Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

24 de Setembro de 2015, 13:30

Por

As promessas da fusão PT-Oi: Uma mão cheia de nada…

Em 2013, a Oi brasileira propôs e implementou uma “fusão” com a PT SGPS que, de fusão, nada tinha.

A Oi comprou os activos reais da PT SPGS (a PT Portugal), pagando com acções aparentemente avaliadas por um banco no Brasil, sem prémio de controlo e, em Julho de 2014, ainda antes da venda ter recebido a aprovação final dos accionistas da PT SGPS (Setembro de 2014), já estava a sondar possíveis interessados com o objectivo de vender a PT Portugal.

Com essa operação financeira a Oi deverá ter realizado mais-valias muito significativas: assumiu a dívida da antiga PT, é certo, mas vendeu-a por 7,2 mil milhões de euros e ainda ficou com as antigas participações da PT em Angola (numa transacção muito complexa).

O tiro pode, porém, ter saído pela culatra.

Ao comprar a PT, a Oi assumiu a dívida da PT em euros e comprometeu-se, perante os credores, a manter os proveitos da venda em euros até ao final de 2015 ou então, caso convertesse parte desses fundos para reais, a fazer o “hedging” desse montante (i.e., proteger-se contra o risco de desvalorização do real).

Só que, apesar de todas as manobras e promessas, o real desvaloriza, aumenta o peso da dívida denominada em moeda estrangeira (euros e dólares) e desvalorizam também as acções da Oi. E resta saber se a Oi se protegeu do risco cambial adequadamente, como prometeu…

A imprensa informa que a Oi estaria a considerar reestruturar a sua dívida, informação prontamente desmentida pela companhia. Se isso vier a ocorrer, os accionistas da antiga PT SGPS – que receberam acções da Oi (indirectamente) quando a primeira transferiu os activos (PT Portugal) para a Oi – perderiam o remanescente dos seus activos, ficando com acções que nada valeriam.

No Brasil, um pequeno accionista pediu ao regulador para anular a fusão entre a PT e a Oi porque, argumenta, esta foi estruturada de forma a beneficiar os poucos accionistas que controlavam a empresa, em prejuízo dos pequenos accionistas.

Que negócio escandaloso esta fusão! E nesta santa terra … “¡No pasa nada!”.

Comentários

  1. Sinceramente, não vejo qualquer anomalia nesta fusão. Desde os anos 90 (seculo XX) que ficou esclarecida a questão das fusões; para que servem; o que visam; o que acontece necessariamente. Uma fusão tem como objectivo proporcionar ganhos astronómicos aos directores das empresas em questão, se o fazem perante investidores irracionais que se contentam com o argumento de que vão ter lucros fantásticos com a fusão, isso é apenas o papel que lhes cabe, são enganados durante anos com balanços manipulados e quando dão por isso, as suas acções valem zero, os CEO terão colocado colossos nos offshores e as empresas estão nas lonas. A forma como os CEO enganam os investidores é muitas vezes através das “stock option”, que são acções a um preço significativamente baixo com que os “investidores” remuneram os CEO, quer dizer que os investidores, eles próprios, entregam aos CEO um pacote de acções que reduz imediatamente o valor das acções dos investidores (creio que por vezes a irracionalidade é tanta que nem percebem), as acções que os CEO recebem, essas, ficam automaticamente valorizadas ao preço actual. Depois (como poderia ser de outra forma) os CEO têm os olhos fincados na valorização bolsista, são os seus interesses e não os da empresa que contam. Como eles têm informação privilegiada (são eles quem comanda), quando as acções atingem o valor que lhes convém desfazem-se delas. Como as contas eram manipuladas, a realidade da empresa vem à tona e os investidores estão de tanga. Haverá aqui alguma coisa de escandaloso? (…) A cena repete-se vezes sem conta, e os investidores coitadinhos) carregam tanta irracionalidade que não conseguem ver-se livres dela.

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