Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

29 de Julho de 2015, 08:51

Por

A esquerda atrapalhada: mas não há mesmo nada a fazer?

Vai por aí uma atrapalhação na esquerda. Não é para menos. O Partido Comunista de Chipre, que então governava o país, aceitou o Tratado Orçamental que podia ter vetado e estamos onde estamos. O Syriza, depois de uma vitória esmagadora no referendo, aceitou o programa económico de austeridade imposto por Berlim. Estas duas derrotas calam fundo. Mas a perplexidade maior, penso eu, nasce de outro espanto: muita da esquerda não concebia que a União Europeia e a gestão do euro fossem tão exuberantemente brutais e descobriu, de repente, que tem vivido numa ilusão possibilista.

O centro está impante, como seria de esperar. Moralizador, Assis acusa “este tipo de gente”, de “mentes mais delirantes”, que se atreve a criticar a “Europa”: “Chegam mesmo ao ponto de opor as aparentes virtudes da momentânea democracia referendária helénica às tenebrosas intenções de uma imaginada autocracia germânica que, nas mentes mais delirantes, surge associada à tão vilipendiada burocracia de Bruxelas. É muito difícil travar um debate razoável com este tipo de gente, mesmo quando se trata de pessoas de uma inteligência inquestionável”. O homem está enfadado e custa-lhe “travar um debate razoável com este tipo de gente”.

Terá ele razão? Se sim, restará a Europa plana, em que os partidos germanófilos dominarão a política ou, se a política se continuar a desvanecer, pelo menos ocuparão os governos que imporão esta austeridade secular, apresentada como a salvação dos povos culpados e como o esteio da nova ordem do mundo. Se não, são precisas alternativas. Aqui no PÚBLICO foram argumentadas várias, mas nem todas conclusivas (na minha opinião). E esses foram os que falaram, porque há outros silêncios muito eloquentes: não dizer nada, não escrever nada, calados e discretos, deixa passar e logo se vê, essa é a atitude dominante da esquerda atrapalhada, os que, na aflição, lideram correndo para as traseiras da opinião pública.

Contrariando esse silêncio e num texto sempre admirável, Eduardo Lourenço identificou a contradição europeia e o desgosto com a sua evolução. Pergunta ou afirma ele: “Se calhar a Europa não precisava – nem precisa – de ir para lado nenhum, nem ter um outro estatuto histórico, político e ideológico e pleonasticamente cultural mais adequado do que o da sua multíplice realidade que foi sempre o seu”. Poucos dias depois, procurando soluções, José Reis, professor em Coimbra e reputado economista, protestou contra a agressão e não poupou nas palavras: “A verdade é que a União Europeia e o projeto europeu foram alvo de uma usurpação. (…) O projeto europeu foi derrotado, tomado de assalto, e não dispõe de condições saudáveis sem que antes haja uma profunda e radical reformulação, para a qual nos faltam utópicos e práticos como Altiero Spinelli ou Robert Schuman“.

Continuava ele, argumentando que faltam os “atores políticos” a la Spinelli ou Schuman (mas o que fariam estes dois no cenário actual, poderemos imaginar?): “Para isso, falta-nos um projeto político e os atores políticos que ainda não temos. Precisamos de quem, nos governos e nos parlamentos, fale dessa refundação e lhe estabeleça os termos. Por mais clara que seja a preferência que tenhamos por um certo cenário, precisamos de dizer que todos os cenários estão em cima da mesa. (…) Não pode ser Schäuble o único a ter liberdade para criar arbitrariamente os cenários que bem lhe convêm.

E chegamos ao cerne da questão. Será mesmo que Schauble é o “único a ter liberdade para criar arbitrariamente os cenários que bem lhe convêm”? O único? E Merkel? E Dijsselbloem? E Hollande? E Renzi? E Rajoy? E as regras, tratados e acordos que os unem e que lhes dão autoridade? O problema europeu será só o delírio de um autocrata, ou antes a consagração do poder de uma elite financeira, de um interesse social, de uma arquitectura política? No primeiro caso, até pareceria fácil, substitui-se o ministro e temos Europa (venha um Spinelli em vez de um Schauble?). No outro caso será mais difícil, pois temos um monstro que não é titulado por uma pessoa e é, ele próprio, o euro e a sua instituição. Conforme respondemos a estas questões teremos então um caminho diferente.

Para Reis, as soluções existem, mas são poucas: “Pode não ser já a grande ambição da refundação democrática europeia, mas tem de ser, pelo menos, saber quem, fora do ditame do governo alemão, está em condições de tomar em mãos o que é essencial para reconstituir a Europa. Um Euro da Europa do Sul? Um Euro sem a Alemanha? Um Euro de um bloco que inclua quem definhará nas atuais condições? Um Euro de três ou quatro grandes democracias que tenham um projeto de solidariedade e uma visão comuns com alguns mais? Poderá ser qualquer destas coisas.”

“Qualquer destas coisas”, menos a única que não é incluída no menu, a saída da Grécia (ou de Portugal) do euro e a reconstituição do seu poder soberano de escolher políticas económicas que recomponham a capacidade fiscal, monetária e de criação de emprego. Essa alternativa não é admitida.

Vejo muita gente atrapalhada a concordar com esta perspectiva, que é mais um silêncio e uma esperança desesperada do que uma política que conte. Pergunta-se: podem continuar a acreditar numa negociação europeia com soluções razoáveis, depois da cimeira sobre a Grécia? Respondem que sim. Pergunta-se: quando a austeridade é um ultimato, as mesmas regras ou o mesmo Tratado Orçamental permitem uma economia socialmente responsável, evitando a austeridade? E respondem outra vez que sim. Pergunta-se: mas esse euro novo, sem a Alemanha, só do Norte, só do Sul, de onde virá ele, com acordo consensual de 19 ou de 28 países, com os parlamentos, governos e partidos a aceitarem mudar os tratados com uma vénia amável aos países aflitos? E respondem que talvez. Pergunta-se: mas quem vai impor essa transmutação europeia, se assistimos ao poder absoluto da finança e de Merkel? E respondem que será Hollande. Mas Hollande não é o side-car de Merkel, não é ele quem propõe reservar para os seis fundadores a governação do euro e expulsar os coitados? E respondem que então será Costa que há-de convencer Hollande a convencer Merkel. Mas Costa não aceita e aplica o Tratado Orçamental, como pode ser ele a corrigir a Europa? E recomendam que não se fale mais no assunto.

Então, para mim, é assim: quem quer que apresente como solução para a tragédia grega – ou portuguesa – a ténue ou amedrontada esperança de um acordo “multilateral” que conforme o euro e os seus mandantes à recuperação das economias que antes sacrificou, está simplesmente a entregar o ouro ao bandido. Esperar que os fautores da concentração imperial se transmutem em promotores da Europa dos povos tem o mesmo valor salvífico que ficar sentado debaixo da azinheira de Fátima à espera que desça o tal Spinelli ou o tal Schuman. Não virão, nem num raio de luz. Quem espera que os poderosos actuem contra os seus próprios interesses e em nome das suas vítimas enganou-se de virtude. Quem nos pede que esperemos pacientemente pelo impossível não quer saber de nós.

