Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

26 de Agosto de 2015, 08:43

Por

A contaminação pela crise chinesa

inversiones-china-europaPortugal é o país europeu com maior investimento chinês no último ano e o quarto em valor absoluto entre 2000 e 2014, só ultrapassado pela Alemanha, Inglaterra e França (ver o mapa, clique para ampliar). Se se concretizar a venda do Novo Banco a uma empresa chinesa, será pelo segundo ano consecutivo o recordista. Pode não acontecer, porque o o BCE está a pressionar o Banco de Portugal para se afastar dos concorrentes chineses.

Em todo caso, tudo isto são péssimas notícias. Porque se trata de privatizações de bens estratégicos essenciais, o que só por si sugeriria que se evitassem estes erros irreparáveis. Mas ainda porque são entregues a um dos poderes financeiros mais opacos – o Partido Comunista Chinês é um dos centros da acumulação mundial de capital, mesmo que um dirigente político português afirme que nada disso impede um “relacionamento” – e porque se trata de uma estatização por outro país.

Mas é ainda uma péssima notícia porque, ao contrário dos outros países europeus, no nosso caso não se trata de investimento que crie emprego: trata-se de compras de carteiras de acções para dominar empresas privatizadas. E, finalmente, é uma péssima notícia porque aumenta a vulnerabilidade da economia portuguesa a decisões políticas e financeiras sobre as quais não existe nenhum instrumento nacional de controlo.

Na segunda feira, com a queda de 8,5% da Bolsa de Xangai, as 300 maiores empresas asiáticas desvalorizaram 230 mil milhões de euros; o mercado financeiro mundial terá perdido 450 mil milhões. Na api.aspterça feira, ontem, houve uma recuperação medíocre até meio do dia, nova queda no final da sessão das Bolsas norte-americanas (imagem ao lado) mas, finalmente, um crescimento na Europa (os leitores tomarão em consideração que estes valores são nocionais, porque só se concretizam se houver compras e vendas e portando perdas dos proprietários actuais). Na segunda-feira, a Bolsa portuguesa perdeu 3,1 mil milhões em valor. As Bolsas da Alemanha perderam nesse dia tudo o que tinham subido em 2015.

O Diário do Povo, do PC Chinês, declarou que se tratava de uma “segunda feira negra”, para estabelecer a comparação com a crise de 1929. Começou a montanha russa.

Não é para menos. Desde que começou a desvalorização do yuan, a moeda chinesa, os mercados financeiros mundiais perderam 5 triliões de dólares (em valor das acções). Com a crise desta semana, o euro subiu e as moedas chinesas e norte-americana perderam; então, a vítima será a Europa, que terá menos capacidade para exportar para a China (contração da procura) e para o resto do mundo (encarecimento do euro).

O contexto é portanto perigoso. Os EUA e a UE têm pouca margem de manobra para responder a uma crise especulativa, porque os juros estão excepcionalmente baixos e nada pode ser feito com a política monetária, que tem o maior efeito a curto prazo.

Embora o efeito na economia mundial ainda seja reduzido, o susto é grande. Uma queda surpreendente de 20% nas Bolsas chinesas ao longo de poucas semanas e um sobressalto num dia podem simplesmente significar uma perda importante para os aforradores e investidores chineses. Mas podem também implicar um efeito dominó que, em 2007 e 2008, foi devastador, provando que a economia mundial se baseia num jogo financeiro fictício e certamente perigoso.

Tudo isto tem um preço para Portugal. O comportamento das empresas chinesas será determinado pelo Comité Central e pelas suas necessidades de capital. Ora, como Ricardo Cabral já aqui demonstrou no caso da Fidelidade, essas necessidades podem levar a esventrar as empresas, com consequências no banco público, a CGD.

Os festejos governamentais sobre os investimentos chineses nas privatizações já deram lugar ao pesadelo. Talvez tenhamos que acordar com a tempestade.

Comentários

  1. – Quem conhece a «TERRA»?
    Uma nova “moeda” complementar global, idealizada pelo reputado especialista em meio de pagamento complementares ou alternativos, Bernard LIETAER.
    Terra foi concebida a partir de um cabaz de uma dúzia de mercadorias (commodities): bens, matéria-prima ou serviços mais transaccionados a nível global.

    Mais uma vez, tomo respeitosamente a liberdade de divulgar neste espaço, junto de Francisco Louçã, a relevância que poderão ter as “moedas complementares” na maior estabilidade e dinamização das economias – tema que tem passado ao lado dos mais reputados académicos e economistas da nossa praça. Abraço fraterno.

    Saiba mais em:
    «Terra: a Win-win Solution to Monetary Insecurity?», B. Lietaer, 2015, em: – http://www.humanitad.org/team/25/
    «The Terra TRC: A Global Complementary Currency to Stabilize the World Economy», em: http://www.lietaer.com/2010/01/terra/

    Abstract: «The Terra is a global complementary currency designed to provide an inflation-resistant international standard of value; to stabilize the business cycle on a global level; and to realign stockholder’s interests with long-term sustainability. From a legal viewpoint, the Terra is standardized “countertrade” (international barter), which is routinely used for over one trillion dollars worth of transactions per year. Legislation on countertrade exists in about two hundred countries, including all the major trading nations. Introducing the Terra would therefore not require new international governmental agreements.»

    1. Solução? Mudar a consciência é mudar a forma do dinheiro…

      Para Bernard Lietaer – um dos arquitectos do euro! – a forma como lidamos com o dinheiro é uma questão “civilizacional”. Pelo que, estamos ainda ligados a um sistema monetário que advém da estrutura das relações económicas da “era industrial”. Isto, quando as novas tecnologias nos dão outras oportunidades de conceber novas formas de sistemas de pagamento (moeda) que prometem mudar o conceito que temos, e para que serve, o “dinheiro”!
      Abaixo, segue o trecho de uma entrevista de Bernard Lietaer à Reuteurs, em que o especialista questiona a razão pela qual não poderá a Grécia vir a lançar uma nova moeda – Dracma – complementares ao Euro. Sugerindo que este seja usado preferencialmente nos sectores do turismo e transportes marítimos que elevada exposição nas trocas e receitas com o exterior.

      «No reason why Greece could not have two currencies» – Bernard Lietaer. Reuters, 3/7/2015

      RT: – If Greece sets a precedent and leaves the eurozone, is there a danger others will follow?
      LIETAER: – “[…] There are other solutions available and what’s strange is that they are never talked about publicly anywhere. I don’t see any reason why Greece could not have two currencies: Be a participant in the euro for tourism and for shipping – which are the largest sectors of the economy. At the same time, have some new drachma, which is playing by different rules and which is providing capacity to reanimate the economy at the grassroots level, a lot easier than what happens with the euro now.
      So I think there is a third solution which is ‘let’s innovate’ and there are precedents for this. I know economic theory never has been assuming a possibility of having several currencies in parallel, but in practice we do. Switzerland has, for the last 80 years, has been using two currencies: the Swiss franc and a business-to-business currency, which is working in parallel and stabilizing the economy. We never talked about it but its working. In Britain, if you are a British company you can choose to have your balance sheets and your taxes paid in euro. So you can actually for all practical purposes be part of the eurozone and at the same time in a British pound economy. So these things exist.

