisco Louçã, neste artigo, parece considerar um detalhe despiciendo. É por isso que para Catarina Martins indigitar um Governo democraticamente eleito «é uma perda de tempo» e para Marisa Matias esta tomada de posse era escusada. Por aqui se vê o quanto estas raparigas prezam a democracia representativa, o Parlamento, o regular funcionamento das instituições e os cidadãos que votaram na Pàf. Um bocadinho de mais respeito pela Democracia não lhes ficava nada mal, acho eu.

    1. Para quem recomenda democracia, também não seria má ideia respeitar a decisão que o parlamento tomar. Nos termos constitucionais, é o parlamento que permite ou rejeita o programa de governo. Portanto, em vez de lições de democracia, antes valeria discutir as alternativas políticas. Parece que uma maioria de malandrins no parlamento não quer o governo das direitas. Mas não se preocupe, o Sérgio Monteiro já conseguiu um lugarzinho.

    2. Francisco Louçã: eu sou o primeiro a dizer e a defender que o Governo Costa tem legitimidade para governar caso o de Passos Coelho venha a ser derrubado no Parlamento. Nunca me ouvirá dizer o contrário. O que eu não suporto é ouvir a Esquerda dizer que indigitar Passos «é uma perda de tempo» como se o respeito pelo regular funcionamento da Democracia fosse algo despiciendo, algo sem importância, como se eleitorado do PSD e do CDS, partidos que venceram as eleições, devesse ser tratado como se não existisse.

  8. Dr. Francisco Louçã gostei de ler o seu artigo, habitualmente gosto das suas opiniões, pois considero-o conhecedor e directo. Da minha parte, espero não esquecer o mau serviço, prestado ao pais e aos cidadãos, por este (des)governo. Em quatro décadas de democracia ninguém se atreveu a tanto, conduziram-nos a um retrocesso inimaginável, venderam o país ao desbarato…o argumento de que não havia outra solução, a culpa do governo anterior, o resgate, a crise mundial, etc., ainda convenceu muitos, infelizmente, porque depois da mediocridade que demonstraram, deveriam ter perdido muitos mais votos. Tenho esperança que desapareçam politicamente, e que a democracia tão debilitada, se robusteça.

  9. Mas onde é que Francisco Louçã vê o desprezo popular pela Coligação? Não foi a Coligação que juntou o maior número de votos expressos em urna? Vejamos: no confronto entre os 2 partidos mais votados, o PS perdeu em número de eleitores (2 milhões conta 1 milhão e 800 mil), em percentagem de votos (37% contra 33%), em número de deputados (107 contra 86), em número de distritos (13 contra 7, de 20), em número de círculos eleitorais (2 contra 0, Europa e Fora da Europa) e em número de países da diáspora (12 contra 0). O PS não ganhou à PaF em nenhum dos aspetos por onde se queira ver o voto. Não lhe parece que é um bocado abusivo, para nao adjetivar de outra maneira, dizer que o povo mostrou “desprezo” pela Coligação? Que faria se mostrasse apreço! E já agora, o seu conceito de democracia não o faz ficar incomodado ou demarcar-se das palavras da líder do BE que, despudoradamente, disse ser uma “perda de tempo” a apresentação do programa de governo na AR? Mas não é para isso, para se discutirem ideias e propostas, que todos nós pagamos aos senhores deputados? Não estão lá exatamente para isso? Ou é “uma perda de tempo” uma vez que os “arranjinhos” já estão todos feitos? Qualquer dia já nem é preciso votar seja em quem for; uns quantos senhores levam já os papeis prontinhos e toca a impor o que o grande líder manda, debates e discussões para quê? É “perda de tempo”! Onde é que já vimos isto? Tanto eu como o senhor Louça já temos idade para saber bem onde.

  10. Boa noite caro Francisco Louçã,

    Parabéns pela crónica. Apenas uma dúvida: estará o BE disposto a enfrentar Berlim “e sus muchachos” no que toca à eventual formação de um governo apoiado pelo PS, BE e PCP-Verdes? Ou aqui a regra do “terceiro excluído” não se aplica no dito acordo? Um abraço.

    1. Tudo o que correr mal ao governo Costa será sempre culpa de Berlim. Ainda não tomaram posse mas o argumento já está pronto a servir.

    2. Estou certo de que Berlim nos tem ajudado muito. Paga juros negativos e impõe-nos 3%. Com amigos destes, dispensamos os inimigos.

