Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

25 de Julho de 2015, 16:13

Por

O Tour de France

tour-de-france-20121Termina amanhã a 102ª Volta à França em bicicleta, com a sempre fascinante chegada aos Campos Elísios. Um Tour que, através dos meios técnicos de agora, podemos acompanhar em todo o seu esplendor. Transmissões superiormente realizadas, com pormenores deliciosos sobre o interior do pelotão, com imagens soberbas sobre a heterogeneidade de uma natureza pródiga em beleza e de um  valioso património histórico e cultural, e com bons comentadores da RTP que pedem meças a todos os que por aí há no mundo do futebol.

Sempre gostei de ciclismo. Desde os tempos heroicos da nossa Volta a Portugal (bem diferentes do cinzentismo de hoje), ao Giro de Itália e à Vuelta de Espanha e, acima de tudo, do Tour e do fascínio montanhoso do Tourmalet, Aspin, Alpe d’Huez, Mt. Ventoux e outros “Col” alpinos ou pirenaicos. Recordo a alegria do glorioso 10º lugar de Alves Barbosa e os inolvidáveis feitos de Agostinho. E dos consagrados Anquetil, Charly Gaul, Gimondi, Bahamontes, Merckx, Ocaña e tantos outros que perduram no meu inventário de memória.

No Tour, há ”maillots” de toda a sorte. A camisola amarela deixou de ser única para se confundir, inexplicavelmente, com outras amarelas ora consentidas no pelotão. Há a branca da juventude (por que não uma da veterania?), a verde, espécie de compensação para quem rola, mas não trepa, a das bolinhas vermelhas (outrora azul) que, ao invés, é para quem trepa mas não rola. Além do prémio da combatividade, quase sempre uma consolação para quem perde em cima da meta e a do azar, um prémio para quem não ganha longe da meta.

Desgraçadamente, o Tour tem sido envolvido pela batota contra a natureza, separando a sua inalienável estética da sua necessária ética. Este ano, houve, aparentemente, sinais de que foram superadas, ainda que não esquecidas, as sequelas do anti-desportivismo e do “doping” endémico. A prevenção e o maior investimento no jogo do rato e do gato contra a dopagem (não esquecendo, porém, o enigma que paira sobre o “doping tecnológico” já não do homem, mas de um motor quase indetectável na própria bicicleta…) deram um certo ar de alívio de uma nova fase na festa de “La Grande Boucle”. Veremos com que consistência.

Comentários

  1. Admiro… os admiradores.Quanto à coisa em si, futebol ou ciclismo, assim-assim, uns dias mais, outros anos menos… O que mais me atrai… negativamente, se assim se pode dizer, e numa perspetiva crítica, nessas duas modalidades desportivas, é a violência (no futebol) ou (em ambas) a dopagem. Relativamente a esta última, faz-me espécie que Lance Armstrong tenha sido destituído das suas sete vitórias na Volta à França, enquanto que a Jacques Anquetil e a Eddy Merckx nunca foram retiradas as cinco que cada um deles nela obteve, sendo que é sabido que Jacques Anquetil se dopava para obter os seus resultados, e que o próprio Edddy Merckx afirmou publicamente em entrevistas à imprensa que o fizera.

  2. Os comentadores da RTP 1 são bons mas já fizeram muito melhor. Estão estafados. Houve um ano muito bom em que intervieram muitos convidados fãs do ciclismo. Vem imediatamente à memória o Bagão Félix, o Marçal Grilo e recordo ainda a maravilhosa história do Sr. Araújo, o especialista em rodas que a determinado passo, por todos os raios xpto made in suiss partirem, se lembrou de metê-los ao lume para lhes alterar a têmpera. O léquipe considerou-o o melhor mecânico do mundo.

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