A esquerda atrapalhada está portanto num sarilho. Restam as vozes dissonantes. Contrariando esse ponto de vista esperançosamente “multilateral”, ou “europeísta da última chance”, Ricardo Paes Mamede assinala que o problema não é só Schauble, mas a política que ele representa e que é um sistema – por isso é para ser levada a sério, é poderosa. De facto, muito sofreu o governo grego por ter subestimado o inimigo. Por outro lado, Nuno Serra adverte que a esquerda atrapalhada já não pode continuar a fingir que não percebeu o que se está a passar. Manuel Loff coloca a questão essencial: “não há emancipação democrática possível dentro do euro”.

Vindo de outro lado, Pacheco Pereira insiste na “exibição brutal de poder, que coloca a Grécia a ser governada de Bruxelas e Berlim”. Só podemos esforçar-nos por sair deste pesadelo.

São bons conselhos.

Comentários

  1. Caro Prof. comentador: que idade tinha quando Álvaro Cunhal denunciou os perigos duma cee nas mãos dos monopólios ?
    Engano-me ou quando era ainda coordenador do BE e seu principal ideólogo, defendia a permanência na cee e no euro e nada dizia sobre a nato/usa, três instâncias que à altura já eram intrinsecamente perigosas para a independència, o desenvolvimento e a paz dos povos não só da europa decadente, sub-imperial, mas de todo o mundo ?

    1. Engana-se mesmo. É assim o fechamento partidário: como não leu e só “supôs”, engana-se em rigorosamente em tudo o que escreve sobre o que defendi no passado. Espero que, se for leitor deste blog, não se continue a enganar sobre o que defendo aqui.

  2. Enviou José Reis o seguinte comentário e resposta, que publico com gosto.

    “Caro Francisco:
    Agradeço-te o comentário que fizeste ao meu artigo de há dias.
    1. Tens razão, a esquerda está atrapalhada com o que se passa na Europa. Parece-me que, salvo para os que sempre souberam tudo antecipadamente, o que acontece sob os nossos olhos é muito mais do que a esquerda alguma vez podia supor. Como tu dizes, há “derrotas [que] calam fundo”. Sim, há coisas destas na história. Este é o meu ponto inicial para discutir o que temos pela frente. Está a passar-se algo de inesperado e de dramaticamente novo. Creio que tu próprio compreendes bem isto, pois, como pessoa inteligente, tiveste que rever, julgo que radicalmente, a tua posição sobre o Euro.
    2. Como sei que sabes, tenho escrito sobre a arquitetura institucional da UEM e a financeirização. Fiz e faço a crítica frontal da primeira, pois tenho defendido que é nessa arquitetura que reside o defeito da construção do Euro, a fratura europeia e a desgraçada assimetria em que as periferias foram colocadas. A crise foi sobredeterminada por essa arquitetura. Acho que, tal como a austeridade, essa é uma questão essencial de economia política e é na financeirização que está o ponto fulcral dos problemas económicos sociais e políticos atuais. Penso, pois, não ser facilmente catalogável como alguém que ignora estas determinações e não caibo no rol dos que não sabem distinguir entre “o delírio de um autocrata”, “a consagração do poder de uma elite financeira” e “uma arquitectura política”. Não inventei nada, como é óbvio, limito-me a partilhar o que muitos defendem, está por aí disponível e constitui matéria da melhor economia política contemporânea. Entre os que fazem parte deste conhecimento – tu e eu, estou certo – não há pois lugar, nesta matéria, para posições de autoridade, muito menos de autoridade moral. Mas agora parece ter-se tornado moda representar algumas das posições com que se quer polemizar como sendo o resultado de uma irresistível atração pelo “individualismo metodológico”, lá porque se fala de aspetos concretos da deliberação política tal como ela ocorre diariamente. De tal forma que o primeiro argumento de quem polemiza é que quem defende certas posições é incapaz de perceber as determinantes institucionais e políticas mais profundas, desde Maastricht, ao Pacto de Estabilidade e Crescimento até ao Tratado Orçamental. Ora, sobre isto parece-me que estamos falados.
    3. O problema central, como bem sabes, está noutro lado. Está em saber se apenas vemos uma solução e uma alternativa para a desgraça europeia ou se admitimos que, perante tantos dilemas, ainda concedemos que é útil olhar para as várias tensões – sublinho, tensões – que estão em cima da mesa. Eu sou dos que não tomam uma única alternativa como perfeita e cristalina. E não estou obcecado por fechar o debate. Por isso defendo que todas as alternativas têm de ser consideradas e que todas são problemáticas. Não silencio nem ignoro – entro no debate pelo lado da proposta. Sim, tenho a maior das dúvidas sobre a saída do Euro, não apenas por si mesma mas sobretudo como solução soberanista que, como sabes, é também uma difícil construção e tem várias dimensões. A história de Portugal, a fraqueza do Estado e a pusilanimidade das suas elites a tal me levam. Por isso, não rejeitando o que tu chamas “a reconstituição do (…) poder soberano” também não a proclamo como a única opção para que não se seja alvo de crítica. Bem sabemos que tal solução há de estar sempre, seja porque razão for, ligada a um grande sobressalto – um sobressalto que diz diretamente respeito ao povo. A frase “não há emancipação democrática possível dentro do euro” não tem como correspondente “fora do euro a emancipação democrática é segura” – o tal “raio de luz” de que tu falas ironicamente para caricaturar a posição contrária e que, convenhamos, não foi grande tirada para elevar o debate. De facto, eu presumo que esse é (também) um campo em que se acumulam enormes problemas. É nestes precisos pontos que divergimos – porventura apenas neles. Acho que um espaço europeu e democrático de interdependências é desejável. Não sei é se é possível. Talvez não o seja. Não vem da tal azinheira – constrói-se politicamente e não sei se é mais ou menos difícil que a solução soberanista. Mas coloco-o em cima da mesa. Quer dizer, recuso o campo que consiste em dizer “saída do Euro ou não vês nada” (aqui as aspas são para representar uma expressão coloquial).
    4. Cada texto tem a sua economia, como bem sabes. E cada diálogo escolhe a narrativa que mais se ajusta ao contraditório que quer estabelecer. Não vem daí nenhum mal ao mundo. Mal é cristalizar as coisas. O texto meu que citaste é uma peça da minha perspetiva, que inclui no seu início, como já disse, a noção de sobrederminação da crise pela arquitetura institucional do Euro. Ora, isso não me pode impedir de discorrer sobre o mais recente e o que mais falta quando vemos o governo grego na sua solidão. Estamos perante um evidente “problema alemão”, por muito que sejam vários os que esgrimem as más instituições do Euro contra portugueses, gregos, espanhóis, enfim, a própria Europa. É por isso que falo de Schauble e do seu dirigismo, que tu, numa pequena falha pouco “objetivista” classificas em “delírio”, esquecendo-te da tal economia política que bem conheces. Estamos perante o evidente problema de não estar formulada, à mesa europeia, uma alternativa de recusa e de desafio à Alemanha. É por isso que falei, metaforicamente, de Spinelli ou Schuman. A solução de Hollande é pífia, como disse naquele texto que citaste. Os nossos amigos gregos viram tudo isso com espinhos dolorosos. Ignoramos tais factos? Entregamos “o ouro ao bandido”, para usar a tua expressão? Resta saber a qual bandido.
    5. É verdade, tenho o defeito de pensar em termos europeus e de pensar numa Europa que não seja decalcada da defeituosa UEM. É verdade que coloco em cima da mesa a hipótese de um espaço europeu de interdependências contra a Alemanha (e os “alemães” de várias nacionalidades). É verdade, não decalco (apesar de muitos dos que admiro o fazerem) da saída do Euro a alternativa à situação atual. É verdade, não quero limitar tudo ao “soberanismo” Ora, isso não pode fazer de mim menos consciente do que tu próprio da natureza dos problemas. O que não me parece bem é declarar que o debate político à esquerda só pode ficar encerrado na proposta de saída do Euro, com exclusão de tudo o resto. Bem pobre ficaria a esquerda. E também não quero aceitar que se estabeleça uma clivagem – que nunca promovi nem promoverei – entre supostos “soberanistas” e os “outros”, sobretudo quando se muda de posição sobre o valor de cada um destes lados. É por isso que alargar o leque não é um contributo menos nobre para o debate. Não falo pelas sugestões que faço, é claro, falo pela pluralidade de perspetivas de que precisamos para aclarar as soluções. Um dilema mal resolvido é, como bem sabemos, tão mau como viver num dilema…”

