Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

7 de Agosto de 2015, 09:01

Por

Lembrar o forrobodó

thaliaO Teatro Thalia, ou Teatro da Laranjeiras, onde terá sido estreado o Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett, em 1843, foi reaberto há pouco. Frequentado há mais de um século e meio pela rainha D. Maria II e propriedade de Joaquim Pedro Quintela, Barão de Quintela e Conde de Farrobo (1801-1869), é agora um espaço despido, recuperado, magnífico. Por detrás do Jardim Zoológico (Burnay, que comprou depois a propriedade, foi quem doou parte da quinta para construir o Zoo), na antiga Quinta das Laranjeiras, o Teatro foi construído a mando do Conde, magnata e promotor das artes. Dono de caminhos de ferro e minas, coronel de cavalaria, par do reino, alcaide de Sortelha, detinha o monopólio do tabaco, a melhor garantia da fortuna (mas essa foi a sua desgraça, a litigância judicial acerca do contrato contribuiu para o arruinar e morreu na miséria). Geriu o Teatro São Carlos e foi um dos promotores culturais mais destacados da cidade.

A essa animação se teria chamado na época o “forrobodó”. A lição é esta: todo o brilho se desvanece no ar, só ficou a fama. Mas até vamos esquecendo o nome do criador da criatura.

 

 

 

 

 

Comentários

  1. Não conheço nem o articulista nem os comentadores. Penso que do lado do articulista há um esforço de pesquisa honesto e um artigo fora do comum. Do lado dos comentadores o costume ( ou vicio ) do ” bota a baixo” . Os talentosos portugueses são assim. Merecemos Portugal? Não! Que nos ocupem, por favor. Se possível com muito futebol, para comentar.

  2. Boa noite,
    O texto é bom Sr. Professor, aprendi qualquer coisa. Para o epicuro aqui fica um texto que já conhece certamente mas reflete bem o seu ponto de vista:
    “Ninguém pode servir a dois senhores; pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.
    Por isso eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros? Quem de vós pode prolongar a duração da própria vida, só pelo fato de se preocupar com isso?
    E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Porém, eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé?
    Portanto, não vos preocupeis, dizendo: ‘O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir? Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso.
    Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo.
    Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia bastam seus próprios problemas”. Mateus 6:24-34

  3. Tiago Figueiredo, o que sei do Anarquismo é muito pouco e limita-se a umas ideias de senso comum (provavelmente erradas) que certamente também o Tiago não desconhece: esteve em moda no séc XIX em certos círculos radicais; Bakunin foi um dos seus mentores; são contra a existência do Estado, do Dinheiro, do Trabalho, da Lei; puseram umas bombas que mataram arquiduques, reis e centenas de burgueses na ópera de Barcelona. Sei que tinham, até há poucos anos , um jornal em Portugal: «A Batalha». Será que ainda existe? Será qua ainda existem? Pouco mais lhe posso dizer sobre o Anarquismo, caro Tiago Figueiredo.

  4. Essa do “Frei Luis de Sousa” nas Laranjeiras nunca – mas nunca mesmo – tinha ouvido. Mas sempre que estreara na no Teatrinho privado da Quinta do Pinheiro ao Dafundo… e depois no Salitre. Olha, é bonita a recuperação do Diogo e da Patrícia mas… não é o que se pode chamar um teatro (nem eles o quiseram). E é pena, é mesmo pena que só haja um teatro à italiana por cá… enfim..

    1. Jorge, também ouvi e li versões diferentes, incluindo a que citei. Todas são verosímeis, uma delas será verdadeira. Não é de facto um teatro mas um espaço aberto, que pode ser usado para diversas funções. Ainda bem que foi recuperado.

  5. Faz-me lembrar certos e determinados beneméritos, que usam fundações até para comprar oceanários e fazer conferências neoliberais, usando uma fracção mínima do dinheiro arrecadado ao deslocalizar as suas para paraísos fiscais…

    1. Mas olhe que esse em que está a pensar não está falido! E por que não se lembra o Nuno Silva de pessoas como Calouste Gulbenkian? É essa selectividade tão especial que, confesso, me irrita! Não que eu tenha alguma coisa contra Alexandre Soares dos Santos, nem contra a “holding” familiar na Holanda. E já agora caríssimo, a Holanda não é um paraíso fiscal.

    2. Caro liberal, eu também me lembro de Calouste Gulbenkian, mas também de António Champalimaoud e tantos outros, que usaram as suas fortunas para, realmente, e sem segundas intenções, contribuírem para um mundo melhor…

  6. Um texto algo melancólico sobre a vanidade do mundo e da existência, o que é muito refrescante em época de «silly season» jornalística e de arraiais por este país fora. Deu-me vontade ir ver, um destes dias o Teatro Thalia, que não conheço, e de revisitar ontem o Frei Luís de Sousa que já não lia há mais de trinta anos.

  7. Então como é, o conde de Farrobo era capitalista, rico e monopolista e não seguiu o seu destino de “classe” de ficar cada vez mais rico enquanto que os pobres ficavam cada vez mais pobres? E ainda nem havia Bloco de Esquerda!

  8. Quem distribuiu pela arte o que foi roubado pela ganância, merece a glória.

    A burguesia é, e sempre foi, uma coisa de pobres, que roubam para arrecadar e não para usufruir. Não há nada mais característico dos pobrezinhos do que o comportamento burguês, de arrecadar tudo e o mais possível, com medo que falte amanhã. É o trauma da miséria, dos pobrezinhos, o que se vê nos comportamentos burgueses. Desde a necessidade de afirmação e exibicionismo à apropriação compulsiva de tudo, não há comportamento mais “à pobrezinho ressabiado” que o comportamento burguês.

