Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

28 de Outubro de 2015, 23:52

Por

O namoro com os mercados

Hoje a Reserva Federal publicou um comunicado sobre a orientação da política monetária dos EUA, em particular, sobre a taxa de juro de referência.

A decisão que há muito se discute (e é anunciada) é o começo da normalização da política monetária dos EUA, com o aumento da taxa de juro em 0,25 pontos percentuais (de próxima de 0% para 0,25%). Esta decisão, porém, tem sido sempre adiada.

Cada comunicado é quase um “copy-paste” do anterior, em que uma frase ou outra é acrescentada ou retirada. Dependendo da frase que foi alterada, os observadores fazem depois uma interpretação sobre se o aumento da taxa de juro é mais provável ou não.

Este tipo de actuação é influenciada pela teoria académica dominante, segundo a qual a política monetária deve ser previsível e baseada em regras. Ou seja, nada de surpresas! Só que o actual estado de coisas parece profundamente estranho.

Já perdi a conta das vezes em que se previa que a Reserva Federal aumentasse a taxa de juro, para posteriormente adiar o processo. De cada vez que a Reserva Federal nada faz, as bolsas de acções festejam, com subidas “espampanantes”. E, por isso, a Reserva Federal aparenta ter cada vez mais receio de subir a taxa de juro e ver as bolsas colapsar….

Parece até que o objectivo da política monetária não é a estabilidade de preços nem a promoção do pleno emprego (como definido nos respectivos mandatos), mas sim a promoção de índices bolsistas sempre crescentes, num caso claro e óbvio de “mission creep” (i.e., assumir missões para além das definidas). Deixando obviamente os investidores/especuladores contentes.

Comentários

  1. Caro Ricardo Cabral, parece-me que está a desconfiar de um namoro duvidoso! Algo que sabe bem se passa é que a inflação, conforme medida pelas actuais estatísticas manipuladas, continua extremamente baixa, o que torna difícil justificar o aumento da taxa de juro. Por outro lado o suposto “pleno emprego” nos EUA é uma miragem, onde boa parte dos americanos que têm condições para trabalhar não o fazem, até porque ganham melhor a vida a coleccionar apoios “sociais” federais e estatais. O Japão, como sabe, passou mais de vinte anos com “taxa zero”, e esse é um caso que deve ser levado muito a sério. Muitos continuam a viver na ilusão de que os bancos centrais são omnipotentes e omniscientes, mas não há a mínima razão para crer em tal tolice. A Reserva Federal tem um longo historial de erros colossais, incluindo ter provocado a Grande Depressão em 1931. Até que ponto a política da “taxa zero” num país que não poupa poderá vir a ser mais um desses erros colossais, está por saber. Pelo menos para mim!

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