Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

30 de Julho de 2015, 11:00

Por

O ano de todos os disparates

Schadenfreude é uma palavra alemã que significa felicidade ou contentamento com a desgraça alheia.

Não é esse sentimento que está em causa neste post, mas sendo muito crítico de erros com custos económicos elevados em políticas públicas nacionais, convém relembrar às vezes que os decisores nacionais não estão, neste domínio, sozinhos.

Sem pretender ser exaustivo, relembro:

– as perdas nas intervenções cambiais do Banco Central da Rússia sobretudo entre Julho e Dezembro de 2014;

– o caso do Banco Nacional da Suíça que, em Janeiro de 2015, com uma política cambial desastrosa sujeitou o erário público suíço a perdas financeiras muito elevadas que devem ainda crescer no futuro;

– e, mais recentemente, a política da zona euro – com alguma responsabilidade do governo grego – que resultou no encerramento da bolsa e da banca da Grécia durante cerca de um mês, com enormes custos para o país.

Todavia, o recorde dos últimos doze meses foi batido e pertence à China. Onde, as autoridades assistiram impávidas a uma bolha especulativa, em que algumas acções subiam 10% ao dia, todos os dias, durantes meses a fio, manipuladas por grandes accionistas sem escrúpulos. Agricultores até diziam que era muito mais fácil e compensador investir na bolsa do que ser agricultor.

shanghai

Fonte: Zero Hedge.

 

A bolha rebentou e as autoridades chinesas reagem em pânico: suspeita-se que estejam a intervir nos mercados cambiais gastando cerca de 100 mil milhões de dólares por mês; suspendem a transacção de cerca de metade das acções cotadas em bolsa; promovem o investimento em acções, financiado por emissão monetária, por dinheiros públicos ou por fundos de seguradoras; proíbem investidores institucionais de vender acções; mobilizaram, ontem (29 de Julho), 100 mil milhões de dólares de fundos públicos para investir na bolsa, montante que acresce a fundos públicos e privados de cerca de 800 mil milhões de dólares já anteriormente destinados a travar a queda da bolsa.

Um enorme disparate e mau uso de dinheiros públicos…

 

 

 

Comentários

  1. Enquanto os bancos tiverem o poder de criar uma quantidade praticamente infinita de dinheiro (e também de o destruir apenas alguns momentos depois) teremos sempre estas bolhas especulativas cuja origem é sempre “desconhecida”. Não estará na altura de mudar o modo de funcionamento do sistema financeiro?

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