    A plebe feirante (dita burguesia) são o grupo de saltimbancos que veio da mais abjecta miséria, que os obrigava a roubar pela técnica da mercadoria, porque não conseguiam roubar de outra forma. E é essa miséria que está plasmada nos seus comportamentos e objectivos (ditos “de mercado” pelos boçais ignorantes do costume). O que há de mais “à pobre” que o objectivo de ter um armazém de meios muito grande (dita riqueza)?

    Lembre-se que mercado é um jogo de pobrezinhos que se roubam mutuamente, pela técnica da mercadoria.

    Normalmente a plebe feirante (agora renomeada de finança) não têm capacidade de sair da miséria desse jogo, por mais meios que tenham. O mundinho dos feirantes é mundinho dos pobrezinhos à volta do saque dos meios. O conde de Farrobo pelo menos fez mais do que jogar à miséria feirante.

    É a miséria ancestral da barbárie que serve de base ao comportamento feirante. Quem mais é que dá tanto valor aos meios, além dos pobrezinhos?

    1. JMF, não leve a mal também, mas considerando o sentido lato que considerou no uso da expressão “material” (e que eu entendi) permita-me que lhe peça a cortesia de esclarecer o seu entendimento da palavra “anarquia”, pois já li interpretações bem diferentes e antagónicas desse conceito – até mesmo de auto-intitulados “anarquistas” – e para que a resposta não se fundamente num mal entendido.

    2. Além de romano, este Happycure mostra aqui em todo o seu esplendor que se vê como patrício, dotado de um vasto património e de muitos escravos para não ter que se dedicar a coisas tão vis como trabalhar. A partir da alta Idade Média este tipo de burgesso começou a dar-se muito mal, e então em 1789… No fundo, a única coisa que os sustentava era o manejo das armas e o saque à força dos bens dos outros, e quando chegou a besta e o mosquete, qualquer Zé Ninguém podia fazer buracos num Happycure… É a vida! Mas que personagem, isto é do mais insólito que eu já encontrei, e garanto a todos os leitores que conheço alguma coisa destas caixas de comentários.

    3. “… isto é do mais insólito que eu já encontrei”, não é difícil espantar os pacóvios da feira.

      O mundinho dos “liberais” resume-se ao buraco fétido da feira. Não é difícil espantar os pacóvios que nunca saíram dessa miséria, e que se instalaram na segunda idade média para copiar a “nobreza” assassina da primeira idade média. Nota-se que são pobrezinhos principalmente pela miséria a que aspiram ser: querem ser os feudais da primeira idade média, aspiram ao retorno ao caos medieval do feudalismo, mas agora com feirantes na qualidade de senhores feudais. Enfim, o pacóvio feirante caracteriza-se pelo que não sabe e pela miséria a que aspira.

      “O homem só será livre quando o último poderoso for enforcado nas tripas do último padre”, Meslier não era anarquista, apenas descobriu que o poder é uma praga que afecta a humanidade, cujo veneno é a religião e/ou a ideologia, usada para anestesiar, atordoar e subjugar os humanos a esses parasitas.

      A higiene é, ela própria, um conjunto de regras de governo. A higiene social humana é o conjunto de regras de governo da humanidade. O governo da humanidade não é uma coisa dos “parasitas do poder”.

      O poder é o parasita que demonstra a falta de higiene social da população que o mantém.

      É normal que os medievais não saibam os mais elementares conceitos da civilização, como a noção de saúde e higiene da espécie humana. E que fiquem admirados que as regras dos humanos não sejam as vontades dos delinquentes do poder, como divulga a atrasada e medieval universidade.

    4. Oh Eppicuro, se houve um espaço-tempo em que a humanidade viveu uma orgia de poder, esse foi o Império Romano, de que tanto parece gostar, por razões que me escapam. Delirante o seu uso do termo higiene, na “boa” tradição nacional-socialista. Não sei se todos por aqui já captaram, mas é essa a mercadoria que o Eppicuro tem para vender, como bom feirante que é: a guerra. Sinto-lhe uma afinidade electiva com o rei Creonte de Tebas, tio de Antígona. As minhas afinidades electivas ficam com a donzela (não com aquilo que certas esquerdas trapaceiras fazem dela, note-se). Não há conciliação possível.

    5. “Não há conciliação possível.” Os pacóvios da feira têm a presunção típica dos pobrezinhos, acreditam que alguém tem interesse por eles.

      São burgueses coitadinhos, os tais pobrezinhos de origem germânica, que passaram de caçadores recolectores a apropriadores armazenadores. Nunca saíram da pé-história, apenas a praticam de forma diferente.

      Odeiam o Império Romano, que sempre os desprezou, nunca conseguiram nada semelhante aos latinos e gregos, e não há nada de mais odioso do que aquilo que demonstra o atraso milenar do pacóvio feirante, pré-histórico e eterno pobrezinho, de origem germânica.

      Um “liberal” a fazer uso de personagens gregas é uma coisa divertida. Não percebe sequer a sua própria contradição.

    6. Oh Eppicuro, já passou o Império Romano, estás em 2015 e vives no jovem Império Americano, iniciado em 1989, e que até pode ser visto como uma recriação moderna do “mare nostrum”. Acorda, palerma!

    7. A colónia dos assassinos não tem um império, tem uma soberania e tosca,, os germânicos não têm inteligência para mais. Não sabe sequer a diferença entre um império e uma reles soberania de pacóvios. Miséria de pacóvio feirante.

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