Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

23 de Outubro de 2015, 11:00

Por

Cavaco Silva e o passado a morder o presente

Cavaco Silva fez o que se esperava: seguiu formalmente a tradição, indiferente ao país e aos seus próprios apelos a uma maioria absoluta, e ajudou o seu partido na estratégia de dramatização que é a jogada que resta a Passos Coelho para 2016. Mas foi também mais longe e, num registo de emoção indisfarçada, decidiu estabelecer um apartheid dentro da democracia. As consequências deste gesto são imensas, mesmo que Cavaco Silva já só tenha um par de meses para as radicalizar.

De facto, disse o que sempre pensaram os dignitários do regime, mas que nunca tinham sido forçados a explicitar, porque nos tempos modernos nunca tinham tido um milhão de votos pela porta adentro e a capacidade de a esquerda condicionar o governo. A elegância da retórica democrática foi por isso substituída pela marreta. O que assim aqui é novo é este desnudamento do regime.

A primeira consequência deste desnudamento é que facilitou a tarefa a António Costa, que só tinha obstáculos na procura de uma via de compromisso que é distinta de toda a cultura histórica do PS. Ninguém agora se pode atrever a ser o “cavaquista do PS”, pelo menos até a tempestade acalmar. Portanto, Cavaco Silva ajudou a polarizar o campo oposto ao do seu partido.

A segunda consequência é que Cavaco Silva passa a ser um passivo para a direita, porque a emoção do presidente invocando a sua autoridade excluinte, não podendo ser banalizada, foi esgotada cedo demais. Cavaco Silva, como sempre, não soube ter a cabeça fria e aguardar pelas próximas jogadas da estratégia de tensão que convocou. Deixou que se lhe colasse de novo a imagem de mesquinhez e de facciosismo, que o torna um aliado incómodo de Passos Coelho e de Portas, eles que sabem que a guerra de nervos se perde com um grito.

Finalmente, e essa é a consequência mais profunda, Cavaco Silva contribui para a crise do regime de que é a figura cimeira, porque o aprisiona entre o passado (aos problemas do país só tem a oferecer jogos partidários) e o protectorado (o campo da democracia é definido pela obediência a uma corrida para o abismo, que é a regra dos mercados financeiros). Ao fazer do regime político um mandarete de Berlim, Cavaco Silva mobiliza de uma só vez todos os recursos da ideologia obediente, da conformação satisfatória e do auto-reconhecimento das elites governantes em Portugal. Mas descola-as da vida das pessoas, porque as pensões ameaçadas, os empregos periclitantes, os filhos emigrados, as contas que se somam, a desconfiança popular perante a corrupção e o frenesim dos grandes negócios, nada disso lhe interessa. O palácio só sabe repetir que ignora as praças da república e, com isso, o passado morde o presente: o que tem a dizer aos plebeus é que comam brioches, se não têm pão.

De resto, o discurso de Cavaco Silva é uma mistificação. Portugal não pode questionar os mercados, mas os mercados consideram que Portugal é lixo mesmo quando os juros de curto prazo são negativos. Portugal não pode questionar as novas regras que Berlim impõe na União, mas senta-se ao lado de um dos Estados europeus mais poderosos que está a organizar um referendo para sair da União. Portugal tem que aceitar regras orçamentais que foram aprovadas com o argumento então inédito de que são “estúpidas”. A ideologia, quando a ideia é fraca, torna-se raiva, como Cavaco Silva demonstrou ontem.

O país lembrar-se-á deste presidente.

Comentários

  1. A. Considerem-se as seguintes afirmações ‘democratas’:
    1. «Em 40 anos de democracia, nunca os governos de Portugal dependeram do apoio de forças políticas antieuropeístas, isto é, de forças políticas que, nos programas eleitorais com que se apresentaram ao povo português, defendem a revogação do Tratado de Lisboa, do Tratado Orçamental, da União Bancária e do Pacto de Estabilidade e Crescimento, assim como o desmantelamento da União Económica e Monetária e a saída de Portugal do Euro, para além da dissolução da NATO…»
    2. «é meu dever tudo fazer para impedir que sejam transmitidos sinais errados às instituições financeiras, aos investidores e aos mercados…»
    B. Considerem-se as prioridades ‘democráticas’:
    1. O que dizer de partidos cujos programas eleitorais questionam a actual Constituição (atitude crítica – legítima – de reformulação da Constituição em vigor)?
    2. O que dizer de governos que sistematicamente legislam ao arrepio da Constituição?

    Parece que há preceitos mais ‘divinos’ do que outros…

  2. Caros leitores

    Finalmente o BE e o PCP redimiram-se do colossal erro que foi terem contribuído para a chegada ao poder dos delinquentes da Tecnoforma e dos submarinos.

    O povo português sofreu durante quatro anos as consequências da política da direita radical. Temos mais pobres, mais desempregados, mais emigrantes e mais vidas destroçadas. A dívida pública disparou para níveis impagáveis. Venderam as nossas empresas estratégicas e governaram contra os superiores interesses da Nação. Eles e o bufo da PIDE traíram a Pátria.

    A esquerda tem bastantes mais factores que a unem do que a separam. Parece-me possível, para bem de Portugal, ultrapassarem as divergências e formarem um governo estável com maioria parlamentar para esta, e as próximas, legislaturas.

    Bem hajam António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. Boa sorte, Portugal!

