Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

19 de Agosto de 2015, 12:38

Por

Meteorologia incompreensivelmente definhada

metereologia1Volto ao tempo. Não ao dos inexoráveis ponteiros que vão correndo – para mim – em movimento uniformemente acelerado. Mas ao outro, que, à falta de melhor palavra, exprimimos quando nos referimos ao estado meteorológico.

Nos meios de comunicação social, há uma estranha e paradoxal relação com as notícias sobre o tempo. Por um lado, a meteorologia, na sua expressão previsional, vai definhando, como se verifica nas televisões e em alguns jornais que nos dão a previsão do próprio dia como se fosse uma novidade e secundarizam a dos dias seguintes, vá lá saber-se porquê. Por outro lado, leva-se até à apoplexia noticiosa a normalidade do tempo (o calor nas praias, a chuva no inverno, e toda a sorte de avisos amarelos por dá cá aquela palha…)

Sobretudo estranho a “rarefacção meteorológica” da rádio e televisão públicas. A RTP achou por bem prescindir da apresentação mais detalhada da meteorologia por técnicos do Instituto do Mar e da Atmosfera, embora depois nos forneça “notáveis” peças sobre uns pingos de chuva em Agosto ou uma vaga de 18 graus no Inverno. A Antena Um – estação que, aliás, aprecio – há muito, tem uma intrigante forma matinal de nos indicar as temperaturas previstas para o dia. Por exemplo: “Lisboa 27º, Porto 23º, Faro 25º, Funchal 24º, Ponta Delgada 23º e … (imagine-se) Vilnius (na Lituânia) 17º”. A cidade fora de Portugal lá vai variando entre a capital da Lituânia, Dublin, Oslo, Praga ou outra algures, por um qualquer não critério que ninguém entende. Mas, fora esta excentricidade pseudo modernista, o que critico verdadeiramente é (embora nem sempre) o esquecimento das cidades do interior num serviço de interesse público. Será que os graus centígrados de Vilnius são mais úteis do que a temperatura em Beja, Évora, Viseu ou Vila Real? Assim, neste pormenor do quotidiano, Portugal Continental parece ser uma estreita faixa entre Porto, Lisboa e Faro. Neste caso, até a meteorologia ajuda a cavar a desigualdade territorial. Custa assim tanto alterar este estado de coisas?

Comentários

  1. muito bem essa observação sobre a meteorologia de meios de comunicação públicos. Acrescento uma outra observação: são esses serviços públicos que regularmente criticam os poderes políticos por “abandono do interior”! Que “honestidade intelectual”,,,

  2. Encontrámo-nos casualmente tomando café no Vita Roma. Trocámos breves palavras…acho que, mais sorrisos do que palavras. E há sorrisos que dizem mais das pessoas que as palavras…Saíra de casa só depois de ouvir o programa rediofónico – permita-me a sinceridade – para escutar o sociólogo que nele com o senhor participara. Fazia eu revisão de um livrro que tem dentro, quase só, gente alentejana. “Gosto muito do Alentejo”, disse-me “Quando publicar envio-lhe” disse-lhe. Já publiquei. Mas enviar… para onde?

    Temos duas coisas em comum: 1 – Gostamos muito do nosso Alentejo, onde nasci e cresci; 2 – Tal como Virgilio Ferreira também “Gosto de me ouvir ser” … E por aqui não me deixam! Nâo tenho sorte de poder aí ter um meu montinho onde pudesse ver poisar garças…Mas aceito com alento aqui estar…Tenho uma visinha rôla que me canta não sei de que telhado num refúgio que arranjei para fugir ao bulício da cidade.. Não há aqui bonequinho mas cá vai um…smile. Partilhe-o com sua esposa que também me sorriu. Saúde Dr Bagão Félix!

    1. Boa tarde. Muito obrigado pelas suas palavras. Estou no Alentejo, como é habitual no Verão. Muito sensibilizado pela oferta do seu livro, que poderá enviar para Avenida das Forças Armadas, 133, lote D, 11º esquerdo, 1600-081 Lisboa.

  3. Dr. Bagão Félix: ainda que secundário, para a compreensão do texto, aliás deveras interessante, corrija, por favor (dada a atenção e cuidado que a língua portuguesa lhe merece), “há falta de melhor palavra” por “à falta de melhor…”, naturalmente… Cumprimentos. José S. Lopes

  4. Anticiclone, superficie frontal, depressao muito cavada, ar maritimo transportado na circulacao de um anticiclone, vale depressionario, ar instavel pos-frontal com aguaceiros,, etc, tudo isto sao termos que se aprendiam com os antigos boletins meteorologicos que apenas mostravam uma carta de superficie com as isobaricas, e com as explicacoes expressivas do Anthimio de Azevedo; nao era preciso ser meteorologista para perceber determinados conceitos e ate fazer um bocadinho de previsao amadora atraves da leitura da carta. Com o andar dos anos as televisoes enetenderam que o publico e demasiado estupido para estes conceitos e limitam-se a apresentar as tais nuvens com pinguinhos.Olhando para o site do instituto do mar e da atmosfera, nao posso dizer que esteja mais informado do que antigamente, apesar dos bonequinhos e das animacoes. Falta uma sinopse, uma explicacao que de sentido aos dados apresentados.

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