      RT: – If these alternatives do exist why are they are not being offered to Greece?
      BL: – It would create a precedent for a very different way of addressing economic problems. We are basically dealing with either orthodoxy, in a classical way, or getting ready for the information age, because that’s what I believe is going to be needed and necessary and we are delaying the process. We are still using an industrial age monetary construct in a period where we have technologies to do things differently. Every Greek citizen has a mobile phone, or at least every family does, so one could create new ways of a payment system with dual currencies. And all that is possible. It has not been done before there is no reason not to do it now. It’s certainly better than what’s being debated.
      Fonte: http://www.rt.com/op-edge/271504-greece-euro-drachma-economy/

      BRISTOL POUND: Um bom exemplo do contributo de novas tecnologias no lançamento de sistemas de pagamento complementares (moeda) é o «Bristol Pound». Através de uma aplicação móvel é possível fazer pagamentos e transferências de conta entre utilizadores aderentes da região de Bristol, Reino Unido, através de telemóvel ou internet.
      Sistema idêntico está a ser implementado pelo banco comunitário «Palmas», no Brasil.

      – Como funciona o «Bristol Pound»?: https://www.youtube.com/watch?v=cj3Bp13hLiE (english)
      – Como funciona o «Palmas e-dinheiro»?: https://www.youtube.com/watch?v=JWxSesCHILI (português)

    2. No fundo, Lietaer está a propor uma “solução” cubana, ou sul-americana, para a Grécia, em que os sectores internacionalmente competitivos, como o turismo e o transporte marítimo, continuariam a facturar em moeda forte, e mesmo a fazer as suas contabilidades nessa moeda, enquanto que, necessariamente, o resto do país, mas sobretudo o Estado, passariam a trabalhar com a nova moeda local, à falta de outra. É a saída do euro fazendo de conta que não se saiu. Politicamente correcto, de facto. A dívida pública existente é que teria que se manter em euros, porque os credores nunca aceitariam qualquer conversão, tal como não aceitam mais reduções. Bernard Lietaer e António Anchas deveriam ter talvez mais presente a “divisa” icónica de João César das Neves: não há almoços grátis. E a consequência disso, para a Grécia, é que a ÚNICA forma de escapar da situação em que se encontra é mudar de vida, ou conseguir que os restantes europeus lhe continuem a pagar almoços. Esta última hipótese tem sido o sonho dos gregos, mas, como diz o escravo em Gone With the Wind, “asking ain’t getting!”. Não há soluções monetárias para problemas económicos estruturais. A saída da Grécia do euro é melhor para a zona euro do que para a Grécia, e apenas poderia constituir um empurrão para esse país reorientar a sua produção. Com partidos como o Syriza, tenderia a pensar que a oportunidade seria perdida.

    3. Caro Liberal, considero bastante oportuno mencionar Cuba e o seu sistema original de “dupla-moeda” – penso que entretanto descontinuado com a liderança de Raul Castro. Desde já agradeço.
      Porém, como observou, Bernard Lietaer sugere algo substancialmente diferente do sistema cubano – pois não se trata aqui de dispor de duas moedas nacionais, ao tipo: um “peso forte”, para ser trocado por dólares, e um “peso fraco” para consumo interno. A proposta, como indica Lietaer, assemelha-se mais ao Círculo WIR, desenvolvido na Suíça, nos anos seguintes à Grande Depressão, a partir de uma cooperativa de crédito (curiosamente inspirada nas teorias económicas “libertárias” de Silvio Gessel) e, porventura também influenciado pelo “milagre” económico de Worgl, na vizinha Áustria, a partir do lançamento improvisado de uma “moeda” local (vide:http://www.lietaer.com/2010/03/the-worgl-experiment/).
      Ou seja, ao referir o sistema WIR, estamos a falar de um sistema robusto, inserido numa das economias mais desenvolvidas do mundo – e que já conta com mais de 80 anos! Desde logo, mais longo e aparentemente mais estável, portanto, que a própria revolução cubana!
      Depois, temos ainda outros exemplos de “moedas sociais”, também ditas “complementares”
      [E, por “complementares”, importa salientar que existem muitos outros de meios de troca correntes que escapam ao conceito convencional de “dinheiro” – ex. Vale de correio, tickets refeição, planos milhas viagem, talões de desconto e outros cartões electrónicos, funcionando por regra em circuito privado ou fechado.]
      Uma característica comum das moedas complementares é a conversão 1:1, na relação com a moeda convencional – ou seja, 1 WIR equivale a 1 franco suíço CHF (logo, diferente do sistema de dupla-moeda cubano).
      Ao contrário do WIR que funciona num círculo fechado, dirigido sobretudo a empresas nacionais suíças (PME`s), a maioria das “moedas sociais” estão abertas à participação da população das comunidades locais/regionais (ex. Bristol Pound, Reino Unido; Chiemgauer, Alemanha; Palmas, Brasil, etc.), funcionam como instrumento de crédito (tipo “bancos comunitários” e/ou cooperativas de crédito – podendo operar inclusive nas duas moedas: ex Palmas, “crédito à produção” em moeda oficial ou misto, por forma a facilitar o investimento e aquisição de equipamentos e matérias-primas; “crédito ao consumo” em moeda local, por forma a contrariar o escoamento de moeda) e tem a garantia de lastro na moeda oficial (neste exemplo, por cada “palma” a circular é dada a garantia de haver um “real” em cofre).
      Logo, o comércio pode fazer-se simultaneamente nas duas moedas – sem perdas! Enquanto circula na comunidade local/regional, a “moeda social” funciona ainda como um elaborado sistema de “compensações”, no fluxo de pagamentos entre produtores, consumidores e “prossumidores”.
      Já o círculo WIR tem a particularidade de criar “moeda” sem lastro – ou seja, literalmente a partir do nada, sem ser necessário “oficializar” a criação de moeda a partir da emissão de um Banco Central! WIR`s geram WIR`s, que trocam bens comercializados em WIR`s, dentro do círculo fechado/privado de aderentes WIR – que corre, de facto, por conveniência e confiança dos promotores, “paralelo” ao sistema convencional e “oficial”. Enfim, sistema mais livre – e, diriamos até “liberal”! – de emitir moeda não poderia haver!
      Porém, embora autónomo, o sistema WIR não é inteiramente independente – nem poderia sê-lo! Pois, apenas serve a pagamentos parciais previamente acordados entre as partes (ex. o Sr. Liberal é dono de uma livraria e tem afixado na montra que aceita “escudos”. Eu tenho “escudos” em saldo no meu cartão e estou interessado em comprar o livro “The Future of Money”, de B. Lietaer (2001)… Certo! Junto à caixa efectuo o pagamento – ex. 40% em escudos e o restante em euros. Tal como podia efectuar só em euros. O imposto, Iva, esse só pode ser cobrado na moeda aceite pelo Estado).
      – E por que motivo as transações não são feitas na totalidade em WIR? Porque, como referido, os impostos, tal como a generalidade dos salários e as compras feitas fora do círculo só poderão ser feitas na moeda oficial – francos suíços. Logo, o WIR coexiste com o franco mas só de forma “paralela” e limitada. Por outro lado, o Banco WIR aceita depósitos em francos e concede também empréstimos mistos % WIR/CHF – com juros pagos em francos. Porém, sendo 1WIR = 1CHF, não é possível trocar directamente WIR por francos – pois, a existir câmbio, o WIR imediatamente iria desvalorizar (logo, o WIR sendo uma moeda “paralela” e “complementar”, não é uma forma de divisa “conversível” – de resto, o WIR tem a forma corrente de “moeda electrónica”, dispensando o uso numerario em notas e espécimes metálicos).
      – Quais são então as principais vantagena do WIR? 1. Cooperativismo empresarial – círculo de empresas associadas que tem o interesse em cooperar entre si, fomentando a produção nacional e dinamizando o tecido empresarial (o Banco WIR organiza ainda grandes Feiras e Congressos empresariais); 2. Acesso ao crédito e fluidez de caixa por parte das PME`s. 3. Em conjunto, estes dois fatores ajudam a explicar a expansão contraciclica do WIR – em épocas de crise monetária, quando há menos francos em circulação, pelo escoamento da moeda e retração do investimento e consumo, e as empresas tem maiores dificuldades no acesso ao crédito e em manter os fluxos de caixa, o WIR é mais procurado – servindo de garantia de pagamento, estimulando a procura interna e acelerando a circulação do dinheiro dentro do sistema. Desta forma, o WIR demonstra resiliencia e adequação em cenários recessivos ou deflacionarios – isto, correndo dentro de um círculo fechado, que actualmente reune mais de 75 mil empresas.
      É claro que para o sistema bem funcionar, e transmitir segurança e credibilidade junto dos cooperantes, tem de ser austero e parcimonioso – e, mais gerar mais dinheiro e pô-lo a circular. , Importa que a moeda própria crie valor [nominal] que o círculo [economia real] possa absorver. Quanto? Isso depende da dimensão, diversidade e complementaridade do conjunto dos participantes (logo, eu apenas terei interesse em aderir ao WIR, se tiver bons parceiros, produtos e serviços para trocar… – e, daí a relevância dos créditos mistos e dos pagamentos parciais, pois, embora bem aceite, em boa verdade, ninguém quer só limitado a um círculo fechado sem outras opções de troca!)
      Na súmula de tudo isto – e não sendo eu académico, douto neste assunto promissor de “moedas complementares”, apenas me presto a divulgar! – penso que o professor B. Lietaer, quando sugeriu a uma “nova dracma”, não se referia a um cenário de “dupla-moeda”, co-oficial, (espécie de “euro-externo forte” vs “euro-grego fraco”), ou sequer numa divisa interna concorrente à “moeda única” – ao mencionar o WIR, quereria porventura sugerir formas inovadoras de moedas complementares inspiradas em sistemas de crédito e de pagamentos não-convencionais e não-centralizados, que injetem fluidez na economia e melhor estimulem o associativismo e a produção nacional.
      E, Lietaer pela experiência que teve à frente do Banco Central da Bélgica, na arquitectura do Euro, mais os trabalhos como académico e consultor especialista em sistemas alternativos de pagamento, por certo terá autoridade na matéria para falar com conhecimento de causa. Daí, melhor se entende a sua posição assertiva e original de ousar defender – entre a) permanência precária e b) saída arriscada não-desejada do euro – uma terceira via complementar, intermedia ou mesmo transitória. Inovando no conceito de moeda: já não nos termos clássicos: moeda forte / moeda fraca nacionaiS. Antes na nova forma tecnológica e global: moeda comum (bloco económico) / moedas sociais, locais ou regionais complementares.