    1. João Chumbo…
      O segundo parágrafo do seu comentário está errado, não sei se por cegueira ideológica ou por dificuldade de interpretação. Afinal sei, branqueamento da “doutrina”.
      A legislatura que terminou foi efectivamente dura, difícil, complicada… mas, ao contrário do que diz, foi uma herança do desgoverno esquerdista dos socialistas. O governo, o tal da direita, apenas cumpriu um “programa” que era, nada mais, do que as exigências dos credores que socorreram um país falido. Tudo o resto são consequências dessa terapia. A dor e o sofrimento foram o preço…
      O terceiro parágrafo é utópico (e aqui o F. Louça) poderá ajudar)… a esquerda portuguesa é representada apenas pelos socialistas, os outros são apenas grupos extremistas e o denominador comum é apenas a “palavra” (repito, “palavra”) esquerda. Tudo o resto é divergente…leia os respectivos “evangelhos”.

    2. Compreendo o seu ponto de vista, mas se os partidos estivessem a ajustar contas nunca chegariam a acordo. E repare que, pelo que se sabe, este acordo rejeita as privatizações (mas o PEC4 era uma lista de privatizações). Ainda bem que a sensatez parece permitir um programa concreto contra a austeridade. Espero que seja bem sucedido.

    3. Acho que o Presidente da Republica nao deve nomear, em circunstancia alguma, o Dr. Antonio Costa para primeiro ministro.

      O Dr. Antonio Costa tem todo o direito a ambicionar ser Primeiro Ministro de um governo apoioado pelo BE e PCP, mas deve informar os portugueses antes das eleicoes, coisa que nao fez de modo claro.

      Agora o mais sensato e termos um governo de gestao liderado pelo Dr Pedro Passos Coelho, ate que o novo presidente possa dissolver a assembleia da republica e convocar eleicoes.

      Isto permitiria ao PS esclarecer os eleitores sobre o que pretende fazer com os seus votos em termos de coligacoes pos eleitorais. Se PS + BE + PCP nas proximas eleicoes tiverem a maioria, mesmo que o PS nao seja o partido mais votado, tera entao direito a formar Governo. Acho isto simples e nao causa incomodo a ninguem.

      Ha muita gente que ficou em casa, e muita gente que votou no PS nas ultimas eleicoes, que esta chocada com a atitude do Dr. Antonio Costa.

    4. Francisco Louçã…
      “Ainda bem que a sensatez parece permitir um programa concreto contra a austeridade.”
      Austeridade significa rigor, disciplina, seriedade… até nos “orçamentos familiares” devemos ser rigorosos e disciplinados senão somos obrigados a contrair dívida… e dívida em cima de dívida é a via mais fácil para a falência.
      Portugal é um país que não é auto-suficiente (necessita +/- 8.000 M) porque não produz, logo precisa de recorrer aos mercados…se não assumir um orçamento rigoroso e não for disciplinado no seu cumprimento dificilmente sobreviverá… isto acontece no “orçamento doméstico”, se gastar mais do que o valor do salário que aufere estará a promover dificuldades.
      Assumir as responsabilidades e obrigações é obrigatório… a menos que pretendamos viver às custas de terceiros.

    5. João Chumbo…
      1) o segundo parágrafo do seu comentário está parcialmente errado.
      Esta última legislatura foi efectivamente dura, difícil, complicada… mas, ao contrário do que diz, ela foi apenas e só a consequência duma (pré) bancarrota herdada duma legislatura de esquerda… quem conduziu o país à falência foi um partido de esquerda. Tudo o resto é branquear a verdade.
      2) o terceiro parágrafo é ingénuo… diria mesmo, demagógico.
      Em Portugal a esquerda – pelo menos até agora -, assume-se apenas através do PS. As outras “forças” que, de forma conveniente, se auto-definem de esquerda são apenas grupos extremistas de protesto, apesar de bastante ruidosos.
      As divergências serão ultrapassadas apenas pontualmente… nunca em definitivo (pelas suas características, as “cobranças” serão a ferramenta que as diferenciará).

    6. Não, austeridade significou o “empobrecimento” de Portugal, nas palavras tão em escolhidas de Passos Coelho. E agravou a recessão.

    7. Francisco Louçã…

      …, austeridade significou o “empobrecimento” de Portugal,…

      O dito “empobrecimento” foi, permita-me a analogia, uma contra-indicação da terapia.
      É óbvio que o rigor e a disciplina não iriam facilitar, as contas estavam descontroladas (algumas ocultadas) e além de ser necessário estancar a “hemorragia” a terapia seria certamente “dolorosa”. Controlar a despesa é, de certa forma, limitar os excessos.

      O economista é você mas, sem rigor e disciplina financeira, é utópico falar em riqueza.

    8. Joao Chumbo

      Nao acha que seria mais serio o Dr Antonio Costa informar os eleitores antes das eleicoes, de forma clara, que caso nao ganhe com maioria or perca mas o PSD+CDS nao tenham maioria, prefere fazer uma coligacao com o BE+PCP?

      Conheco algumas pessoas, incluindo militantes do PS, que nao teriam votado no PS se soubessem que o Dr Antonio Costa iria fazer o que esta a fazer.

      Qual e o problema de esperar 9-10 meses por novas eleicoes e deixar o povo votar novamente, com o pleno conhecimento do que cada partido pensa.

