Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

23 de Outubro de 2015, 15:07

Por

O imbróglio eleitoral

O Presidente da República falou e decidiu de acordo com a Constituição. Só a ele compete a indigitação do futuro PM. Até é muito provável que Passos Coelho não ultrapasse o escrutínio parlamentar. Há quem chame a isso “perda de tempo”, mas há formalismos que, em democracia, têm significado. Cavaco Silva falou também de potenciais maiorias e lamentou que” interesses conjunturais se tenham sobreposto à salvaguarda do interesse nacional”. Com toda a legitimidade. Inacreditável é a falta de respeito de alguns jovens políticos ao chamarem “golpista” e “chefe de facção” ao PR. Ninguém ganha em expressar divergências com linguagens desrespeitosas. Perde a política, os políticos e Portugal.

Lembro aqui o que decidiu Mário Soares, em 1987, quando recusou uma “maioria” PRD/PS/PCP, depois de derrubado o governo minoritário do PSD. Lembro aqui como os socialistas tanto criticaram a decisão de Jorge Sampaio, quando Durão Barroso foi substituído por Santana Lopes, parecendo que nessa altura ter maioria absoluta era um pormenor despiciendo (ao contrário do que hoje argumentam). Diziam então que Santana não havia sido “eleito” para PM e daí concluíam a sua ilegitimidade política, aceitando assim a tradição de que, indirectamente, as eleições gerais também elegem potenciais PM e não apenas deputados. E agora? Esquecem-se que Costa perdeu a corrida para PM? Viva a coerência!

O que separa a coligação e o PS é, em alguns pontos, significativo, mas não inultrapassável e não põe em causa a genética partidária. É uma questão de graus, caminhos, ritmos. O que separa o PS do PCP e do BE, aí sim, é de pura natureza genética, em questões essenciais de um país inserido numa união europeia, económica e monetária com regras (boas ou más) a que o PCP e o BE se opõem e demonizam. Pelo que é público, o PS cede em pontos essenciais do seu programa: TSU, contrato de trabalho, pensões, condição de recursos, bem mais do que aconteceria se acordasse com a coligação. E o PCP e BE põem no congelador o seu “ADN”. É isto que se chama uma solução consistente e duradoura e conforme as regras orçamentais da UE? Não foi António Costa que chamou a estes seus agora “companheiras de estrada” partidos de mero protesto, ou, do outro lado, não se disse que PS, PSD e CDS eram “farinha do mesmo saco”? E tudo isto não foi há anos, há meses, foi há poucas semanas…

Já aqui escrevi que PCP e BE têm igual direito a fazer parte de soluções de governo. Não há partidos de primeira e de segunda. Mas, que eu saiba, 82% do eleitorado, em 4/10, não gostou democraticamente dessa possibilidade. Também já escrevi que os pequenos partidos são vítimas do voto útil, o que, para mim, é uma perversão democrática. Não os critico por procurarem, com os seus argumentos, fazerem parte das soluções e não dos problemas.

O que critico veementemente é a posição de António Costa. Perdeu em todas as perspectivas: 1) no “duelo” com Passos Coelho para PM; 2) em ter ficado a 6 pp da coligação, depois de 4 anos de austeridade violenta (o que é obra!); 3) em não captar votos de desiludidos com o Governo que foram para a abstenção; 4) em perder votos para o BE, 5) na comparação com Seguro que, “coitado”, até ganhou.

Mas, para passar a “ganhador”, forjou uma maioria aritmética que jamais foi apresentada ao eleitorado. Uma batota política! Que, aliás, beneficia da restrição constitucional de, durante meses, não poder haver nova consulta eleitoral. Nessa altura, tudo seria mais claro perante as ora sabidas intenções do líder socialista.

Em suma, António Costa deve ser o primeiro líder partidário que, tendo perdido em tudo, pode vir a ser PM. Ao que chega a cegueira de querer ser poder a qualquer preço.

Como me disse um amigo, todos ganharam (o costume). Só Portugal terá perdido…

Comentários

  1. Caro Dr. Bagão Félix.

    Porque é que nos andamos todos aqui a preocupar com a política, se podemos suspender todas as eleições daqui para a frente, e esperar que Cavaco Silva “caia abaixo da cadeira”, como Oliveira Salazar?

  2. Bom dia,
    Só para lhe recordar que em 2011 foi igualmente “forjada uma maioria política jamais apresentada ao eleitorado” sendo assim, nas suas próprias palavras uma “batota política”. recordo também que nessa mesma campanha o PSD falou acaloradamente por mais de uma vez no caso dos submarinos, abrindo assim precedentes para mau estar futuro.

  3. Os 82% que não gostaram da ideia de ter um governo com BE+PC (mera opinião do autor sem qualquer credibilidade científica) serão porventura os mesmos 82% que não o quiseram no governo entre 2002 e 2005 (mera opinião pessoal).

    Já agora convinha não enviesar a verdade: não se tratou de uma eleição de um primeiro ministro mas sim um governo.

  4. Concordo genericamente com a argumentação do autor. Também acho que Cavaco Silva fez bem em ter indigitado Passos Coelho para Primeiro-Ministro. Mas, ao contrário do autor, acho que o Presidente, numa hora de desunião entre portugueses, deveria ter ficado por aí. A argumentação do autor diz respeito aos fundamentos da democracia como regime ético, baseado na legitimidade popular. Aqui entra a distinção entre legitimidade e legalidade. A legitimidade ganha-se no enunciar de um programa ao eleitorado. A legalidade pode ser uma fórmula deixada pelo legislador para processos excepcionais. É legal o PS, o BE e p PCP fazerem uma coligação mas não é legítimo. Não se candidataram anunciando que o fariam e os votos que recolheram baseiam-se portanto em outras premissas. Nas actuais circunstâncias, só há uma solução legítima: o PS viabilizar o Governo e o Orçamento de Estado para 2016 e, depois, tratar da contenda para legitimar novas eleições. De outra forma, estaremos a fazer um golpe de estado.

