Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

23 de Julho de 2015, 08:35

Por

É pró menino e prá menina, são só 69 milhões de euros

ptA história conta-se em poucas palavras: afirma Hernâni Vaz Antunes, a quem chamam o “comissionista”, que participou numa reunião em Paris, no Hotel Shangri-La (e numa data anterior à da fusão da PT e da Oi, ou seja, foi tudo uma fraude destinada a permitir a compra pela Altice), entre a PT, a sua dona Oi e a Altice, que viria a comprar a empresa de telecomunicações portuguesa que passou a ser brasileira e depois passou a ser francesa ou de parte incerta, e que lhe foi prometida uma comissão de 69 milhões se a venda se concretizasse. Era só 1%, coisa moderada.

A venda realizou-se e a Oi não quer pagar. Vai daí, Antunes apresentou o caso a tribunal, que começou por lhe negar a petição, mas Armando Pereira, um dos donos da Altice e actual presidente da PT, veio agora confirmar a sua versão. A Oi, matreira, alega que um tal Otávio Azevedo e um tal Marcos Gonçalves, respectivamente ex-administrador da Oi na PT e o responsável pelas aquisições do banco BTG Patual, metido ao barulho, nem prometeram nem tinham mandato para prometer os tais 1% de comissão. Para melhorar a coisa e os leitores ficarem com o panorama completo, quem se queixa é a Jana General Trading, empresa do tal Antunes, sedeada no Dubai, que é representada legalmente por Jessica Antunes, Antunes como o outro Antunes. Por sua vez, o presidente da PT, o tal Pereira, começou por declarar ao tribunal que nada tem que ver com a dita comissão, isto a 9 de julho, mas esclareceu uns dias depois que assistiu à promessa da comissão e que portanto o amigo tem toda a razão embora ainda não tenha os ditos 69 milhões.

Antes que pense que isto é uma telenovela, note que a vida real é sempre mais manhosa do que a ficção. E se pensa que tudo isto é o cadáver da PT disputado por abutres financeiros, é sem dúvida um exagero da sua parte e neste blog nunca pactuamos com insinuações desse tipo. Uma comissão é uma comissão e 69 milhões são 69 milhões, a conta tem que ser acertada porque senão os mercados ficam nervosos e tudo o que não queremos é os mercados nervosos. Já a PT, isso é outra história.

Comentários

  1. O mal da PT foi a sua privatização (e não só a PT), o que a tornou numa presa de tubarões, favorecendo uns poucos vigaristas, com prejuízo para a PT, seua trabalhadores, baixando a sua qualidade de serviço para o cliente

  2. Eu tenho um asco de morte à Portugal Telecom.
    Não pela PT actual mas pelo seu legado ditatorial dos tempos dos primórdios do telefone.
    Os TLP
    Essa empresa monopólio, pesada, burocrática, prepotente, autoritária, podre, corrupta, estatal que dominou o telefone em Portugal por quase um século.
    Nunca lhes vou perdoar o tempo em que demoravam 2 anos a instalar uma linha telefónica, a qualidade de serviço miserável (por serem únicos faziam o que queriam). Nunca lhes perdoarei os 10 escudos que perdia uns a seguir aos outros quando as chamadas para a internet (TELEPAC) caiam ao fim de 1 segundo
    Nunca lhes perdoarei a taxa de activação de chamadas
    Nunca lhes perdoarei as cabines telefónicas avariadas durante anos.

    A PT agora é outra mas os cágados que estavam na antiga ainda lá estão e outros estão a papar brutas reformas depois do maravilhoso serviço prestado nos TLP.

    Eu quero que a PT MORRA !
    No dia em que apareceu o primeiro operador privado eu mudei, até hoje… não tenho rigorozamente nada que cheire a PT.

    1. A Portugal Telecom foi criada em 1994, em resultado da fusão da Telecom Portugal, dos Telefones de Lisboa e Porto e da Teledifusora de Portugal. A sua história está ligada a todo o percurso de desenvolvimento das telecomunicações em Portugal. Tratava-se de uma das maiores empresas portuguesas e a primeira de dimensão internacional, sendo a que mais investiu em tecnologia de ponta e investigação no nosso país, na sequência de uma aposta concertada, concebida e desenvolvida por engenheiros portugueses. È lamentável ainda haver portugueses que vêm com bons olhos a destruição do nosso tecido empresarial!