      Talvez acabemos por ter o mesmo resultado de 4 de Outobro 2015, mas acho que valeria a pena esperar.

      O Dr Antonio Costa, teria assim muito mais legitimidade politica para fazer uma coligacao com o BE+PCP.

      Nao acha?

  3. Com um pouco mais ilegalizem-se os votos que não dão jeito ou repita-se as eleições até dar a maioria que eu gosto. Ou eu ou o caos. Cavaco no seu melhor estilo. Como a memória é curta. Quando foi eleito líder do PSD a primeira coisa que fez foi acabar com o bloco central em nome da alternativa democrática. Agora no fim da sua carreira política quer obrigar a ressuscitar um cadáver que ele enterrou fez em Junho 30 anos. É preciso ter lata.

    1. A UE tem feito muito disso: repetir referendos e eleições até que o resultado seja o desejado.

  4. “aguardar pelas próximas jogadas da estratégia” – Infelizmente é isto que se passa em Portugal… estratégias de jogo para assalto ao poder. O povo? Esse que se f… Mas o povo, apesar dos joguinhos de dissimulação e de mentira, não é completamente tolo e já cansado abstêm-se… e muito bem.

  5. Já li aqui no Público numa das crónicas do Sr. Bagão Félix que o paralelismo da proposta do Sr. Costa, Srª Martins e Sr. Sousa com o futebol e usando os resultados do campeonato da época passada, é o SLB não ser o campeão porque juntos o FCP e o SCP têm mais pontos. Na altura ri-me mas não comentei dado que era muito cedo, os acontecimentos estavam apenas a começar a desenrolar-se e quiçá, o racioncíonio lógico voltaria a sobrepor-se aos instintos mais básicos.
    É por demais evidente que se o campeão fosse eleito pelo conjunto dos clubes que disputam o campeonato tendo em conta a sua pontuação no final da temporada, a situação tinha similitudes com o apoio parlamentar a um governo. Como não é o caso, é apenas um apontamento de humor.
    Mas alguém já pensou quais seriam as consequências de abrir esta caixa de pandora que é a total discricionaridade do Presidente da República em escolher um Primeiro Ministro? Se se concorda que tal facto decorre da Constituição da República Portuguesa, então porque é que o Presidente da República deve “ouvir os partidos representados na Assembleia da República” e ter “em conta os resultados eleitorais”?
    Se se permite tal arbitrariedade, qualquer Presidente da República pode nomear qualquer pessoa elegível para Primeiro Ministro, pode inclusivé nomear sem justificação um Governo de iniciativa Presidencial à revelia do Parlamento. Pode por exemplo nomear um Primeiro Ministro que defenda a escravidão, a pena de morte, um regime totalitário, pode eleger um Primeiro Ministro de esquerda tendo o parlamento maioria absoluta de direita e vice-versa.
    Ao que é que isto nos levaria? De certeza que não à tão apregoada estabilidade, ao amor dos “mercados e credores”.
    O Sr. Cavaco tem de ser chamado à responsabilidade, no limite pelo Tribunal Constitucional orgão máximo de fiscalização jurídica dos outros orgãos de soberania.

  6. O PS foi o maior desafio para a esquerda em toda a negociação pós-eleitoral, tudo parece bem encaminhado a esse respeito.

    O maior desafio será sempre a Europa, que fará tudo para impedir o mínimo recuo na austeridade. Estamos a entrar numa inevitável rota de colisão com os poderes europeus, os reais donos de Portugal. Se a esquerda aceitar deixar de fora todo e qualquer plano de preparação para a saída do euro, Portugal já perdeu. Porque como disse o próprio Francisco Louçã numa crónica anterior, de Agosto 2015:

    ” “travar a austeridade em Portugal, evitar a reestruturação da dívida e cumprir as regras orçamentais europeias” (p.131 e 222). Aqui estou de acordo. E há uma consequência, já agora: a estratégia do PS é impossível e portanto errada e enganadora. Nunca será possível cumprir esses três objetivos simultaneamente.”

    Faço-lhe então a seguinte pergunta, Francisco Louçã, o que fará a esquerda para não se enterrar e porventura Portugal com ela no erro do PS? É uma questão porventura incómoda, mas certamente essencial.

    1. José Pedro… sair do euro é regredir, é alimentar o caos e promover a miséria, é desistir de viver. A saída do euro seria prescindir da qualidade de vida. A desvalorização da moeda traria o caos, a inflação disparava, as empresas seriam incapazes de se actualizarem devido aos custos, o desemprego seria o “pão nosso de cada dia”, o sistema económico falia. Questione-se, porque razão a Grécia preferiu manter-se no euro se tinha, como alguém referiu, uma “bomba atómica” que “condicionaria” Bruxelas… diria mesmo ser utópico sobrevivermos acima do limiar da miséria se prescindíssemos do euro.

    2. Não haverá solução duradoura sem uma reestruturação da dívida. É a minha opinião e não mudei. Acho importantissimo tomar medidas urgentes desde já para dar fôlego aos reformados e trabalhadores e é sempre aplicável que teremos todos que enfrentar as grandes questões estruturais da dependência de Portugal em relação ao peso financeiro que nos estrangula.

  7. O presidente da República, comprou irresponsavelmente uma guerra com o Parlamento, porque o seu único objectivo é impôr um governo Cavaco Silva-Passos Coelho.