    1. Essa do “não anunciaram” é boa. Pena não a aplicarem ao possível cambalacho entre PSD e PS que tantos gostariam de ver anunciado.

    2. Este Sr Dtr já defendeu que seria normal e aceitável o Psd/ CDS coligar-se com o PCP que tem gente séria e que até poderia ter uma pasta, relacionada com os Assuntos Sociais. A falta de coerência em favor da conveniência, leva-me necessariamente a não valorizar artigos destes. Podemos mudar de opinião, aceitarmos que estávamos errados,etc…mas se não formos coerentes a credibilidade passa para um outro plano.

  5. Ao anónimo liberal, que também os há, agradeço o contacto , a eventual ironia e o ter-se voluntariado para a revisão do meu despretensioso texto.
    Lamento que se ficasse por aqui e abandonasse o contraditório, tão importante nestes debates que se querem sérios e consequentes.
    Manuel Estrada

  6. A crónica tem duas partes.
    Na primeira, defende-se a decisão do Presidente da República.
    Não concordo com os motivos invocados, mas aceito a argumentação, excepto num ponto:
    Para que precisou o Presidente de duas semanas para apresentar a solução ao País? Por favor não me venham dizer que foi à espera, na esperança que o PS se reconciliasse com a Coligação.
    A “perda de tempo”, tem também outro sentido.
    Para que é que o Presidente vai dar posse a um Governo que, se ainda teria uma réstia de possibilidade de passar na Assembleia da República, o resto do seu desastrado discurso se encarregou de desvanecer essa possibilidade?
    Adiante.
    Na segunda parte Bagão Félix tece diversas considerações que podem ou não vir a verificar-se, e outras de péssimo nível, como o ataque pessoal descabelado que faz a António Costa, um personagem que bem, ou mal, todos agridem, mas com quem, bem, ou mal, estão condenados a entender-se, pelo que estes ataques ditados pela frustração são, antes de mais nada, profundamente estúpidos, da parte de quem o quer atrair para “consensos”.
    Mas são a sua opinião pessoal e tem direito a exprimi-la.
    O problema está no subtil deslocamento de raciocínio na passagem da primeira para a segunda parte.
    É que se se pode defender sem extraordinário escândalo que Cavaco fez bem em indigitar Passos por ser o dirigente do Partido mais votado, porque isso está legalmente correcto, as considerações da segunda parte são completamente estultas para o que interessa: os partidos políticos, todos, representados na Assembleia podem legalmente, também, acordar-se livremente, da forma que queiram, para alcançar soluções de Governo, independentemente do que cada um (especialmente os deixados de fora) pensa sobre a sua natureza, ou da estabilidade desse Governo, não sendo dispiciendo notar que os partidos (ou o Partido, as coisas começam a ser confusas) do actual Governo, que tanto quiseram “consensos”, em nome do interesse nacional e da estabilidade, agora prometa uma política de guerra queimada em nome do interesse nacional e da… Estabilidade.
    Bagão Félix mistura a defesa de algo legal e até, penso, consensual, com a sua opinião pessoal, colocando-as, a meu ver, abusivamente no mesmo plano. É que a sua opinião pessoal não interessa absolutamente nada para o voto da maioria dos deputados que efectivamente têm o poder de eleger o Próximo Primeiro Ministro.
    Não deixa de ser assombroso que quarenta anos depois do 25 de Novembro de 1975, já integrados na Europa, já integrantes do Euro, fazendo parte da Nato, apareça gente a defender uma “posição musculada”, isto é, a intervenção do Exército, provavelmente para suspender a Constituição, ilegalizar partidos com assento no Parlamento desde há décadas, integrando e dirigindo inúmeras autarquias, com as inevitáveis consequências de todas as ditaduras.
    O Dr. Bagão Félix que está, como muita gente, desesperado com a “sede de Poder” de António Costa, e outros fantasmas ridículos, deveria talvez, assumindo que é um democrata, estar mais preocupado com esta impaciência da Direita, que se vai repetindo, um pouco por toda a Europa, quando chega a hora de aceitar a alternância de Poder que é um dos princípios básicos da Demoracia.

  7. Não me parece que o texto (aliás excelente) fale de imbróglio, mas sim de Traição.
    Talvez fosse adequado alterar-lhe o título.

  8. Bagão Félix dá-nos a ideia de um homem dentro dos termos, em tempo de tréguas, mas deixa-se facilmente enlamear a armadura quando parte em guerra. Só que a guerra que ele trava é um pouco quixotesca, são moinhos de vento que ele próprio ergueu, uma panaceia de argumentos grotescos e despojados de sentido que pouco lhe retêm a imagem de homem algo justo como se querem os cristãos. Bagão Félix partiu em cruzada contra o inconcebível, o demónio que invade a democracia com os seus próprios princípios, uma maioria parlamentar que não pode existir à esquerda, porquê? – Porque não! Bagão Félix carrega, também ele, a bandeira do desprezo institucional por 1 milhão de portugueses, muitos, cristãos como ele. Mas, quando estar calado seria cem vezes mais prudente e sagaz, ele prefere destronar a imagem de homem sensato que granjeou e deita tudo a perder por um punhado de postulados ocos. Sö me lembrei deste provérbio chinês:

