Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

22 de Agosto de 2015, 08:45

Por

Quase tudo à volta de quase futebol

Há dias, escrevi, num jornal desportivo, sobre futebol. Ou melhor sobre o que sobra do futebol, retirado o nuclear, que é o futebol jogado. E o que fica? A mais imperial hiperbolização do dito desporto (nos dois sentidos, para exaltar e para depreciar). O exagero sequestrou a competição. O excesso estiolou a razoabilidade. A imoderação eliminou a sensatez. O futebol, sob a aparente capa de modernismo mundano, nunca foi tão alienante como agora.

Eu – que sempre gostei de futebol – transcrevo aqui parte do meu “desabafo”:

A maior exageração é a das televisões ditas de informação. De manhã à noite, matraqueiam os espectadores (aqui talvez não ficasse pior essa pérola do AO: espeta…dores) com antevisões, previsões, insinuações, explicações, sugestões, constatações em redor de (quase) nada. A diversidade que deveria advir da concorrência esfuma-se num monolitismo que nos convida à estreiteza. No fim-de-semana, simultaneamente, os quatro canais espelhavam o vazio da programação: SIC N, RTP I, TVI 24, CM TV, além dos – aí sim desportivos – canais da Sport TV e Bola TV. Nos generalistas, não havia futebol mas sempre há a pimba-alienação, a mais pirosa e néscia forma de regressão estética e artística. Também nestes, qualquer “notícia” da bola aparece intercalada entre o importante e o excitante. No domingo, um destes canais noticiou prioritariamente uma banal lesão de Moutinho no Mónaco! Que tristeza!

Já não suporto tanta conversa, tanta filosofia barata, tantos lugares-comuns, tantas conferências antes e depois, tanto bulício artificial, tanta especulação sobre nada, tantas imagens repetidas, tantos euromilhões num “mercado de pessoas”, tanta peleja enviesada sobre minudências, tanto palavreado sobre intermediários, tantos juízos sobre todos, tantas provocaçõezinhas de escola primária, tantos absolutismos de retórica, tantos “mind games” (como gostam de dizer), tantas incoerências em tão pouco tempo… Horas a fio, que tudo subjugam. Em dose cavalar, com o devido respeito pelo animal.

Comentários

  1. Sempre gostei de futebol, que comecei a ver com 6 anos de idade, no velho Estádio de Lima ao fundo a Constituição no Porto. Coleccionava os cromos, jogava futebol tardes inteiras, com trapeiras ou “Bolas de Camara”, (assim se chamavam as verdadeiras bolas de futebol.)Fui com o FCP a Sevilha em 2004 e ao Mónaco em 2005 ,vivendo em Cascais, fui ao Dragão em 2004, 2005 e 2006, quinzenalmente, vivendo as alegrias que me dava o FCP. Não perdi um jogo de Portugal no Euro 2004.Adorava ver os jogos do campeonato Inglês, espanhol,e cheguei a ir à Povoa de Varzim ,a uma tasca,ver um jogo do Benfica na BTV.Mas atingiu-se o desconchavo total:as TV estiveram 48 horas em comentários, com comentadores sem um minimo de interesse que pré peroravam sobre a supertaça Benfica/Sporting, antes e depois. Depois começou a telenovela Jorge Jesus, um analfabeto ordinário, promovido a bom treinador…Porquê? Fui há dias ao Dragão–que desilusão, que tristeza, que falta de tudo. Isto já não é futebol;é um circo do mais reles e mercenário que já vi. E decidi-em Portugal mais.futebol não. Raios os partam a todos- jogadores, Jorges Mendes e as suas ilhas gregas, Brunos Carvalho, Jesuses e outros reles que tal.

  2. Lá vai o tempo em que o Jornal a Bola era o jornal do povo e passavamos a vida cantar o fado na taberna e não na tv, e era proibido ir de mini-saia a Fátima.

  3. Totalmente de acordo DR. Bagão Félix
    Todavia esta formatação da mente das pessoas não é ingénua. Até Salazar tentava desde que não fosse subversiva permitia transmitir algumas peças de teatro, O Dr Vitorino Nemésio no mau tempo no canal. Eu gosto de dizer que nesse tempo eu não percebia os programas culturais, mas hoje a linguagem televisiva , não uso em casa

    1. Não se fala no nome do Homem em vão.

      O homem que acabou as obras de Santa Engrácia já devia ter i seu panteão em Santa Comba, privativo.

  4. É preciso ser mesmo acordofóbico doentio para fazer o aparte que faz no seu texto.

    A propósito, sempre que cito um trecho do «Público», que acolhe este blogue, vejo-me forçado a corrigir os erros ortográficos em que o jornal insiste.

    1. O aborto ortográfico que nem os média nem os organismos oficiais do estado acertam?
      E que está completamente ilegal?

  5. Ah, Bagão, como concordo consigo… E eu até gosto de futebol, mas a TV está cada vez mais uma lixeira a céu aberto.
    Já dizia o inglês “tanto barulho por nada”…

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