  8. Durante anos figuras gradas da nossa direita peroraram amiúde para que fosse consagrada na Constituição a “moção de censura construtiva”. Na prática é o que agora vão ter…e parece que já não gostam! Só prova que o que eeses senhores querem é que as “regras” sejam feitas à sua medida. Ainda os vou defender a revisão diária e “simplex” da Constituição. (Aposto que também ficariam contentes se fosse importada uma velha ideia alemã: a de que a Constituição deve ser interpretada e atualizada pelo “Führer”. Mas só se o Chefe for…o deles…

  9. Eu quando foi votar não encontrei esse tal de partido dos mercados no papel de voto. Mas pelo que leio foi o que ganhou.

  10. “A elegância da retórica democrática foi por isso substituída pela marreta.” Ouvi a distancia as declaracoes do Sr. Presidente e a melhor forma de as entender e de facto o desespero, “a marreta”. A Uniao Europeia e a Zona Euro tornaram-se em forcas extremas de ingerencia anti-democratica em todos os paises membros, especialmente os chamados PIGS. Pessoas e partidos que ponham em causa a sua existencia, nomeadamente a Zona Euro, sao tolerados se se mantiverem fora do circulo do poder mas sujeitos as pressoes imensas caso se aproximem dele. As palavras do Presidente moram em Portugal mas vivem nos corredores de Bruxelas e nos saloes do Eurogrupo. A Zona Euro sao cerca de 20 anos do sonho de toda uma classe politica nacional e europeia, nao morrera silenciosamente mas tera o seu fim. A questao e quando e de que forma….eu temo que acabara ruidosa e feiamente.

  11. Sr. Prof. Dr. Lousã
    Pese embora não comungar da ideologia do Sr. Prof., sempre me mereceu o maior respeito e consideração Há uns meses atrás, com humildade, solicitei – lhe que me explicasse o aumento da dívida pública que se verificou nesta legislatura, nomeadamente se tal aumento não estaria relacionado com o empréstimo da troika, se não estaria relacionada com as dívidas do sector publico dos transportes e também se a mesma não resultaria da sua indexação ao PIB. Nessa altura fez o favor de me responder e confirmar que, em parte, o aumento da divida resultaria de tais factores.
    Foi com espanto e admiração que, ontem , no seu programa da SIC tenha afirmado o governo que agora cessa funções aumento a divida pública em 44MM/€, sem explicar a origem do aumento da divida , resultando a ideia de que tal aumento era da responsabilidade do agora Governo cessante. Não tem vergonha de mentir ? Não tem vergonha de ser desonesto “politicamente”, obviamente.
    Melhores cumprimentos e seja mais honesto.

    1. Como sabe, essa informação sobre a PIDE é errada. Concentremo-nos no que é verdade e é importante.

    2. Em complemento ao meu comentário de 24 de Outubro, 2015 às 7.05, que sobre o teor do mesmo não obtive resposta, transcrevo, aqui, a informarção que, então, me foi gentilmente prestado pelo Sr. Prof Dr. Francisco Louçã

      “10 Junho, 2015 às 11:48
      Repito o que já escrevi. O aumento da dívida deve-se a: 1) emprestimo da troika, 2) outra dívida emitida, 3) inclusão de outra dívida de empresas públicas. Mas como medimos a dívida em % do PIB (ou seja, Dívida/PIB), se o PIB diminui o rácio aumenta).”

    3. Só uma pessoa de cabeça perdida pode ser tão grosseira. Mentir e vergonha são insultos que o deixam mal. Expliquei-lhe que o empréstimo da troika (mais os défices seguintes) eram o principal motivo para aumentar a dívida. O que repeti ontem. A austeridade degradou o PIB em 8% e agora estamos em estagnação, mas a pagar 3% por juros da troika. Chama-se usura.

  12. Cavaco, um ex-PIDE, está à altura do seu carácter e pensamento político. A democracia tem destas coisas, até permite eleger quem não é democrata!

  13. Eu acho que um governo PS apoiado por BE e PCP sera muito instavel e levara a uma perda de confianca em Portugal por parte dos mercados financeiros.

    E se o presidente tiver razao? Ja teve razao varias vezes…

    Lembram-se do que diziam os socialistas a poucos meses da quase bancarrota de 2011: estava tudo bem, quem dizia mal das PPPs e TGV e aeroporto, etc, eram velhos do restelo.

    Acho que o PS desde 1995-2015 tem tido comportamentos politicos muito erraticos e prejudiciais ao pais.

    Nao esperava nada disto do Dr Antonio Costa… Completa loucura…

    1. Se a estupidez matasse já ias tarde comprar um caixão…. BES GES, BPN, casa da coelheira, tribunal constitucional, constituição…

    2. Para ter razão basta mandar um recadinho lá para a “Moody’s” ou para a “Standard and Poor’s”. Eles estão sempre prontos a dar uma ajudinha. Prá semana já nos baixam para C-+–+- ou para CCCCD. Lá fora não tem importãncia nenhuma mas cá dentro aparecem logo 145 comentadores televisivos a agoirar três bancarrotas, quatro saídas do Euro e até a falência do Grupo Espírito Santo…