    “Yiren zhi jian, yijia fu” – “quando uma pessoa tem a noção da poupança, toda a família enriquece”

  9. Caro Bagão Felix,
    nas atuais circunstâncias, tentar meter um pouco de água na fervura na relação entre PS e PSD/CDS é uma coisa louvável. Contudo, não penso que a forma escolhida tenha sido a melhor por duas razões relacionadas entre si.
    1) A redução do problema do PS ao desejo de poder do Costa, fulanizando a questão, sem ter em conta o contexto económico e político atual, é uma forma demasiado superficial de explicar e compreender o problema. Há a tendência para dar demasiada importância aos líderes, quando na verdade aquilo que interessa são o porquê do sucesso desses lideres. É que sozinhos não vão a lado nenhum. O segredo de Hitler não está no próprio Hitler, mas sim nas condições propícias para que os cidadãos Eichemann dessem o seu apoio e obedecessem às suas ordens O mesmo vale para um Salazar, para um Obama ou para um Nelson Mandela. Se não tivessem um grupo grande de pessoas dispostos a apoiá-los, a aceitá-los com maior ou menor entusiasmo, nunca seriam ninguém. Resumo, a história no longo prazo segue o seu rumo e marimba-se para o fulano x ou y. Nenhum indivíduo fez a diferença na emergência e na conclusão dos sistemas senhoriais ou dos sistemas monarquistas, ou na transição destes sistemas para as sociedades capitalistas.
    2) Nesse sentido o interessante é compreender o porquê ou como do sucesso das políticas ou ideias representadas por certos indivíduos. Qual o contexto que explica esta posição do PS e a aposta da maioria dos socialistas no Costa? É que o caso do PS não é isolado na Europa. Veja-se o que aconteceu no Reino Unido ou na Grécia. Os Partidos Socialistas ou Sociais Democratas (os verdadeiros) são partidos cada vez mais encurralados entre as condições impostas pelo mercado e o ataque cerrado dos partidos da direita europeia, que basicamente exigem o abandono da sua genética social democrata em troca dum lugar no arco de governação (nem o reformismo à la terceira via é suficiente); e pelo risco de se tornarem em partidos que não oferecem alternativas ao eleitorado, perdendo assim o seu eleitorado para a esquerda. O problema dos PS’s relativamente à direita e aos mercados não é um problema meramente tático (luta pelo poder). É um problema genético. À direita houve um centro gravítico neoliberal que foi esvaziando todas as outras doutrinas típicas da direita (liberalismo clássico, ou formas de liberalismo mais pragmáticas na relação com o estado e com a sociedade, personalismo, humanismo laico ou cristão) e que transformou a própria genética da direita. E não se trata só de questões abstratas e doutrinárias. Tratam-se de diferenças concretas e que estão relacionadas com os resultados económicos e sociais, políticos…das políticas que tentam subordinar tudo ao mercado, à lógica de mercado, ao utilitarismo e à competição…inclusive a solidariedade social e a família que se tornaram em meras válvulas de escape do mercado. Por uma questão de sobrevivência, e de genética, os partidos socialistas vão encontrando pontos de convergência noutras paragens.

  10. O espaço do Bagão Félix no blog merece maior elevação. Façamos um esforço para que a crispação que se vai vivendo não dê lugar a agressões.

    1. Para isso seria necessário um partido fascista com representação parlamentar. Tem a certeza que é isso que quer?

  11. “Ninguém ganha em expressar divergências com linguagens desrespeitosas.” – pois não. Só com sangue mesmo… a exemplo da Revolução Francesa.

    1. Este ficou em 1789… Coitado, só não sabe que uma das cabeças que seriam oferecidas à “viúva” seria provavelmente a dele…

  12. Repito aqui um “post” já colocado noutro artigo: durante anos figuras gradas da nossa direita peroraram amiúde para que fosse consagrada na Constituição a “moção de censura construtiva”. Na prática é o que agora vão ter…e parece que já não gostam! Só prova que o que esses senhores querem é que as “regras” sejam feitas à sua medida. Ainda os vou ver defender a revisão diária e “simplex” da Constituição. (Aposto que também ficariam contentes se fosse importada uma velha ideia alemã: a de que a Constituição deve ser interpretada e atualizada pelo “Führer”. Mas só se o Chefe for…o seu…)

  13. Dr.º Bagão Félix

    Neste seu emaranhado de percentagens para justificar a legitimidade desta primeira indigitação do PC para construir um governo para o país, vai-se esquecendo, reiteradamente, que se os governos emanam da assembleia da republica, existem outras legitimas possibilidades com igual ou maior consistência do que aquela da sua predilecção. E não caia no estafado argumento das questões europeias , do euro, da nato e do tratado orçamental que não passam de meras retóricas que quase ninguém tem cumprido ou que vai cumprido ás suas medidas( lembre-se de quando a própria Alemanha caiu em deficits excessivos http://www.publico.pt/economia/noticia/comissao-europeia-suspende-processos-por-defice-excessivo-contra-alemanha-e-franca-1210801) e como explica que um partido, como o CDS em 1988 participou num governo do país quando 2 anos antes tinha votado, encarniçadamente, contra a Constituição da Republica, o maior valor que qualquer partido , em qualquer país de deve reger? Deveria ter sido proibido por isso mesmo ou , como ocorreu, foi considerado de utilidade para prosseguir a governação do país sem dogmas estigmatizantes? Ou quando mais tarde teve a sua deriva anti europeista? Ou quando , recentemente o proprio PSD tentou governar desprezando a propria Constituição?.
    Como vê existe precentagens e números para todos os gostos. Resta saber quem se interessa pelo país e pelos portugueses.
    Manuel Estrada

