Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

26 de Setembro de 2015, 08:39

Por

A droga dos noticiários “nobres” da televisão

tvOs noticiários televisivos das 20 horas são, regra geral, “fáceis, baratos e dão milhões de pequenas notícias” que, às vezes, não passam de não notícias.

São 90 (!) minutos de (des)alinhamentos, onde qualquer lógica racional se perde nos interstícios de notícias fresquinhas ou, na falta destas, de notícias requentadas retiradas do micro-ondas sempre à mão. A primeira notícia, muitas vezes, ou é futebol ou “sangue”. Depois, política ensanduichada entre curiosidades e divertimentos. Lá, pelo meio, entre um golo e um crime, sai uma peça internacional, para daí a uns minutos se voltar a um qualquer caso pitoresco a revelar gota-a-gota e a deixar os sedentos de “novidades quebra-rotina” em alvoroço.

É justo, apesar de tudo, salientar que não é tudo igual. Um dos canais – TVI – tem ultrapassado tudo e todos. Já lhe era habitual, meter nos noticiários, apresentação de telenovelas, coisas afins e correlativas, numa promoção descarada em jeito de notícia. Mas, agora com o (excelente) programa de humor de Ricardo Araújo Pereira, atingiu-se o impensável, com o seu enquadramento algures no noticiário. A deontologia e a ética não valem um pataco, dir-se-á. Até porque quem mais ordena é o povo televisivo que, pelos vistos, gosta desta fartura em forma de ovos mexidos e revoltos.

Comentários

  1. Srº Drº Bagão Filix, a tvi tem hoje um funcionário que esta ao serviço de Relvas,por esse motivo a tvi é o quartel general da coligação, o director da desinformação o tal Sérgio Figueiredo não passa de um pão mandado do Relvas ,não sou eu que o digo mas sim um militante do psd, porque com ele existem mais oito jornaleiros desde 2011 que têm os taxos no gabite do 1º ministro em vários ministérios e fundações,até se deve lembrar das escutas ao presidente que se veio a verificar que era dentro da palácio de Belém estava uma central de contra informação.O SrºDrº sabe melhor do que eu que toda a informação esta ao serviço do governo tudo obra do Relvas que voltou aos palcos,e a de mentiras que tudo tem sido uma vergonha.

  2. Subscrevo inteiramente o artigo. Para mim, o mais perturbador é que este lixo mediático não surgiu por acaso, surgiu… porque é isso que os cidadãos querem consumir.

  3. Subscrevo a dificuldade de ver sempre o estatuto de nobreza e rigor nalgumas notícias, mesmo as de rodapé – a não ser que estaremos a pensar num outro conceito “nobre”, porventura de sentido mais enlatado, legitimado, com toda a legitimidade – uso aqui a repetição da ressonância de palavras para dar um estatuto musical minimalista e repetitivo ao conceito de “nobre enlatado” – pelo funcionamento “mão invisível” de um mercado económico, em abstracto, igual nas suas condições concorrênciais.
    Saudei e saúdo a presença de operadores privados na comunicação social, seja pela identificação pessoal com alguns programas e jornalistas – naturalmente, mesmo à margem das ideias que tenho e que por isso são por mim interiormente questionadas- seja pela simples liberdade de pessoalmente escolher o que quero ver.
    Saúdo também, pelo reforço da pluralidade, a existência de uma estação pública, no sentido em que esta seja, a semelhança de alguns excelentes programas privados, um espaço não regulado apenas pelo estatuto das audiências mas pelo estatuto de poderem disponibilizar uma programação com interesse público – isto é não só de mercado privado- para todos os cidadãos com interesses culturalmente minoritários e que porventura, possam partilhar e multiplicar esses interesses com outros/as cidadãos que não tiveram tantas oportunidades como isso de aceder a domínios artísticos – filmes clássicos ou menos clássicos, música, livros e leituras, etc- que ao constituirem-se como, em alguns casos, património da humanidade enriquecem, sobretudo a nossa maneira de ver os outros e o mundo.

  4. Não é apenas a preparar e a ler as notícias, mas também na sua isenção. A maior partdos locutores, moderadores e comentadores desrespeitam totalmente as regras de imparcialidade nesta campanha eleitoral tomando vergonhosamente posição pelos partidos de esquerda e mentindo e adulterando todos os factos que beneficiariam a coligação PàF. Vergonha!

    1. No fundo, ao assistir àquilo que o Carlos descreve, e bem, e até a “esperas” antidemocráticas que grupinhos organizados fazem a Passos Coelho e a Paulo Portas, não na sua condição de governantes, mas na sua condição de candidatos, não podemos deixar de pensar que todos esses “democratas” estão a ver os seus sonhos de correr com o governo que apanhou com a bancarrota em cima a esfumarem-se. Vamos ajudar?

  5. Não sei se o povo gosta mesmo dos tais “ovos mexidos”, o que sabemos é que a época das televisões privadas trouxe uma debandada do público de televisão, mantendo-se o inconveniente de o contribuinte continuar a pagar a RTP, coisa que se mantém, agora sem qualquer justificação que não seja a RDP. Mas claro que a televisão privada não é a causa, mas apenas o pretexto, para a descida ao inferno da RTP1, e depois da RTP2. Outros factores externos, como a televisão paga e a internet, foram empurrando o operador histórico para perto da irrelevância. Mas os grandes responsáveis por isso são a sua gestão e o seu estatuto legal. Pessoalmente, há já muitos anos que descobri os encantos dos serviços televisivos noticiosos franceses, que continuam a durar trinta minutos no máximo. É que quando Bagão Félix fala, e bem, em droga de noticiários da televisão, está a falar apenas dos portugueses, admito que do “terceiro mundo” também, mas talvez só de parte dele. Sabendo nós qual é o panorama televisivo que temos, do qual os noticiários são apenas uma parte, haveria que pôr a questão política do encerramento da televisão pública, ou de uma radical reforma da mesma. Sonhar ainda é de graça…

  6. Excelente artigo! Mas o problema não são só as televisões, é a comunicação social em geral. Este mau jornalismo censura as verdadeiras noticias como na ditadura e diverte o povo com “lixo”, “pão e circo” como na época dos romanos. Este mau jornalismo mais parece de uma ditadura que de uma democracia. Mas a imprensa vive de audiências, de vendas, não será a imprensa que temos um reflexo do povo que somos?

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