    3. Lembraste da múmia dizer que o BES era sólido e que os clientes e investidores podiam confiar à vontade? O que aconteceu com o governo de Sócrates aconteceria com o PSD/CDS se fosse governo em 2008, pois ninguém previa uma crise financeira como a que ocorreu e que afectou os USA e todos os países europeus. Mas mais, a chamada do FMI (troika), foi exigida pelo PSD/CDS e apoiada pelos banqueiros e pela múmia. Sócrates já tinha o PEC IV aprovado por Merkel e foram aqueles que exigiram a intervenção no nosso país (https://www.youtube.com/watch?v=1y8uNhZzjvo). Apesar disto, não quer dizer que o Sócrates não era ladrão e despesista, aliás o bloco central quando vai para o poder é exactamente isso que faz – servir a sua clientela. Basta lembrar os apoios comunitários no tempo da múmia e que serviam para Portugal se tornar um país mais competitivo, serviram mas foi para os amigalhaços do PSD (e do PS) rechear contas bancárias, comprar montes alentejanos e BMW’s… foi um fartar vilanagem.

  14. Cavaco, cavaco, cavaco… de tanto dizerem mal do quase ex-presidente, fazem propaganda positiva para mais um presidente de direita – o povo português vai tornar a votar num. Um povo ordinário de facto merece o marcelo rebelo de sousa que se prepara para derrotar a esquerda de forma ínfelizmente estrondosa.

  15. Nas eleições os programas de cada partido são conhecidos antes das contagens dos votos.
    Nesta solução de esquerda não conhecemos detalhe nem generalidade; apenas a declaração de que já existe entendimento.
    Não existem votos “cegos”. Ou votamos votamos para um propósito, para um programa e para aquilo que aquele conjunto de representantes politicos defendem, quando sabemos o que estão a defender em concreto, ou votamos no “clube”.
    Sou um moderado. Costumo votar no PS.
    Não me parece que a situação gerada seja benéfica para o pais e confesso que estou desiludido com a falta de honestidade intelectual que me parece ter ocupado a vida politica Portuguesa.
    Mas haverá novas eleições ( no tempo ) .
    Julgo que quando a este governo se suceder quase de imediato o anunciado governo de esquerda será necessário convocar em poucos meses novas eleições (antecipadas). Isto porque me parece que os entendimentos que se declara existirem não serão passiveis de cumprimento na conjuntura actual e porque haverá radicalização em relação aos mesmos por parte dos intervenientes.

    1. “Não existem votos “cegos”. Ou votamos votamos para um propósito, para um programa e para aquilo que aquele conjunto de representantes politicos defendem, quando sabemos o que estão a defender em concreto, ou votamos no “clube”.” – Você é inocente ou quê? É claro que praticamente todos os votantes votam no clube (aliás, a maioria nem vota, abstém-se).

  16. Caro Luma, tem a certeza de que de facto foi a Coligação quem ganhou as eleições?
    XII Legislatura: PSD: 108; PS: 74; CDS-PP:24; PCP:14; BE:8; PEV:2
    XIII Legislatura: PSD: 89; PS: 86; BE: 19; CDS-PP:18; PCP:15; PEV:2; PAN:1.
    – Como pode observar, a coligação PSD/CDS-PP, apesar de «mais votada» foi a grande “perdedora” – pois, juntos, ambos partidos da coligação perderam votos e mandatos! Mais, todos os outros partidos (incluindo o PS, tido como o “grande perdedor” da noite eleitoral) aumentaram o número de deputados!
    – Por outro lado, queira observar que as eleições Legislativas elegem a composição da Assembleia da República – e não tem por fim escrutinar qual o partido/votação “vencedor”, em ermos absolutos ou relativos!
    – Deste modo, compreende-se que o Presidente da República queira por atribuir a iniciativa de formação de Governo ao partido/coligação com maior representação parlamentar. Porém, nada na constituição obriga a que o partido mais votado seja aquele que venha a governar. Assim sendo, se outras forças partidárias conseguirem obter entendimento parlamentar sobre a viabilização de um programa de Governo, é plausível que um partido minoritário – que não o mais votado – venha a governar.
    – O que não se compreende em Cavaco Silva é a atitude crispada e beligerante – demonstrando ser desrespeitador, senão desconhecedor, das regras do jogo democrático!
    Democracia significa não apenas haver pluralidade de forças políticas concorrentes entre si – por divergência e exclusão.
    Democracia deve também significar debate, negociação – por convergência e inclusão.

    1. António Anchas… acho que não leu com atenção o meu comentário em que “descompacto” essa tal maioria de conveniência pós eleitoral. Não sei se por distracção, se propositadamente.
      A “agremiação de vencidos” que “emana” não concorreu às eleições nem qualquer “programa” eleitoral (dessa dita coligação) terá sido sufragado. Logo… a legitimidade é nula.
      Põe-se também a questão se os eleitores dos partidos “derrotados” estarão interessados em ser governados por tal coligação, tendo em conta que votaram em determinados valores e princípios que identificam ideologias e que terão sido posteriormente rejeitados ou “adulterados” por conveniências pessoais e/ou partidárias dos eleitos.
      Quanto ao discurso propriamente dito penso que, independentemente de ter contrariado as opiniões ou convicções de quem esperava outro desfecho, não terá sido agressivo ou insultuoso mas sim frontal, frio e esclarecedor.
      Democracia é também saber “perder”… adulterar valores e princípios por conveniência é embuste.
      Pois é.