      Tem razão, caro Liberal, quando diz, citando o ortodoxo César das Neves, que “não há almoços grátis”! Mas tal não significa que não deva o comensal querer escolher onde comer, qual o repasto e com que convivas. Ao sugerir um nova “moeda” de troca (na verdade, propondo a inovação de um novo sistema de pagamentos e financiamento interno), complementar ao euro, Lietaer não rejeita a boa, ou má, companhia dos outros parceiros europeus sentados à mesma mesa, nem faz contas sobre dívidas de refeições passadas – apenas pretende que os gregos manifestem a preferência pelos ingredientes que melhor podem produzir no seu quintal. Logo, as moedas próprias acrescentam valor real à economia – desde logo “identidade”, “confiança”, “solidariedade” e maior “autonomia”.

      Veja ainda comentário de Bernard Lietaer na CNBC – video.cnbc.com/gallery/?video=3000394050

      [Nota: o meu interesse aqui é divulgar visões e soluções “alternativas”, porventura afigurando-se ainda “heterodoxas” ou pouco “convencionais”, para uma reflexão crítica “livre”. Não é meu propósito defender em particular aquele autor, partido ou associação – se quiser, o que me move é a “esperança”, a “fraternidade” e a “utopia”, contra o “fatalismo” e a “resignação”.
      Eis, em resumo, o que se deve entender por “sebastianismo”! Retorne o “escudo”, ressurja Portugal – volte D. Sebastião!] Abraço fraterno.

    4. Antes de mais agradeço a António Anchas a sua detalhada explicação sobre a moeda suíça alternativa, como diz, uma das várias experiências monetárias não-estatais que existem nos dias de hoje. Nos últimos anos os norte-americanos também procuram alternativas à incompetência sem fim da sua Reserva Federal, e, claro está, o ouro tem adquirido outro brilho desde a administração Bush. Acredito que se o sistema WIR que descreve durou 80 anos isso se deva a ser bem gerido, porque parte com o ‘handicap’ de ser privado. Na Grécia o problema é de Estado, temos um Estado que não tem moeda disponível, e que não a pode emitir. Se fossem postas a circular e aceites moedas privadas bem geridas, ligadas naturalmente ao euro segundo o seu modelo WIR, o Estado grego continuaria a ter que fazer dieta forçada (mesmo que o WIR grego fosse credível, coisa que tendo em conta a cultura nacional é de duvidar, o Estado grego continuaria a não ter receitas suficientes, em euros, a moeda oficial). Eu volto a insistir na questão, os desequilíbrios económicos estruturais de países como Portugal ou a Grécia serão agravados e não atenuados por estímulos ao consumo, sejam eles novas moedas locais ou aumento das transferências para sectores improdutivos, como propõe António Costa. Porque havendo moeda e não havendo produção competitiva, a procura será satisfeita com mais importações, como sempre aconteceu no passado. Parece-me que a Grécia poderia beneficiar com uma moeda nacional fraca, se simultaneamente evitasse contas públicas escandalosamente deficitárias. Francisco Louçã também acredita na saída do euro, como sabemos, mesmo para Portugal. Pessoalmente não acredito na pedra filosofal, mesmo que ela venha a cavalo numa manhã de nevoeiro… Deixo-lhe uma frase de Roosevelt que Friedrich Hayek cita: “… um programa cuja tese fundamental seja, não que o sistema da livre empresa e do lucro falhou nesta geração, mas sim que ele ainda não foi experimentado”. Um abraço.

    5. Caro Liberal, imagine que tem a árdua tarefa de reunir e comandar um exército de libertação do seu país…
      Mas, não tem armas, homens e meios logísticos suficientes para criar um “exercito regular”. – O que você faria?
      Provavelmente, reuniria os poucos homens nas “montanhas”, organizando uma unidade de “guerrilha” – preparando a “resistência” para uma longa “luta”, que tenha por objectivo não o confronto directo com a força maior do exército oponente, mas antes provocar o “desgaste” físico, material e psicológico do adversário…

      Vivemos uma “guerra” económica de novo tipo, perante a qual não podemos lutar com velhas armas e tácticas regulares de um exército convencional.
      Como referi num comentário anterior, citando Adriano Moreira, é necessário um novo conceito estratégico para Portugal.
      [Recordemos de novo as palavras de A. Moreira: “A severa crise com que entramos no terceiro milénio, esgotado o conceito estratégico nacional secular, também parece finalmente despertar a compreensão de que a conjuntura é radicalmente nova em relação à experiência secular, que as exigências dirigidas à capacidade do Estado ameaçam colocá-lo na categoria de Estado exíguo, quer na definição em progresso das hierarquias internas da Europa, quer na hierarquia da Europa nas balanças de poderes mundiais, balança estratégica, balança científica e técnica, balança económica.”]