    1. Grande comentário; assim os que usam óculos coloridos o leiam sem óculos.

  3. Atenção
    O Eduardo Lourenço que todos . há muito conhecemos, não é o mesmo que está a dar o apoio aos actuais chefes socialistas e ao Sampaio Nódoa..
    A idade não perdoa.
    As gentes e até os velhos contrabandistas de São Pedro do Rio Seco até se benzem

  4. Francisco Louçã: muito haveria para dizer sobre as questões que levanta, mas vou-me limitar apenas a um pequeno detalhe do seu texto. Tudo o resto deixo à meditação das pessoas que esquerda, o que não é o meu caso. Chamou-me particularmente a atenção quando diz os «partidos germanófilos dominarão a política». Vai-me desculpar mas creio que não é correto, e pode até ser interpretado como demagógico, chamar de «germanófilos» partidos que comungam das mesmas ideias da CDU alemã e são da mesma família político, o PPE. O PSD português ou o PP espanhol são «germanófilos»? Não creio. São apenas, repito, partidos com as mesmas ideias que o seu congénere alemão. É tão simples e legítimo quanto isso.

    1. José, entendo o seu ponto de vista, porém a minha leitura do que o Francisco Louçã escreveu é diferente; existem vários “graus” à direita e o germânico, estando alguns bons graus mais à direita, influencia partidos tradicionalmente de uma direita mais moderada a se aproximarem dele. É bom simplificar, mas não tanto assim…

    2. Aliás, dizer alguns graus mais à direita é até meio torto… Talvez seja mais exato. embora menos ortodoxo, dizer mais para cima ou para baixo…

  5. Sem dúvida, muita da Esquerda parlamentar portuguesa e pela Europa fora, não quis ouvir durante muito, demasiado tempo que não havia alternativa à permanência do e no Euro — entre as quais, há alguns anos, o próprio Francisco Louçã. O Francisco Louçã mudou de posição, o que expôs de forma argumentada muitas vezes nas suas intervenções públicas, mesmo em livro. Concordo de resto com o que diz a esse respeito. Mas para uma grande parte da Esquerda, a neurose da TINA instalou-se e demora a partir, e ao partir, parte atrapalhada.

    A trapalhada da Esquerda parlamentar parece ser mais do que qualquer perplexidade ou dissonância cognitiva face ao caso grego e à brutalidade da política europeia, a sua incapacidade em criar o mínimo bloqueio ao assalto e consolidação da Austeridade como nova normalidade económica, política por essa Europa fora, mesmo onde governa ou governava como no Chipre ou na Grécia. A Esquerda parlamentar parece finalmente ter ouvido o que realmente dizia Juncker: “Il ne peut y avoir de choix démocratique contre les traités européens” (Juncker, Le Figaro, 29 Janeiro 2015). Salvo raras excepções, as respostas têm sido até agora tímidas e a meu ver demasiado consensuais, moderadas.

    Por agora, pouco mais temos do que o ruído branco dos moralismos duns e doutros e da polémica mediática. Sim, estamos num impasse, mas como dizia Daniel Bensaïd, ele sim sempre admirável, do Maio de 68… “On peut faire mieux”. Sim, podemos fazer melhor, muito melhor. Até lá, continua a trapalhada.

    1. Acima, onde se lê “que não havia alternativa à permanência do e no Euro” o “não” está a mais.

    2. António, não foi só a esquerda que mudou de posição.

      O projeto original europeu, baseado na solidariedade e colaboração entre as nações, foi inicialmente muito mais bem vindo pelos movimentos de esquerda do que da direita, que sendo mais conservadora e nacionalista já suspeitava que a integração resultaria na perda de soberania. Se tem havido mais mudança de posicionamento à esquerda, foi porque a direita, que entretanto se converteu ao europeísmo consoante foi conhecendo novos amigos e ganhando força, tomou o poder da União e está destruindo os ideais que encantaram a esquerda no início.

      E por aí se vê como o antigo discurso da direita nacionalista na realidade era falso e vazio. Assim que conquistaram influência e poder na Europa, abandonaram o pretenso “amor à bandeira”, que na verdade escondia o amor ao poder.

      Se a esquerda mudou de posicionamento quanto ao caminho, pelo menos continua coerente nos seus princípios; o que importa são as pessoas.

    3. Quanto à austeridade, creio ser muito bem vinda para ver se assentamos todos os pés no chão, mas também acredito plenamente que podemos implementá-la muito melhor, de uma forma menos brutal e sem tratar as pessoas como recursos descartáveis.

  6. Graças a deus que temos a Alemanha para nos ajudar a resistir aos avanços da extrema esquerda radical totalitária, que até já tinha planos para prender pessoas na grecia, tomando o país de assalto. Golpe de estado.