    2. Ó senhor Luma veja lá bem o que está a afirmar, pois como disse ali o Prof. Louçã, a legislatura anterior teve um governo resultado de uma coligação pós-eleitoral. Os eleitores votaram nessa coligação? Ou será que alguns votaram no PSD e outros no CDS-PP? Segundo o seu argumento (é seu, olhe que não é meu), a legitimidade do governo de Passos Coelho também é nula.

      Como o senhor diz, ‘democracia é também saber perder’. Ou agora de repente a coligação PàF tem a maioria absoluta no parlamento? Penso que houve uma votação hoje na Assembleia da República. Não me consta que tivesse sido o candidato apoiado pela coligação PàF que a ganhou. Que estranho mundo este…

    3. J.D….
      1) ao contrário da “fraude” actual, o programa do governo da legislatura passada terá sido negociado (imposto) pelos credores e subscrito pelo governo demissionário ou seja.os socialistas. Tendo sido aceite pelo psd e pelo pp que, por serem maioria, se coligaram á posteriori, para poderem executá-lo (considerando que o psd venceu as eleições). Actualmente adulteram-se princípios e valores e força-se o “assalto” ao poder.
      2.) sem por em causa a pessoa, a eleição de do novo presidente da assembleia é o resultado das “manobras” de “ocupação”… aliás, pelo discurso, lamenta-se na atitude do cargo, a falta de isenção.

  17. Promover a arbitrariedade para que se pense aquilo que nos é conveniente é substituir a elegância da retórica democrática pelo embuste.Uma mentira apesar de repetida até à exaustão jamais se transformará numa verdade e ao contrário do que alguns iluminados pretendem fazer crer ninguém mandatou a esquerda para governar.
    1.) A escolha dos eleitores foi entre partidos tendo em conta os respectivos programas e não, como se teima em “gritar”, uma opção entre esquerda e direita. Dizer o contrário é apenas uma via de promover subterfúgios para justificar a derrota. Logo, aquele que obteve o maior número de votos terá sido o eleito pelo maior número de eleitores.
    2.) Tendo sido rejeitados os “programas” dos partidos vencidos que legitimidade poderá existir na imposição de um “programa” rejeitado ou mesmo, num programa “negociado” por uma “agremiação de vencidos”? Qualquer programa que não tenha ido a sufrágio será sempre uma imposição que, logicamente, fere de morte a ética e os princípios democráticos
    3.) Alegar que a maioria dos portugueses rejeitou a “coligação” é uma falácia que traveste um embuste de pretensões de índole duvidosa. E é uma falácia porque, tendo a abstenção sido demasiado elevada, devem ser levados em conta apenas os votantes (que não são a maioria dos portugueses) e também porque, tendo em conta as percentagens conseguidas, duas das forças sufragadas viram os seus “programas” literalmente rejeitados. Se 38,5% de votos deve ser entendido como rejeição o que dizer de 10% ou 8%.
    Por isso discordo que o discurso do presidente tenha sido uma “marretada”. O discurso do presidente foi mais um alerta para os perigos de “grupos” capazes de renunciar a sua identidade (não será trair os seus eleitores?) para, a qualquer preço, “assaltarem o poder.

    1. Imagine lá o que fizeram o CDS e o PSD para governarem coligados estes quatro anos: inventaram conjuntamente um programa de governo que seguramente não foi nenhum daqueles com que autonomamente foram sufragados…seriedade intelectual precisa-se, mesmo sabendo que isso é coisa de que não está dotado o senhor que ontem falou.

    2. O CDS abandonou o anti-europeismo para entrar no poder. O PPM e Paulo Portas aceitaram a república para entrar no poder. A direita, na última revisão constitucional, rejeitou que se colocasse na CRP a regra de nomear o partido mais votado para formar governo. Alguns comentadores do Público, como é o caso, insistem em não entender o regime parlamentar em que vivem. Olham para as eleições como se se tratasse de uma prova de ciclismo. Isso não é grave. Grave é que o PR coloque de lado deputados democraticamente eleitos. Seria no meu entender razão suficiente para perda de mandato. Felizmente o senhor está perto de ir para casa.

    3. A única parte que faz sentido no seu texto é quando escreve: “Uma mentira apesar de repetida até à exaustão jamais se transformará numa verdade”. Pena é que se aplica inteiramente ao resto do seu texto.

    4. Luís Sousa…eu acredito na seriedade intelectual e por isso recordo que durante estes últimos quatro anos fomos governados por um “programa” imposto pelos credores de um resgate que o PS solicitou e subscreveu… ou já se esqueceu que o país estava em (pré) bancarrota sem dinheiro sequer para salários?
      Ao contrário de alguns o presidente, correndo riscos de ser alvo da gritaria de uma multidão histérica, optou por defender os interesses do país não só no que diz respeito a um premeditado “assalto ao poder” mas também transmitindo para o exterior uma imagem mais credível.
      Já outros preocupam-se com a vida pessoal e partidária em detrimento da população.

    5. José André… se pensa assim não quer refutar os meus argumentos e apresentar os seus? Ou preferir ficar só por um “gritinho” histérico? Vá lá, assuma-se e corrija lá os meus erros… não se acobarde, esteja à vontade.

    6. JoséP. … não percebi o seu comentário nomeadamente a regra rejeitada da constituição mas discordo quando diz que o PR colocou de lado deputados democraticamente eleitos… não vejo onde?
      Se se refere à soma de deputados dos partidos derrotados o presidenten na minha opinião, esteve bem como explico no meu comentário.