    3. A Europa, o Tratado orçamental e as obrigações daí recorrentes serão a pedra no sapato do Costa. É natural que os comunistas do BE e do PCP moderem um pouco o discurso relativamente a essa questões mas só no início. A médio prazo não os estou a ver a dar o dito pelo não dito como Tsipras.

      Nas questões europeias o PS precisará sempre do apoio parlamentar do PSD e do CDS e, sinceramente, destes só poderá esperar um boicote cerrado na Assembleia da República. A oposição do BE e do PCP não será muito visível na aprovação do orçamento de Estado de 2016, mas no seguinte ( e caso o Governo Costa dure um ano) esse malabarista precisará do apoio do PSD e do CDS, os quais, não creio que venham a estar disponíveis para o efeito.

    4. Mais uma mentira de Louçã: Quanto é que o Louçã emprestou ao estado português em Maio de 2011 e a que juros? Mentir não é saudável. A Alemanha, quando mais ninguém no planeta nos emprestava a menos de 18%, emprestou-nos a 3%. O FMI por eles emprestavam a bem mais que 3%.

      Retórica soviética no seu melhor.

  11. “Se tudo lhes correr bem, farão esquecer o empobrecimento que impuseram a Portugal”. Não consigo descortinar o sentido desta frase. O país está mais pobre? Como e quanto? Sempre fomos um país pobre, temos um grave problema de competitividade e produtividade, é esse o nosso maior problema, e disso ninguém fala. Ou será que isso do empobrecimento se resolve com as primeiras medidas anunciadas já hoje para discussão pela grande coligação de esquerda, a saber: aborto, feriados, adopção homossexual, 35 horas semanais e complementos de pensão (Público de 29-10-2015).

    1. Tem toda a razão. Resolve-se pondo 4,9 mil milhões no BES e levando o défice para 7%.

  12. Olhe que não caro Francisco Louçã, olhe que não…
    Os portugueses rejeitaram literalmente os promotores de extremismos (basta consultar as percentagens de votos) como tal, seria um contra-senso ignorar a “força política” mais votada.Como disse M. L. Albuquerque em política não vale tudo… e o povo já tomou consciência da existência de um abismo entre a realidade e a aparências das coisas.
    Houve quem votasse por convicção ideológica e agora vê traídos, por conveniências pessoais e partidárias, esse princípios e valores em que sempre acreditou e pelos quais sempre lutou… a democracia não deve, nem pode, ser hipotecada por interesses de conveniência.
    A democracia não tem guião, apenas liberdade, igualdade e equidade…

  13. Naturalmente porque gostam de ver o Kim Kosta apunhalar o Jerónimo e dar o abraço do urso à Katarina dos sorrisos envenenados.
    Não se vai perder grande coisa. Já o mesmo não digo da facada espetada no António José Seguro.
    Mas vou aceitando pois parece estarmos perante uma pessoa que discordando visceralmente de Costa se mantém calado.

  14. Como diria João Soares. O Professor Louça, pessoa que muito estimo, vale mais do que anda a mostrar. Talvez a pressão de ter que fazer tantas crónicas seja a razão.
    Então reconhece que é um facto que o Governo indigitado vai cair na AR e que tal facto é reconhecido à direita e à esquerda. Cumulativamente critica o facto da constituição desse Governo resultar dessa condição.
    Não satisfeito com este cinismo, arranca para concluir que a causa foi a “direita” ter abandonado Passos e acompanha essa conclusão com um voto “Se tudo lhes correr mal, a Pátria ver-se-á livre deles, o que de facto só incomoda os próprios”,.
    Só se poderá entender este voto como ” O tudo correr mal ” ser que com Costa vai acabar o fim da austeridade e será conquistado o bem-estar para todos. A não ser… , a não ser…, a não ser que a expressão do Voto corresponda literalmente ao que Louça almeja. Se o “tudo lhes correr mal” não quiser dizer que o governo de Costa vai ser bem-sucedido, mas sim que Costa/BE e PCP vão alterar o regime para uma ditadura.
    Nessa circunstância, o afirmar que tal “só incomoda os próprios” quererá dizer que, no mínimo, 38% dos portugueses se vão deixar de incomodar, talvez à custa de uma Revolução Cultural qualquer, está visto.
    Louça, pessoa que muito estimo, deveria esquecer Passos e concentrar-se em assuntos como a denúncia da corrupção (que é um mal bem mais permanente e abrangente) e no que vão fazer para melhorar a situação do país.
    receio, no entanto, que tal não vai acontecer. Quando se esgotar o tema Passos, passarão diretamente para o tema Merkl.
    Fico à espera do que Louça, pessoa que muito estimo, vai dizer daqui a um ano.