    Ditadura nunca mais, e os portugueses devem resistir à extrema esquerda com tudo o que puderem.

    Ponham os olhos na grecia.

    1. Ó Pedro, mas ainda não percebeu que a ditadura voltou à Grécia ou será que está se fazendo de desentendido?!

      Durante as negociações, o Eurogrupo rejeitou quaisquer propostas de austeridade do executivo grego que divergissem das já traçadas com o governo anterior, Schauble teve a ousadia de dizer que não podiam permitir que o resultado de uma eleição democrática mudasse alguma coisa, ameaçou que quaisquer reformas implementadas sem um acordo total seriam consideradas unilaterais e prejudiciais às negociações (e depois veio a público acusar o executivo grego de inação!), o governo grego passou a voz à população – que votou democraticamente e maioritariamente contra o pacote de medidas de austeridade – e o resultado qual foi? Um pacote ainda mais duro que o original! Se isso é democracia, deve ser “made in China”…

  7. Pois, eu também tenho muita dificuldade em discutir com pessoas com a inteligência do Nuno Assis.

    «“Qualquer destas coisas”, menos a única que não é incluída no menu, a saída da Grécia (ou de Portugal) do euro e a reconstituição do seu poder soberano de escolher políticas económicas que recomponham a capacidade fiscal, monetária e de criação de emprego. Essa alternativa não é admitida.»

    Infelizmente, assim é. Vejo pessoas de esquerda à espera de um levantamento dos povos da Europa contra o capitalismo por medo do nacionalismo, esquecendo a ilegalização de tudo o que é de esquerda (TO, TiSA…) e que o nacionalismo e o racismo já têm grande dimensão no norte da Europa.
    A alternativa à implosão ordenada da UE é a implosão desordenada da mesma.
    É que a próxima bolha está já aí…

    1. Melhor a esquerda esperar sentada… Como ouvi um dia destes, as pessoas hoje estão mais interessadas em vídeos de gatinhos lindos nas redes sociais. E a direita portuguesa? Vá esfregando as mãos, enquanto ainda tem as duas. Por este caminho, com mais de metade dos jovens com pretensões de emigrar, periga não demorar muito para que a identidade portuguesa seja apenas uma memória nos livros de História que quem vier para ocupar o vazio pouco interesse terá em abrir para ler… Dificilmente sequer serão europeus. Do sangue português só vai sobrar meia dúzia de famílias aristocratas, isto se entretanto não decidirem fugir e pedir asilo aos primos europeus. A implosão tem destas coisas…

  8. Tento já não ver as exibições de baixa inveja e maledicência rasteira nesta época em que “bater nos gregos tornou-se uma espécie de desporto nacional. Tem várias versões, uma é bater no Syriza, outra é bater nos gregos propriamente ditos e na Grécia como país” em “A Europa que nos envergonha” Publico 27/6. Mas não resisto a denunciar mais uma vez esses baixos e rasteiros sentimentos, mas sobretudo tristes.
    Vá lá desta vez parece que não veio a “afirmação” de que os gregos são os que têm mais Porsches no mundo, “afirmação categórica” muito do agrado dos pobres de espírito.
    Mas lá vem a “afirmação” das dezenas de jardineiros para quatro arbustos algures num hospital grego. Isso já vem de longe pelo menos desde “O absurdo dos 45 jardineiros para quatro arbustos” no DN 30/6/2011, com uma foto com 4 arbustos, “notícia” que vinha de uma tal Irene Velasco “enviada especial do El Mundo à Grécia”, mas afinal parece que a “enviada especial à Grécia” ela mesmo “leu” a “notícia” noutro sítio, numa carta aos clientes de um tal Kyle Bass da Hayman Advisor onde afirma que foi à Grécia ele mesmo ver as coisas e que uma pessoa lhe “contou” que há um hospital com 45 funcionários jardineiros e “O fato mais interessante sobre o hospital era que ele não tinha um jardim”. Enfim, “história” que se foi propagando pelo mundo fora como uma verdade absoluta. Eu mesmo fui ao Google, e estes “enviados especiais à Grécia” ou quaisquer trauliteiros poderiam ter ido se quisessem, ver a rua Ipsilantou onde está o hospital Evangelismos e descobri que os edifícios ocupam mais de 2 hectares e que tem imensas árvores e arbustos, sem contar com o jardim frondoso em frente com cerca de hectare e meio. Mas não localizei a foto da “notícia”. Tive que deixar a entrada principal e circundar e na rua Marasli lé encontrei uma entrada que me pareceu ser das urgências e que lá mais à frente, onde parece ser o local de paragem de ambulâncias ou de taxis, de facto lá parece haver uma porta parecida com a foto do DN com uns arbustos em frente, aliás como as restantes portas dessa alameda/pátio. Tristeza!
    Mas lá vem a idade da reforma também tanto do agrado dos pobres de espírito. Os últimos dados da OCDE são para 2012, e segundo a OCDE para vários países onde a idade legal de reforma é os 65, a idade efectiva de reforma para os homens é: Portugal 68,4, Suécia 66,1, Inglaterra 63,7, Holanda 63,6, Espanha 62,3, Alemanha 62,1, Grécia 61,9, Italia 61,1, França 59,7, Luxemburg 57,6. Não interessa aos trauliteiros referirem que Portugal é onde a idade efectiva de reforma é a mais elevada! Tristeza!
    Mas lá vem a questão dos gastos militares, sem nunca se referir que a Grécia é o único país europeu que cumpre as despesas com defesa a que é obrigado pela Nato, sem nunca se referir quem ganhou com as negociatas de venda de armamento, por exemplo em “German ‘hypocrisy’ over Greek military spending…” no Guardian em 2012 eu contei 86,5 mil milhões de euros que os governos gregos gastaram em 9 anos e dizem que foram cerca de 100 mil milhões durante 10 anos, sendo pago 42% aos americanos, 25% aos alemães e 13% aos franceses, sem nunca se dizer que a corrupção destas negociatas levou a prisão de ministro, demissão de almirantes e diretores o que é bem mais do que levou aqui na nossa terra, sem nunca se dizer que o povo grego nada ganhou com essas negociatas e tem de pagar as faturas. Tristeza!
    Mas lá vem a questão do lago “que secou” “em 1930” e que há um instituto com dezenas de técnicos “para nada”. Bastam segundos para se ficar a saber que o lago Copais era o maior da Grécia, alimentado por vários rios, que há três mil ou mais anos está a ser tentada a sua drenagem, cuja drenagem só começou a ser efectiva com maquinaria de escoceses ou franceses que ficaram com as terras férteis desde meados do século dezanove até 1952 quando o governo grego tomou posse da zona, e só alguns anos depois e com obras de vulto o lago ficou drenado. Os trauliteiros não dizem isso ou algo mais exacto, nem dizem se há perigo do lago voltar a inundar, se é preciso limpar ou manter as valas e maquinaria, se haverá necessidade de técnicos monitorizarem os níveis freáticos, se, se… ou se, por exemplo, se os holandeses também terão ou não técnicos a monitorizarem os níveis e a manterem as valas e maquinaria nos terrenos conquistados ao mar… Tristeza!
    Etc, etc. Fico por aqui…

    1. “Mas lá vem a questão dos gastos militares, sem nunca se referir que a Grécia é o único país europeu que cumpre as despesas com defesa a que é obrigado pela Nato, sem nunca se referir quem ganhou com as negociatas de venda de armamento, por exemplo em “German ‘hypocrisy’ over Greek military spending…”

      E sem se referir que uma das reformas propostas pelo executivo grego que o eurogrupo rejeitou foi – precisamente – o corte das despesas (negociatas?) militares. Ou seja, só falta saber se o comentário foi fruto de pura ilusão ou ilusionismo… ou um pouco dos dois?