  14. Já li aqui no Público numa das crónicas do Sr. Bagão Félix que o paralelismo da proposta do Sr. Costa, Srª Martins e Sr. Sousa com o futebol e usando os resultados do campeonato da época passada, é o SLB não ser o campeão porque juntos o FCP e o SCP têm mais pontos. Na altura ri-me mas não comentei dado que era muito cedo, os acontecimentos estavam apenas a começar a desenrolar-se e quiçá, o racioncíonio lógico voltaria a sobrepor-se aos instintos mais básicos.
    Leio a presente crónica e vejo que o Sr. Bagão Félix está ainda preso a estes instintos básicos que não traduzem a capacidade cognitiva do ser humano.
    Retomando a analogia com o futebol, é por demais evidente que se o campeão fosse eleito pelo conjunto dos clubes que disputam o campeonato tendo em conta a sua pontuação no final da temporada, a situação tinha similitudes com o apoio parlamentar a um governo. Como não é o caso, é apenas um apontamento de humor.
    Mas alguém já pensou quais seriam as consequências de abrir esta caixa de pandora que é a total discricionaridade do Presidente da República em escolher um Primeiro Ministro? Se se concorda que tal facto decorre da Constituição da República Portuguesa, então porque é que o Presidente da República deve “ouvir os partidos representados na Assembleia da República” e ter “em conta os resultados eleitorais”?
    Se se permite tal arbitrariedade, qualquer Presidente da República pode nomear qualquer pessoa elegível para Primeiro Ministro, pode inclusivé nomear sem justificação um Governo de iniciativa Presidencial à revelia do Parlamento. Pode por exemplo nomear um Primeiro Ministro que defenda a escravidão, a pena de morte, um regime totalitário, pode eleger um Primeiro Ministro de esquerda tendo o parlamento maioria absoluta de direita e vice-versa.
    Ao que é que isto nos levaria? De certeza que não à tão apregoada estabilidade, ao amor dos “mercados e credores”.
    O Sr. Cavaco tem de ser chamado à responsabilidade, no limite pelo Tribunal Constitucional orgão máximo de fiscalização jurídica dos outros orgãos de soberania.

  15. A memória é tramada e não há nada como o prelúdio de graves crises e convulsões sociais para se definirem barricadas.A de Bagão Felix é a da defesa do status quo.Em 2011 PSD e CDS não concorreram coligados mas conseguiram a maioria absoluta porque Passos Coelho prometeu romper radicalmente com a política de Sócrates.Não o fizeram e anunciaram orgulhosamente terem ido ainda mais além do exigido pela troika, embora Daniel Beça dissesse então que o teor do acordo com a troika fora obra e tinha a marca do PSD/Passos Coelho.Em 2015 PSD/CDS pediram nova maioria absoluta para prosseguirem a mesma política mas, apesar de coligados, perderam votos e tiveram a 2ª mais pequena votação de sempre.Os deputados “ganhos” pelo CDS não corresponderão assim ao seu actual peso real.O PS solicitou também ao eleitorado uma maioria absoluta para inverter a política do PSD/CDS mas não a obteve e prometeu votar contra qualquer eventual OE do PáF.Contudo, comparativamente a 2011 o eleitorado reforçou a votação no PS, CDU e Bloco e, consequentemente, o nº de deputados permitindo que o conjunto destas forças políticas tenham a maioria absoluta no Parlamento.Sendo a AR soberana, rejeitado o Programa de Governo do PáF e decidindo constitucionalmente a maioria PS, BE, PCP e PEV viabilizar outro Programa de Governo, que resta aos apoiantes do PR/PáF?O estado de sítio? Provocarem e acirrarem o caos e a instabilidade política? Parece que o Presidente da CIP não concorda com a crispação social provocada pelo PR.

    1. Espero sinceramente que não se chegue a isso, mas antes uma intervenção musculada para dissolver o parlamento do que um governo comunista em Portugal. Por musculada eu quero dizer militar, para não haver equívocos.

    2. RECTIFICAÇÃO – O seu a seu dono. No texto onde está “Daniel Bessa” deve estar “Eduardo Catroga”.

  16. O Dr. Costa é reconhecidamente um homem de acordos à esquerda e desde sempre. Nem outra razão haveria para a sua troca com Seguro. Sabiam os eleitores e sabe o Dr Bagão Felix. Pode é haver interesse em esquecer os factos.

    1. Nessa lógica de que Costa vai para presidente da câmara, os seus adeptos “esquecem-se” de que quem tem mais votos para uma câmara municipal é eleito automaticamente presidente da câmara. Quem foi que teve mais votos a 4 de Outubro, quem foi?

    2. Não somos adeptos nem contestamos a nomeação do Dr. Coelho. Contestámos, se leu o escrito, a argumentação dominante na “direita” de que a aliança adultera os papeis depositados nos caixotes que a CNE plantou nas escolas.

  17. “só Portugal terá perdido…” refere-se apenas aos que foram votar,porque existem 42% de eleitores que nem sequer saíram de casa…e podem ate ser potenciais votantes do Paf,ou do PS…ou ate quem sabe do PCP.(já aqui falei desta abstenção,tal como falei da enorme abstenção que deu o ultimo mandato ao actual Presidente da Republica)

  18. A declaração de Cavaco vista pelo jornal britânico The Telegraph:
    “Cavaco Silva está na verdade a usar seu cargo para impor uma agenda ideológica reaccionária, no interesse dos credores e do estabelecimento da UEM, disfarçando-a sem nenhum pudor como uma defesa da democracia.”