      E o que temos hoje? As novas potências da «Globalização» – ou novo «Impérios globais» – com a China à cabeça, mais ora a nova ameaça de uma nova “crise monetária” a assombrar a nossa exígua economia (como alerta o artigo acima de Louçã)! Os interesses corporativos dos grandes grupos económicos multinacionais – mais as incógnitas do seja o TTIP e qual o efeito sobre a defesa das soberanias dos Estados. Mais a erosão e esvaziamento institucional do Estado-Nação – no caso europeu, motivado pela utopia federalista da construção da União Europeia que, na verdade, obedece à criação de um super-estado europeu, com o seu centro hegemónico, periferias e estados satélites, no alinhamento dos novos “imperialismos” de um mundo global.
      Veja-se o caso de “crise grega”! Por um lado, avançou-se para uma União Monetária, abdicando da soberania que significava a emissão de moeda própria. Depois, reclama-se que sejam os gregos a resolver os seus próprios problemas estruturais de uma crise de dívida dita “soberana” – quando, para lá dos próprios erros e abusos dos gregos, estão outros problemas “estruturais”, como bem argumenta João Ferreira do Amaral, que resultam (em sentido contrário, embora não contraditório, à colocação do Sr. Liberal) da adesão a uma má moeda, demasiado forte, e a uma má união monetária, assimétrica.
      – Solução? Para uns, a solução é fingir que tudo “corre bem” – e que a “austeridade” é a “quimioterapia” necessária para que, no agudizar da dor (e no aumento da dívida), o paciente reaja e propicie a “cura”. É esta a retórica inerte de Passos Coelho, Portas e Costa. Enquanto isso, a União prossegue o seu esforço de “centralização” burocrática – agravando a dependência e exiguidade dos Estados membros.
      Para outros, poucos, a «saída do euro» significa o retrocesso às “moedas nacionais”, inevitável a prazo… Mas, a mesma “crise grega” veio denunciar as fragilidades desta “alternativa” ou “dissintonia” política. Perante a falta de preparação dos gregos em considerar e melhor negociar sobre um hipotético cenário negociado de saída – entre a tibieza de Tsipras e o recuo do verdadeiro estratega Varoufakis – Schäuble soube antecipar-se: “empurrando” a Grécia para fora do euro, mostrando a estreita porta dos fundos de uma saída precária não-negociada! O caminho da saída tornou-se ainda mais “arriscado”…

      – E onde podem encaixar aqui as “moedas complementares”?
      De duas formas distintas. Uma, apostando no “desmantelamento” hipotético da “moeda única” e, partir daí, na concepção de uma nova “moeda comum” através do alinhamentos das novas “moedas nacionais” que lhe sejam complementares – é, de grosso modo, a proposta de economistas como Jacques SAPIR.
      Outra, inspirada nos avanços tecnológicos de sistemas inovadores de pagamento complementares e/ou alternativos – como sugere Bernard LIETAER.
      Aqui, sobressai o exemplo histórico do WIR. Mas há outras propostas, como aquela de CHRISTIAN GELLERI que propõe uma nova moeda “regio-estatal”, complementar ao euro, a partir do sucesso da sua experiência como a “moeda” regional bávara Chiemgauer, da qual foi o principal mentor.
      Vide: http://www.eurorettung.org/fileadmin/media/Eurorettung/2012_02_22_Moeda_expresso_em_vez_da_saida_do_Euro.pdf

      Ora, no alinhamento desta “guerra” de novo tipo, as “moedas complementares” interessam-nos, porque:
      a) Pacífismo. Por um lado, diríamos “pacífico”, elas inspiram o dinamismo cooperativo das economias locais ou regionais face aos grandes blocos económicos e corporações globais. E, em vez de pretender concorrer directamente com a moeda oficial, elas procuram adaptar-se, acomodar e serem assimiladas discretamente pelo sistema monetário convencional, como uma forma de pagamento complementar, sem grandes requisitos legais ou regulatórios, semelhantes a outras formas “privadas” de “moeda” – ex. vales correio, tickets refeição, vales de desconto, etc…
      b) Subversivo. Por outro lado, as “moedas complementares” inspiram um sentimento “autonomista” e “reivindicativo” de “identidade” e “coesão social” e “justiça”, na busca por sistemas monetários alternativos capazes de melhor edificar de uma economia mais fraterna, justa, solidária e próxima dos anseios reais das populações. Neste caso, elas têm um grande potencial “subversivo”.

      Finalmente, certamente por desconhecimento da sua parte, Sr. Liberal, desconsidero as observações que faz sobre o «Sebastianismo».
      O «sebastianismo», como é colocado hoje, pós-Pessoa, não é a espera de D. Sebastião em carne e osso – ou sequer a vinda messiânica de qualquer líder providencial “reencarnado”, quão impostor reclamando ser ele próprio o Rei. O «sebastianismo» é uma forma de “resistência” continuada subversiva – a mais antiga que persiste na tradição popular portuguesa. Resistiu ao domínio dos Filipes, mas também às desventuras que se seguiram (ex. invasões napoleónicas), reinventando-se a cada época. «Sebastianismo», para lá do “mito” poético, é um estado de focado de consciência e espírito, que motiva na psicologia colectiva a “esperança”, a “razão” e a “utopia”, na busca de soluções “redentoras” e “progressistas”, que melhor preservem a identidade e soberania nacional, no relançamento histórico “universalista” de Portugal – e que representem a vinda simbólica (apenas simbólica!) de D. Sebastião. Neste sentido, “sebastião” serei eu, serás tu e todos quantos estejam em conformidade com este ideal: fazer “ressurgir” Portugal. Ademais, o «Sebastianismo» é uma manifestação “patriótica” – conforme a exortação de Pessoa: «Todo o portuguez que não é sebastianista é um traidor!». Porém, no seu “universalismo” fraternal e pacifista, o “Sebastianismo” é “não-nacionalista” – eis o fundamento desse outro Império universal indefinido, o «Quinto Império», como já observara o poeta nas seguintes ciações:
      Universalismo imperialista: «Universalismo imperialista e imperialismo universalista não são a mesma coisa. No primeiro caso, o universalismo é o essencial, o imperialismo o caminho por onde, no período de fixação da nacionalidade, o universalismo derivou. No imperialismo universalista dá-se o caso contrário. Neste a nação, a tal ponto «nacional» que o seu patriotismo lhe não cabe nas fronteiras e se torna espírito de domínio, isto é, imperialismo, expande-se e assim se universaliza; mas procura sempre impor o seu espírito, isto é, a sua nacionalidade, às populações conquistadas. São os casos, antigo, de Roma; moderno, de Inglaterra […]» // «O que a nós verdadeiramente nos caracteriza e define é, não o imperialismo universalista, mas o universalismo imperialista. Éramos essencialmente navegadores e descobridores, e só derivada e corolariamente homens de conquista e de colonização. Nem éramos temperamentalmente guerreiros, excepto na proporção em que o era o espírito do tempo (apoiado pela ânsia religiosa de dilatar a fé), nem tínhamos, ou alguma vez tivemos, população cujo número naturalmente se não pudesse conter dentro das nossas fronteiras. Antes de sermos imperialistas, já éramos universalistas. Isto o revela a nossa primitiva literatura — a dos cancioneiros e novelas de cavalaria —, singularmente desprendida de qualquer dos dois estímulos onde o imperialismo, propriamente dito, tem origem como facto mental, e não necessidade política ou económica: o nacionalismo e o espírito religioso. A exaltação patriótica não aparece. E, onde há notas religiosas, são de um simples cristianismo não-dogmático, e, aqui e ali, o que hoje se chama anticlerical. Em parte era este o espírito da Idade Média, que, assim como era muito menos ignorante do que se julga, assim também era muito menos religiosa do que se crê […] Esse universalismo revelou-se mais intenso em nós, porque em nós se revelou nacional. O universalismo medieval procedia, principalmente, da imperfeita formação das nacionalidades; em nós acentuou-se com a perfeita fundação da nossa. E assim haveríamos de seguir, pois em nossa acção imperial consubstanciámos, consciente ou inconscientemente, o, ainda maior, universalismo das descobertas com a exaltação patriótica com que nos empenhámos nelas.»
      E se em Portugal – de Vieira a Pessoa – veio a adquirir máxima expressão intelectual, encoberta nas expressão figurativa alegórica e poética, já na outra derivação do “sebastianismo” no Brasil teve lá manifestações messiânicas e milenaristas bem mais dramáticas, intrincadas, combativas e até “sanguíneas” – como se viu na «Guerras de Canudo», ao tempo de António Conselheiro, ou até no «Contestado». Fernando Pessoa referiu-se nestes termos à memória de António Conselheiro, que também inspirou a sua obra poética: “À memória de Antonio Conselheiro, bandido, louco e santo, que, no sertão do Brasil, morreu, como um exemplo, com seus companheiros, sem se render, batendo-se todos, últimos Portugueses, pela esperança do Quinto Império e da vinda quando Deus quizesse, de El-Rei D. Sebastião, nosso Senhor, Imperador do Mundo.”
      Diminuído e incompreendido por uns – na sua arrogância intelectual; e, temido e deturpado por outros – nos seus anseio de dominação política sobre a manifestação tida por “supersticiosa”, “ignorante” e “inculta” das “massas”; o “Sebastianismo” resiste ao tempo: ora latente na sua existência “encoberta”, ora reaparecendo, em tempos de crise, renovado nas suas formas!