    2. O meu grande obrigado pelo trabalho feito de pesquisa e os argumentos que trouxe aqui. Limpou um pouco o a sujidade de muitos comentarios aqui enviados

  9. A esquerda anda tão atrapalhada quanto a direita. Andam à bofetada uma com a outra ao invés de colaborar uma com a outra. O ser humano nasce ambidextro e só por falta de educação ambidextra se torna destro ou canhoto. A política também deveria ser ambidextra. Ironicamente, a era da informática veio mudar um pouco essa tendência. Os textos que aqui publicamos são digitados com ambas as mãos e demorariam bem mais a escrever se usássemos apenas a mão esquerda ou direita. O mesmo se pode dizer sobre a construção da sociedade e evolução da humanidade.

    A esquerda poderá reavaliar a sua postura e atitude, mas do mesmo beneficiaria a direita. Eu concordo com as críticas à direita que o estado não pode servir para alimentar a dependência, o facilitismo e comodismo. Por outro lado concordo com as críticas à esquerda que um estado que não defende a dignidade e direitos mínimos dos seus cidadãos na base não é um estado de direito, é um estado torto.

    O papel do estado deveria ser de cama de hospital apenas para quem realmente está muito debilitado, de rede para quem cai do alto e de trampolim para quem deseja voar ou voltar a voar. Isso requer menos concorrência e mais colaboração entre as forças políticas dos diferentes espectros.

    Há o que fazer e as ideias até existem, mas falta boa vontade e colaboração. Talvez um dia a política seja mais ambidextra e os partidos, ao invés de se dividirem ideologicamente, simplesmente se diferenciem pelas propostas de como melhor utilizar as duas mãos. Até lá…

    “Quem espera que os poderosos actuem contra os seus próprios interesses e em nome das suas vítimas enganou-se de virtude.”

    Talvez um dia os poderosos entendam que atuar contra as suas vítimas é também uma atuação contra os seus próprios interesses. Afinal, se a base da pirâmide ruir, não ruirá também o seu topo?

  10. Solução? DESMANTELAR O EURO!

    – Com que objectivos?
    1. Retorno das “moedas nacionais” – uso interno.
    2. Proposta para a criação de um novo conceito de “MOEDA COMUM” (em vez da “moeda única”) – resultado da concertação (câmbios fixos, ajustáveis) do cabaz das várias moedas dos Estados-membros que compõem a zona monetária. Portanto, tratar-se-ia de uma nova “unidade de conta” oficial da UE e usada como moeda de referência nas transacções dentro da zona monetária comum, no comércio global e nos mercados financeiros.

    – Como proceder ao “desmantelamento do euro”?
    1. Concertada entre o conjunto dos membros do euro – solução negociada e porventura menos dolorosa.
    2. Unilateral – a que obriga cada país à preparação da saída voluntária do euro (num cenário dramático de lançamento de moeda própria, desvalorização cambial, redenominação da dívida, controlo de capitais, etc.) cujos benefícios reais apenas poderão ser contabilizados a prazo.

    – Defender o fim da “moeda única” é ser contrário à integração europeia?
    Não! Pelo contrário, o fim da “moeda única” é necessário e útil ao ideal de construção de uma Europa – livre, diversa e plural.
    A moeda única falha porque é cega e não distingue a heterogeneidade do conjunto de economias europeias, forçadas que estão a coexistir no espartilho dos moldes austeros e totalitários que regem, de forma artificial, a política monetária da zona euro. Prosseguir no euro é agravar as assimetrias e dependência das periferias, endividadas, em relação à hegemonia das economias fortes do centro – isto, em contradição, portanto, com os objectivos de integração e convergência europeia entre os Estados-membros.
    Mais se atenda que defender o fim da moeda única não deva ser deturpado com a exacerbação de sentimentos “nacionalistas”, “anti-europeístas”, ou a promoção de políticas “isolacionistas”. Defender o fim do euro é uma séria proposta para a redenção da Europa – razão pela qual o regresso às moedas nacionais possa ser visto como um novo começo, à idealização de uma nova “moeda comum”, porém já não “única”. O mal do euro não é ser uma moeda europeia comum – é ser única!

    – O que faz falta?
    Em primeiro lugar, importa dinamizar o debate político sobre os desafios que se colocam ao Euro (prós e contras da permanência/saída) – e Francisco Louçã, neste excelente artigo, está a fazer a sua parte. Depois, importa alinhar posições e mobilizar – mas, será que em Portugal haverá oportunidade para a “convergência” entras a Esquerdas para um eventual cenário de “saída”? Atrapalhadas, as Esquerdas tragicamente fragmentadas e desunidas não convencem, nem são solução…

    Sobre um possível conceito de “Moeda Comum”
    Vide: “DISSOLVER O EURO: UMA IDEIA QUE SE IMPORÁ” (2013), por Jacques Sapir.
    Fonte: http://resistir.info/europa/sapir_16set13.html

    1. Está visto que ambos gostamos de pensar o futuro a longo prazo e não temos medo de olhar o futuro com uma dose de sonho e utopia. E tenho a certeza que não serão apenas esses os pontos em que estamos de acordo.
      Já em relação ao caminho para o futuro da Europa, voltar atras, criar uma nova união monetária é uma solução com custos sociais a meu ver inaceitaveis.
      Parece-me que outro dos pontos em que concordamos é que o principal problema do Euro, para além da Alemanha, é a diferença entre a força das diferentes economias.
      Para isso, e aqui é que divergimos, a solução q me parece,mais adequada é reforçar o esforço de convergência das economias. Convergência da protecção social, convergência fiscal e mais importante, mais democracia. Mais abertura a movimentos cívicos e mais participação directa dos cidadãos em orçamentos participativos e iniciativas semelhantes.
      É um caminho que requer tanto optimismo, ou talvez um bocadinho menos do que a ideia de convergência para o fim da moeda única, e que me parece mais sustentavel e duradouro, e muito mais humano no tratamento dos cidadãos.