  15. Dr. Louçã, sou de direita mas respeito muitos dos seus diagnósticos – mas poucas das suas soluções – e não tenho qualquer pejo em considerar que o governo cessante fez um mau trabalho e em dizer que não votei na PàF…
    Mas afirmar “Se tudo lhes correr bem, farão esquecer o empobrecimento que impuseram a Portugal e… ” como o Dr. Louçã fez é profundamente demagógico.
    O País já era pobre – sempre o foi – e não foi este governo que catapultou a dívida publica de 80 mil milhões para 160 mil milhões em 6 anos (mais coisa menos coisa e, curiosamente, grosso modo o valor do empréstimo da Troika)… e, em matéria de pobreza, não se pode deixar de falar da dívida privada, a mais alta do mundo face ao PIB (salvo erro).
    O empobrecimento já é de antanho e o endividamento galopante num país em que o peso do Estado no PIB sempre foi tóxico, não poderia senão acabar assim, com o país de mão estendida a pedir esmola e a ser esbulhado por quem voltou a nos emprestar (a discussão sobre a moralidade ou falta dela dos termos do resgate é outra conversa).
    Keynes simplesmente não funciona nas nossas condições. Já estamos no “redline” há anos e anos.
    Concordo plenamente quando denuncia a cultura de poleiro e de negociata que impera no nosso país, porque é aí que reside o problema.
    Há milhares e milhares de “poleiros” (em institutos, autarquias, direcções gerais e cujantes) que são inúteis, improdutivos e uma simples fonte de despesa (rendas, electricidade, economato, carros, telefones, etc) e é aí, num momento crítico da nossa história, que o governo deveria ter actuado. Contudo, como tal é contra os interesses dos partidos, dos seus boys e das suas clientelas, obviamente nada foi feito.
    Agora… sejamos claros, esperar que um governo PS, ainda que condicionado pelo PCP e pelo BE mude alguma coisa de significativo, é risível.
    Sem emagrecer o Estado onde ele deveria emagrecer não vai haver dinheiro para repor os rendimentos erradamente “corrigidos”.
    O Estado, tem que premiar quem presta – com qualidade e empenho – trabalho e serviços úteis e essenciais como nos sectores basilares da sua actuação: na Saúde, na Segurança, na Educação e na Justiça, mas para isso também terá que equiparar o emprego público ao emprego privado.
    Progressão na carreira e progressão salarial por mero decurso do tempo é o passaporte para o comodismo e para a improdutividade.
    Sem risco de ser-se despedido e sem risco de ser-se ultrapassado por um Colega mais diligente só um santo “dá ao litro”, por mais que se lhe pague.

  16. Sr. Dr. Francisco Louçã,

    No meio desta confusão que todos os partidos estão a colocar ao nosso Páis, não consigo perceber uma coisa. Imagine.
    Eu venço por exemplo uma maratona em 2 horas e no ano seguinte venço essa mesma maratona em 2h5m, julgo que serei o vencedor ou por ter efectuado um tempo pior não me será atribuido a vitoria? Ou seremos todos vencedores?
    Os partifos coligados venceram as eleições, bem ou mal, os outros não obtiveram mais votos que a coligação, por tudo isto e por vivermos numa democracia não será logico que os mesmos venham a governar o nosso País?
    Imagine outra situação por favor. O PS vencia as eleições sem maioria absoluta e coligado com a esquerda ( BE e CDU) não conseguia a maioria, e a direira PSD e CDS/PP juntos apesar de perderem as eleições conseguiriam a maioria absoluta. Acharia justo que os mesmos governassem o País? Concordaria, conforme está a concordar, que esses partidos assumissem o governo, apesar de não concordar com as suas politicas? Imagino que sim por uma questão de coerência.

    1. Não sei em que país vive mas aqui em Portugal, se o PSD e o CDS tivessem maioria no parlamento é evidente que formavam governo.