    2. Caro amigo, do jeito que escrve, parece-me que nem uma cobra capelo conseguiria cuspir tanto veneno!
      As suas frustracoes, devverão ter outra origem que não a empresa que refere. Recomendo, assim, que consulte um psicologo/psiquiatra, dado se encontrar gravemente doente.
      Passe bem.

      Bom fim de semana

  3. GOLDEN SHARE – ou as “comissões douradas” da PT?

    Rebobinando a cassete…
    2015. A propósito da venda da subsidiária PT à Altice pela Oi, vem um “comissionista” reclamar “justiça” por não ter recebido a respectiva “comissão” na intermediação do negócio. Mas, se tal encontro se deu antes da fusão da PT/Oi, então, a posterior venda da PT é, de facto, como refere Louçã (com ou sem parêntesis) uma fraude!… Ou seja, a criação do tal “megaoperador lusófono” de telecomunicações, a que pareciam corresponder a combinação de anseios e interesses entre as operadores, não era afinal a verdadeira motivação da Oi! – Então, para que serviu a fusão?

    2014/15. Henrique Granadeiro já havia dito: “Se a Oi já tinha previsto vender a PT Portugal, poderemos presumir que a fusão serviu apenas para libertar os acionistas da Oi das suas dívidas e a Oi da dívida dela”.
    Isto, após Granadeiro ter mudado de opinião sobre as vantagens do negócio, vindo defender o fim da fusão PT/Oi (numa confrontação derradeira para evitar a venda à Altice), ainda na sequência da renegociação do capital a que obrigou o caso Rioforte, argumentando: “É legítimo à PT SGPS denunciar o acordo de fusão porque no caso de virem a ser aprovados pela CVM [regulador brasileiro da bolsa] os acordos definitivos […] a participação da PT SGPS ficará muito aquém do limite mínimo de participação (36,6%) estabelecido na AG que aprovou o aumento de capital [da Oi]”

    Vide: http://expresso.sapo.pt/economia/granadeiro-diz-que-fusao-serviu-para-limpar-dividas-da-oi=f906820 (17/01/2015)
    Vide: http://www.publico.pt/economia/noticia/henrique-granadeiro-defende-fim-do-negocio-ptoi-1682305 (15/01/2015)

    2010. Por outro lado, há dois dias, o Público fez notícia da investigação do “negócio da venda da Vivo à Telefónica e a compra da Oi”, dando conta da alegada “promiscuidade” entre governantes, accionistas e altos quadros das respectivas empresas – envolvendo Sócrates, Lula da Silva e Zeinal Bava.
    http://www.publico.pt/sociedade/noticia/justica-investiga-negocio-de-venda-da-vivo-a-telefonica-e-compra-da-oi-1702635?page=1#/follow (21/07/2015)

    2011. Entretanto o Estado deixou de ter participação especial na PT, dando por terminada a “Golden Share” por imposição da Troika – e pressão de UE. O então ministro Vítor Gaspar comentou no Parlamento: “Parece-me importante esclarecer que a eliminação das ‘golden shares’ não é uma medida que este Governo tome de forma relutante e forçada, é uma medida que este Governo toma de uma forma decidida e convicta”, acrescentando ser “absolutamente crucial para a transparência e para o bom funcionamento da economia de mercado”.

    Em resumo: As “golden shares” deixaram, portanto, de poder servir a defesa estratégica da “Res Pública”, promovido pelo Estado – ainda que per si não fossem uma garantia contra a corrupção e os maus governantes. Porém, desfeita a “golden share”, anulado o poder de intervenção do Estado (numa empresa originalmente formada com dinheiros públicos, sublinhe-se!), o que fica imediatamente não é a livre e transparente superior conduta da economia de mercado – como defendem, numa perversão ideológica, os doutrinadores do “liberalismo”!
    No desenrolar de negócios escusos, que reclamam por ora por “justiça”, sucede-se a partilha escandalosa de “comissões douradas” – ou será isto uma numa alocução à expressão “golden share”?

  4. É fartar vilanagem… com a benção do povo português que vai apadrinhar este e outros negócios nas próximas eleições, ao votar no PS, PSD ou CDS.

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