  11. Confesso que e’ com alguma tristeza que assisto a esta deriva nacionalista por parte do Bloco de Esquerda.
    O problema e’ Europeu, e as solucoes teem q ser encontradas a nivel Europeu. A solucao de reverter as velhas fronteiras nacionais parece-me um indesejavel retrocesso. Os gregos foram claros nessa vontade de continuar na Europa, tal como o seriam certamente or portugueses.
    A solucao para os problemas do Porto e’ a independencia do Norte, ou reformas nacionais inclusivas como algumas regionalizacoes? E o que dizer das regioes autonomas?
    Poderiamos de facto desistir da ideia de Europa. Voltamos as fronteiras nacionais, passamos a concentrar-nos na CPLP ou na velha alianca Luso-britanica e abracamos o Atlantismo.
    Ou podemos lutar para reformar a Europa. Claro que uma reforma europeia jamais acontecera com Passos, Costa, Merkel, Hollande, PPE ou PSE. Para reformar a Europa precisamos de comecar por renovar os governos, para q a voz que nos represanta na Europa seja nossa e nao dos lobbies que hoje em Lisboa e Bruxelas definem agendas e tomam as decisoes que tanto nos afectam.
    So podemos imaginar como poderiam ter sido diferentes as negociacoes do Syriza, se tivessem tido parceiros a altura nas cadeiras Portuguesa, Espanhola, Irlandesa, Italiana, Francesa, e porque nao, na cadeira Alema. Quao diferente poderia ter sido o resultado se esses parceiros reconhecessem o esforco feito pelo Syriza e olhassem mais para a Europa e menos paras as sondagens nacionais.
    Para tirar do poder os partidos do arco da corrupcao, precisavamos de uma alianca de nao alinhados. Um bocadinho como aconteceu aquando da fundacao do BE. A fragmentacao e as derivas nacionalistas so servem as clientelas de sempre. Lembram-me demasiado os tempos do PSR. E espero sinceramente enganar-me, porque a democracia portuguesa precisa de um bloco forte, mas temo que esta posicao transforme o resultado do bloco tambem num regresso a esse passado.

    1. Mas não havia tais parceiros, pois não? António Costa apoiou o acordo imposto por ultimato contra a Grécia…

    2. Dr. Louçã,
      Obrigado pela sua resposta. Não é de todo comum termos os blogguers ou colunistas do público a participar na conversa que os seus textos suscitam, por isso tenho que começar por aplaudir, mais uma vez, a sua cultura democrática e disponibilidade.

      Quanto ao seu comentário, parece-me que talvez não tenha reparado que inclui Costa na mesma lista com Hollande, Merkel e Coelho.

  12. Como dizia Pacheco Pereira na sua ultima cronica, a exposição do poder por aquilo que ele e, e de facto bem vinda. O argumento mais repetido e que quem quer, como a Grécia, continuar a receber empréstimos dos seus credores tem que se sujeitar as condições que lhe são impostas. Eu acho este argumento cristalino na sua brutalidade. Repare-se naquilo que ele não diz: não diz que a Grécia esta moralmente obrigada a pagar o que deve, porque toda a gente já percebeu que a moral não e chamada para um contrato de divida em que o devedor paga um prémio pelo risco de incumprimento; não diz que a Grécia esta obrigada pelas regras dos tratados a honrar a divida ou sair do Euro, porque Schaeuble foi perfeitamente capaz de sugerir uma alteração das regras quando lhe convinha (na configuração atual, não e possível sair do Euro sem sair da EU); não diz que a solução oferecida a Grécia seja racional e viável, porque essa organização esquerdista que da pelo nome de FMI ja veio dizer que sem alivio de divida, emprestar dinheiro a Grécia e deitar esse dinheiro fora; não diz que a austeridade funciona porque em todos os casos conhecidos, mesmo nos Estados Bálticos, a divida publica era maior no fim dos ditos programas de austeridade. Enfim, diz apenas, vais fazer isto assim porque sim, porque eu quero. E uma versão financeira do aforismo atribuído creio que a Mao de que o poder esta na ponta da espingarda. Neste processo, claro, este argumento também demonstra a bancarrota moral de quem a ele faz apelo. E eu concordo claro consigo, que dentro do Euro não existe alternativa a via política atual (também não me parece que possa existir um Euro alternativo e mesmo que pudesse não sei, depois do que vi passar-se a 12 de Julho, se queria fazer parte dele). So que me parece que são precisas duas coisas: convencer a população portuguesa de tal coisa e preparar bem a saída para que as perdas (que irão existir, como o seu livro demonstra) sejam minimizadas. Ora, esse trabalho de sapa esta bem longe de estar feito…

  13. Infelizmente venceu o medo e a chantagem, que aliás começou logo no primeiro dia do novo governo grego, com os cortes de liquidez do BCE á Grécia.
    Além disso, não podemos esquecer que são 27 estados com governos neoliberais, com somente um governo anti-neoliberal. O desequilíbrio de poder é imenso e esmagador.

    Houve uma ala do Syriza que cedeu á chantagem. Azar ter sido precisamente a ala mais europeísta e subsídio dependente, a do Primeiro Ministro, dando assim oportunidade aos neoliberais de Portugal e Espanha poderem ganhar nos seus países nas eleições este ano, reforçando ainda mais o poder dos neoliberais.

    Foi um erro que está a custar caro não só aos gregos, como também ao resto da Europa, que continua a ameaçar o mundo de recessão.

    1. Grande Nuno.
      Acertaste na moche.
      Os gregos andam a chantagear a Europa há meia dúzia de anos:
      Foi a Nova Democracia, foi o Pasok e agora o Syrisa.
      Parabéns por teres uma visão clara do asunto
      Se entretanto vires o Varoufakis dá-lhe também os parabéns pelo esqiema que estava a montar e fazia borrar os europeus

  14. No âmbito do atual sistema (regime, ordem…) eurocrático, as “Alternativas”, enquanto projeto político e ideológico contra o capitalismo neoliberal e seus efeitos mais gravosos, parecem estar fortemente dificultadas, ou melhor, bloqueadas. E os que ainda acreditam numa génese “bondosa” da integração europeia e, assim, defendem a sua “refundação democrática”, acabam por revelar um “purismo europeísta” característico da ideologia de uma certa “social-democracia (europeia) envergonhada”. Já não chega às “Alternativas”, e a muitos dos seus movimentos, proporem políticas diferentes das da “austeridade eurocrática”, e afirmarem que são capazes de as implementar no quadro do governo do Estado-nação democrático. Hoje parece ser impossível. Só resta uma opção (uma via) realmente subversiva: desobedecer à austeridade através de uma ‘saída do euro’ que permitirá reconstituir o poder soberano dos Estados “de escolher políticas económicas que recomponham a capacidade fiscal, monetária e de criação de emprego”. Parece ser essa a posição de Francisco Louçã, que subscrevo inteiramente.