    2. Caro Pedro, já que coloca cenários, deixe-me colocar-lhe o seguinte. Imagine 10 partidos concorrentes às eleições. 9 deles eram claramente contra uma política de austeridade, o décimo era a favor dessa política. Apurados os resultados, os primeiros 9 tinham 9,9% e elegiam cada um 22 deputados e o 10 partido (favoravel à austeridade) tinha 10,9% dos votos e elegia 32 deputados. Concordaria que o país deveria ser governado, com políticas de austeridade, por esse partido com 89.1% dos votos contra as suas políticas? Acha que os 32 deputados desse partido deveriam, na assembleia, tentar fazer passar leis contra 198 deputados da oposição? Se se comprovar que há uma possibilidade de os deputados do PS, BE e CDU se unirem à volta de um programa negociado à volta de um elenco governativo do P.S. isso torna-se mais importante do que o simples “vencer” das eleições que ninguém pode jamais tirar à colgação da PaF. Salvo as óbvias diferenças (e permitindo-me uma latitude enorme) é como se o Benfica ganhasse os dois confrontos diretos contra o Sporting mas viesse a perder o campeonato por pontos. Poder-se ia dizer nesse caso que o Benfica é melhor do que o Sporting pois ganhou no confronto direto, mas o Sporting seria campeão. Espero ter sido esclarecedor.

    3. Se os Açores são Portugal, caro Dr Francisco Louçâ, já houve em Portugal um partido com uma maioria relativa a governar com uma maioria absoluta de sinal contrário na Assembleia Legislativa Regional. Foi nos idos de 90 com a primeira maioria relativa de Carlos César, em que o PSD e o CDS formavam uma maioria absoluta no Parlamento.O PS de César ganhou com 45,3% e PSD e CDS faziam 48,7%. Em nº de deputados, havia uma diferença de 3, a favor do PSD+CDS. Na altura todos achámos bem que Jorge Sampaio enpossasse César como Presidente do Governo Regional dos Açores. Claro que hoje César advoga o contrário, mas já todos nos habituámos a ver figuras tristes dessas por parte dos políticos, não há que estranhar. É por isso que andam tão bem conceituados na praça pública.

  17. Caro Francisco Louça
    Não sendo votante na sua área política, gosto imenso de ler seus artigos. Contudo relembro a muito boa gente que aqui opina que a democracia tem destas coisas chatas que se chama partidos e que estes são livres de unirem-se antes e depois das eleições. Raramente votei quase sempre no cds, o que vejo até agora foi a criação de muitos “tachos” sem olhar para o povo e sempre em prejuízo nosso. Veja o caso das PPP´s enfim de uma coisa eu tenho a certeza, infelizmente esta gente do cds , psd e ps deram cabo do país e das nossas vidas sendo democrata penso estar na hora de pelo menos dar uma oportunidade aos outros, vamos ver no que dá penso que não vão comer as criancinhas ao almoço e se comerem que tenham pelo menos 25 aninhos.. (ha ha ha)
    Por fim deixamos a democracia vencer de vez em quando.

  18. caro Francisco Louçâ;
    Peço-lhe encarecidamente, que tente introduzir nos seus comentários a diferença entre esta direita neo-liberal do paf,(psd) e a direita do (há muito engavetado ) PPD de Sá Carneiro….a diferença é tão grande como a diferença entre Capitalismo e neo-liberalismo.
    Desde já agradecido, continue sempre acutilante nas suas intervenções públicas.

  19. Se Cavaco Silva não fizer o disparate que insinuou que ia fazer (manter o governo em gestão durante muitos meses), cheira-me que Passos Coelho e Paulo Portas não chegarão juntos às próximas eleições, mesmo que sejam já daqui a um ano.

  20. Fala de direita, de esquerda, do presidente… Parece-me claro que não houve um único partido vencedor nas eleições, uma vez que a abstenção não é partido. Isso mostra que os portugueses estão descontentes e descrentes nos políticos seja qual fôr a sua bandeira. Pena que os partidos se preocupem mais com suas ideologias do que com o país!

    1. Esse argumento é tão falacioso que não resisto comentá-lo. Se alguém for com amigos comer “a meias” a um restaurante que tem por muito bom, pode ABSTER-SE de escolher o que vão comer. Nesse restaurante onde a carne é toda deliciosa e o Peixe é de extrema qualidade, e onde o cozinheiro é digno de estrelas Michelin, não importa o que vem para a mesa. Quando a decisão não compromete a qualidade assegurada, não desempenha grande papel. Mas se pelo contrário essa comitiva de amigos tiver escolhido uma tasca de terceira categoria, onde muitos dos pratos são refugo do pior e o cozinheiro raramente tem inspiração para conjurar algo de comestível, então vamos, no mínimo querer dar a nossa opinião sobre o que partilhar com os convivas. Nem que seja para pedir apenas entradas ou um prato “mais seguro”. De igual modo, nas eleições, a abstenção não vem de quem está desanimado com a política. Esses podem, em última análise, votar em branco ou nulo. A abstenção é sempre o resultado de ignorância, preguiça, ou falta de formação cívica.

