Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

27 de Julho de 2015, 08:47

Por

Quando o Inimigo Público passar a ser a agência noticiosa do mundo

É sempre uma esperança para os editores do Inimigo Público, ainda podem vir a substituir na liderança da informação mundial este PÚBLICO que colonizam alegremente, ou mesmo o Financial Time, o New York Times ou até, Virgem Santa, o Allgemeine Zeitung. Basta-lhes seguirem as pisadas do Onion, uma conceituada revista satírica norte-americana (como se houvesse conceitos neste ramo do negócio), que publicou uma manchete garantindo que Obama, para agradar a Netanyahu – que estava zangado com o acordo nuclear com o Irão – resolveu oferecer-lhe alguns mísseis.

Vai daí, Obama ofereceu mesmo os mísseis ao governo de Israel, nem tinha passado um dia. A ficção é melhor e mais rápida do que a realidade.

Há várias interpretações para isto. Uma é que o Onion tem fontes secretas colocadas no gabinete do Presidente e antecipou a notícia. Outra, mais realista, é que o Presidente se inspira na revista satírica – em política internacional, não há nada que dê melhor resultado. Mas, cá para mim, a verdade é outra: tal como está o mundo, é preferível lermos as notícias mais estrambólicas porque a realidade é triste e só a imaginação liberta.

Admitam os leitores, por um momento de volúpia, que lêem a notícia de que o Presidente português anuncia que gostaria de escolher os vencedores das eleições, que um partido de esquerda passa a ser nem-de-esquerda-nem-de-direita, que a venda da PT afinal foi combinada antes de a empresa sequer estar à venda, que na TAP o verdadeiro dono anda disfarçado de comissário de bordo, que o ministério tira os telefones dos centros de saúde, que o ex-presidente da Comissão Europeia apresenta o livro de Relvas. Tudo disparates. Nem o Inimigo Público se atreveria a tais baixezas ou trivialidades.

Afinal, a sátira é uma arte a ser praticada com gosto e elevação. Como Obama.

Comentários

  1. F, a imaginação, a contabilidade criativa e o seu criador o nosso amado presidente, sem ele este pais era tristérrimo, acho que se fosse este pais uma monarquia sécolo XXI, era o nosso João das Regras, declarava tudo nulo despois das eleições e o posto vago de regente Mor era ocupado por durão barroso, que o nomeava presidente secolorum, albacea do banco central e alcalde honorário do condado de boliqueime, anulava o seu casamento com a Maria e o casava com a Reina de Espanha, la unidadade ibérica restaurada, que se vai divorciar do cazador de elefantes, ah …perdoava as dívidas do yenro, é o que nos precisamos, gostaria de ter essa noticia antes das férias para não mexer nos meus euros.

  2. Bom dia,

    De facto, na sociedade invertida em que vivemos, a tentativa de sátira sai verdadeira e as notícias saíem falsas.
    Com a excepção do saudoso “coice de mula” o melhor jornal português (não sai há anos) o inimigo público apresenta-se hoje com a mais sólida informação.

  3. A que ridículo ponto chegou a civilização humana, em que desperdiçamos tanta energia e talento para ridicularizar a nossa impotência face à triste realidade em que vivemos.

    Sátira… Seria cómica, se não fosse trágica.

    Segue a minha sugestão para um próximo artigo, inspirado num e-mail que recebi hoje da SumOfUs:

    Governo Britânico e multinacionais anunciam plano para erradicar a fome no mundo.

    O governo britânico anunciou esta semana o plano Detona Fome, criado em parceria com as multinacionais Bayer e a Syngenta e que tem como objetivo erradicar a fome no mundo.

    O plano é considerado pelo governo de Downing Street como o mais simples, objetivo, ousado e inovador projeto de combate à fome do século XXI e consiste em levantar a proibição do uso no Reino Unido de pesticidas produzidos pelas parceiras multinacionais e que, segundo ambientalistas e cientistas, causam a morte de abelhas por intoxicação.

    Questionados pelo Inimigo Público se o plano não iria comprometer a polinização de colheitas e produzir mais fome no mundo, o porta-voz do governo respondeu “Sim e é precisamente por isso que o plano é simples, objetivo, ousado e inovador. Após realizarmos diversos estudos, chegámos à conclusão que a forma mais rápida de acabar com a fome é acabar com as pessoas que sentem fome.”

    A Bayer e a Syngenta declinaram fazer entrevistas, mas numa nota enviada à redação declararam estar confiantes quanto ao sucesso do plano Detona Fome.

  4. Também há quem ainda creia na vinda de D. Sebastião… num misto de Fé e Esperança.
    O regresso não do Rei, em carne e osso, claro está, mas simbólico… materializado num acontecimento “restaurador” da nação. Um desses acontecimentos pode muito bem ser o regresso do ESCUDO!

    D. SEBASTIÃO (Fernando Pessoa – Mensagem, 1934)
    Esperai! Caí no areal e na hora adversa
    Que Deus concede aos seus
    Para o intervalo em que esteja a alma imersa
    Em sonhos que são Deus.

    Que importa o areal e a morte e a desventura
    Se com Deus me guardei?
    É O que eu me sonhei que eterno dura,
    É Esse que regressarei.

    «O sebastianismo, fundamentalmente, o que é? É um movimento religioso, feito em volta duma figura nacional, no sentido dum mito. No sentido simbólico D. Sebastião é Portugal: Portugal que perdeu a sua grandeza com D. Sebastião, e que só voltará a tê-la com o regresso dele, regresso simbólico – como, por um mistério espantoso e divino, a própria vida dele fora simbólica – mas em que não é absurdo confiar.» Vide: http://arquivopessoa.net/textos/3331

  5. Nenhuma afirmação deve congregar maior acordo quanto a ser a sátira uma arte.Quanto a ser praticada com elevação, só se fôr em bicos dos pés, como se depreende dos casos jornalísticos aludidos, ou com sobranceira manifestação de poder, embrulhada em papel de fantasiosa imparcialidade, como protagonizado por Obama.

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