      [Nota: Sr. Liberal, se quiser ser rigoroso e verdadeiro com a história, por certo recordará que Roosevelt encontrou também uma saída monetária para a Grande Depressão, ao alterar a forma e o valor do dólar – e pondo a impressora a funcionar!]

    6. Ontem à noite referi erradamente o ano de 1936, quando deveria ter escrito 1937. Roosevelt não quebrou o dólar, que continuou a ser convertível em ouro, ao contrário do esterlino, sendo as decisões da época sobre o dólar da responsabilidade da Reserva Federal. O que há é muita mitologia sobre Roosevelt, um presidente que cometeu imensos erros, não se incluindo neles o programa de obras públicas. Penso que se usa demais essa época como referência, quase com nostalgia. É perigosa a nostalgia da Grande Depressão.

  2. O crescimento chinês é uma farsa bem montada em cima de um regime político corrupto com ajuda da esquerda americana que chegou tarde a farra neoliberal, mas veio com um apetite e voracidade incríveis.

    Os níveis de produção industrial na China têm sido totalmente irrealistas e especulativos nos últimos anos apresentando cifras absurdas, tais como de que eles consumiram cimento per capita em alguns anos equivalente a que os EE.UU levaram 100 anos. Veja o artigo de 2014 “Porque a China vai explodir…” em (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1868) do deputado americano David Stockman.
    Como um país que 30 anos atrás era muito pobre com mais de 1,5 bilhões de pessoas, saído de um regime político miserável, pode agora ser o maior centro industrial do mundo ultrapassando os EE.UU que levaram 150 anos para se tornarem o que são?

    A explicação é que tudo isso é uma fraude descomunal com investimentos colossais de americanos e europeus num esforço absurdo para criar essa farsa chamada China.
    Veja “Cidades fantasmas, a fraude do crescimento chinês” em: https://www.youtube.com/watch?v=2yL7t0j_4tQ.

    Estou me dispondo a para e gastar meu tempo em escrever esse comentário devido minha revolta de como a gravíssima crise econômica da China está sendo minimizada em prol da exacerbação de uma possível crise brasileira. A China tem uma dívida pública mais de 200% do PIB. O Brasil apenas de 55% . A crise econômica é acima de tudo chinesa, não brasileira. E você como professor não pode sair por aí engrossando o caldo da difamação que o Brasil vem sofrendo por parte desse regime americano deplorável para nos submeter a esse caótico subimperialismo chinês.

    Eles querem se instalar em Manaus para que essa cidade sirva de plataforma de lançamento das quinquilharias chinesas para toda América latina. Se perdemos a zona franca de Manaus perdemos a Amazônia pois é o único elemento que preenche o vazio econômico da região, já que o estado do Amazonas não tem agricultura de escala.

    A grave crise econômica da China vai afetar o Brasil? Claro que vai, se você for produtor de soja, os quais vêm participando dessa farra em prol da destruição da industrialização brasileira. Plantou-se essa porcaria de soja, que é apenas feijão, desde o sopé dos Andes na Argentina até quase Belém do Pará, passando por quase todos os estados do Brasil.

    O esquema é esse: cria-se uma commodity (soja ou minério) que possa ser trocada pelas quinquilharias chinesas. Assim, vai soja e minério de ferro e volta porcaria industrial da China, a qual rouba seu emprego nas indústrias. Você ganhou alguma coisa com esse boom econômico da soja? Não! Seu salário como professor aumentou? Não! Apenas fazendeiros ganharam com esse esquema (farra das oligarquias). E isso também aconteceu nos EE.UU, onde com o acobertamento da decadente esquerda americana a esse esquema chinês vil destruiu-se empregos de US$40 a hora em Detroit e os trocou por outros de US$ 7 a hora nos Mcdonalds da vida.

    A China sofre a explosão previsível de uma colossal bolha de superprodução industrial e vai se adequar ao fato de que é um país pobre do 3º mundo com 1,5 de pessoas e não a Inglaterra do século 19. E se a China vai se tornar uma superpotência? Isso veremos daqui a 150 anos!

    1. Em memória de Chico Mendes (1944- 1988) – seringueiro, sindicalista, activista político e ambiental…
      Caro Ricardo… Não se esqueça que a Amazónia tem o mais importante ecossistema do mundo – e a sua maior riqueza é a biodiversidade!
      E não são os “ribeirinhos” que para matar a fome e fugir da miséria são quem enriquece com o abate ilegal de árvores escolhidas no meio da floresta tropical… Desde a extracção, a selação e o abate, até à serraria artesanal, passando por trilhos clandestinos na mata cerrada, puxados a juntas de búfalos e em jangadas improvisadas, mais o suborno aos fiscais da alfândega, a madeira quando embarca no porto já perdeu muito do valor do potencial ganho do “ribeirinho”.
      E um destino comum do comércio destas madeiras exóticas é precisamente a China!
      Aliás, esse não é só um problema da Amazónia, mas também da predação das florestas africanas e na Ásia.