  21. A única forma de impedir que Cavaco continue com a ideia de dividir e incendiar o país, colocando o nosso povo meses seguidos sem governo, será os candidatos ás eleições presidenciais comprometerem-se em dar posse ao governo do PS, com o apoio do BE e CDU, que formam uma maioria do Parlamento eleito há 15 dias, tornando assim inútil este acto de Cavaco que eu acho tresloucado e completamente anti-democrático (até quem votou PSD/CDS ficou chocado com aquele discurso).

  22. Os votantes responsaveis do PSD há muito que voltaram as costas ao Paf.Alias ,e não fosse a “campanha” de propaganda feita por alguma comunicação social em prol do Paf,o proprio PSD ameaçava implodir,consequencia de estar coligado com o cds,porque é isto que muito militante do PSD,não consegue “engolir”:o sr.Portas e os seus “colaboradores”.

  23. “Se tudo lhes correr mal, a Pátria ver-se-á livre deles, o que de facto só incomoda os próprios.”

    Caro Francisco Louçã, posso relembrar-lhe que a coligação PAF foi a força política mais votada nestas eleições e que, por isso, não incomoda apenas os próprios?
    Eu percebo que nestas gincanas da política e do poder cada um queira fazer valer o seu ponto de vista.
    É humano e esperado.
    Mas quando você toma a liberdade de dizer que a Pátria agradece que nos vejamos livres daqueles em quem eu (e muitos outros Portugueses) votaram, não lhe parece um bocado falta de chá?
    O meu voto vale menos que o seu?

    1. Valem o mesmo. Mas eu dou a minha opinião, espero que não se ofenda por usar a minha liberdade. E escrevo o que penso.

    2. ò amigo andré, está cheio de sorte, Conseguiu fazer Louçã considerar que o seu voto vale tanto como o dele. Istá +e raro nos intelectuais de esquerda, acham sempre que quem vota na direita sao uma cambada de totós que nao percebem nada de politica e que andam cã por ver andar os outros. Nem deviam votar para não fazerem burradas (ou borradas). É so ouvir as conversas de café.

    3. André Carmo: ainda esta tarde, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa não compareceram à cerimónia da tomada de posse do Governo. Isto diz muito sobre as conceções democráticas dessa gente já para não falar da sua falta da mais elementar boa educação e ausência de contributo para o regular funcionamento das instituições democráticas tão desejável num momento de alguma crispação política a evitar a todo o custo. Entristece-me embora não me surpreenda sabendo das relações históricas sempre tensas entre os comunistas e os regimes democráticos representativos. Enfim, um comunista é sempre e irremediavelmente um comunista. Não há volta a dar.

  24. Há, no entanto, um lapso neste artigo… será difícil esquecer depressa Nuno Crato com todas as aberrações que deixou implementadas, desde a examite aguda que quis fazer passar por mais rigor (e não, não são só os exames de 4º ano que devem ser abolidos, mas também os de 6º, que padecem exatamente das mesmas maleitas que os de 4º, para além da PACC, claro), até às alterações curriculares nefastas, anacrónicas e sem suporte de qualquer avaliação ou investigação no âmbito do ensino, das didáticas específicas, e da avaliação escolar e educativa, mas que ficam amarradas com as editoras e com o sentimento de que não se pode estar sempre a mudar, argumentos estes que não impediram Nuno Crato de mudar programas (como os de Matemática e Português) que tinham sido acabados de implementar e para os quais se tinha feito formação de professores no terreno e mudar a legislação sobre manuais escolares depois de a ter violado… Infelizmente Crato deixou terra queimada no terreno da Educação… esperemos que ela não tenha ficado infecunda por muitos anos.

    1. Precisamente,a politica da terra queimada,pelo que se pode dizer que a rabula da “devolução” da sobretaxa,é quase nada,comparando com aquilo que o Paf tem andado a esconder, e que vai inevitalmente cair em cima do proximo governo(seja ele qual for).E preparem-se e respirem,porque vai doer…

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