    7. Caro Luna,
      O que voçê quer não me aquece nem arrefece. Se pensa que vou perder o meu tempo a ensinar um primário como voçê, pare, respire, pare e pense outra vez (mas sem deixar de respirar).
      Disclaimer: Por favor lembre-se de inspirar e expirar enquanto pensa. Qualquer consequência que sofra por não respirar ou não pensar é sua e apenas sua.

    8. João André… a defesa de ideias que não são nossas tornam-se dogmas mortos porque não as sabemos defender. E assim continuamos pequeninos e pobrezinhos… é assim a cultura dum povo.

    9. O ponode vista de “Luma” é curioso mas impreciso. O governo que agora termina funções tem um programa que não foi apresentado a eleições, dado que resulta de uma coligação depois de programas distintos do PSD e CDS, que então concorreram separados.

  18. Cavaco, nunca foi nem será um democrata, neste país, independentemente, da maioria dos Portugueses, não ser analfabeta, continuam cegos , surdos e mudos, este ”sr” estrapolou, toda a Constituição Portuguesa, em minha opinião, nem ao fim do mandato devia chegar, fez-se o 25 de ABRIL , incomoda muita gente, mas é um facto……..

  19. Cavaco voltou ao velho Cavaco dos Dias Loureiro e Duarte Lima. O Cavaco do segundo mandato procurou iniciar funções mudando o discurso, colocando a tónica na defesa dos mais desfavorecidos e chamando à atenção para os limites aos sacrifícios impostos aos portugueses. Como resultado sofreu um ataque da direita, foi assobiado e vaiado, ridicularizado. Acantonou-se na caserna e calou-se. Deixou passar inconstitucionalidades enormes, entregou a defesa da constituição às iniciativas parlamentares da oposição. E agora, em fim de mandato, voltou da caserna o velho Cavaco raivoso, autoritário e mal-educado, o ser arrogante que acha que é dono da verdade e que sabe melhor que ninguém o que é melhor para o país. Usa os poderes que lhe foram conferidos pelos eleitores mas será a direita a pagar esta arrogância cega. Em legislativas ou em presidenciais, veremos. Em face da sua atitude pós-moção de rejeição veremos o candidato da TVI demarcar-se das decisões do cessante, isolando-o e expondo-o ao ridículo. A Cavaco espera-o o triste futuro que teve Margaret Thatcher quando saiu do poder. Traída e abandonada, ficou sozinha.

    1. Eu também acho que quem “prevaricou” deve ser responsabilizado e punido por isso… mas gostava de saber a sua opinião sobre o “querido líder” Pinto de Sousa… não sei se foi por lapso ou propositado mas não opinou sobre ele.

    2. Dou-lhe a opinião com muito gosto. Querido líder não sei de quem. Não falei dele porque não vinha a propósito. O facto de que esse nome seja convocado por muitos de cada vez que se fala de eleições ou governação não significa que haja de facto uma relação. Quanto ao Eng. Sócrates, que é a quem creio que se refere, a minha opinião é a seguinte: Se há indícios de crime deve haver uma investigação que verta para uma acusação e um julgamento. Até agora só a primeira aconteceu. Sócrates foi preso durante a realização do congresso que elegeu António Costa e libertado depois das eleições sem acusação formulada, 11 meses depois. A interpretação dos factos é livre, cada um acredita no que quiser. Eu guardo a minha interpretação para mim, se me dá licença. Cumprimentos.

    1. Se um partido ganha com maioria relativa, tem de conseguir acordos parlamentares para que possa governar.
      Se esse partido fez coligação pré- eleitoral e, com isso, esgotou todas as possibilidades de acordo pós eleitoral, ser-lhe-á praticamente impossível governar com estabilidade, mormente quando o ambiente pré eleitoral tenha sido de forte confrontação em torno das políticas de austeridade
      O que não se pode é, em tais circunstâncias, exigir a outros partidos que lhe ofereçam o necessário apoio para que governe ou, pior ainda, deixar o país cair na ingovernabilidade.
      A solução existe, sempre e quando seja possível ceder o lugar a outro que garanta rumo e estabilidade.
      E nem se diga que são bem vindos os acordos de direita, mas de mau gosto, ou quiçá proibidos, eventuais acordos de esquerda
      Ainda assim, todos se lembram que, mal foram iniciadas as conversações, vieram logo o PSD e o CDS declarar publicamente que não queriam mais encontros com o PS.

  20. Repito aqui uma notícia que me chegou às mãos, de fonte muito segura: consta que Cavaco terá chamado a Belém os professores Bambo, Karamba, Djabi e Saku com uma missão: interpretar a intenção dos eleitores do PS. Os reputados conselheiros usaram variados eficientes métodos ocultistas: o Professor Bambo atirou ao ar cascas de pistáchio, o Karamba interpretou a forma da ferrugem no fundo das latas de cacau vazias, o Mestre Djabi apalpou boletins de voto e o Saku apalpou os próprios votantes. E apresentaram a Cavaco as conclusões preliminares: quem votou no PS pensava que estava a dar força a Costa para negociar com Coelho dois lugares de susbsecretário de estado, para ele e para a esposa e um lugar de porteiro para o Francisco Assis. E salientaram o exemplo de uma eleitora de 42 anos que confessou ao Grande Mestre Saku que votou no PS porque lhe disseram que dentro da mão fechada estava um coelho. Paulo Portas já comentou esta notícia dando-a como a prova de que houve um sequestro de votos, dando ordens ao GOE da PSP para que se ponha em campo.