      Veja o seguinte depoimento de Andrea Dijkstra, sobre o que está a acontecer nas florestas de Moçambique: chineses, políticos corruptos, madeireiros ricos, ambientalistas, ameaças de morte e uma população faminta e miserável – onde já ouvimos isto?
      http://bissauresiste.blogspot.com/2015/05/mais-estragos-chineses-nas-florestas-de.html

      [Sobre os “ribeirinhos”, vide «Momento Ambiental: O Desmantamento da Floresta Amazónica», 2011 (vídeo 14 min.): https://www.youtube.com/watch?v=O2yyuCdpQoc ]

    2. Ricardo, daqui a 150 anos nenhum de nós verá nada, mas eu apostaria, se pudesse esperar 150 anos, que a China já não será uma ditadura. Como vê, sou um optimista! Quanto às prováveis convulsões na economia chinesa, que o ‘crash’ de Xangai talvez antecipe, não se esqueça de que serão os chineses os primeiros e os maiores afectados. Se a crise for suficientemente grave e intensa, e sobretudo se as respostas do Estado forem as respostas erradas, a estabilidade política da China não está garantida. A autocracia repousa no medo, e a chinesa não é excepção. Mas por vezes o medo cede. Cedeu na Tunísia, em Dezembro de 2010.

    1. Não lhes chamaria assim. Registam simplesmente uma contradição histórica que se vem arrastando. Afinal, as empresas do PCC estão a participar intensamente nas privatizações em Portugal e isso um dia vai ter consequências políticas para os seus aliados. Terá que ter.

  3. Francisco Louçã, possivelmente sem querer, faz parte daqueles mestres da contrapropaganda que criam alarmismos para que o tempo que vale a pena perder, não se perca a separar o trigo do joio. Quando Francisco Louçã diz que o mercado financeiro mundial terá perdido 450 mil milhões, ou que a Bolsa portuguesa perdeu 3,1 mil milhões em valor, é preciso que se esclareça uma coisa: estes milhões não passam de valorização bolsista, estes valores representam uma valorização especulativa que faz rodar o sistema financeiro, mas não representam nada para as empresas, contrariamente ao que F.L. afirma; a cotação de uma empresa na bolsa pode desabar que isso não impede a empresa de laborar. Na verdade, se existe algum efeito destas movimentações bolsistas nas empresas, ele será apenas prejudicial pelo facto de os Bancos comerciais terem fechado a torneira aos financiamentos que geram investimento e emprego e se tenham voltado, eles próprios, para a venda de activos financeiros altamente lucrativos que incluem o “jogo” da bolsa. Mas isto acontece porque os Bancos fizeram essa escolha e os Estados o permitem, através da desregulação nos mercados financeiros. Francisco Louça deveria perceber também que a valorização bolsista tem pouco impacto no dia-a-dia dos cidadãos, primeiro porque os efeitos de um krach bolsista não traz quaisquer alterações à vida das pessoas no imediato, ele pode nem ter quaisquer repercussões. Segundo, a valorização bolsista acaba por, computo geral, não trazer nada à economia, basta ver que o krach de 2008, por exemplo, fez “perder” ao planeta, o equivalente a sete anos de valorização bolsista, sete anos em vão. Como vê, o jogo é perverso e está a ocupá-lo a si, impedindo-o de se ocupar de coisas mais prementes e sérias, como por exemplo lutar pela regulação dos mercados financeiros. Cumprimentos.

    1. Nem sei como lhe hei-de responder. Presumo simplesmente que não leu o texto, em que tive o cuidado de assinalar aos leitores que as perdas são nocionais e que só se consumariam se as acções fossem vendidas. Estranho ver alguém acusar-me de não ter escrito o que escrevi. Mas deve ser do verão. “Mestre da contrapropaganda” deve ter sido escrito em algum manual partidário de terceira categoria, é puro insulto.
      No entanto, há um ponto que parece subestimar, mesmo que estivesse certo na crítica anterior. É que as perdas bolsistas têm mesmo efeito na economia real (como se verificou em 1929, em 1973-4… em 2007-8 etc etc), porque afectam a capacidade de crédito, fazem subir os juros das empresas vulneráveis, reduzem projectos de investimento e criam desemprego. Pensar que o mercado especulativo é uma invenção espiritual é giro mas desculabiliza a especulação.

    2. Há dois equívocos aqui, o primeiro é que sendo nocional ou não, as perdas em bolsa não têm nada de que nos possa preocupar, o investidor perde e ganha e não se preocupa minimamente com o andar da sociedade, quando ganha não projecta investir em bens que criem riqueza ou emprego, é o tipo de jogo que não sai da esfera da especulação pura, daí que em geral nenhum investidor coloca valor sobre uma empresa só porque ela é bem gerida ou estar em alta, o que se faz ali é um jogo de antecipação em que cada jogador coloca valor naquilo que ele acha que vai ser a aposta dos restantes apostadores, uma empresa medíocre pode servir de isco. O segundo equívoco é que quando os bancos sobem os juros das “empresas vulneráveis”, aí, entramos na esfera dos jogos opacos da finança, um banco pode ter interesse em que uma empresa vulnerável escorregue, um banco pode ter interesse em que uma empresa num determinado país crie instabilidade, os bancos, em geral, estão a trabalhar e a ganhar muito dinheiro com o declínio de grandes grupos e Estados, as dívidas soberanas não são o parecem. A título de exemplo, e tudo isto para lhe demonstrar que a falta de crédito ás empresas não decorre directamente dos krachs bolsistas, falemos do que se passou com o Banco Cit, um banco americano vocacionado para o crédito às PME nos EUA. Um banco vital para as pequenas e médias empresas, portanto. Para sobreviver à tormenta do subprime em 2008 pediu mil milhões de dólares ao Goldman Sachs. Em apuros, mais tarde, enviou os melhores advogados ao Goldman Sachs para negociar, convencidos de que este não iria deixá-los falir, visto ser do seu interesse salvar os valores em questão. Surpresa das surpresas! Os juristas da Goldman Sachs vociferaram e correram com eles. O Cit faliu e quando tentaram indagar sobre a atitude do Goldman Sachs, perceberam que, um ano antes, exactamente no mesmo momento em que emprestaram o dinheiro ao Cit, o Goldman Sachs tinha apostado no incumprimento do Cit naquele acordo, comprando contratos Swap (CDS, Credit Default Swap). A conclusão foi que o Goldman ganhou muito mais dinheiro com o incumprimento do que perdeu com a falência. Por fim, tenho de dizer-lhe que tenho tanto asco aos manuais partidários de terceira como de primeira categoria, no entanto peço desculpa se o ofendi com o “mestre de contrapropaganda” (não era, de todo, a intenção). Acontece que, por influência dos usos e costumes do meio onde vivo (estrangeiro) não tenho muito a noção do que pode criar susceptibilidade em Portugal.

    3. Vamos lá a recapitular. Acusou-me de ser um dos “mestres da contrapropaganda” por ignorar que a queda das bolsas não tem o impacto imediato que os números aparentam. Lembrei-lhe que escrevi precisamente isso e agora desconversa. Mais valia ter querido discutir os assuntos, não acha? E suponho que há tanta necessidade de boa educação no estrangeiro como em Portugal.

    4. É bem limitada a noção de que o mercado de capitais é apenas um clube de especuladores sem consequências para a economia. Porque é falsa, mas se aproveita do facto verdadeiro de haver muitos operadores que apenas investem a curtíssimo prazo. Já foi provado na prática que a maior parte deles perde dinheiro. E sem dúvida que há criminalidade nos mercados de capitais, mas daí a condená-los vai aquela mesma distância que nos leva a deitar o bebé fora com a água do banho. Infelizmente há agora nos mercados de capitais um operador diferente, e cujas intervenções são manipuladoras, potencialmente ilimitadas, mas não se chamam crime: os bancos centrais.