  19. Nos dias que correm foi-me dado a perceber a importância que Mário Soares teve na vida do país no pós 25 de Abril. Falou grosso, chamou os bois pelos nomes, instruiu a população sobre o que é o comunismo e ao que vinham. Não temos, hoje, políticos com os cojones de Soares. Hoje, os políticos, apresentam-nos o comunismo como sendo um movimento quasi ambientalista anti europa, anti-euro e anti-nato, quando , na verdade, muita gente, da extrema esquerda à extrema direita pode ter muito boas razões para ser anti-europa, anti-euro. O comunismo do século XXI tendo chance de tomar o poder na Europa será uma versão revanchista bem pior que as versões que o antecederam. O frenesim para eleger o presidente da AR, que em caso de impedimento do PR assume funções, não augura nada de bom. Não se iludam, o que está em curso é uma golpada. Não julguem que em breve serão chamados a votar para esclarecer o imbróglio eleitoral.

    1. LJ: concordo com o manuel; perdoaria todas as evntuais patifarias ao Soares pelo simples facto de me ter permitido viver sem conhecer na pele uma ditadura comunista.

  20. Só comento para fazer honra à argumentação do André, do Eduardo, do Daniel e do Durão, pelo contrapeso das suas respostas à opinião do comentador que, (devo ser ingénuo!) me custa a crer que seja o verdadeiro Bagão Félix. Na verdade, aprende-se muito mais a ouvir a opinião diversificada e arguta de muitos portugueses (ai, o Povo é tão sábio!) do que expor a nossa como sendo a melhor que, geralmente, é cega e tendenciosa. Todavia acrescento que a chamada “tradição” e o “arco da governação” deveriam ser considerados inconstitucionais (é tão ridículo e perverso); assim com os governos, sejam quais forem, que só conseguem governar com maioria, versos “ditadura mais ou menos democrática” (!) como foram os últimos quatro anos, onde se evidenciaram os muito ricos e aumentou a perder de vista a multidão dos desempregados, dos pobres e dos emigrantes deste país… Quem não vê nem fala disto, não é sério ou não sentiu ainda na pele o que isso é!? Então é melhor calar-se para não provocar mais raiva. Quem votou na PAF tem um bom emprego na função pública, ou é banqueiro ou grande empresário, daí os 38% dos felizes deste país! Se a PAF tivesse ganho com nova maioria, nem tinham feito intervalo para mais quatro anos de tirania económica! Quantos portugueses chegariam ao fim com vida? Estamos fartos de oportunistas, de mentirosos, falsos competentes e aproveitadores do poder que ficam impunes…

  21. Ler resultados é uma ciência social. Todos temos uma. 80%, 60%, 40%, 10%, 5%, 0%. Mas o que é que isso interessa? O que interessa é o que se está representado no parlamento. Abra os olhos que a realidade não para.
    Olhe mas para não se sentir sozinho, eu lanço mais uma percentagem: 7 partidos estão representados no Parlamento, 2 têm como líder uma mulher (12% dos votos), 4 um homem. Logo o primeiro ministro deve ser um homem, foi assim que os Portugueses votaram.
    Outra, dos 7 partidos representados, 2 têm siglas com 2 letras (42% dos votos), 5 têm siglas com mais de 2 letras. Logo os Portugueses querem um governo PSD-CDS-CDU-PAN.
    Fantástico! É tão fantástico como é possível dizer tanto e tão pouco ao mesmo tempo!

    1. Ena, muito interessante. Gostei muito dessa analogia com a legitimidade eleitoral do sexo do futuro/futura PM. De facto a numerologia barata é uma ciência com adeptos em portugal e vale a pena levá-la ao absurdo para a desmascarar. Parabéns!

      Foram tantos anos de sporting-benfica…então estes últimos quatro anos foram da treta da narrativa do “inevitável”, dos “credores” e terminaram ontem com o “tudo fazer pela confiança das instituições financeiras”.

      Parece que para alguns comentadores de direita (todos?) as ideias básicas da democracia representativa estão distantes… muito empoeiradas. A quantidade de vezes que se dramatizou nos últimos dias a quebra da “tradição”! Só que a palavra “tradição” aparece exactamente 0 vezes no texto da constituição portuguesa.

    2. Divirta-se com as suas sábias conclusões aritmeticas. Mesmo quando discordamos, não devemos desdenhar. É assim que manda a elegância de trato que, parece, anda pelas ruas da amargura. Não perco mais tempo com a sua prosa.

    3. João sabichão das 20:56, não se esqueça de que durante o século XX duas famílias políticas imbecilizantes varreram toda a tradição que encontraram nos países a que conseguiram deitar as mãos: foram os comunistas e os fascistas. Centenas de milhões de vidas foram também varridas, em vários sentidos, incluindo o literal.

    4. Ao António Bagão Félix, desde já um pedido de desculpas, se sentiu na minha algum desdém pelas suas opiniões. Estava somente a elogiar a a redução ao absurdo do Manuel Durão, participante deste forum. Não se ocupe mais da minha prosa: aliás na minha anterior intervenção sugiro outra, da qual, certamente não discordará, nos devemos todos ocupar atentamente nos próximos dias.