  21. Cavaco falou como Cavaco e não como PR. Cavaco é em Portugal o político com mais tempo a exercer funções com alto relevo: PM e PR. Se em 40 anos Portugal está como está Cavaco tem mais responsabilidade individual que qualquer outro político em Portugal.
    Cavaco fez o que a praxe manda, não a Constituição. Indigita Passos para PM porque em 40 anos sempre foi assim. Certo, mas a situação que agora se vive nunca tinha ocorrido, logo é uma falácia vir dizer que a praxe se aplica nesta situação. Para os “intelegentes” de direita, esclareço que a situação presente nunca ocorreu porque nunca uma coligação que ganhou as eleições não encontrou ninguém no parlamento que lhe atribua o suporte parlamentar que necessita para conseguir uma maioria absoluta, e complementarmente houve uma convergência para um governo alternativo com suporte de uma maioria absoluta de deputados eleitos a partir de listas de partidos que não os que formam a coligação.
    Cavaco passou 10 anos a falar e a cansar os Portugueses com retóricas sobre a estabilidade, e quando tem nas suas mãos o meio para assegurar a estabilidade decide optar pela instabilidade em nome da praxe, que como se demonstra é uma falácia. Uma falácia e um atropelo ao que sempre disse ser a sua função: assegurar a estabilidade.
    Não obstante estas factos objectivos, é também claro que formalmente a decisão do PR está conforme à Consituição Portuguesa.
    O governo PaF cairá no Parlamento. O que o Cavaco disse que poderá fazer após esta decisão do parlamento é que é chocante e revoltante.
    O regime democrático Português assenta numa democracia representativa e num regime semi-presidencialista. O povo elege os deputados em eleições livres integrados em listas de partidos que seguem a Constituição Portuguesa (condição sine qua non para se apresentarem a eleições). Os deputados assim eleitos são os representantes legítimos da vontade popular. Cada voto seu corresponde, concorde-se ou não se concorde, à maioria dos Portugueses que os elegeram.
    Cabe ao PR de acordo com a Constituição Portuguesa o que consta do Capítulo II do Título III, entre outras competências como a nomeação do PM, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais. Deste modo, caso a maioria absoluta dos deputados apoiem uma solução governativa por maioria absoluta e lhe garantam as condições para o seu regular funcionamento não pode o PR, no nosso regime semi-presidencialista, vetar esta opção por motivos ideológicos, pessoais ou partidários. O nosso regime não dá ao PR “carta branca” para se substituir ao parlamento caso este demonstre que uma solução de governo estável é possível e advém da vontade expressa do povo que elegeu o parlamento. Não cabe ao PR fazer considerações polítcas, pessoais, ideológicas de opções dos deputados no que toca ao seu apoio a uma solução governativa. Não pode o PR nomear quem bem entender para o governo de Portugal, consubstanciando um golpe de estado contra o regime democrático, contra a vontade do povo expressa nas eleições que elegeram o novo parlamento. Em Portugal não existe ditadura, esta foi terminada por um golpe militar com apoio popular.
    O discurso de ontem do PR viola já por si os princípios da Constituição Portuguesa na separação de poderes, no respeito pela vontade popular e na garantia de uma estado de direito democrático. Estou em crer que se o Cavaco persistir no reiterado derespeito pela Constituição em violação do seu juramento deve ser levada a questão ao Tribunal Constitucional sobre o suporte das decisões do PR em matéria de nomeação do governo.

    1. Manuel Alegre lamenta que não haja mecanismos de destituição do Presidente da República, confessando que depois da noite passada, seria o primeiro subscritor: “O Presidente é o responsável pelo irregular funcionamento das instituições”.
      Não podia concordar mais com esta observação.

    2. Compreendo o argumento, msta é uma matéria de deliberação política, não vejo como possa ser (ou deva ser) envolvido o T Constitucional.

    3. Caros leitores

      Estou plenamente de acordo com o Sr. João André.

      O bufo da PIDE que enriqueceu com a SLN, deveria ser imediatamente destituído e encarcerado por alta traição à Pátria (que é o total desrespeito pelas mais elementares regras democráticas), por incapacidade cognitiva, ou ambas.

      Não me parece admissível, que o mais alto magistrado da Nação, por demência ou outros motivos ainda piores, despreze de uma forma óbvia e deliberada a Constituição.

      Caros compatriotas, a direita salazarista faz tudo matar o sonho do 25 de Abril mas está condenada a perder.

  22. O sr.presidente proibiu ontem o PCP e o BE de serem soluções governativas.E apelou a um golpe de estado dentro do PS.Como cidadão portugues com os impostos em dia,estou bastante preocupado com o meu pais que parece caminhar para uma ditadura de direita.E nao me sinto nada,mas mesmo nada representado pelo Paf.Responsabilizo o Paf por tudo o que de mau continuar a acontecer em Portugal.

    1. João Lopes… A esquerda derrotada nas eleições é que, subvertendo valores e princípios, desenvolve esforços (premeditados) para um “assalto ao poder” e você fala em ditadura de direita? Você pensou mesmo isso?

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