    5. “Já foi provado na prática que a maior parte deles perde dinheiro”

      Estrava distraído, e não vi. Pode fazer o favor de provar isso neste espaço?

      Obrigado

    6. Nuno Azevedo e Silva, não sei onde encontrei essa informação, já lá vão bastantes anos. Mas é lógico, porque no investimento accionista de curto prazo não há tempo para beneficiar do “jogo de soma positiva” que se verifica no investimento de longo prazo. No curto prazo, os ganhos de uns são as perdas de outros – mas atenção, há custos de transacção. É provável que haja estudos mais ou menos científicos, e até artigos publicados.

  4. “Talvez tenhamos que acordar com a tempestade.” – Sempre foi assim que se alteraram as coisas… de resto é comportamento de rebanho.

  5. Havia uma alternativa à louçã: Aumentar os impostos aos mais “ricos”, para continuar a subsidiar as brutalmente ineficientes empresas públicas que para além de ordenados e direitos adquiridos aos seus trabalhadores, desligados da economia real e completamente desproporcionados relativamente à população que paga esses impostos, pouco mais acrescenta à população. É claro que “ricos” é eufemismo para toda a classe média. Mas isso é para esconder.

    Quando se vai à falência vende-se os activos. É assim para os individuais, empresas, famílias e países. É conto de crianças pensar que há outro caminho. E quando se vende na falência vende-se a quem paga mais. Sempre foi e sempre será assim.

    1. Aumentar os impostos para a classe média? Onde já ouvi isto? Gaspar, Albuquerque, Coelho, Portas?

    2. O caminho do aumento dos impostos não começou em 2011, dura há décadas, e acentuou-se brutalmente com Durão Barroso. O socialismo é voraz, e devora os seus povos. Tenham atenção a António Costa, ‘and mark my words’, podem contar com muito mais impostos com ele. António Costa é um lobo vestido de ovelha.

    3. SEmpre desconfiei de que o Durão Barroso era um perigoso socialista. E tenho a certeza de que é por ser um perigoso socialista que Passos Coelho subiu os impostos. O pior ainda é Paulo Portas, socialista dos quatro costados.

    4. Afinal, o que ainda valem as siglas partidárias?
      Será o PS “socialista” – e o que pode ainda significar o marxismo?
      O que significa a “social-democracia”, e Sá Carneiro, para o PSD de Passos Coelho? Ou a “democracia-cristã” para o CDS-PP, pósfixo acrónimo de Paulo Portas?
      Ainda há lugar para Estaline no PCP? E, o que significado tem Tróstky para a Esquerda alternativa que representou Louçã?
      Mais do que acervo ou memória histórica, o que fica?
      Já assim notava a pena de Camões, assinalando a mudança dos tempos – enfim, percebidos como decadência, diferentes em tudo da esperança:

      Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
      Muda-se o ser, muda-se a confiança;
      Todo o mundo é composto de mudança,
      Tomando sempre novas qualidades.

      Continuamente vemos novidades,
      Diferentes em tudo da esperança;
      Do mal ficam as mágoas na lembrança,
      E do bem, se algum houve, as saudades.
      […]
      E, afora este mudar-se cada dia,
      Outra mudança faz de mor espanto:
      Que não se muda já como soía.

    5. Gostei da intervenção poética de António Anchas, parabéns. Aquilo a que costumamos chamar o “centrão”, que inclui Durão Barroso e grande parte do PSD e até do PS, navega em águas de recusa de ideologias, vêem-se a eles mesmos e apresentam-se como pragmáticos, e já se sentem acima dessas velharias. Parece que reclamar-se “de esquerda”, como o Francisco Louçã, é uma dessas velharias, e então liberal dá para tudo. A prova de que dá para tudo foi o uso intensivo que os nazis fizeram da palavra liberdade. Mas quando um fascista fala em liberdade, é de uma paródia que ele fala.

    6. Vamos la ver se percebi. O pobre do Governo, na sua luta desesperada contra a nossa Constituição Socialista, não tem nenhuma alternativa senão vender empresas de cariz estratégico, como a REN e a EDP, a empresas estatais de um Pais Comunista. Como também não tem alternativa senão vender a Fidelidade a uma empresa chinesa que a usa para investir na bolsa de Xangai (que vai a caminho de se tornar noutro buraco) e que a comprou com o próprio dinheiro da Fidelidade (devem ter aprendido com Champalimud). Como também não tem alternativa senão deixar vender a PT a uma multinacional francesa super-alavancada que e especialista em fazer com as empresas que compra mais ou menos o que os donos da Fidelidade parecem querer com ela (e ainda elogia os dirigentes dessa empresa francesa porque abriram um ‘call center’ que criou 40 novos empregos, imagina-se a fazer o que). Como também não tem alternativa senão vender os CTT por tuta e meia. A fazer fé no Programa da PaF, preparam-se para explorar hidrocarbonetos em Portugal, esperando provavelmente encontrar uma nova árvore das patacas (e esventrando os nossos subsolo e fundo marinho no processo). Prof. Louca, eu sou obrigado a concluir como diz o ‘Liberal’ Comentador que de facto todo o nosso Governo partilha das suas convicções socialistas. So que eles pertencem a uma fação muito particular do Socialismo: defendem o Socialismo para os Ricos…

    7. Jaime Santos, conhece algum outro? Os socialismos reais sempre criaram uma casta de privilegiados pela sabujice. O nacional-socialismo foi o mais frontal, honra lhe seja feita nisto: a única coisa que se requeria a um nazi era a obediência incondicional. Ficou conhecido como o ‘führerprinzip’.

  6. Professor Louça
    O que pode acontecer à Mundial Fidelidade , A Fosun pode descapitalizar a empresa portuguesa por necessidade de ativos?
    E em relação á EDP uma empresa fundamental do sector energético?
    Obrigado pelos seus artigos esclarecedores
    António Piteira

    1. Não se sabe o que vão fazer. Os artigos de Ricardo Cabral neste blog (creio que são 3) são muito esclarecedores sobre o que se sabe que estão já a fazer.

  7. Recuando 50 anos no tempo… a história económica de Portugal em 5 breves parágrafos.
    Primeiro tivemos o impulso de novas industrias e o aparecimento de grupos económicos privados, ainda sob intervenção e protecção estatal do Estado Novo, e beneficiando da paulatina abertura ao exterior, nomeadamente através da adesão à EFTA.
    Depois, vieram os tempos conturbados do PREC e das nacionalizações.
    Seguiram-se as privatizações e a abertura da economia ao investimento externo, mais um período de expansão económica que acompanhou a adesão à então CEE. Por um breve momento, Portugal voltou a convergir com a Europa.
    O alargamento da UE a Leste e a aceleração do processo de “globalização”, nomeadamente com a entrada na China na OMC, trouxe novos desafios à indústria portuguesa. Começa a debater-se a perda de “centros de decisão” nacional, após a aquisição do Totta pelo Santander…
    Com o Euro, seguiu-se a estagnação económica, mais a crise e a recessão da qual ainda não saímos. Segue-se um novo ciclo de privatizações, mas o resgate financeiro da banca… E aqui entram os chineses, em destaque entre angolanos e brasileiros, mais os “vistos gold”.

    Agora, a seguir aos chineses – mais os angolanos e brasileiros – o que se segue?
    A circunstância do ESTADO EXÍGUO – como definiu Adriano MOREIRA?
    “A severa crise com que entramos no terceiro milénio, esgotado o conceito estratégico nacional secular, também parece finalmente despertar a compreensão de que a conjuntura é radicalmente nova em relação à experiência secular, que as exigências dirigidas à capacidade do Estado ameaçam colocá-lo na categoria de Estado exíguo, quer na definição em progresso das hierarquias internas da Europa, quer na hierarquia da Europa nas balanças de poderes mundiais, balança estratégica, balança científica e técnica, balança económica.”