      Ao senhor (ou senhora) de 23/10 que me critica por não ter assinado com o meu apelido, faço-lhe saber que o mesmo não é “sabichão”: é Távora. Convido-o a revelar o seu próprio nome neste fórum, já que duvido que os seus progenitores o tenham baptizado de “Liberal”. Mais lhe digo que não discordo totalmente da sua análise sobre o comunismo e o fascismo no séc XX. Uma análise tremendamente simplista é quase sempre consensual. No entanto, não entendo a relevância para o argumento: quer explicar? Se acaso está a sugerir que por ter criticado o regime sporting/benfica sou necessariamente do porto, só está a dar força ao meu argumento, e a esquecer-se (lá estão as poeiras), que há cidadãos que pensam pela sua própria cabeça e não pertencem a nenhum destes “clubes”, porque a democracia não é uma coisa de clubes.

    5. Por vezes interrogo-me sobre as causas de tanta ânsia para saber o meu nome civil. Deve ser porque as pessoas ansiosas por isso desejam dar-me prendas e aplaudir-me… Só pode! Ah “gandas” democratas!

  22. Não vale a pena esperar ou reclamar coerência de “animais políticos” como Pinto de Sousa ou António Costa, pois a única coisa que os move é a ambição. A pretensa legitimidade de um hipotético governo PS/PCP/BE existe, mas é apenas formal, não é democrática, pois o povo não o quer. Estamos a assistir, com um caso concreto, a uma demonstração de quão deficiente é a sagrada Constituição do Estado português, também no domínio que se alega ainda mais sagrado, o da democracia. Temos sem dúvida alguma um Estado falhado sob um regime constitucional falhado, poderemos também dizer que temos uma democracia falhada? É defensável. Salazar dizia que os africanos não estavam prontos para a independência, coisa em que teria razão, talvez também pudesse ter dito que os portugueses não conseguiriam fazer um Estado sólido em democracia, logo não estavam prontos para a democracia. Sai bancarrota. Sai emigração. E que mais? A Grécia alumia agora o caminho da civilização em direcção aos novos amanhãs que cantam do 3º milénio, mas creio que Friedrich von Hayek teria dito que o seu destino é a tirania.

  23. Desculpe lá, Dr. Bagão Félix, até me pode incluir nos tais 82% do eleitorado de que fala, mas não tem o direito de afirmar que não gostei da possibilidade de um governo à esquerda. Gostei, e bastante. Eu e muitos socialistas sonhamos com isto há 40 anos. É que, na realidade, sinto-me muito melhor nos 62% que rejeitaram este governo.

    1. Está no seu legítimo direito. Como eu estou em pensar que houve votantesdo PS que não se revêem neste hipotético acordo a esquerda.

  24. o seu texto é uma súmula de letras e palavras que parecem uma laranja seca. Não produz sumo mesmo depois de bem esprimida. O que lhe escapa, ou não quer ver (mas já diz o provérbio “o pior cego é o que não quer ver”), é o fundamental. Muito blá blá mas a única coisa que resultou directamente das eleições foi uma nova composição do parlamento. Pode falar das estórias que bem lhe apeteça sobre as eleições mas não deve ignorar a realidade sob pena de que esta lhe poder acertar em cheio.
    Compromissos, compromissos fazemos nós todos os dias. Uns mais importantes, outros menos. A democracia tem na sua essência a liberdade de fazer escolhas, compromissos. No entanto, em democracia não vale tudo. Por exemplo, não vale o uso da maledicência para menorizar as escolhas livres dos dignos representantes da vontade popular. Não vale impôr opções, por muito legítimas que sejam, por cima das opções doutrem. Não vale não respeitar a democracia representativa.
    Por muito que lhe custe, e eu sei que lhe está a custar um poucoxinho, o PS, CDU e BE decidiram livremente tentar elaborar um acordo que suporte um governo do PS. Não estão no seu direito? Quem os pode censurar por terem optado por semelhante escolha? Já se deu conta de quantas decisões voçê toma em cada segundo, algumas mesmo inconscientemente? Haverá alguém que concorde que voçê não deve ter essa liberdade caso não concorde com as suas decisões? Certamente que nenhum democrata concorda.
    Como tal, não se preocupe tanto com os folclores, com as conversas de café porque afinal voçê escreve para um jornal e não escreve para o seu vizinho. Concentre-se no que é objectivamente importante.
    Na vida a medida do nosso sucesso faz-se também pela capacidade de não perder uma oportunidade para estar calado.

    1. Também teve uma oportunidade para estar calado porque comentou tudo que eu não escrevi,.
      E já agora talvez fosse bom aprender que voçê se escreve você.

    2. Oh João André, voçê gosta de opinar e dar conselhos não solicitados! Nunca lhe ensinaram que não deve dar conselhos a quem não os pediu? Nunca lhe ensinaram que os conselhos não se dão com agressividade? E diga-nos lá, afinal o que é “objectivamente importante”? É que eu gostava de saber isso, já ando há uns aninhos por esta Terra de mistérios, e ainda não descobri de ciência certa se alguma coisa é mesmo importante, quanto mais objectivamente importante, por isso talvez o João André nos possa iluminar como um deus com a sua sapiência “objectiva”! Que tal?

    3. Peço desculpa se se sentiu ofendido com o conteúdo do meu comentário. Não foi certamente a minha atenção. Saudações democráticas.

    4. Dr Bagão Félix não considero que o leitor João André tenha feito um comentário directo a si. Posso estar enganado como é óbvio. Penso no entanto que a sua resposta é um pouco deselegante. Em particular na correção do erro ortográfico. Penso que seria mais útil que se pronunciasse sobre o conteúdo do comentário e não ser um mero output de um qualquer corrector ortográfico.

