Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

23 de Setembro de 2015, 08:12

Por

Os acontecimentos, meu rapaz

Ao assistir ao que nos contam os telejornais ou o que escrevem os jornais sobre os dias que correm, lembro-me de um primeiro-ministro britânico, Harold Macmillan, a quem um jornalista perguntou qual é o principal obstáculo ao trabalho do governo.

Respondeu Macmillan, “Os acontecimentos, meu rapaz, os acontecimentos”.

Tem razão. Se os acontecimentos e os factos forem considerados na democracia, os governos terão o obstáculo que merecem, a democracia. Não podemos viver sem esse obstáculo que é portanto o motor do conhecimento, da consciência e da escolha. É ele que nos pode empurrar para as soluções.

 

Comentários

  1. Liberal, você está apenas a construir contra-argumentos a argumentos ou enunciados que você mesmo imagina. Não vejo muito bem como possa intervir em tal exercício.

    1. Ler é interpretar, António Florença, sempre. Se o interpretei mal, as minhas desculpas, foi sem querer.

  2. Mas não exageremos Francisco Louçã, um governo não deve ser um cata-vento, um “gestor da conjuntura”. Se não se exige liderança ao governo de um Estado, então a quem se a exigirá? Eu que sou o simplório que o Francisco Louçã sabe acho que um bom governante deve ter UMA ideia. Boa e actual, claro! Parece mais fácil do que é. O presente governante de Portugal tinha uma ideia em 2011, vamos cumprir. Não me parece é que ele tenha mais nenhuma!

  3. Exacto.Por isso mesmo alguns “ditos” politicos não tem resposta para os “acontecimentos” ,por exemplo, a fraude praticada pela volkswagem só surpreende ou choca quem acha que o estado não tem quer ter no minimo um papel regulador na sociedade democratica,ate porque a fraude já não é defeito,é mesmo feitio da socidade capitalista de casino,amplamente defendida pelos neoliberais deste mundo.

    1. Como todos sabemos, a fraude foi expurgada das sociedades comunistas desde 1917. Isso claro, porque essas sociedades são, em si mesmas, uma fraude. Recomendo a todos o livro 1984 de Orwell, continua a ter relevância. E não, o socialismo não está morto, está até demasiado vivo, e com meios com que Orwell nem podia sonhar. Disse-me uma amiga há já uns anos sobre o fisco, “eles sabem tudo”.

    2. Drôle de socialiste… A doutrina do Big Brother era o EngSoc, de English Socialism. Pena que aí o ignorante Marques não saiba que socialismo e comunismo eram basicamente a mesma coisa, sendo o comunismo o estádio final do socialismo, até ter aparecido pela Europa um socialismo democrático ou social-democracia, que significa o socialismo que se CONFORMOU com a democracia. Durante cem anos o socialismo nunca foi democrático. Nos EUA ninguém quer ouvir falar em socialismo, porque eles não acreditam na conversão do socialismo à democracia.

  4. Que acontecimentos? Vivemos numa peça de teatro onde o guião é alterado ao bel-prazer do encenador, ou seja, do poder económico e dos seus políticos lacaios… e com o povéu a ir atrás sem se aperceber do logro (veja-se o caso da gestão da crise por Draghi e, cá no burgo, do Novo Banco e de que o povo não ia pagar nada… Déficit=7,2%).

  5. Uma população informada e politicamente combativa, exigente de democracia, é sempre a melhor, muitas vezes a única, protecção contra todas as formas de barbárie e opressão. Uma sociedade que aliena o seu jornalismo, oprimindo-o e precarisando-o (a precariedade em todas as suas formas é sempre uma forma de opressão), arrisca o pior. Acontecimentos e factos, venham eles.

    1. A precariedade não é uma forma de opressão, a precariedade é a nossa condição, mortais de vida curta. Não estou de acordo consigo no que respeita aos jornalistas serem mais afectados pelas dificuldades do país do que os restantes portugueses. E mais, os nossos jornalistas deixam muito a desejar, regra geral são básicos, superficiais, incultos, preguiçosos e subservientes. Como em todas as regras há excepções, e este jornal é melhor do que a paisagem. Durará?

    2. Liberal, ainda bem que não está de acordo, porque eu não o disse de todo, nem o penso. Concordo com muito do que diz dos jornalistas, contudo, eu não disse o contrário. Penso que é escusado responder-lhe quanto à precariedade.

    3. Quanto àquilo a que o António Florença designa por “precariedade”, isso mostra uma concepção do ser humano dotado de um direito sonhado a que os outros cuidem dele em permanência. Mas à força, visto que se trata de um direito. Uma concepção que um liberal não pode aceitar. Nós sabemos bem que a liberdade completa não existe, mas daí a sacrificá-la sumariamente no altar dos ideais, não. Nunca.

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