  15. e esvai-se o tropical sentido na lapela
    foi por ela que eu vesti fato e gravata
    que o sol até nem me faz falta?

  16. Qualquer discussão sobre a Europa, sobre o euro, sobre a economia ou sobre a austeridade, desligada da base democrática em que assenta é pura conversa filosófica sem consequências na realidade.
    Porque (me) parece que qualquer país que voluntariamente pessa para aderir tem que ser obrigatoriamente uma nação onde se realizam votações e eleições democráticas segundo um modelo de matriz europeia, pluripartidário assente na liberdade de expressão, associação e imprensa. O que é um facto é que a construção europeia se baseia em 28 opiniões publicas ou eleitorados que expressam a sua vontade votando, um eleitor um voto.
    Antes de se atrapalhar na trapalhada que diz existir ao nivel comunitário, ao nível das instituições, devia-se concentrar, sob pena de desvirtuar os principios fundadores da UE, sobre que tipo de regimes alternativos é que a esquerda “não atrapalhada” propõe que substituam, ao nivel nacional, a expressão soberana de cada povo, já que 28 democracias procurando caminhos comuns se atrapalham mutuamente.
    Como se faz para que a vontade de cada país se expresse, com que tipo de regimes que agradem à esquerda “não atrapalhada” se conseguirá reerguer a Europa?
    Que construção europeia, desde a base nacional democrática (que pelos vistos não é soberana, legítima, livre) até ao topo da pirâmide europeia (conselho europeu, parlamento europeu), que pelos vistos também não resulta de processos eleitorais nacionais para essas instituições, advoga a esquerda “não atrapalhada” para que a Europa funcione, com todos, Espanhois, Franceses, Italianos, Portugueses, Holandeses, Alemães, Gregos, etc…?
    Porque parece que, à falta de melhor solução, que gostariamos de saber como seria, não teremos muita escolha senão continuar (melhorando e corrigindo, mas mantendo o principio) com as nossas imperfeitas democracias e uniões, pese embora a crítica permanente de quem, não tendo a exclusividade da representação eleitoral dos povos, sendo até bastante pouco representativo nesse plano (haverá outro?…) gostam de falar como procuradores do povo, nunca se atrapalhando com esse “pequeno” pormenor.
    A democracia é uma “trapalhada”, tudo seria mais fácil sem ter que tomar isso em consideração. Em 28 nações e povos.

    1. E eu que pensava que para esfregar as mãos de contente eram necessárias duas…Lembrou-me de um Koan famoso “qual é o som de uma mão batendo palmas?”

  17. Não me esqueço de um amigo meu me ter dito que no “Maio de 68”, depois dos manifestantes terem arrancado os paralelos da rua para a sua luta, o poder ter mandado alcatroar as estradas. Não sei se é uma estórinha ou aconteceu de verdade, mas ilustra bem o esforço inglório pela luta dos direitos de igualdade entre os Homens. Aliás, o próprio desfecho do “Maio de 68” prova isso mesmo: “O governo estava em vias de colapso (de Gaulle chegou a refugiar-se temporariamente numa base da força aérea na Alemanha), mas a situação revolucionária dissipou-se quase tão rapidamente quanto havia surgido. Os operários voltaram ao trabalho, seguindo a direção da Confédération Générale du Travail, a federação sindical de esquerda, e do Partido Comunista Francês (PCF). Após as eleições, em Junho, o partido Gaullista emergiu ainda mais poderoso do que antes.” – https://pt.wikipedia.org/wiki/Maio_de_1968

  18. Bom dia Sr. Prof. Louçã

    Como tive conhecimento que esteve na Grécia e se inteirou da sua realidade concreta a vários níveis, nomeadamente financeiro, económico e social, agradecia que informasse e comentasse sobre a veracidade da noticia infra transcrita, alegadamente publicada no ” Jornal Económico de 29.11.2011, ou se não passa de demagogia e falsidades.

    Muito obrigado

    “GRÉCIA:

    NADA ACONTECE POR ACASO.

    QUEM PLANTA… COLHE.

    (Retirado do Jornal Económico (Portugal) — 29/11/2011)

    Lê-se, por vezes, que os gregos, ‘coitadinhos’, são um pobre povo
    periférico que está a sofrer as agruras de uma crise internacional

    aumentada às mãos da pérfida Merkel, Ministra alemã.

    Já é tempo de sair desta superficialidade, de perceber que os gregos têm culpas no cartório, que não foram sérios e que não o estão a ser.

    Os gregos levaram a lógica dos “direitos adquiridos” até à demência,

    ou melhor, até à falta de vergonha.

    Contam-se fatos inauditos.
    Exemplos desta falta de seriedade são imensos;

    a seguir apenas alguns mais relevantes :

    1 – Em 1930, um lago na Grécia secou.Mas o Estado Social grego
    mantém o Instituto para a Proteção do Lago Kopais que,
    embora tenha secado em 1930, ainda tem, em 2011,

    dezenas de funcionários dedicados à sua conservação…

    2 –Até hoje, as filhas solteiras dos funcionários públicos têm direito a uma pensão vitalícia, após a morte da(o) mãe/pai-funcionário público. Recebem 1000 euros mensais — para toda a vida — só pelo facto de serem FILHAS de funcionários públicos falecidos!
    Há 40 mil mulheres neste registro que custam ao erário publico cerca de 550 milhões de euros por ano…

    Depois de um ano de caos, o Governo grego ainda não acabou com isto completamente. O que insiste e pretende é dar este subsídio “só” até ELAS fazerem 18 anos…

    3 – Num hospital público, existe um jardim com quatro (4) arbustos. Ora, para cuidar desses jardim/arbustos o hospital contratou quarenta e cinco (45) jardineiros!

    4 – Num ato de gestão muito “social” (para com o fornecedor), os
    hospitais gregos compram pace-makers quatrocentas vezes (400) mais caros do que aqueles que são adquiridos no SNS britânico!

    5 – Existem seiscentas (600) profissões que podem pedir a reforma
    aos 50 anos (mulheres) e aos 55 (homens). Por quê?
    Porque adquiriram ‘estatuto de profissões’ de alto desgaste físico/mental… Dentro deste rol, temos cabeleireiras, apresentadores de TV, músicos de instrumentos de sopro…

    6 – Pagava-se, até 2011, o “15º mês de salário” a toda a classe trabalhadora!…

    7 – As Pensões de Reforma de 4.500 funcionários-militares, no montante de 16milhões de euros por ano, continuavam a ser depositadas, mesmo depois dos idosos falecerem, simplesmente porque os familiares não davam baixa e, assim, não havia meios de se averiguar a exatidãodessa contribuição!…

    8 – O descontrole chegava ao ponto de se pagarem os prémios de “UNS” seguros-desemprego independente de quem fosse usufruir deles!