    5. Ó Manuel Rodrigues, a alegada deselegância que imputa ao António Bagão Félix, mesmo que o fosse, seria sempre um pêlo do Catroga comparado com afronta que o leitor faz a qualquer defensor da liberdade ao ousar corrigir ou orientar a liberdade de opinião do António Bagão Félix.

    6. Liberal, animal primário [sic] (see the “ironic use” of sic), o problema de não saber o que é “objectivamente importante” é seu e apenas seu. Por certo não está à espera que eu perca o meu tempo consigo. Até um liberal deve saber os propósitos de uma CBA ou CEA. Mas pare de pensar muito porque é que o comboio passou a horas e você não o apanhou porque chegou atrasado. Ou se quiser, veja que está na linha de comboio e pare de pensar o que faz um comboio na linha a dirigir-se na sua direcção, pode ser que ainda vá a tempo.
      manuel com m minúsculo, por não exibir sequer respeito próprio espero que não me leve a mal por optar não perder muito mais tempo consigo. Mas já que evidentemente se esforçou em demasia para que lhe respondesse, apenas registo com um sorriso que considera que a minha liberdade de opinião é uma afronta à liberdade de opinião de outros por si escolhidos. Eu muito humildemente apenas penso que voçê é uma afronta à estupidez humana.

    7. “Nunca lhe ensinaram que não deve dar conselhos a quem não os pediu? Nunca lhe ensinaram que os conselhos não se dão com agressividade?” Ui que medo mete ò Liberal! Vou já correr para debaixo da cama.
      Mas antes vamos dar umas palmadas a esses “esquerdalhas” “mal-educados” que andam em maioria por aí! Se for preciso usamos o chiquote, que me diz Liberal?
      “objectivamente importante”:
      http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/objectivamente
      +
      http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/importante
      Chega?
      E, não sendo o Sr. Bagão Félix, também tenho corrector ortográfico, e quando diz “Oh João André”, quer mesmo usar uma interjeição de desejo ou de alegria? Pode-se ser liberal e o seu contrário ao mesmo tempo? Esta pergunta é objectivamente importante!

    8. João andre: noto que me atribui a qualidade de ser uma afronta à estupidez humana e que você (SEM CEDILHA) se sentiu afrontado. Deduza o resto; o silogismo é básico.

    9. Errado meu caro manuel. A ignorância por vezes é uma benção mas na maioria das vezes é uma limitação. Junte-lhe uma pitada de estupidez e olhe-se ao espelho.
      Lamento imenso ter perdido o meu tempo consigo ao responder ao seu comentário. De facto, eu já sabia dos riscos que corria ao tentar dialogar com semelhante criatura. Mas, alas, agora é tarde demais.
      manuel por acaso na sua cabecinha o único neurónio que você tem fez eco do seguinte pensamento: “escreve que é uma afronta à estupidez humana, logo eu sou o símbolo contra a estupidez humana”, certo?
      Cara criatura com cérebro de ervilha, nada mais errado. Se conseguir interpretar o significado do meu texto dirigido a si não deve estar à espera que a conclusão seja que você está do lado da barricada dos animais racionais.
      Pelo contrário, você tem o enorme mérito individual de fazer retroceder o nível de estupidez humana uns bons milénios. Você dilata o intervalo do possível da estupidez humana, você representa uma afronta para o actual estado da estupidez humana, você representa um novo nível inferior da capacidade cognitiva humana.
      Espero que agora me tenha feito entender. Se lhe doer a cabeça não a corte.

  25. Se o PR pudesse dissolver a AR, ou seja, se pudesse perguntar aos eleitores se concordam com com este governo PS, é mais do que certo que o AC nunca na vida vida teria embarcado neste cozinhado. O que só demonstra que o que o AC está a fazer é chantagem e, com isso, a brincar com vida das pessoas.
    E já agora o que diria a esquerda se a coligação estivesse a negociar com um partido da direita radical, caso o houvesse com assento parlamentar? Ficaria, e muito bem, com os cabelos em pé!

  26. Agradeço o seu comentário. Claro que a isenção total é um mito. Tanto para mim, como – aceitará, creio – para si. Mas a política é isso mesmo: confronto salutar das diferenças e divergências.

    1. Esperamos de todos, democracia. Até nas palavras. Vou tentar. O Sr. PR tem sido desde o inicio um autentico “máximo divisor comum”. Foi assim na questão das escutas “que lhe andavam a fazer”. Já tinha sido com a “má moeda”. Foi assim no caso bes, (que mesmo que tenha sido ele também enganado), tinha mais obrigações que todos nós, e devia ter assumido a defesa dos lesados, (por todos os meios), de forma a que a questão se tivesse resolvido com o menor dano comum. Não assumiu a sua responsabilidade. Em plena “crise de mercados e de bes”, em vez de fazer, veio falar. Não devia, mas voltou a ser igual a si mesmo. E o resultado viu-se. Quando foi para falar das eleições e do que iria fazer, disse que sabia muito bem o que ia fazer, não fez nada. Andou a ver se obrigava o PS a aceitar “pegar na burra”. Se sabia o que tinha a fazer, devia tê-lo feito de imediato. Mesmo cumprindo com todos os formalismos legais, já podíamos estar com novo governo. oi e será perda de tempo. Mais uma vez, fez o contrário daquilo que devia. Tentou obrigar o PS. Fez mal. Quando se tenta obrigar alguém, raramente (esse alguém) o faz. E mesmo quando o faz, vai boicotar o que fez.
      Atiçou os especuladores. E se há coisas de que gostam é de sangue… ou de juros, que é o que lhes interessa. Naturalmente. Mas o PR, tem que saber mais do que os “mercadores” para defender a nação!
      Deu imensos pontapés na “democracia”. E no último discurso excedeu-se por inteiro. Não tem que dizer aos “tugas” quem é que escolhem para governar nem sob que condições. Não é uma atribuição sua! Tem que fazer mais e falar menos. Tem que deixar de ser o máximo divisor comum. Essa não é uma “competência do PR. Andou ainda pior agora do que nos anos antes. Infelizmente.

