Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

21 de Setembro de 2015, 08:46

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Um aperto de mão, logo seguido de um cartão-de-visita

cartao_de_visita_couche_250g_1000und_graficaHá dias, numa ocasional arrumação de notas e documentos, deparei com um cartão-de-visita, para aí talvez dos anos sessenta do século passado, de uma pessoa que me era muito próxima. Um cartão muito simples: apenas continha, em bonita letra, o nome. Uma letra muito típica das tipografias de então e que já não vejo reproduzida na vasta lista do computador. Talvez a mais parecida seja a Mistral.

Apenas o nome, repito. Mais nada, no branco, já amarelado pelo tempo, do rectângulo do cartão. A parcimónia de informação nele contida fez-me parar. E reflectir. Sobretudo quando pensei no que hoje é a exuberância dos cartões-de-visita, em papel ou em versão de computador.

Não uso este modo administrativo de apresentação. Mas recebo-os abundantemente, menos vezes como boa ajuda ou, mais vezes, como simples publicidade. E o que se vê na grande maioria destes cartões? Nome, evidentemente, mas, também com especial destaque (às vezes, superior ao nome), o cargo ou actividade, não raro enfatizado na razão directa da suposta importância social ou profissional, e até em tecnocrata inglês para dar outro sainete “window dressing”. Além disso, a abundância de números de telefone, da empresa, do fax e, vá lá, com grande liberalidade, o do telemóvel pessoal, a que acrescem endereços electrónicos, sites e redes sociais. Por vezes, a frente do cartão não chega, apelando-se à cortesia do verso para mais informações. É que, além da morada por vezes extensa, há o logótipo ou outra figuração e agora, em versão GPS, as respectivas coordenadas, na suposição de o receptor ter ou usar tais instrumentos. A cor varia, desde o clássico branco, ao cinza, creme, ou outras cores exóticas, desenhos, ilustrações e coisas parecidas, em regra de mau gosto. Tudo em papel couché ou, numa versão mais ecológica, em papel reciclado.

Em suma, como tudo se complica na representação de cada um.

Um cartão-de-visita (curiosa designação, cuja explicação está hoje perdida no tempo) é, para alguns, o sucedâneo de um aperto de mão no encontro ou reencontro. Mas, para outros, é uma espécie de “munição” relacional que se distribui a torto e a direito. Confesso que sou frequentemente alvo desta forma de alguém se dar a conhecer, a quem, sem cartões, me limito a agradecer tal generosidade real ou aparente.

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