    9 – A Grécia é o País da União Europeia que mais gasta, em termos
    militares, em relação ao PIB (dados de 2009):
    O TRIPLO de Portugal!

    10 – Há viaturas oficiais da Administração do Estado que chegavam a ter 50condutores… Cada novo nomeado para um cargo administrativo, nomeia três ou quatro condutores da sua confiança, mas como não são permitidos “despedimentos” na função pública, os anteriores mantinham seus salários…!

    11 – Em 27/06 último, o Prof. Marcelo, acrescentou mais uma aberração à lista… Afirmou ele:

    ” Na Grécia, cerca de 90% da terra não tem cadastro.
    Agora digo eu: sabem o que significa isso?!
    Significa que os proprietários não pagam impostos!!!
    Eu já tinha ouvido dizer que os gregos não pagavam impostos…
    Ora, a grande receita do Estado provém dos impostos!
    Isto quer dizer que o erário (o tesouro) público do Estado grego está vazio,totalmente vazio!!!
    Isso quer dizer que os bilhões de euros, da União Europeia, é que serviram, durante todos estes
    anos, para manter o invejado nível de vida atingido pelos gregos.
    Não se admira que já tenham estoirado muito dinheiro alheio, que, de facto, não lhes custaram quase nada…

    Dizem POR FIM, as más línguas, que:

    “SER GREGO NÃO É NACIONALIDADE,

    É PROFISSÃO!!!”

    1. É curioso, mas isso passa-se cá em Portugal. Pode não ser com os trabalhadores comuns, como na Grécia, mas é com as élites – Presidentes da Répública (activo e passivos. estes últimos ainda t~em direito a motorista e guarda pessoal, além da reforma choruda), Presidente da Assembleia da República (reformada aos 42 anos), Ministros, Acessores, Deputados, boys, empresários (http://expresso.sapo.pt/blogues/blogue_politicoesfera/os-empresarios-portugueses-e-a-maminha-das-tetas-sagradas-da-vaca-do-estado=f790507) e todos os reformados milionários que nunca descontaram o que recebem, como é o caso do Jardim Gonçalves e seu sucessor, Paulo Teixeira da Cruz (Este último saiu reformado por uma junta médica e montou um negócio de vender livros). Portanto, antes de se admirar com o que fazem os outros com o dinheiro deles, olhe para os que fazem cá dentro com o seu dinheiro.

    2. Sr. Alcino, se eu tenho um irmão toxicodependente e – ciente da sua condição – lhe empresto dinheiro continuamente, mesmo sabendo que ele usa esse dinheiro para se afundar ainda mais, não serei eu co-responsável pelo agravar da sua condição?

      Sobre os pontos que listou, permita-me dizer-lhe o seguinte: Muitos dos males e exageros que descreveu não são exclusivos a uma mentalidade de “esquerda”. Antes, são exclusivos do oportunismo, incompetência e clientelismo no qual tanto cai o ser humano, seja à esquerda ou à direita.

      Diz que o Estado Social grego dá pensões vitalícias a filhas solteiras de funcionários públicos falecidos. Não sei se é verdade no caso da Grécia, mas sei que isso acontece no Brasil. Mas fora do âmbito da esquerda também acontecem algumas situações bem absurdas. Acionistas que nunca trabalharam numa empresa recebem dividendos, quando colaboradores que se esforçaram para alcançar os lucros deixam de receber participação nos resultados, porque – apesar da empresa ter lucrado – não alcançou as metas estabelecidas. Isto mesmo quando fica claro que as metas eram fruto de otimismo exagerado dos principais acionistas – que impõem as metas – e de não levarem em conta quedas no mercado. Mesmo quando o seu otimismo se comprova desmedido, as metas não são ajustadas.

      Em contraste ao exagero do hospital que contratou 45 jardineiros para 4 arbustos, empresas privadas reduzem quadros drasticamente, em nome de uma suposta (falsa) eficiência, a ponto da sobrecarga de trabalho tornar virtualmente ineficientes os que ficam. No ano passado trabalhava numa empresa onde atendia, com o auxílio de um ajudante aprendiz, o departamento comercial e 7 ou 8 unidades regionais. Chegava a ter mais de 100 demandas em fila de espera, sendo que todas eram consideradas “urgentes” e demoravam em média meio dia para atender. Muitas acabavam por não ser atendidas, pois quando chegava a sua vez a oportunidade já havia escapado. Além de executar as demandas, ainda tinha que fazer o atendimento. Chegou ao ponto em que tinha que escolher entre prestar um mau atendimento, ignorando e-mails e chamadas telefónicas (a solução recomendada pelos meus superiores), e executar as demandas. Por várias vezes sugeri terceirizar demandas, mas a resposta era sempre a mesma; não há dinheiro. Decidi demitir-me. Sabe o que aconteceu depois? Fizeram um contrato com uma empresa para assumir o que eu fazia por um centésimo do valor contratado. E tanto quanto soube de ex-colegas, meses depois a empresa ainda não acertava.

      Sobre a história dos pacemakers, lembro que o departamento de marketing pagava fees milionários a agências que entregavam trabalhos reconhecidamente e constantemente fracos. Uma delas era tão persistentemente fraca e a insistência de trabalhar com ela era tanta, que tresandava a clientelismo. Outra era bem renomada, mas chegou a ter a falta de vergonha de reutilizar material de uma marca para outra… E cobrar por isso. E nem por isso trocaram de agência.

      Num ano de dificuldades e maus resultados, a mesma empresa trocou toda a frota da diretoria e gerência. E olhe que a anterior não era ruim.

      E isto sem falar de inúmeros casos de diretores que recebem bónus milionários enquanto afundam empresas privadas, como foi o célebre caso da Enron…

      O problema não é de esquerda nem de direita. O problema é humano e usar-se da esquerda ou da direita de forma ineficiente quando não corrupta, como os casos que aqui exemplificamos.

      Mas o problema da Grécia vai mais além… É que, ao contrário da analogia do irmão que emprestou ao irmão toxicodependente, no caso da Grécia o “irmão” credor está efetivamente beneficiando da desgraça do outro; recebendo juros milionários e tomando o poder.

      E em Portugal? O primeiro-ministro recentemente declarou que é de se esperar uma subida na taxa de juros num futuro próximo. Sabe o que acontecerá? Uma boa parte do valor da despesa que este governo tanto se orgulha de ter reduzido do orçamento do estado e que – mal ou bem empregado – ainda circulava na economia portuguesa, voltará ao orçamento do estado, só que agora serão canalizados para o exterior, na forma de juros da dívida que entretanto disparou.

      Vira o disco e toca o mesmo.

  19. pois , é tudo assim
    e quer ver que novo euro /o velho dracma tem tudo a ver com informática ? olhe que tem , olhe q tem ..

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