    2. Nas críticas ao Cavaco, vou mais longe que o Eduardo Ferreira: Cavaco foi a maior desgraça política que aconteceu em Portugal. Mais pelo que fez e sobretudo deixou de fazer enquanto PM. O Eduardo aponta justamente uns quantos casos em que cavaco presidente desprestigia o cargo, mas até um relógio avariado acerta duas vezes ao dia. Cavaco, na golpada em curso, esteve certíssimo!

  27. O António Bagão Félix que me desculpe – tenho imenso respeito por si – mas nesta questão revela um evidente “blind-spot bias”.

    Acusa jovens políticos de utilizarem uma linguagem desrespeitosa para com o presidente. Mas falha em ver a gravidade dos termos e da dramatização utilizada pelo presidente na sua declaração. De uma só vez, acossa mais de metade dos deputados, lança alarmismo para os mercados e traça uma linha vermelha na democracia parlamentar que só na sua cabeça pode existir. Num momento de filigrana política, que exige sensibilidade e extremo cuidado, Cavaco Silva comportou-se como um elefante numa loja de porcelanas. Uma declaração desastrosa que terá consequências. E que ditará a memória histórica que deixará do seu legado enquanto presidente.

    De resto, meu caro, o seu “bias” é evidente nas suas interpretações, do que “gostou” ou “não gostou” 82% do eleitorado, ou das “intenções” do líder socialista.

    Quanto à proximidade programática entre o PS e o PSD, talvez os históricos do centro direita gostem de pensar que os seus partidos ainda representam os valores do centro moderado, ignorando o trajecto político e o repositário ideológico a que têm aderido, em especial os seus adeptos das novas gerações. Mas iludem-se. O PSD radicalizou-se, efectivamente, sendo hoje um partido muito distante do pensamento fundador de Francisco Sá Carneiro.

    Para concluir, muitos dos nossos históricos falham em vislumbrar o perigo que uma solução tipo bloco central teria para o sistema político. Teríamos estabilidade para uma legislatura. Depois, na impossibilidade de oferecer alternância que dê voz à flutuação da insatisfação do eleitorado, tal solução só contribuiria para estilhaçar a expressão eleitoral, alimentando os partidos dos extremos políticos. Representando uma alteração estrutural do panorama partidário português.

    À sua maneira, o esvaziamento do centro, apesar de lento, é já uma expressão desse processo. Os grandes partidos deveriam reflectir bem sobre as implicações do que aí vem.

    1. Vamos lá ver se percebi, para evitar alimentar os extremos políticos, coisa que quase não aconteceu até agora, a solução é agarrar nesses extremos é pô-los no governo?

      O Daniel C fala de um “esvaziamento do centro”, mas os números não mostram nada disso, o designado “arco da governabilidade” volta a conseguir mais de 70% dos votos expressos. Talvez o Daniel C se imagine já na Grécia, mas olhe que não, ainda estamos em Portugal.

    2. O Daniel C está errado. Exige que cavaco seja um Chamberlain para a esquerda comunista radical e revolucionária. Está em curso um acto subversivo e infelizmente Cavaco não tem a estatura e os cojones de um Mário Soares para consciencializar a população para o perigo que está vivendo. O que há a lamentar é não haver políticos corajosos como foi Mário Soares. O PS, por um lado foi tomado de assalto por uma seita, por outro foi colonizado.

    3. @Liberal O esvaziamento do centro de que falo expressa-se de duas formas. Por um lado, não é negligenciável o facto de existir hoje um milhão de eleitores nos partidos à esquerda do PS. Mas existe uma outra dimensão que vemos menos discutida, que reside no facto do PSD não ter hoje, e no horizonte previsível, a possibilidade de vir a alcançar uma posição de governo concorrendo de forma autónoma às eleições legislativas, como no passado. A conformação de um panorama político em que o PSD vive ancorado à dependência do CDS é também uma alteração estrutural do panorama político. E reflecte a translação do PSD para a direita, apresentando um discurso que parece colocar a social democracia na gaveta, excepto em períodos eleitorais.
      Não estamos na Grécia, é certo. Mas de momento, a tendência dos dois partidos centrais da política portuguesa parece estar a definir-se em afastamento do centro político.

    4. Caro Daniel C, talvez em anos recentes tenha razão no que respeita a o PS estar mais à esquerda do que estávamos habituados, e o PSD estar mais à direita. Mas isso não resulta de nenhum fenómeno de radicalização do eleitor, resulta das próprias lideranças e do estado de necessidade desesperado a que Portugal chegou em 2011. Mas o eleitor português continua sim a estar “descentrado”, pois continua a não votar na direita conservadora, como acontece em todo o mundo ocidental. Parece mal… Por isso o PSD vê-se naturalmente forçado a ocupar o espaço da direita, devido à dimensão da única que temos, o CDS. Nem quando a escolha era entre os espantosos Santana Lopes e Pinto de Sousa o tuga fez o que seria desejável, que era ter votado no CDS. Um dia o tabu terá que acabar, mas talvez só quando todos os vivos em 1974 já não forem … vivos.

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