    Em declarações polémicas, Martin SCHULZ (2012), Presidente do Parlamento Europeu, sugeria que o caminho de Portugal é o declínio: “Há umas semanas estive a ler um artigo no ‘Neue Zürcher Zeitung’ que até recortei. O recém-eleito primeiro-ministro de Portugal, Passos Coelho, deslocou-se a Luanda. […] Passos Coelho apelou ao Governo angolano que invista mais em Portugal, porque Angola tem muito dinheiro. Esse é o futuro de Portugal: o declínio, também um perigo social para as pessoas, se não compreendermos que, economicamente, e sobretudo com o nosso modelo democrático, estável, em conjugação com a nossa estabilidade económica, só teremos hipóteses no quadro da União Europeia”.

    Mais recentemente, a par das muitas críticas em relação ao Euro e à organização da União Monetária, Paul KRUGMAN falava da “morte económica” de Portugal, naquilo que descreve como uma “tempestade demográfica perfeita”, no agudizar dos efeitos societais da crise económica:
    “A crise da dívida de Portugal assemelha-se alarmantemente ao gatilho que desencadeia uma espiral de morte económica: uma economia deprimida provoca uma emigração em larga escala de portugueses em idade de trabalho (acompanhada de uma fertilidade baixa), reduzindo a base fiscal, tornando ainda mais difícil a saída da crise. Não é fácil de saber o que isto vai dar, antes de nos vermos a braços com os restos de uma nação de idosos sem recursos para cuidar deles”.

    Faz bem, estimado Franciso LOUÇÃ, em não negligenciar a dimensão política ao enquadramento económico do contágio da crise chinesa, no assombro que se segue. Fala num dos “poderes financeiros mais opaco”, ao referir-se ao Partido COMUNISTA Chinês, lançando, de forma subtil, farpas ao outro “dirigente [comunista] político português”. De facto, os regimes totalitários comunistas são “opacos” no seu fechamento e limpeza interna (purgas).
    E também Paulo PORTAS, em respota ao agendamento do debate com Heloísa Apolónia, CDU, não perdeu ontem a oportunidade de, num tom sarcástico, a resvalar para o insulto, em definir os comunistas: “Em nenhum país comunista haveria um debate com os adversários políticos, porque, se houvesse, era o último. Como sabem, ou lhes cortavam a cabeça ou os prendiam. Em democracia trocamos ideias naturalmente, civilizadamente”.
    Ora, tais declarações parecem desfocadas no que se refere em concreto ao PCP – e em particular à liderança de JERÓNIMO de Sousa. O líder dos comunistas portugueses não só demarca-se das orientação políticas do PC chinês, como defende a identidade própria do PCP. Quando há semanas questionado sobre a potencial venda do Novo Banco, Jerónimo não só se mostrou contra a privatização como retorquiu “A Portugal o que é de Portugal, aos chineses o que é dos chineses”. Por outro lado, quem quiser ler o Manifesto Eleitoral do PCP constatará que, ao contrário do que afirma Portas, os comunistas portugueses defendem o regime DEMOCRÁTICO (e o que dizem ser o valores de Abril) e honram a CONSTITUIÇÃO da República.
    Porém, a meu ver o ponto mais relevante do Manifesto Eleitoral comunista é o posicionamento num tom assertivo na defesa daquilo que designam ser um «POLÍTICA PATRIÓTICA e de ESQUERDA!».
    Podemos até não concordar com a estratégia – que passa pela revalorização da “produção nacional” (agricultura, pescas, reindustrialização, etc.), o reforço do papel interventivo do Estado (assumindo a “reversão das privatizações” e o “controlo de sectores estratégicos”, bem como o reforço do “sector empresarial do Estado”) ou ainda a consolidação da “soberania” nacional (questionando o peso da banca e a especulação financeira, a renegociação da dívida, a participação no euro e os moldes de participação na UE, mais a NATO, etc.), entre outros. Porém, o Partido Comunista Português tem o mérito de ousar pensar um futuro diferente para o país.
    E PORTUGAL precisa de novos “conceitos estratégicos” (segundo expressão de Adriano Moreira) – pensados à esquerda, redesenhados à direita e no confronto democrático de ambos.

  8. A verdade é que só entregámos várias empresas a capitais chineses porque eles são os únicos que se interessam pela república socialista de Portugal. Uma economia medíocre como a portuguesa atrai investidores de segunda linha. E parece que mesmo eles podem parar de ter interesse no nosso torrão lusitano. Ao que eu acho piada é à amnésia dos tugas em relação à bancarrota de 2011, vendo como uma hipótese para os governar um indivíduo da escola guterriana pura e dura, que nunca mostrou o mais pequeno arrependimento ou vergonha pelo que o PS fez às nossas finanças públicas, e mesmo às privadas, pelo contágio do mau exemplo.

    1. República socialista? Anda a ler muito Bruno Maçães. O presidente chama-se Cavaco e o PM Passos Coelho.

    2. E a Constituição, também tem nome? Não me diga que a Constituição se chama Francisco Louçã!? Agora a sério, creio que muitas pessoas nem se dão conta da quase nulidade de poder do legislador e do executivo em Portugal sempre que quer tomar medidas contra a hegemonia socialista.

    3. O legislador nem pode tomar medidas contra o socialismo: a constituição diz que somos livres, desde que caminhemos na direcção do socialismo. Uma bebedeira de ignorância que já dura desde 1975.

      Enquanto as sociedades desenvolvidas seguem o seu caminho, todas elas – repito TODAS – liberais.

    4. Uau! Todas as medidas socialistas: privatizar os STCP e o Metro do Porto, a TAP, a EDP, a GALP, os aeroportos… Sempre no caminho do socialismo. Foram 4900 milhões para o BES, não foi? Socialismo puro. E 5000 milhões para o banco dos ministros de Cavaco? Socialismo feroz. Ainda bem que há quem denuncie esta ignomínia.

    5. Só um distraído pode afirmar que um liberal capitalista é a favor de salvar bancos. São a favor precisamente do contrário, de os deixar falir (para que os que decidiram bem no passado, possam ficar com a sua quota de mercado). Suspeito que alguns distraídos sabem isto muito bem, mas preferem fingir que não sabem.

      Bancos com o dinheiro público é efectivamente uma característica muito própria do socialismo. É só abrir os olhos e observar todas as repúblicas socialistas como funcionam.

    6. Sem dúvida que a possibilidade de privatizar empresas públicas foi um conquista liberalizadora, arrancada a ferros e contra a corrente, mas mexer no Estado Social continua a ser impossível. Suponho que a Troika tenha ficado bem embasbacada com as novelas com o Tribunal Constitucional português, insólito no mais alto grau, porque os cortes eram bem reduzidos face à dimensão do problema (quase toda a consolidação fez-se pela receita, como sabemos). Concordo com Pedro, as intervenções desastradas na banca não têm nada de liberal. A do BPN usou mesmo o seu nome real, nacionalização. Eu tenderia a pensar que, nas circunstâncias do BPN e do mundo em 2009, e esgotadas as hipóteses de o entregar a outros accionistas, ele deveria ter sido liquidado, naturalmente salvaguardando os depósitos garantidos. O BES foi diferente, houve vontade deliberada de o destruir.

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